(Continuação)
O meu comentário é que Alice Miller foi capaz de explicar o terror da criança, matéria também abordada por mim, nas pesquisas efectuadas ao longo dos quase quarenta anos da minha vida em vários sítios do mundo. Aliás, o texto que comento, está baseado na análise de uma pintura a óleo de Rembrandt . Miller observa essa pintura com a sua nova metodologia de estudar desenhos e o seu significado e assim entender o sacrifício de um pai, que deseja cumprir a lei e a ordem sócio – religiosa e ritual, essa parte das nossas vidas, que comemoramos com festas e presentes, comidas e bebedeiras, mas nunca com a intenção do sentimento de fé para o qual foram criadas pelo ser humano. São festas de passagem de uma a outra forma de vida. Na sua análise da pintura, Miller, diz que Abraão leva o seu filho para ser degolado em frente da divindade, Javé , como é denominado Deus entre hebreus e cristãos de ontem e hoje, normalmente nas Bíblias da Igreja Católica, Anglicana e outras anteriormente. Cristãos e muçulmanos usam também a palavra Alá. O sacrifício era por ordem dessa divindade que queria provar se Abraão era ou não um filho obediente do seu Pai dos Céus, disposto a matar o seu filho, para agradar ao pai. Se eu fosse Miller, diria que é uma filiação mal entendida e um pai provador de obediência e submissão aos seus requerimentos.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
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