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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Orçamento, ir à missa de capacete.

Carlos Mesquita

A Igreja de Sto. António de Campolide tem um bom publicitário de batina, aproveitou o momento dos cortes orçamentais para exigir obras no templo ao ministério das Finanças. Vieram fiéis, alguns de fora, compraram uns luzidios capacetes brancos e montaram a cena para as televisões. O espectáculo resultou, contaram a história ficou a reivindicação. Iniciativa criativa da Igreja, que percebe e usa o tempo da mediatização. Pertence à Igreja a melhor campanha de publicidade de sempre, o Natal, e o mais reconhecido logótipo, a Cruz, que deixa o símbolo do Sandeman envolto numa capa negra.

Mas desta vez tem de ir para a bicha dos pedintes, antes estão os polícias, os magistrados, os professores, os autarcas, os banqueiros, a classe média e todos os boys e ladies que dependem do Estado. Desta vez o orçamento é de descascar pessegueiro, ninguém fica completamente de fora, se não cortam nos vencimentos pagam no cabaz de compras, na energia, nas alcavalas de mais impostos e taxas. Parece democrático, (mesmo com casos como o do MAI de ter inscrito mais despesa com os governos civis) mas não é. Quando atinge rendimentos baixos, no limite em que vale a pena sair de casa para ir trabalhar, já não há razões financeiras que justifiquem a austeridade.