Carlos Mesquita
Dois meses depois e ouvidas 34 personalidades da política, do meio empresarial e da comunicação social, a montanha nem um rato pariu, nada. Nunca houve caso político PT/TVI. A Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT/TVI transformou-se ela própria no “caso”. Pretendia ser a continuação das audições da Comissão de Ética, versão “séria” investida de mais poderes, diz-se até próximos dos poderes dos tribunais. Viu-se deputados sem toga e com as galochas da política partidária, a fazer de instrutores e julgadores simultaneamente; viram-se períodos do inquérito a raiar o abuso com apartes e juízos sobre o carácter dos inquiridos, e tivemos uma amostra do que é um tribunal político, em que adversários objectivos da luta politica estão: uns investidos da capacidade e autoridade de julgar e outros à defesa. Não se provou que a PT tinha interesses políticos; (escrevi em 2 de Março no Semanário Transmontano - está online - sobre as intenções do negócio) o inquérito indicou que havia razões empresariais para as negociações entre a PT e a TVI. Toda a controvérsia criada parte dum pressuposto que não se verificava, a manipulação política da PT.
A razão para a Comissão de Inquérito passou a ser entendida em vários sectores, como oportunidade para a utilizar no combate partidário perante a perspectiva de eleições, no fundo para desgastar o líder do governo. Só que o contexto político alterou-se; o inquérito ainda ia a meio, já toda a gente tinha percebido que não haveria eleições nos tempos próximos. Daí para cá a tarefa dos promotores do inquérito foi o de salvar a face, ainda por cima o decurso das audições só arrancava convicções e opiniões pessoais, provas, zero. Escrevia no mesmo jornal em Abril, “No Parlamento continua o inquérito para saber a opinião dumas figuras da política e do meio empresarial sobre o que se passa (ou passou) na cabeça do primeiro-ministro. Um diz que não mentiu, a maioria dos partidos inquiridores querem provar que mentiu, juntaram as ditas figuras, à vez, uns dizem que estão convictos que mentiu outros que estão convictos que não mentiu, eu estou convicto que isto é tudo uma estupidez.
Se nada provarem e convicções nada provam, se não se passar do achar assim ou assado, acho que o Parlamento devia dizer quanto custou, em euros, esta sondagem de achamentos.” O próprio relator do inquérito confessa agora em entrevista ao “DN” que está metido numa confusão, diz que “se Sócrates tivesse respondido com clareza, nada disto tinha acontecido”. Mas em política não há como fazer marcha-atrás airosamente, todos sabiam que ou tinham sucesso na acusação e da Comissão de Inquérito saíam consequência para José Sócrates ou quem ficava mal eram os partidos da oposição. Levaram uma semana a formular um relatório que segundo Pedro Passos Coelho, lhe causa “alguma frustração” por “as conclusões não serem suficientemente categóricas”.
Pois, o relatório não prova que Sócrates mentiu, quando muito, dizem, que não disse toda a verdade. Assim, Passos Coelho não mentiu quando prometeu na campanha interna para a liderança do PSD, que apresentaria uma moção de censura, quando muito Passos Coelho não disse toda a verdade. Os outros partidos também estão frustrados por Passos Coelho não apresentar uma moção de censura, porque o relatório que todos aprovaram não diz (porque eles não o escreveram lá) que Sócrates mentiu. O relatório quer embrulhar-nos em papel parvo… papel pardo.
Jogo baixo, salto mortal empranchado, ninguém os tira do chão.
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domingo, 20 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Carta do Professor Raúl Iturra a José Sócrates
Senhor Primeiro-Ministro – com respeito, mas com firmeza:
A frase que intitula este texto acabou por ser famosa quando escrevi uma carta aberta à anterior Ministra da Educação. Era minha para ela. Mas, desta vez, a frase continua a ser minha para ser usada por si.
É sabido que governa em minoria e de todo não tem tido nenhuma ideia sábia na nomeação dos ministros do Ministério da Educação. O que aconteceu que a anterior ministra, já é parte da História, nem vale a pena lembrar mais, está em todos os blogues, sítios da Internet, da nossa curta cadeia de comunicação. Era mais fácil e rápido telefonar e dizer-lhe as minhas palavras. No entanto, a palavra escrita perdura, enquanto as faladas as leva o vento, ou são manipuladas ou esquecidas. O respeito e a firmeza não são palavras minhas para si. É uma frase para o Senhor Primeiro-Ministro nunca esquecer: respeito pelos seus eleitores e firmeza nas suas decisões.
Respeito pelos seus eleitores, parece-me que tem, apesar de muitos falarem mal de si, especialmente os seus colegas dos partidos da esquerda portuguesa, e ainda mais os seus rivais que lhe disputam o poder, do CDS-PP e do PSD. Dá-me a impressão que nenhum deles tem visto, nem está muito interessado, o que acontece na educação no nosso País. Bem sei, pelos meus antigos estudantes, hoje deputados da nossa Assembleia, que visitam os seu eleitores, sobretudo, em períodos pré eleitorais, mas sei também que os melhores informadores dos deputados são os jornais que lêem, os jornalistas que comentam e os noticiários da rádio e das televisões. Foi Mário Soares quem inaugurara o que passaram a ser as Presidências Abertas. Bem como Jorge Sampaio. Eram programadas, avisadas atempadamente, e eles ouviam e debatiam ao pé do rio, à sombra das árvores de um mato, e o Presidente enviava o que entendesse à Assembleia. Na maior parte dos casos, eram as problemáticas do povo que tinha depositado neles a sua Soberania, para a Assembleia legislar. Como também faz o Senhor PM.
A frase que intitula este texto acabou por ser famosa quando escrevi uma carta aberta à anterior Ministra da Educação. Era minha para ela. Mas, desta vez, a frase continua a ser minha para ser usada por si.
É sabido que governa em minoria e de todo não tem tido nenhuma ideia sábia na nomeação dos ministros do Ministério da Educação. O que aconteceu que a anterior ministra, já é parte da História, nem vale a pena lembrar mais, está em todos os blogues, sítios da Internet, da nossa curta cadeia de comunicação. Era mais fácil e rápido telefonar e dizer-lhe as minhas palavras. No entanto, a palavra escrita perdura, enquanto as faladas as leva o vento, ou são manipuladas ou esquecidas. O respeito e a firmeza não são palavras minhas para si. É uma frase para o Senhor Primeiro-Ministro nunca esquecer: respeito pelos seus eleitores e firmeza nas suas decisões.
Respeito pelos seus eleitores, parece-me que tem, apesar de muitos falarem mal de si, especialmente os seus colegas dos partidos da esquerda portuguesa, e ainda mais os seus rivais que lhe disputam o poder, do CDS-PP e do PSD. Dá-me a impressão que nenhum deles tem visto, nem está muito interessado, o que acontece na educação no nosso País. Bem sei, pelos meus antigos estudantes, hoje deputados da nossa Assembleia, que visitam os seu eleitores, sobretudo, em períodos pré eleitorais, mas sei também que os melhores informadores dos deputados são os jornais que lêem, os jornalistas que comentam e os noticiários da rádio e das televisões. Foi Mário Soares quem inaugurara o que passaram a ser as Presidências Abertas. Bem como Jorge Sampaio. Eram programadas, avisadas atempadamente, e eles ouviam e debatiam ao pé do rio, à sombra das árvores de um mato, e o Presidente enviava o que entendesse à Assembleia. Na maior parte dos casos, eram as problemáticas do povo que tinha depositado neles a sua Soberania, para a Assembleia legislar. Como também faz o Senhor PM.
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