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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lavagem com água benta...

- por JOANA EMÍDIO MARQUES

Obra de jornalista italiano revela os esquemas corruptos que se escondem sob a gestão financeira da Santa Sé .Num cruzamento, perto de uma auto-estrada, do cantão suíço de Ticino, uma camponesa idosa guardava na sua cave duas malas Samsonite cheias de papéis arrumados em pastas de cartolina amarela. Durante quase trinta anos, recebeu aquelas pastas, sem nunca saber que, o que guardava, eram documentos que abriam a porta para um dos segredos mais bem guardados do mundo: as finanças do Vaticano.
No Verão de 2008, coube a um jornalista italiano da revista Panorama, Gianluigi Nuzzi, ir buscar estas malas que continham o arquivo secreto de monsenhor Renato Dardozzi, que, entre 1974 e o final da década de 90, foi uma das figuras mais importantes do Instituto das Obras Religiosas (IOR), o Banco do Vaticano. Dardozzi, falecido em 2003, manifestou, no seu testamento, a vontade de tornar públicos estes documentos.
Foi a partir deles que o jornalista escreveu o livro Vaticano S. A., que veio agora apresentar a Portugal.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Saramago à procura de Deus?



Luis Moreira


A obra de Saramago é uma procura incessante do transcendental ? Quando Saramago confronta Deus com a imperfeição do Homem, ou O acusa da Bíblia ser "um conjunto violências" estamos perante uma revolta por não encontrar Deus na Humanidade?

Se nas obras em que essa confrontação é evidente, como acusando Deus e os Evangelhos de serem profundamente imperfeitos vindos de alguem que se apresenta como perfeito e está em todo o lado, no "Ensaio sobre a Cegueira" que foi o livro que lhe deu o empurrão final para o Nobel, essa leitura pode e deve ser feita.De que se trata?

De toda uma população que cega, com a excepção de uma mulher, "SER" excepcional que vê pelos outros, que se "dá" aos outros, que "guia" entre a miséria e o sofrimento.Porquê alguem que vê quando os outros não conseguem? Porquê uma mulher? Ser que dá a vida não deixando de ser uma mulher?

Esta procura incessante presente na obra de Saramago, vai ao arrepio do homem ateu, ou faz parte das interrogações do homem empenhado no curso da humanidade?

A nota do Vaticano sobre a morte de Saramago é amarga e pouco bondosa, não "recebe o filho desavindo no seu seio" carimba-o de marxista- lelinista e vê na sua obra um confronto gratuíto com a Igreja.Nada de mais errado! Saramago à sua maneira é um escritor profundamente revoltado com a falta de Deus no quotidiano medíocre e sem grandeza do Homem.Chamemos-lhe o que quisermos, Deus, transcendente, mas o objectivo de tirar a Humanidade da escravidão do "TER" e chamá-lo ao "SER" parece-me ser um linha orientadora da sua obra, reconhecidamente Universal!