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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


FARPA

Luís Moreira




Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:



"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

Parece que era bruxo!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fialho de Almeida - 2

(Continuação)

FIALHO FICCIONISTA. A «GUERRA» COM EÇA

Embora seja mais conhecido pela sua faceta de cronista panfletário, Fialho de Almeida é um admirável contista, tendo legado à literatura portuguesa algumas das mais belas páginas que nesse género se escreveram (como, por exemplo e entre muitos outros, A Ruiva, O Sineiro de Santa Ágata ou O violinista Sérgio num café da Mouraria, texto com que abre um dos panfletos do primeiro volume de Os Gatos). . Porém, usando sempre de uma extrema exuberância verbal, atinge esses momentos de grande beleza estilística, para logo a seguir usar uma linguagem eivada de galicismos (como diz Brandão, talvez apenas para seduzir alguns seus epígonos de café, os tais «noctâmbulos» que o escutavam e admiravam?). Por outro lado, alguns escritos seus raiam mesmo os limites do mau gosto e da grosseria (o que ocorre, nomeadamente, em numerosos textos de Os Gatos).

Como ele próprio reconhece, é um «prosador colérico», um crítico demolidor, impiedoso e, por vezes, excessivo e injusto. Terá sido o caso da sua polémica com Eça de Queirós. Costuma dizer-se que os críticos literários mais severos e implacáveis foram ou são, em geral, escritores frustrados. Esta, como todas, é uma generalização abusiva, pois Fialho deixou-nos das mais belas páginas da literatura do seu tempo, nomeadamente alguns dos seus contos. Não nos legou, porém, um só romance. As tentativas que fez nesse sentido saíram frustradas. Terá essa circunstância algo a ver com a violência com que analisa Os Maias?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal, por José Brandão, (61)

Um Século de Ensino da História


Maria Cândida Proença
(Coordenação)


Colibri, 2001

A atenção prestada pelos sucessivos regimes políticos à influência do ensino da História na formação da consciência nacional torna-se visível ao verificarmos a precocidade da sua inclusão nos currículos escolares. A intenção de colocar a História ao serviço do Estado, atribuindo-lhe objectivos de formação moral e patriótica de carácter propagandístico, pode detectar-se desde a Antiguidade, mas é a partir do século XIX que a sua utilidade se manifesta como factor incontornável no estabelecimento da educação nacional.
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Os Vencidos da Vida


Vários


Fronteira do Caos, 2006
Dizia Fialho de Almeida, criticando com azedume os Vencidos: "Dúzia e meia de ratões que, quando juntos, o que pretendem é jantar; depois de jantar, o que intentam é digerir; e digestão finda, se alguma coisa ao longe miram, tanto pode ser um ideal, como um water-closet." Disparava Eça de Queiroz, numa resposta à "ressoante publicidade que a imprensa erguia em torno do grupo jantante": "O que é estranho não é o grupo dos Vencidos - o que é estranho é uma sociedade de tal modo constituída que no seu seio assume as proporções de um escândalo histórico o delírio de onze sujeitos que uma vez por semana se alimentam."
"Num meio estreito de ideias, intolerante e preconceituoso, enredado em miúdos prejuízos - os Vencidos encarnavam a largueza de vistas, a tolerância generosa, a independência crítica, à luz da razão clarividente." Manuel da Silva Gaio, 1931

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Com estas duas fichas, fica concluído este Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal, de José Brandão. Oportunamente, anunciaremos uma nova obra do autor. 

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