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domingo, 2 de janeiro de 2011

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços.

Feliz Natal.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


FARPA

Luís Moreira




Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:



"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

Parece que era bruxo!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Em Olivença - Antiguidades de Portugal - Que mais fazer?




A propósito da realização deste mercado semanal, perguntámos ao nosso amigo e colaborador António Marques se, na sua opinião, os oliventinos apenas podem esperar de Portugal antiguidades e recordações. Respondeu assim:
 Uma ou duas notas sobre o que que se passa emn Olivença. Ou «no pasa nada»?

Há por lá gente (portuguesa? talvez; mas perdida, abandonada por Portugal e pela opinião pública portuguesa, que nada vislumbra e nada procura, tudo esqueceu), há por lá gente que não deixa de mirar o pôr-do-sol, de buscar o Mar Ocidental, de fitar o horizonte português...

E vão organizando feiras, seja de «velharias portuguesas», seja ou de «artesanato e antiguidades».

Que, quem caminha por estas vias tão modestas e cautelosas, senão equívocas, em defesa da cultura portuguesa (ou da lembrança dela) em Olivença, saberá que o caminho é estreito e, na perspectiva de auto-regeneração cultural, talvez intransitável, porventura já irrecuperável...

De maneira que, não havendo de Portugal e suas autoridades qualquer iniciativa para reconstruir a memória e a comunhão, não havendo dos portugueses deste lado do Guadiana qualquer sinal, qualquer aceno, aos de Olivença só lhes resta assumirem eles a tarefa de tentarem restaurar esse caminho antigo, tateando, procurando, evitando obstáculos, em pequenos passos.

Consegui-lo-ão? E deste lado, da nossa parte, que fazemos? Que podemos fazer?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sobre as Causas do Atraso Nacional

Luís Moreira



Um companheiro do Estrolabio, o Professor Fernando Pereira Marques, lançou ontem, dia 3, um livro com este título. Como viemos durante os últimos dias a anunciar, o lançamento realizou-se na Fundação Mário Soares, com intervenções dos Professores Eduardo Lourenço e Paulo Ferreira da Cunha e sob a presidência da mesa do Dr. Mário Soares, que abriu a sessão.

Foi um bonito lançamento,  com uma sala ampla cheia de gente conhecida, ligada à cultura e à política. Os apresentadores da obra discorreram sobre o tema central da obra - as razões que explicam o atraso português, com grande sabedoria, recuando vários séculos para mostrar que as gentes que descobriram novos mundos pagaram " a colonização de outros povos" e continuam a pagar.

Habituados à escravidão e serventia de outros, desde muito cedo o português se habituou a não trabalhar, sempre importou quase tudo do que come. Não é de hoje nem de ontem,o trabalho braçal é visto como indigno, falhou a constituição de uma "burguesia" industrial, que resultou das artes e ofícios que, por sua vez, tinham sido trocadas pela navegação e pela colonização de outros povos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As citações de Saramago - 4


Luis Moreira


Depois dos livros as citações para melhor compreensão do homem e do escritor.

Abandono de Portugal

Pago todos os impostos em Portugal e é lá que voto.Se não vivo em Portugal é porque fui maltratado, publicamente ofendido pelo governo de Cavaco Silva, de que era secretário de Estado Santana Lopes e subsecretário Sousa Lara. E no governo, a que pertencia Durão Barroso não se levantou uma única voz dizento "isto é um disparate, isto não se faz"

Balanço

A única coisa que ainda quero ter é vida.Vida para viver, vida para viver com quem vivo, se possível trabalhando. Se eu faço um balanço, operação bastante inútil, enfim, pois balanço feito pelo próprio é sempre suspeito...Se eu olhar para trás, independentemente dos triunfos, das glórias, aquilo de que eu gosto mais é de encontrar um sujeito consciente, coerente. Coerente. Nunca cedi às tentações do poder, nunca me pus à venda.

