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sábado, 4 de dezembro de 2010

Evento - A poesia galego-portuguesa

Carlos Loures

Como contributo para esta iniciativa lançada pelo Professor Sílvio Castro e que conta já numerosas intervenções, trarei aqui breves notas sobre a língua e as literaturas galego-portuguesas. São temas que já abordei anteriormente de maneira mais desenvolvida, mas que se justifica repetir no particular contexto desta série de depoimentos. Muito me agradaria que os amigos galegos participassem neste amplo debate. Não esquecendo que Carlos Durão, vem desde há semanas expondo na sua “Síntese do reintegracionismo contemporâneo” a sua transcendente tese sobre o idioma que com a Galiza e com outras sete nações compartilhamos. Mas o que aqui hoje trago é uma pergunta - Em que momento a língua e a literatura comuns se cindiram?

Segundo Giuseppe Tavani (1924), professor catedrático da Universidade de Roma «La Sapienza», grande especialista em filologia românica, em particular nas áreas linguísticas do provençal, do catalão e do galego-português, essa momento situa-se algures entre o século XIII e finais do século XIV, inícios do XV. Numa Galiza que permaneceu ligada à coroa de Leão e Castela, a lírica galego-portuguesa foi dando lugar a uma poesia galego-castelhana, enquanto em Portugal idioma e poesia encetavam uma viagem solitária. Há um período que estabelece uma fronteira entre um idioma único, falado e escrito em Portugal e na Galiza, e o início de uma deriva em que a Galiza começava a sentir os efeitos da aculturação castelhana e, ao invés, em Portugal, dois séculos decorridos sobre a criação do País, se começava a fixar uma língua e uma poesia autónomas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A poesia galego-portuguesa

Carlos Loures

Podemos ouvir no vídeo abaixo Ondas do mar de Vigo, do jogral galego Martim Codax. Julga-se que terá nascido em Vigo, pois fez numerosas referências à cidade. Viveu entre meados do século XIII e princípios do XIV. Esta composição situa-se ainda dentro dos cânones da poesia galego-portuguesa. Contudo, há um período que estabelece uma fronteira entre um idioma único, falado e escrito em Portugal e na Galiza, e o início de uma deriva em que a Galiza começava a sentir os efeitos da aculturação castelhana e em Portugal, dois séculos após a criação do País, se começava a fixar uma língua autónoma. Essa fronteira situa-se algures entre o século XIII e finais do século XIV, inícios do XV, segundo Giuseppe Tavani (1924), professor catedrático da Universidade de Roma «La Sapienza», grande especialista em filologia românica nas áreas linguísticas do provençal, do catalão e do galego-português. Numa Galiza que não obteve a independência, ficando ligada à coroa de Leão e Castela, a lírica galego-portuguesa começou a dar lugar a uma poesia galego-castelhana.



Na Galiza, ainda de acordo com Tavani, a linha de demarcação entre a poesia galego-portuguesa e a posterior traça-se habitualmente em fins do século XIV, inícios do XV, com um cancioneiro específico compilado por Juan Alfonso de Baena, que passou a constituir o corpus da poesia galego-castelhana. O conteúdo do códice do século XIII do cancioneiro da Biblioteca da Ajuda e dos dois apógrafos italianos (cancioneiros da Vaticana e Colocci-Brancuti) é atribuído à poesia galego-portuguesa. Estes monumentos históricos e literários são os marcos que estabelecem a tal raia entre duas maneiras de falar e de escrever o mesmo idioma. E, como sempre acontece nas regiões fronteiriças, há zonas de imprecisão em que as duas tradições dialectais se confundem.