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domingo, 5 de dezembro de 2010

VerbArte - Um Salão na Internet - Direcção de João Machado



Um Salão na Internet





Lá, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme, et volupté
(Baudelaire)




Com o lápis, um simples traço
Com o pincel, a cor escolhida
No papel o verso acerta o passo
Toca numa escala bem medida

Pelo Estrolabio convite faço
De nos mostrarem o vosso jeito
Mais engenho e arte algum bom pedaço
Não obrigados a um grande feito





Uma frase …

Se os meios de comunicação de massa misturam harmoniosamente, e muitas vezes sem se dar por isso, a arte, a política, a religião e a filosofia com a publicidade, quando o fazem reduzem estes diferentes domínios da cultura ao seu denominador comum – a forma de mercadoria. A música do espírito é também a música do vendedor. O que conta é o valor de troca, não o valor verdadeiro. Nele se centra a racionalidade do status quo, e qualquer outra racionalidade fica sujeita àquela.
(Herbert Marcuse, O Homem Unidimensional, 1964)


Amanhã, dia 6 de Dezembro, começa a nova secção do nosso blogue




Vai ter  três blocos diários, às 8, 16 e 24 horas. Daremos prioridade a matérias relacionadas com a cultura e a arte. Pedimos aos nossos colaboradores que nos remetam todo o material que achem de interesse para esta secção. O responsável vai ser o João Machado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Arte poética: Charles Baudelaire e Leo Ferré



Charles Baudelaire
(Paris,1821-1867)


L'ALBATROS

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.


Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!


Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

O poema, na voz de Leo Ferré parece ainda mais belo:

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Maratona poética - Charles Baudelaire



Charles Baudelaire
(Paris,1821-1867)


L'ALBATROS

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.


Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!


Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

O poema, na voz de Leo Ferré parece ainda mais belo:



Não esqueçam - às 23: 40 outro grande poeta.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra-39

Manuela Degerine



Capítulo XXXIX




Décima primeira etapa: Maria.





Encontro-me às nove horas, na mesma Praça do Comércio, com a rapariga da véspera. Falamos em espanhol: boa ocasião para eu praticar o que aprendi, já lá vão tantos anos, na universidade. Maria tem trinta e quatro anos, vive em Málaga e é professora de inglês. Vai no quarto caminho de Santiago todavia, nos anos precedentes, seguiu sempre o Camino Francés. Agora começou em Lisboa porém, por falta de tempo, fez de autocarro o percurso entre Fátima e Coimbra. As primeiras etapas, em particular quando atravessou o vale do rio Trancão, assustaram-na pois, a certa altura, um carro com três indivíduos acompanhou-lhe, durante uma eternidade angustiosa, o ritmo da caminhada; quando por fim, sem ela perceber porquê, eles desandaram, já Maria se via nos piores apuros. Ser roubada é sempre aborrecido, pior que tudo é ser violada: Maria está hoje radiante por encontrar companhia.

domingo, 6 de junho de 2010

O Dia D e Paul Verlaine

Carlos Loures



Hoje, 6 de Junho, faz 66 anos que as tropas Aliadas desembarcaram na Europa e começaram a tomar de assalto as posições alemãs e italianas. O Eixo nazi-fascista começou a ser desmantelado. O Dia D (Operação Overlord) mais famoso da história militar foi 6 de Junho de 1944 - o dia em que a Batalha da Normandia começou - iniciando a libertação do continente europeu da ocupação Ao desembarque nas praias da Normandia sucedeu o avanço para o interior do território até Paris ser libertada em 25 de Agosto de 1944. Tudo isto nós sabemos. O que talvez nem todos saibam é que Paul Verlaine (1844-1896), o «poeta maldito», grande figura do Simbolismo francês, colaborou na Operação Overlord.

Senhas especiais foram divulgadas pelas rádios na véspera da investida. Tratava-se dos quatro acordes iniciais da Quinta Sinfonia de Beethoven, das palavras “Mickey Mouse” e dos versos “Les sanglots longs des violons de l’automne blessent mon coeur d’une langueur monotone”. De notar que em vários sites da Internet estes versos que desencadearam a mais famosa ofensiva da história militar contemporânea, são atribuídos a Charles Baudelaire.