Espanha

Viajar por Espanha é surpreendente porque se está, permanentemente, a passar de um mundo a outro e isso, sim, é fascinante. Estão hoje, em virtude dessa diversidade, perfeitamente justificadas as autonomias, com aquela enorme diferença de caracteres. E isto não é um lugar comum: as pessoas são realmente diferentes, um andaluz é completamente diferente de um galego, um galego de um catalão, um castelhano de outro qualquer.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Catalunha e Portugal - Bon colp de falç - 1

Encerrando esta primeira série de textos sobre a Catalunha, apresentamos um trabalho de Carlos Loures e Josep A. Vidal, sobre os incidentes que, em 1640, em Portugal e na Catalunha, puseram em causa a hegemonia castelhana na Península e que tiveram resultados diferentes num e noutro país. Este texto foi publicado, em Dezembro de 2009, no blogue Aventar,



(Texto de Carlos Loures e Josep Anton Vidal)


Há quase 370 anos, em 1 de Dezembro de 1640, Portugal recuperava a sua independência perdida 60 anos antes. Todos sabemos, até aos mínimos pormenores, como foi esse dia «em que valentes guerreiros / nos deram livre a Nação». Interessante que os catalães têm a ideia de que lhes devemos a libertação do jugo estrangeiro. E afirmam que foi o facto de os castelhanos terem de deslocar tropas para a frente catalã que nos permitiu, apanhando os ocupantes fragilizados, restaurar a independência. Independência que, formalmente, sempre conservámos, embora com um rei estrangeiro no trono.
 Em parte, isto é verdade. Mas só em parte. Tal como só em parte é verdade que tenham sido os conjurados, os «valentes guerreiros que nos deram livre a Nação», como se canta no tal hino escrito para uma peça teatral em 1861, por Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida (1820-1869) numa visão romântica de uma realidade bem mais dura. A letra parece ter sido escrita por plumitivos ao serviço do regime salazarista. Regime que aliás aproveitou o hino e o tornou coisa sua, com honras especiais na organização para fascista da «Mocidade Portuguesa». Hoje, o hino é trauteado, como vamos ouvir no vídeo abaixo, pelas populações raianas. A música ficou, mas a letra foi esquecida, como merecia coisa tão rebuscada e falsa. Tipicamente romântico e falseador da realidade é também o quadro de Veloso Salgado (1864-1945) que vemos acima. Sabemos ser impossível expurgar a História de todos os mitos. Mas podemos, pelo menos, tentar libertá-la de alguns deles.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ter o curso de futebol não chega...

Luís Moreira




A selecção portuguesa quando teve que vencer uma equipa do melhor nível, perdeu! É só isto, o resto é a conversa de encher habitual, as desculpas mal amanhadas.

O defesa direito devia ter sido um dos dois defesas direitos que lá estavam, mas quem jogou foi um defesa central? O médio defensivo não jogava há seis meses e mesmo assim foi para o Mundial, sem ritmo e sem rotinas? O único médio que sabe colocar a bola jogável nos avançados zangou-se com o seleccionador e não jogou mais? O melhor jogador do mundo não jogou nada e está feito num menino mimado ? O avançado centro foi substituído por um jovem que corre muito mas não acerta na baliza?

Foi mesmo por isso tudo que perdemos!Agora há que arranjar uma equipa preferida e torcer para ver bons espectaculos.

Só para quem gosta!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Portugal/Espanha

Carlos Godinho (Na África do Sul com a Selecção)


No início das actividades da Selecção Nacional a larga maioria dos jogos realizavam-se contra a Espanha. As dificuldades de transportes eram grandes e optava-se por jogar com os nossos vizinhos. Com o decorrer dos tempos foram acontecendo cada vez menos jogos entre o nosso país e Espanha. Ultimamente têm sido mesmo muito esporádicos os confrontos entre os dois países. Portugal defrontou a Espanha em 35 jogos, nos quais obteve 7 vitórias, 12 empates e 16 derrotas. O último encontro teve lugar em 2004, no durante a fase de grupos do Euro e realizou-se no Estádio de Alvalade. O resultado foi-nos favorável por 1/0, com golo de Nuno Gomes, e deu lugar à eliminação dos espanhóis. Que tudo se mantenha como então é o meu, nosso, desejo!
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um fantasma chamado Olivença



António Marques *

Um fantasma surge, regularmente, nas chancelarias de Madrid e Lisboa, e intromete-se no relacionamento peninsular. Fantasma que, por fragilizar argumentos, incomoda aqueles que porfiam na «aproximação ibérica». Em Espanha, erigido como troféu pelos mais imediatistas e radicais, é, para os que têm uma visão sólida e calculista da «aproximação», um «esqueleto no armário» que talvez preferissem dispensar. Em Portugal, o espectro é a ilustração perfeita da tentação imperial da Meseta e, por isso, a maioria receia-o e acautela-se. Alguns, proclamando que não existe, ingénuos, não alcançam que, justamente, ele se revela como símbolo e alerta a Portugal de um certo «abraço peninsular». O fantasma chama-se «Questão de Olivença» e nasceu há duzentos anos:

