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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nós e a Irlanda

Carlos Mesquita


O texto de sábado, de Marc Roche, sobre os bancos Irlandeses serem os responsáveis pela crise do “Tigre Celta”, suscita – me duvidas. Já antes os defensores do modelo económico Irlandês tinham vindo justificar a crise, dizendo que ela nada tinha a ver com as opções de política económica dos governantes; era fruto da gestão imprudente dos banqueiros e gestores financeiros. A minha primeira observação é se esses irresponsáveis apareceram por “geração espontânea”, ou são fruto da doutrina económica dominante nos últimos quase 30 anos. Foram formados para actuar no sistema da liberdade plena de mercado (como todos os que saem das Universidades) e aproveitaram; o governo irlandês acompanhou porque não o fazer era optar por outro modelo económico, e os irlandeses em geral também usufruíram da riqueza virtual, uma vez que o PIB per capita na Irlanda (o dobro do português para metade da população) não correspondia à economia real irlandesa.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Austeridade: a Europa a andar em sentido contrário

Michel Aglietta, economista e Lionel Jospin, antigo primeiro-ministro de França (1997-2002).


Depois da reunião do G20, perto de Seul, uma coisa é óbvia: as principais potências económicas do mundo não irão reduzir nem regular o sector financeiro que os estados deixaram constituir na economia mundial ao longo destas três últimas décadas.

Em 2008 e 2009, aquando das cimeiras de Washington e de Londres, foram assumidos compromissos solenes e foram elaboradas áreas de trabalho relevantes. Mas isso levou a muito poucas acções concretas. O sistema financeiro foi salvo e a depressão evitada graças aos planos de retoma económica por parte dos governos, que mostravam a ambição de reformar de uma forma concertada todo o mundo económico e financeiro,. E é esta ambição que entretanto se perdeu.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - As Grandes Ilusões



Tudo foi feito para que os cidadãos do mundo se sentissem aliviados e confortados com os resultados da Cimeira do G20 que acaba de se realizar em Londres. Os sorrisos e os abraços encheram os noticiários, o dinheiro jorrou para além do que estava previsto, não houve conflitos – do tipo dos que houve na Conferência de Londres de 1933, em igual tempo de crise, quando Roosevelt abandonou a reunião em protesto contra os banqueiros – e, como se não houvesse melhor indicador de êxito, os índices das bolsas de valores, a começar por Wall Street, dispararam em estado de euforia. Além de tudo, foi muito eficaz. Enquanto uma reunião anterior, com objectivos algo similares, durou mais de 20 dias – Bretton Woods, 1944, donde saiu a arquitectura financeira dos últimos cinquenta anos – a reunião de Londres durou um dia.