Adão Cruz
Conheço Jean-Pierre Changeux desde a década de oitenta, não pessoalmente, embora tenha assistido a uma conferência sua, nessas alturas, em Paris, salvo erro. Mas conheço-o através de alguns dos seus livros, como “Homem Neuronal” de 1980, e “Razão e Prazer”, livros que li e reli. Muita vontade tenho de ler outras obras suas como “Fundamentos naturais da ética”, “A verdade e o cérebro”, “O que nos faz pensar”, etc., mas não consigo a benevolência do tempo. Hei-de conseguir.
“Homem Neuronal foi, na altura, um best seller, muito contestado e muito controverso nos meios conservadores. Hoje, felizmente, os tempos são outros, e todas as mentalidades abertas se deliciam com os maravilhosos resultados da investigação neurobiológica e com o manancial de descobertas no campo das Neurociências.
Jean-Pierre Changeux é professor no Collège de France, e no Instituto Pasteur, onde dirigiu, desde 1967, um laboratório de Neurobiologia Molecular. As suas principais contribuições e descobertas no decurso dos últimos 37 anos estão centradas no tema geral dos mecanismos celulares e moleculares de reconhecimento e transdução de sinal, também conhecido como mecanismo receptor, principalmente no sistema nervoso.
Na sequência dos meus dois artigos anteriores sobre Materialismo e Espiritualismo, atrevo-me a escrever um terceiro. Porquê? Porque Jean-Pierre Changeux esteve há poucos dias em Lisboa, na Gulbenkian, e deu uma entrevista a Ana Gerschenfeld, que veio no “Público” do dia 13 deste mês. Aliás, foi também Ana Gerschenfeld quem entrevistou Tom Insel há uns meses atrás.
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domingo, 18 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Materialismo e Espiritualismo
Adão Cruz
O mal do homem não está em pensar e ter ideias, o mal do homem está em não pensar e não ter ideias.
Por isso, na sequência de um artigo anterior aqui publicado, sinto necessidade de correr um pouco mais atrás de ideias e de fazer mais algumas reflexões em relação a este tão aliciante tema. Os que acham que sou tolo e desprovido de senso têm uma solução fácil, não leiam. Mantenham as suas valiosas ideias fechadas no cofre do deixa andar e não te rales.
Costuma dizer-se que a ciência é um cemitério de hipóteses e eu concordo. No entanto, cada hipótese perdida é um degrau de acesso à hipótese situada acima, e no meio desse cemitério de hipóteses a ciência vai-se consolidando e conquistando verdades que ganham raízes bem fundas no conhecimento humano. Se, por exemplo, as conclusões de uma sonda espacial dizem que provavelmente não há água em Marte, e as conclusões de uma sonda enviada posteriormente dizem que provavelmente há água em Marte, a primeira hipótese não foi negativa nem inútil, pois sem ela, com certeza, não se chegaria à segunda hipótese.
Também a filosofia pode ser, muitas vezes, um amontoado de disparates, e não deixa de ser importante e muito útil como pré-ciência, isto é, como proposição, umas vezes credível outras não, em que a investigação científica, sem qualquer preconceito, assenta muitas vezes os pés. Veja-se, por exemplo, o caso, muito actual, de Espinosa e António Damásio.
O mal do homem não está em pensar e ter ideias, o mal do homem está em não pensar e não ter ideias.
Por isso, na sequência de um artigo anterior aqui publicado, sinto necessidade de correr um pouco mais atrás de ideias e de fazer mais algumas reflexões em relação a este tão aliciante tema. Os que acham que sou tolo e desprovido de senso têm uma solução fácil, não leiam. Mantenham as suas valiosas ideias fechadas no cofre do deixa andar e não te rales.
Costuma dizer-se que a ciência é um cemitério de hipóteses e eu concordo. No entanto, cada hipótese perdida é um degrau de acesso à hipótese situada acima, e no meio desse cemitério de hipóteses a ciência vai-se consolidando e conquistando verdades que ganham raízes bem fundas no conhecimento humano. Se, por exemplo, as conclusões de uma sonda espacial dizem que provavelmente não há água em Marte, e as conclusões de uma sonda enviada posteriormente dizem que provavelmente há água em Marte, a primeira hipótese não foi negativa nem inútil, pois sem ela, com certeza, não se chegaria à segunda hipótese.
Também a filosofia pode ser, muitas vezes, um amontoado de disparates, e não deixa de ser importante e muito útil como pré-ciência, isto é, como proposição, umas vezes credível outras não, em que a investigação científica, sem qualquer preconceito, assenta muitas vezes os pés. Veja-se, por exemplo, o caso, muito actual, de Espinosa e António Damásio.
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