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sábado, 18 de dezembro de 2010

Estatismo não é socialismo.

Luis Moreira
Criar uma oligarquia que domina o aparelho de Estado, a Administração Pública, as empresas públicas, uma parte importante do sistema financeiro (CGD, BCP,BNP,BPP), as empresas do regime onde estão colocados os seus homens de mão, e accionar ciclos de grandes obras públicas de dez em dez anos não tem nada de socialismo. É estatismo!

Limitar e condicionar a opinião pública com o controlo da Comunicação Social, através de favores como dar prioridade às campanhas de publicidade em determinado orgão em detrimento dos que não vergam a cerviz, ter um mar de gente que depende do estado, do vencimento fixo, das carreiras, enquanto a sociedade civil, as empresas privadas e os dois milhões de pobres e os desempregados, não entram nas contas, não é socialismo.É estatismo!

Ter um país onde se agravou o fosso entre ricos e pobres, onde a relação entre o ordenado mínimo e os vencimentos e mordomias praticados no sector público e nas empresas públicas, é a maior da Europa; onde os gestores das empresas públicas, incluindo o governador do Banco de Portugal ganham mais que o Presidente do Banco Central dos US e mais que os congéneres de países europeus muito mais ricos; onde o Estado faz tudo mas não regula os mercados ; onde não tem mão na Justiça que só serve a quem tem dinheiro; não é socialismo. É estatismo!

Um estado imenso e prepotente que leva o país a uma situação de profunda desigualdade, onde não há oportunidades iguais, que se verga à força do dinheiro e do número de pessoas que compõem as corporações (dão muitos votos) não é um estado a caminhar para o socialismo. É estatismo, no seu pior!

Porque terei eu de estar preocupado com qualquer outro governo que aí venha, sendo resultado de eleições democráticas?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Romantismo social português:6 - Antero de Quental

Sílvio Castro

A exaltação da utopia enquanto fator de existência informa praticamente toda a vida de Antero de Quental. Com uma conclusão aparentemente contraditória, o suicídio, a procurada solitária morte no banco do jardim público de Ponte Delgada, em 11 de Setembro de 1891. O mesmo suicídio que aterrorizou o religioso João de Deus, mas que não o impediu de dedicar ao mais jovem amigo o belíssimo epitáfio, “No túmulo de Antero”:

“Aqui jaz pó: eu não; eu sou quem fui,
- Raio animado dessa Luz celeste,
À qual a morte as almas restitue,
Restituindo à terra o pó que as veste.”

João de Deus constituiu para Antero uma referência primordial. Ainda que aparentemente entre os dois poetas as distinções sejam claramente visíveis, assim aconteceu. O mesmo Antero capaz da mais profunda participação com o lirismo condicionado preferencialmente pela reflexão filosófica, o mesmo Antero que diante da complexidade dos fenômentos sociais procurava através da experiência direta e prática as possíveis soluções para os mesmos, percorrendo o mundo a procura de novas possibilidades do agir coerente, esse mesmo Antero é aquele que admira irrestritamente o poeta de Flores de Campo e que dele partira seja para a conquista lírica, seja para uma visão específica da mensagem do liberalismo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 95 e 96 (José Brandão)


Liberalismo, Socialismo, Republicanismo

(antologia de pensamento político português)


Joel Serrão

Livros Horizonte, 1979

Duas hipóteses se nos apresentavam quanto ao modo de fazer esta antologia: o respeito exclusivo pela seriação cronológica dos autores seleccionados e dos respectivos escritos, ou a tentativa de explicitar os núcleos fundamentais e sucessivos da temática e problemática políticas portuguesas no período a que este volume respeita: da instauração do liberalismo (1820) à crise do republicanismo (cerca de 1920).

Preferimos a última hipótese, que se nos afigurou mais apta a revelar o devir do pensamento cujos momentos mais significativos buscámos caracterizar e sumariar.

Para uma complementar e mais exacta situação temporal, todos os autores seleccionados são referidos pela ordem cronológica do nascimento nas notas bibliográficas que lhes são consagradas, no fim do volume.


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A Lição da Democracia

(Oitenta e Oito Anos de República em Portugal)

Caetano Beirão

Lisboa, 1922


Oitenta e oito anos de republica em Portugal?! – Poderá parecer ousada esta afirmação, mas não o é, se atendermos ao que se pretende designar pela palavra «republica».

Deixemos o seu significado etimológico; tomemo-la no seu sentido moderno, isto é, no de «regime político que se contrapõem a monarquia». Se monarquia é a organização do Estado em que governa «um só», em que há um poder supremo que concentra o poder politico, exercido por um órgão a que vulgarmente se chama «a realeza», em contraposição, república é o regime em que não existe esse poder supremo e em que, consequentemente, o poder político não está centralizado num órgão forte que exerça essa função.

Se atentarmos na realidade dos factos, vemos que esta definição é perfeitamente verdadeira.

