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sábado, 7 de agosto de 2010

Os poemas do meu tio Alfredo Prior - 5



Luís Moreira

Pai duma caterva de filhos e avô de um exército de netos o meu tio Alfredo não desiste de viver uma vida feliz na terra que ama.Ei-lo a cantá-la, agora na Casa da Praça que está na família há tantos anos que se perdem no tempo, é a principal preocupação do meu tio, quer deixá-la una e indivisivel a um dos filhos.A Casa da minha avó da Praça abrigo dos pobrezinhos


Oh! velha casa da Praça
Por tantos és conhecida
Em ti aves fazem ninho
Cantando ao desafio
E a pobres tu dás guarida

Tu foste reconstruída
P'ró efeito não importa
És sempre a Casa da Praça
Tu saúdas a quem passa
E a quem bater à porta

E se for em noite morta
Que eu já esteja deitado
Não hesites bate à porta
Porque a mim não incomodas
E serás arrecadado.

Se ainda não tiveres ceado
Não te deves acobardar
Uma tigela de caldo quente
Estás em casa de boa gente
Há-de haver para te dar

E nada tens a pagar
É gratidão e amor
Que desde há muitos anos
Neste mundo de enganos
Faz a família Prior

domingo, 30 de maio de 2010

Reviravolta nos modos de ser e fazer

António Mão de Ferro

Ainda não há muito tempo que a integração na comunidade era feita através da família.

Quando se fala nisso recorda-se esse tempo com agrado, amargura ou saudade, mas normalmente com emoção. Essa transmissão de usos e costumes permitia a interiorização de valores socialmente aceites e a sua submissão a eles. A família nuclear era a base da primeira acção formativa.

Neste momento assistimos a uma desagregação da família e a acção que se verificava, está a diluir-se. Será isso preocupante? Penso que não.

Não raras vezes, no seio da família nuclear, o chefe de família, “cabeça de casal”, punha em situação de dependência e submissão a mulher e os filhos. O controlo que era exercido e o conceito de honra, limitavam o acesso a outras formas de cultura, dificultando a inovação e a criatividade, desde que não se coadunassem com as regras que a família veiculasse.

Talvez isto explique o facto de muitas empresas ainda funcionarem na base dos mesmos princípios da família nuclear tradicional e, como tal refugiarem-se na segurança de um sistema fechado, cujas verdades são defendidas como uma espécie de porta estandarte. Esse modo de funcionamento dificulta o desenvolvimento dos colaboradores e a sua capacidade de adaptação porque os alicerces em que assenta acabam por ruir.

O importante nos dias que correm não é acatar uns tantos conceitos, umas tantas normas. O fundamental é ter capacidade para raciocinar, para fazer coisas. Não raciocinar é o mesmo que ter os olhos fechados sem fazer esforço para os abrir. É preciso duvidar das certezas, eliminar a apatia e provocar uma reviravolta nos modos de ser e de fazer.