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sábado, 4 de setembro de 2010

A Força das Ideologias

Hélder Costa


O jornal “ Público” seleccionou para as suas “Frases de ontem” de 4 de Setembro, a seguinte reflexão do inenarrável José António Saraiva , agora director do “ Sol”:

“ a ideologia já não tem força para se opor ao mercado. É esta a verdade. A luta de classes definitivamente acabou”

Abstraindo da ignorância de considerar que o mercado não tem ideologia, e de nos querer convencer que ele e o seu pasquin não passam de puros extra-terrestres num limbo ético inacessível, o que me comoveu foi aquela sã e infantil alegria anunciando o fim da maléfica e diabólica ideologia.

Claro que ele se refere à ideologia de esquerda, progressista, reformista, e revolucionária quando as circunstancias da tal “luta de classes” o exige.

Este ataque à ideologia vem de muito longe.

Mas recordo que a primeira campanha de desideologização ( é um palavrão chato, mas não encontro outro, desculpem lá) foi lançada pelo Reagan em 1980.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 133 e 134 e 135 (José Brandão)

Para a História da Monarquia do Norte

José Luciano Sollari Allegro

Lousã, 1988

Deixados por meu Pai, o capitão António Adalberto Sollari Allegro, possuo diversos documentos relacionados cora a proclamação da Monarquia no Porto e no Norte do País, em 19 de Janeiro de 1919.

Essa circunstância fez nascer em mim, desde há muito, a intenção de trazer tais documentos ao conhecimento público, ajudando a fazer a história daquilo que ficou a chamar-se a «Monarquia do Norte». Não é possível conhecer as razões por que nesse momento se enveredou pela proclamação da Monarquia, sem fazer uma ideia do que foram os oito primeiros anos da República, incluindo o último desses anos, durante o qual decorreu o governo do Presidente Sidónio Pais. Por isso torna-se necessário recordar vários aspectos da história política dessa época e ter presentes acontecimentos ocorridos desde 5 de Outubro de 1910 até ao assassinato de Sidónio Pais, em 24 de Dezembro de 1918.
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Para a História da Revolução - I

Teixeira de Sousa

Coimbra, 1912

A publicação que se segue, e que é relato documentado dos acontecimentos políticos dos primeiros dias de Outubro de 1910, acompanhada de referência a factos anteriores, mas que com aqueles têm íntima conexão, foi escrita logo a seguir á proclamação da Republica. Aguardei que a serenidade substituísse a agitação, não só pelo motivo de querer afastar-me de tudo o que pudesse passar por intervenção minha na vida politica do país; mas ainda para que, sem paixão, pudesse ser apreciada a minha legitima defesa. O tempo vai decorrendo, os motivos que me levam a dizer em público da minha justiça não se desvaneceram. Tudo me determina a não esperar mais tempo.

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Para a História da Revolução - II

Teixeira de Sousa


Coimbra, 1912

Investido numa missão de confiança, se assim não houvesse procedido, granjearia legitimamente o ódio dos vencidos e o desprezo dos próprios vencedores. A Monarquia caiu porque, salvas raras excepções não teve quem a defendesse como era mister, não por covardia, de que não acuso ninguém, mas certamente porque contra ela tinha a paixão de muitos e a indiferença da maior parte, sem excluir a força pública. Era a confirmação do que, naquela frase que passará á historia, o rei D. Carlos pensava do espírito monárquico em Portugal: – Monarquia sem monárquicos.




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