Nas repúblicas o poder político é exercido pelo parlamento…

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que importa o nome da rosa? - a rose by any other name would smell as sweet - l’important c’est la rose.

Carlos Loures

Para quem aspira a uma democracia plena, o cenário da vida política portuguesa, da nossa «democracia», não podia ser mais desolador. Quando o ar está abafado dentro de casa, abre-se a janela e aspira-se ar puro. Porém, abrindo a janela, olhando globalmente o planeta, o ar é mais sufocante e o panorama é ainda mais assustador. Como num pesadelo ou num quadro de Dalí, num labirinto soturno, seres humanos sonâmbulos, errantes, incaracterísticos, vagueiam, enquanto um animal mutante e híbrido os persegue, devora e logo os regurgita devidamente educados, transformados em humanóides-socializados, em membros indiferenciados de uma gigantesca colmeia com milhares de milhões de corações, pulsando ao mesmo ritmo. Um a um, os seres vão sendo agarrados. Mas não fogem, oferecem-se aos dentes da fera com a indiferença de quem nada quer fazer para o evitar. Porque ser devorados e regurgitados, convertidos em peças da máquina global, parece ser o principal objectivo das suas vidas. E chamam a essa transmutação perversa «originalidade»!

Herbert Marcuse (1898-1979), o filósofo norte-americano de origem alemã, um dos mais importantes pensadores da Escola de Francoforte, explica-nos como o sistema, através de um marketing sofisticado, e utilizando os seus dispositivos de controlo, consegue que o «homem-unidemensional» assuma como seus os objectivos do sistema e como suas as necessidades do sistema (confundindo as formas de satisfação socialmente exigidas com as formas de satisfação genuinamente individuais – formas que, numa sociedade saudável, deveriam estar em dialéctico conflito). «Deste modo», conclui Marcuse, «a sociedade estabelecida assenta nos próprios pensamentos, nos próprios sentimentos e inclusivamente nos próprios corpos da maioria dos indivíduos».

terça-feira, 27 de julho de 2010

Democracia - homens bons vs turba

Carlos Loures

Em Outubro de 1987, Karl Popper (1902-1994), veio fazer uma conferência a Lisboa a convite de Mário Soares, então presidente da República. Nessa conferência, contou como, atraído na juventude pelo Comunismo, foi verificando ao longo da vida que a teoria da História de Marx e a sua profecia sobre o advento do Socialismo, apresentavam muitas falhas. Quem sou eu para contestar Popper, mas, na minha modesta opinião, as falhas não foram de Marx, que só podia raciocinar com os elementos de que dispunha – a máquina a vapor, símbolo da Revolução Industrial, estava a revolucionar o mundo do trabalho, a transformar artífices em operários, a criar um «proletariado» e um «lumpen» ou seja, um «subproletariado». Quanto a esta última classe, colocada à margem do processo produtivo, Marx entendia-a como susceptível de se unir à vanguarda revolucionária ou de ser instrumentalizada e transformada em núcleo principal do exército contra-revolucionário. Gente que nada tem é mais vulnerável às promessas, sobretudo às falsas promessas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Apresentando Sílvio Castro


Apresentação da obra Poesia do Socialismo Português, Sílvio Castro é o terceiro, ao centro. O nosso colaborador, António Gomes Marques, faz a apresentação. O acto decorreu no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira.

Sílvio Castro, nasceu em Laranjais, Rio de Janeiro, em 1931. Poeta, ficcionista, ensaísta e titular da cátedra de Língua e Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira na Universidade de Pádua. Em 1960-61, foi presidente da União Brasileira de Escritores. No campo da ficção, a sua obra mais divulgada é Memorial do Paraíso — o Romance do Descobrimento do Brasil, uma bela interpretação da “Carta de Pero Vaz de Caminha” ao rei D. Manuel, onde pela primeira vez o Brasil é descrito, trabalho a que Jorge Amado rendeu rasgados elogios. O seu livro mais recente, Poesia do Socialismo Português no Percurso de 1850 a 1974, estudo que ostenta como objectivo central demonstrar a existência, no período considerado, de um recorrente projecto de associar a poesia à realidade sociopolítica portuguesa.

As suas obras mais importantes são: Infinito Sul (1956); As Noites (1958); Machado de Assis e a Cidade do Rio de Janeiro (1959); Tempo Presente (1961); Rachel de Queiroz e o Romance Nordestino (1961);Raiz Antiga (1965); Tempo Veneziano (1967); Campo Geral: Estrutura e Estilo de Guimarães Rosa (1970); A Revolução da Palavra: Origens e Estrutura da Literatura (1976);Teoria e Política do Modernismo Brasileiro (1979); A Carta de Pero Vaz de Caminha (1987): O percurso sentimental de Cesário Verde (1990); Viver em Malabase (1993); Memorial do Paraíso — o Romance do Descobrimento do Brasil (1998); História da Literatura Brasileira (2000); Poesia do Socialismo Português no Percurso de 1850 a 1974 (2010).