Espanha, cínica e manhosamente concertada com a França Napoleónica, invadiu Portugal, sem qualquer pretexto ou motivo válido, tomando Olivença e outras povoações do Alentejo, em 20 de Maio de 1801, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas». Portugal vencido, às exigências de Napoleão e de Carlos IV, entregou a Espanha, «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e povos desde o Guadiana», assinando em 6 de Junho o «Tratado de Badajoz», iníqua conclusão de um latrocínio. «Cedeu-se» Olivença, terra entranhadamente portuguesa que participara na formação e consolidação do Reino, no florescimento da cultura nacional, nas glórias e misérias dos Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração!...

Findas as «guerras napoleónicas», reuniu-se, com a participação de Portugal e Espanha, o Congresso de Viena, concluído em 9 de Junho de 1815 com a assinatura da Acta Final pelos plenipotenciários, entre eles Metternich, Talleyrand e D. Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela. O Congresso retirou, formalmente, qualquer força jurídica a anteriores tratados que contradissessem a «Nova Carta Europeia». Foi o caso do «Tratado de Badajoz». E consagrou, solenemente, a ilegitimidade da retenção de Olivença por Espanha, reconhecendo os direitos de Portugal. Na Acta Final, apoio jurídico da nova ordem europeia, prescrevia o seu artº 105º:

«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d’Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l’Europe a été le but constant de leurs arrangements, s’engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée ; et les puissances reconnaissent, autant qu’il dépend de chacune d’elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».

Espanha assinou o tratado, em 7 de Maio de 1807 e assim reconheceu os direitos de Portugal. Volvidos 183 anos, o Estado vizinho não deu, porém, provas do carácter honrado, altivo e nobre que diz ser seu, jamais nos devolvendo Olivença. Mas em terras oliventinas, sofridos dois séculos de brutal, persistente e insidiosa repressão castelhanizante (hoje, falar-se-ia de genocídio e crimes contra a Humanidade...), tudo o que estrutura e molda uma comunidade, a sua História, cultura, tradições, língua, permaneceu e permanece pleno de portugalidade! Entretanto Portugal, nunca aceitou nem reconheceu o esbulho. Todavia, não fazendo o que pode e deve (repudiar, determinada e desembaraçadamente, a situação ultrajante de Olivença e exigir a sua retrocessão), transmite a Espanha um despudorado sinal de fraqueza e dependência.

Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal encontra-se usurpada por Espanha, extorsão não reconhecida por Portugal e ilegítima face ao Direito das Nações.

Desafortunadamente, talvez a inacção do Estado Português seja culpa colectiva, como alvitrado por Oliveira Martins, na sua História de Portugal: «um povo que não só desconhece o patriotismo, que não só ignora o sentimento espontâneo de respeito e amor pelas suas tradições, pelas suas instituições, pelos seus homens superiores (...) que não só não possui uma alma social, mas se compraz em escarnecer de si próprio com (...) o desdém mais burlesco. Quando uma nação se condena pela boca dos seus próprios filhos, é difícil, se não impossível, descortinar o futuro de quem perdeu por tal forma a consciência da dignidade colectiva».
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*Ex-Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A independência da Galiza e a restituição de Olivença

Carta de Carlos Leça da Veiga a Carlos Loures



Meu Caro Carlos Loures,

Para realizares um bom exercício de literatura - o que te vai a matar
- estás a dar-me cabo da cabeça.
Enviei-te um texto com tonalidade telegráfica e tu respondes com um texto imenso e, para mim, esgotante. Meios demasiado desproporcionados!
Pouco terei para dizer-te e, esse pouco, condenso em quatro pontos:

1º) Escreveste "Quanto à Galiza, penso que devemos deixar os Galegos decidirem sobre a sua independência. Se a querem". Não será por eles quererem, ou não, que vou deixar de insistir em que têm de querer.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Costa do Marfim/Portugal

Carlos Godinho
(na África do Sul com a Selecção)

