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sábado, 16 de outubro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (8), por José Brandão

Cartas Inéditas de Eça de Queiroz


Beatriz Berrini

O Jornal, 1987

O presente volume inclui, em Apêndice, cartas de outros missivistas e, num caso, carta não dirigida a Batalha Reis, porém a Antero de Quental. No Espólio estão muitas outras cartas de Antero, de Emília de Castro Eça de Queiroz, de Ramalho Ortigão, Eduardo Prado, Domício da Gama etc., além, é claro, dos rascunhos do próprio Batalha Reis. Isto quer dizer que somente seleccionamos para esta publicação algumas cartas não da autoria de Eça, mas que, uma forma ou de outra, pareceram-nos trazer algum contributo para elucidação de incidentes relatados ou simplesmente mencionados na correspondência de Eça para Batalha Reis. O objectivo que se teve divulgando tais cartas, portanto, foi o de torná-las mais compreensíveis e o de permitir que fossem apreciadas de outro ângulo de visão. Atingem, tais missivas, um total de dez (Apêndice), mais os fragmentos de outras incluídos nas notas que acompanham esta edição.

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Causas da Decadência
dos Povos Peninsulares
nos Últimos Três Séculos

Antero de Quental

Editorial Nova Ática, 2005


Meus Senhores:

A decadência dos povos da Península nos três últimos séculos é um dos factos mais incontestáveis, mais evidentes da nossa história: pode até dizer-se que essa decadência, seguindo-se quase sem transição a um período de força gloriosa e de rica originalidade, é o único grande facto evidente e incontestável que nessa história aparece aos olhos do historiador filósofo. Como peninsular, sinto profundamente ter de afirmar, numa assembleia de peninsulares, esta desalentadora evidência. Mas, se não reconhecermos e confessarmos francamente os nossos erros passados, como poderemos aspirar a uma emenda sincera e definitiva? O pecador humilha-se diante do seu Deus, num sentido acto de contrição, e só assim é perdoado. Façamos nós também, diante do espírito de verdade, o acto de contrição pelos nossos pecados históricos, porque só assim nos poderemos emendar e regenerar.

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Cem Anos de Esperança


Isabel Soares (coordenação)

Lisboa, 1979

Desde há mais de cem anos uma esperança abala a terra: o socialismo democrático. Tão velho como a revolta contra a opressão e a desigualdade – como lembrou Antero – o socialismo desenvolveu-se, como teoria, ao longo do século XIX e ganhou uma dimensão universal e de múltiplas facetas durante o nosso século. Nascido das próprias contradições do capitalismo – incapaz, como este se tem revelado, mesmo nas sociedades industriais avançadas, de resolver os problemas sociais fundamentais do homem – o socialismo corresponde hoje às aspirações de muitos milhões de seres humanos, a uma maior justiça social e igualdade e ao incontido desejo de construir uma sociedade livre, de progresso e, sobretudo, fraterna.

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