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domingo, 5 de dezembro de 2010

VerbArte - Um Salão na Internet - Direcção de João Machado



Um Salão na Internet





Lá, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme, et volupté
(Baudelaire)




Com o lápis, um simples traço
Com o pincel, a cor escolhida
No papel o verso acerta o passo
Toca numa escala bem medida

Pelo Estrolabio convite faço
De nos mostrarem o vosso jeito
Mais engenho e arte algum bom pedaço
Não obrigados a um grande feito





Uma frase …

Se os meios de comunicação de massa misturam harmoniosamente, e muitas vezes sem se dar por isso, a arte, a política, a religião e a filosofia com a publicidade, quando o fazem reduzem estes diferentes domínios da cultura ao seu denominador comum – a forma de mercadoria. A música do espírito é também a música do vendedor. O que conta é o valor de troca, não o valor verdadeiro. Nele se centra a racionalidade do status quo, e qualquer outra racionalidade fica sujeita àquela.
(Herbert Marcuse, O Homem Unidimensional, 1964)


Amanhã, dia 6 de Dezembro, começa a nova secção do nosso blogue




Vai ter  três blocos diários, às 8, 16 e 24 horas. Daremos prioridade a matérias relacionadas com a cultura e a arte. Pedimos aos nossos colaboradores que nos remetam todo o material que achem de interesse para esta secção. O responsável vai ser o João Machado.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que importa o nome da rosa? - a rose by any other name would smell as sweet - l’important c’est la rose.

Carlos Loures

Para quem aspira a uma democracia plena, o cenário da vida política portuguesa, da nossa «democracia», não podia ser mais desolador. Quando o ar está abafado dentro de casa, abre-se a janela e aspira-se ar puro. Porém, abrindo a janela, olhando globalmente o planeta, o ar é mais sufocante e o panorama é ainda mais assustador. Como num pesadelo ou num quadro de Dalí, num labirinto soturno, seres humanos sonâmbulos, errantes, incaracterísticos, vagueiam, enquanto um animal mutante e híbrido os persegue, devora e logo os regurgita devidamente educados, transformados em humanóides-socializados, em membros indiferenciados de uma gigantesca colmeia com milhares de milhões de corações, pulsando ao mesmo ritmo. Um a um, os seres vão sendo agarrados. Mas não fogem, oferecem-se aos dentes da fera com a indiferença de quem nada quer fazer para o evitar. Porque ser devorados e regurgitados, convertidos em peças da máquina global, parece ser o principal objectivo das suas vidas. E chamam a essa transmutação perversa «originalidade»!

Herbert Marcuse (1898-1979), o filósofo norte-americano de origem alemã, um dos mais importantes pensadores da Escola de Francoforte, explica-nos como o sistema, através de um marketing sofisticado, e utilizando os seus dispositivos de controlo, consegue que o «homem-unidemensional» assuma como seus os objectivos do sistema e como suas as necessidades do sistema (confundindo as formas de satisfação socialmente exigidas com as formas de satisfação genuinamente individuais – formas que, numa sociedade saudável, deveriam estar em dialéctico conflito). «Deste modo», conclui Marcuse, «a sociedade estabelecida assenta nos próprios pensamentos, nos próprios sentimentos e inclusivamente nos próprios corpos da maioria dos indivíduos».