Para quem achava que eram favas contadas, aí está um resultado que premiou sobretudo a boa exibição defensiva dos marfinenses. Desde o início que se colocaram numa atitude de defesa esperando o nosso erro e explorando o contra-ataque. Nada que não esperássemos mas que dificultou bastante a nossa manobra ofensiva. Eriksson apostou numa estratégia matreira e muito bem executada, que nalguns momentos poderia ter dado resultados. Composta por alguns excelentes praticantes, a Costa do Marfim, com Drogba em condições, poderá ser uma equipa a ter em conta. Veremos como se comporta com o Brasil. Finalmente uma palavra para o árbitro que mostrou um cartão amarelo disparatado a Cristiano Ronaldo que além de ter sofrido uma falta dura ainda sofreu posteriormente um empurrão. Por ter protestado levou um amarelo. Bem simples. Também me pareceu que na jogada que veio a dar golo, já interrompida, não ter havido qualquer falta dos nossos jogadores. Finalmente uma palavra para a decisão controversa, e contra as leis, de ter permitido que Drogba jogasse com uma protecção no braço. De nada valeram as nossas objecções. Estranha-se que uma simples fita no pulso seja proibida e uma protecção de material duro tenha sido aprovada. Veremos se esta decisão se manterá no jogo com o Brasil.



(Transcrito de "Todos Somos Portugal")

Olivença, a Terra das Oliveiras, é terra portuguesa

António Marques, ex-presidente do Grupo dos Amigos de Olivença, enviou-nos a seguinte reflexão:

«20 de Maio de 1801, "Guerra das Laranjas", ocupação de Olivença.


Vão passados 209 anos de sequestro da Terra das Oliveiras.

E hoje e sempre, o que de Olivença se vê e alcança são Terras de Portugal.

Neste 20 de Maio de 2010, guardemos Olivença e os oliventinos.


Horizonte

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa e, com sensíveis
 Movimentos da es'prança e da vontade,
 Buscar na linha fria do horizonte
 A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
 Os beijos merecidos da Verdade.

[Mensagem, Fernando Pessoa]

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Resposta de Carlos Loures à carta de Carlos Leça da Veiga

Meu caro Leça da Veiga:

Respondo à tua carta de ontem, começando pelo fim, pelo quinto ponto: «Não gostei de ver-me mencionado como alguém que defende uma Independência duns e esquece a dum território que é português e está invadido». E terminas: «Se no meu texto sobre a Galiza não fiz referência a Olivença dever-me-ia ser perguntada a razão e não tirar-se a conclusão duma falta cometida».

Lembro-te que o meu texto não constituía resposta ou contestação ás tuas palavras. Essa contestação, fi-la, oportunamente, em comentário ao teu texto. Aludi a esse texto, em que defendias a independência da Galiza, mas não te acusei de coisa alguma. Falavas da Galiza, não era forçoso falar de Olivença. Usei o teu texto como referência. Disse assim: «Há dias, no Estrolabio, Carlos Leça da Veiga, denunciando que na Europa há colónias, pedia a independência da Galiza. Pois há uma outra pequena colónia - Olivença, terra portuguesa, roubada há mais de 200 anos.». De uma forma geral, as nossas posições quanto a Olivença são coincidentes, pelo que uma grande parte do que dizes é por mim aceite, sem reservas. Quanto à Galiza, penso que devemos deixar aos galegos decidirem sobre a sua independência, se a querem. No que diz respeito aos oliventinos acho que não têm o direito de optar – Nasceram num território roubado; podem escolher a nacionalidade que quiserem, mas o território é português.

Passando a outro ponto, dizes. «é inaceitável falares de Espanha e não de estado espanhol. Uma cedência imprópria dum Democrata!» Ora, quem leia o que escrevo, sabe que essa fórmula «estado espanhol» é a que geralmente utilizo. É verdade que neste texto, usei mais vezes a expressão «Espanha». Não tenho que me justificar – todos utilizamos por vezes a designação: não faz, por exemplo, sentido dizer-se «vou fazer uma viagem ao estado espanhol». Esta tua observação, parece-me um exagero, semelhante ao de alguns crentes, em que as referências à entidade divina têm sempre de ser grafadas com maiúscula – Ele, faça-se a Sua vontade, e por aí fora. Não sou religioso e, portanto, reservo-me o direito de dizer Espanha, Grã-Bretanha, como também dizia Jugoslávia e União Soviética. Porque embora desejasse (e desejo) a sua extinção, esse estados existiam e existem à luz do Direito Internacional. Portanto, mencioná-los é coisa natural. Não me parece que a minha condição de democrata fique em risco. Realidade e utopia devem conviver sem sobressaltos.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A República nos livros de ontem nos livros de hoje - 12 e 13 (José Brandão)

A Carbonária em Portugal
(1897-1910)

António Ventura

Livros Horizonte, 2004

O estudo das organizações secretas está limitado, como é natural, pelo seu carácter reservado, pela quase inacessibilidade ou inexistência de documentos que nos permitam olhá-las como simples objecto de investigação.
Em Portugal, é assinalada a existência de uma organização carbonária no início da década de trinta do século XIX, possivelmente com origem em emigrados liberais refugiados em Paris. Intermitentemente, ao longo da centúria de Oitocentos, surgem referências mais ou menos difusas à existência da Carbonária, nas décadas de quarenta e de cinquenta, tendo como centro irradiador a cidade de Coimbra.

Procuramos, neste livro, estudar, com as limitações já referidas, duas organizações carbonárias, ambas fundadas nos finais do século XIX, e que tiveram um papel determinante na preparação do advento da República: a Carbonária Portuguesa e a Carbonária Lusitana.
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Cartas de El-Rei D. Carlos a João Franco

João Franco

Lisboa, 1924

El-Rei D. Carlos recebera uma educação primorosa. Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor das línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como da sua própria (e já o imperador Carlos V dizia que um homem que fala três línguas vale por três homens) dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a pintura, foi distintíssimo; habituado aos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem criado do seu pais, dotado de humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstancia, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 22

Carlos Leça da Veiga


(Continuação)

É bom não esquecer que, no fundamental, os subsídios magnânimos que foram, ou têm sido, disponibilizados pela direcção da União Europeia, no mais essencial, só servem para alimentar o parasitismo social dalguns e, muito em principal, forçar importações – quantas delas supérfluas – provenientes dos próprios estados que são, afinal, na realidade, os subsidiários mais significativos do sistema de ajudas. Assim, por força das importações necessárias aos trabalhos a empreender e daquelas dos bens deixados de produzir, todos os subsídios recebidos, nunca deixam de regressar ao bolso dos subsidiários contudo, é bom recordar, que esse regresso é feito com aquele acrescento monetário – pequeno, diz-se – que, ano após ano, pequeno atrás de pequeno, no caso português, conseguiu levar quanto por cá tinha sobrado do quanto, tempos atrás, havia sido acumulado e que, por pouco que fosse, apesar de tudo daria alguma tranquilidade. O aparelho produtivo nacional, diminuto que fosse – e era-o – apesar disso, impedia a importação duma parte significativa daquilo que, com a maior necessidade, o País tinha e tem precisão.

Quem foram os autores da desarticulação e consequente inutilização do aparelho nacional produtivo?

Quem foram os maiores beneficiários desta alteração?

As políticas da União Europeia têm sido saudáveis para os interesses nacionais portugueses?

Há qualquer razão para dizer-se que a integração na União Europeia proporcionou vantagens sentidas – sentidas de verdade, que não de fachada – à maioria dos portugueses?

Onde já vai o que foi o surto dos aparentes benefícios da integração?

A integração portuguesa da União Europeia – a sua dependência europeia – foi feita sem qualquer vergonha, com muita carga ideológica subjacente, sem qualquer respeito pelos oito séculos da História nacional e sem consulta popular prévia.

A integração na União Europeia foi procurada e conseguida não só na mira ignóbil e venal dos subsídios financeiros perspectivados como, também, na da busca de boas garantias de protecção política para os possidentes, não fosse voltar a haver uma qualquer forma de agitação popular como a do pós 25 de Abril ou, também, e não menos importante, poder haver um qualquer desvio no sentido de, como devia ser, Portugal desejar privilegiar relacionamentos políticos e económicos com qualquer zona ou estados dum mundo em que a presença de Portugal – são as contradições do processo histórico – sempre fez sentir-se e sempre poderá fazer-se mas que os centro-europeus, com o seu sentido colonialista tradicional, imaginam, santa ilusão, voltar a ganhar só para si.

Uma vez colocado o socialismo na gaveta, o passo posterior seria aquele de minimizar o regime democrático, enquanto garante dalgum privilégio para a generalidade da população portuguesa e não uma arma, como é pretendido pelos possidentes, em exclusivo, nas suas mãos. Enfim, neste sentido, era vantajoso ter mais garantias que quantas já dadas pelo próprio 25 de Novembro e pelas suas consequências políticas – a tão badalada “musculação da democracia” – que desde então, se nunca deixaram de estar a dar os seus efeitos não podiam ir tão longe quanto o guarda-chuva europeu conseguia e consegue permitir. Á custa dum imenso folclore partidário o situacionismo instalado tem conseguido “paz nas ruas e tranquilidade nos espíritos” – como no salazarismo – o que tem sido a solução política que mais convêm e muito agrada aos desígnios da União Europeia e que, por igual, é uma boa forma de dar tranquilidade aos europeístas portugueses mas que, a muitos Homens e Mulheres, com magoa, faz recordar outros tempos de mau augúrio.
Portugal, por ser o elo mais fraco da cadeia capitalista da Europa ocidental tinha de ficar sujeito a uma dependência mais apertada não fosse transformar-se numa zona europeia em oposição clara às políticas neoliberalistas, logo ao “europeísmo”.

Para ter-se bem a medida da aceitação, por parte dos possidentes e dos seus lacaios, da ingerência estrangeira em Portugal bastará recordar-se que as autoridades portuguesas anuíram a terem de mandar desmantelar os sectores nacionais produtivos, alguns deles exportadores e, como sua consequência, tudo ter de passar a adquirir-se nos estados continentais centro-europeus que, estes, de facto – não vale a pena dar-se-lhes outro nome – são os verdadeiros mandantes do crime.

Quem comanda a União Europeia parece não querer ver que por força das suas circunstâncias estruturais – em que o mercado neoliberal é um aspecto saliente – a marcha acentuada da sua falência económica, por ser claramente irreversível, impossibilita o regresso aos bons tempos – à aparência de bons tempos – porém, quem escuta as afirmações determinadas e determinantes dos mais altos responsáveis pelas manobras políticas europeias, de facto, só pode concluir que, mais uma vez na História da Europa, volta a ouvir-se discutir o sexo dos anjos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 21

Carlos Leça da Veiga

Há um prato de lentilhas oferecido pela União Europeia
Em Portugal, neste 2010, os maus resultados consequentes à integração europeia, já estão mais que à vista e, ao que parece, a procissão ainda vai no adro!

Depois de anos a fio a ouvir dizer-se que a integração europeia era, para Portugal, sem qualquer hesitação, a verdadeira alternativa política e económica, a única possível, a única viável e o único garante do progresso nacional, os portugueses que não vivem de quaisquer mais valias financeiras mas sim de salários demasiado baixos já podem começar a tirar as suas conclusões.

A crise económica tem responsáveis nas altas esferas em que são tomadas as deliberações políticas do capitalismo selvagem e da sua culpa não podem eximir-se os dirigentes da União Europeia. Aqui, em Portugal, por muitas responsabilidades que haja e que não podem desculpar-se, de verdade, não são nada quando comparadas com as produzidas no exterior. O mais grave é elas serem bem aceites, sem recalcitrar, por quantos instalados no alto do poder político português.

Há uma sujeição servil às exigências sacrossantas do mercado que, conforme o tempo avança, só tem mostrado ser um campo de batalha cada vez mais selvagem, corrupto e gerador de pobreza. Entre nós, meses a fio, todos os dias, sabe-se de mais uma outra falcatrua de alto nível enquanto que, em simultâneo, fica a saber-se haver um aumento das dificuldades financeiras das famílias. Para dourar-se o quadro e arranjar desculpas, invoca-se ser assim fora de portas, por exemplo, na área da União Europeia, o tal instrumento gerador de progresso que levaria Portugal até ao novo eldorado!

Tratado de Tordesilhas

Carlos Loures


O Tratado de Tordesilhas, assinado na vila de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e a coroa dual dos reinos de Castela e de Aragão. Seria ratificado por Castela e Aragão em 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro do mesmo ano de 1494. Os originais do ambas as cópias do Tratado estão conservados no Archivo General de Indias em Sevilha e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa.

O objectivo prático do acordo foi o de dividir as terras já descobertas e as que se viessem a descobrir sem criar contenciosos entre as duas potências, tanto mais que os Descobrimentos decorriam sem que se verificassem confrontos importantes. No entanto, os frutos que os Portugueses colhiam do achamento de novas terras, começavam a traduzir-se em ganhos económicos. O avanço para sul na costa africana ia verificando-se muito lucrativo – óleo de lobos-marinhos, ouro, tráfico de escravos, por exemplo, abriam novos mercados às exportações lusitanas. Castela estava atenta a essa progressão e, furtivamente, os seus navios visitavam a costa da Guiné. Portugal reclamou à cúria romana uma intervenção que evitasse intrusões que podiam, no curto prazo, acarretar confrontos. A bula de Nicolau V reconheceu a Portugal o monopólio do comércio na costa ocidental africana para sul dos cabos Não e Bojador. Os reis Católicos fizeram letra morta da decisão e as incursões abusivas prosseguiram.

domingo, 6 de junho de 2010

Os Problemas de Portugal. Mudar de Rumo.Um livro de Vitorino Magalhães Godinho

Pedro Godinho

Na Colibri, a primeira edição saiu em Dezembro 2009, a segunda em Fevereiro 2010. As 128 páginas de Os Problemas de Portugal. Mudar de Rumo de Vitorino Magalhães Godinho lêem-se duma assentada e sem nunca perder o interesse.

Como noutros ensaios de intervenção cívica, VMG insiste em pensar pela própria cabeça, expondo a sua análise e ideias de modo livre e sem servilismos.

Pretendendo contribuir para o debate nacional, que continua por realizar, recusando o espírito de pensamento único, VMG avança as suas propostas para concorrer para a resolução dos estrangulamentos da economia e sociedade portuguesa.

Os capítulos “1 – Relações internacionais”, “2 – A Europa”, “3 – A economia”, “4 -Reestruturação do Estado”, “5 – Sistema educacional”, “6 – Sistema do Património Cultural”, “7 – Justiça e Segurança”, “8 – Ordenamento do território, população e migrações”, “9 – Alguns problemas cruciais”, “A Grande Ilusão”, “Complementos” indicam a amplidão do ensaio.

Incrível como nem meios de comunicação social, nem académicos, nem políticos mostraram qualquer interesse na sua discussão – nem uma entrevista, nem um debate. O que não encaixa no discurso dos ‘maiorais’ é tratado como inexistente.

Não é necessário concordar com todas as afirmações e particularidades deste ensaio para lhe reconhecer a importância e valia.

“Nestas circunstâncias adversas, será bom que ressurjam as inquietações, e não se desista de reflectir na pergunta inevitável: que rumo para Portugal?”

Para ler, reflectir e discutir.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A República nos livros de ontem e nos livros de hoje

José Brandão


Apresentação

Conforme o título indica, este trabalho tem uma linha de força que acompanha todo o desenrolar da exposição que decorre página após página. Composta por mais de duas centenas de publicações que de algum modo têm a ver com a I República e alguns dos seus mais destacados protagonistas, esta compilação bibliográfica proporciona uma amostragem significativa das obras que reflectem o quotidiano da sociedade portuguesa nesse tempo que vai de 1910 a 1926.

Expondo antigas e novas obras que falam desse período historicamente rico e intenso o presente trabalho revela também alguns dos usos e dos costumes da vida nas cidades num critério de selecção e organização que abarca os mais variados aspectos do viver português. Da vida citadina aos eventos nacionais, a I República é aqui enunciada através dos muitos títulos expostos, todos eles publicados em língua lusa e em alguns com um século de existência.

A identificação é composta pelo o título, o autor, o editor e o ano de publicação. A apresentação é sempre alguma parte de texto extraído da introdução, ou do prefácio, ou mesmo do corpo principal da obra apresentada.

Trata-se de um trabalho com características e objectivos que aliam a simplicidade da exposição à utilidade do conhecimento numa consonância sempre presente ao longo das suas páginas.

Pretendeu-se, como objectivo principal, criar uma pequena ferramenta de consulta e de trabalho que pudesse facilitar a abordagem necessária.

Sabemos que ficaram de fora algumas obras de importância elementar para o tema proposto. Mas pensamos também que nenhum outro trabalho semelhante foi tão longe quanto este.


Começaremos amanhã a publicar esta informação sobre os livros que, de algum modo, ajudam a compreender a História da I República. Em cada dia, e até 5 de Outubro, abordaremos uma ou duas obras. Tanto quanto sabemos, este trabalho de José Brandão, constitui uma informção bibliográfica de uma ímpar extensão e abrangência. Amanhã, A República nos livros de ontem e nos livros de hoje, de José Brandão.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Colónias nunca mais. Pela Independência da Galiza.

Carlos Leça da Veiga



A Galiza, por força do direito democrático, tem de ser um Estado independente com representação própria na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Contentar-se em reivindicar a sua língua – a portuguesa – embora uma atitude muito meritória e que nunca deve ser descurada, não parece ser um gesto político suficiente.

Compreende-se que um Cidadão Galego, obrigado à prepotência castelhana, para não ficar sujeito à injustiça das sanções penais, não queira reclamar, em público, o direito à Independência da sua Nacionalidade. Esta atitude, porém, não deve ser a de qualquer português.

A estes, quanto mais não seja por coerência histórica e, também, para reafirmação dos Direitos Humanos compete estar ao lado de todas as Nacionalidades onde quer que elas tenham uma vontade manifesta de Independência e na Galiza, bem sabido, há um importante e significativo movimento em prol da reconquista da sua Independência Nacional. Não será a acção da polícia castelhana que irá destruí-lo.

Se Portugal é um Estado que, como deve ser, só comporta uma Nacionalidade que razão haverá para que os outros Estados – sem respeito pela Democracia – obriguem várias nacionalidades a uma sujeição?

Aos portugueses compete considerar que se Portugal – e muitíssimo bem – teve de deixar de ter colónias porquê, então, o reino de Castela não está obrigado ao mesmo procedimento? E quem diz Castela tem, por igual, de dizer muitos outros Estados, dentre dos quais há vários europeus.

O direito dinástico em vigor no estado espanhol e que vem dos chamados Reis Católicos merece tanta consideração como quanta, hoje em dia, mereceria o Tratado de Tordesilhas. Castela e Aragão, em associação, nos idos do século XV começaram a ocupar indevidamente todos os Estados da periferia da Península Hispânica com excepção de Portugal já que para tanto, à época – depois foi outra conversa – não tiveram forças. Assim o colonialismo castelhano, à semelhança do de vários outros casos na Europa iniciou-se pela submissão de várias Nacionalidades da sua envolvente territorial próxima e só depois é que se abalançou às ocupações fora da Europa.

Colónias tanto as pode haver na Europa como pelo mundo fora e para ser-se colonizado não é preciso ter uma pele de cor diferente. O tempo das colónias já acabou e as que sobrevivem – que na Europa não são poucas – fazem-no à sombra da perversão do Direito Internacional, com o favor dos interesses inconfessáveis dos potentados económicos e, também, com a ajuda da repressão pela força armada. Quantas destas situações continuam a sobreviver na imensidão da Europa?

Na perspectiva política que defendo para a intervenção internacional de Portugal – uma intervenção democrática – os Galegos, os Andaluzes, os Asturianos, os Bascos e os Catalães, como exemplos mais frisantes dentro do estado espanhol, devem ganhar o estatuto legitimo de Estados Independentes e, como assim, viverem lado a lado, em fraternidade com os Castelhanos e, naturalmente, com os Portugueses. Nada de federalismos.

Aos portugueses não compete, bem pelo contrário, aceitar que o seu País tenha de defender e considerar ajustada a existência dum conglomerado de Nacionalidades forçada a qualquer autoridade, no caso vertente, a castelhana.

Depois do 25 de Abril, com a excepção honrosa duma pequena organização – a OUT – a chamada esquerda que com muito acerto soube demonstrar um grande empenho na descolonização portuguesa nunca foi capaz de reclamar, nos areópagos nacionais e internacionais, contra a existência, na própria Europa, de Estados que, como fruto aberrante das suas designadas Unificações, Reunificações ou Conquistas possam
continuar a manter muitas anexações e colonizações. Só Portugal é que era colonialista?

Mas que raio de esquerda! Não podia ofender nem Leste nem Oeste que, a cada qual, o que não faltava era ter colónias. Qualquer projecto de unidade europeia só terá exequibilidade democrática se cada Nacionalidade estiver traduzida por uma declarada Independência Nacional com representação própria e autónoma na ONU.

Lisboa, 21 de Maio de 2009