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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Quatre barres - Tres poemes del gran poeta brasiler Carlos Drummond de Andrade

Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecte als uns i als altres. Avui us proporcionem tres poemes del gran poeta brasiler Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). La versió catalana és de Josep Anton Vidal.

El pes del món carregat a les espatlles



Arriba un temps que ja mai més no es diu: Déu meu.
Temps d'absoluta purificació.
Un temps que ja mai més no es diu: amor.
Perquè l'amor ha esdevingut inútil.
 I els ulls no ploren.
I les mans van a penes ordint el dur treball.
I el cor esdevé eixut.

Inútilment les dones et truquen a la porta, no obriràs pas.
T'has quedat sol, ja s'ha apagat la llum,
però en l'ombra els teus ulls resplendeixen enormes.
Tot s'ha tornat certesa, no saps sofrir
i ja no esperes res dels teus amics.

 Ja tan se val que arribi la vellesa; la vellesa, què és?
La teva esquena aguanta el pes del món
i el món és tan lleuger com una criatura.
Les guerres, i les fams, i les converses a dins dels edificis
són a penes senyal que encara queda vida,
que no tothom se n'ha desprès encara.
Hi ha alguns que consideren que és bàrbar l'espectacle
i més s'estimarien morir (tenen la pell tan fina!)
Ha arribat l'hora en què morir no compta.
Ha arribat l'hora que la vida és una ordre.
A penes vida i prou, sense disfresses.


Déu trist

Déu és trist.
Diumenge descobrí que Déu és trist,
enllà de la setmana i més enllà del temps.

La solitud de Déu no té parell.
Déu no és davant de Déu.
És sempre en Ell mateix i ho cobreix tot

tristinfinitament.
La tristesa de Déu és com Déu: és eterna.

Déu es féu trist.
La tristesa de l'home no té cap altra font.

Poesia

Porto ja una hora pensant un vers
que la ploma refusa d'escriure.
Mentrestant és aquí, dintre meu,
neguitós, viu.
És aquí, dintre meu,
resistint-se a sortir.
La poesia, però, d'aquest moment
m'omple a vessar la vida.

sábado, 9 de outubro de 2010

Terreiro da Lusofonia:"A bailarina" de Cecília Meireles por Paulo Autran..

Paulo Autran, diz, como só ele sabia, "A Bailarina", poema da grande Cecília Meireles.

domingo, 1 de agosto de 2010

Navegação de Henrique

Sílvio Castro*



Poema circunstancial, por ocasião do nascimento de Henrique (Brasília, 9 de abril de 2007)




Você chegou, Henrique, sob os astros
de Brasília neste 9 de abril de um outono
primaveril, nos 7 primeiros anos de
um tempo, neste abril, aberto e novo
a anos mil, navegado por quem
traz dos tempos o fervor dos Castros.

Mais que fervor, Henrique feito do amor
de Rodrigo e Letícia, você traz outras prendas
presentes para os olhos: você, andante
comandante, traz toda alegria navegante
de oceanos mares a planaltos de verdes rendas.


Você, Henrique, visto sob estes astros
inaugurais de um tempo certo,
mostra aos olhos um novo olhar dos Castros.


____________________

*Sílvio Castro, poeta, romancista, contista, ensaísta, crítico e historiador literário, critico de arte, teve seu primeiro livro de poesia, Infinito Sul, publicado em 1956, sendo o volume Poemas Construtivos, o último, em edição Galo Branco, Rio de Janeiro, de 2007. O presente poema fará parte do livro de Sílvio Castro, 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, programado para publicação em 2011, sempre em edição Galo Branco.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ferreira Gullar, “Prémio Camões – 2010”, visita hoje o Terreiro da Lusofonia


Sílvio Castro

Numa significativa realidade literária nacional, como é aquela brasileira contemporânea, os nomes dignos de um grande Prêmio pela obra completa são muitos. Se esse Prêmio possui as dimensões internacionais, como acontece com o “Prêmio Camões”, destinado a um escritor de uma das nações componentes da grande Comunidade dos Países Lusófonos, o premiado vem reconhecido como um representante altamente representativo da criatividade artística contemporânea de seu país. Ferreira Gullar possui todas as dimensões que o “Prêmio Camões-2010” lhe reconhece e proclama. Poeta dedicado igualmente à crítica e ao ensaio, bem como autor de obras teatrais, ele demarca com clareza algumas características da modernidade brasileira. Autor que sabe criar a própria expressão a partir do valor essencial da linguagem, ainda que capaz de profunda participação com o mito poético, não o limita aos valores da pura subjetividade lírica. Nele se apresenta igualmente acentuada e assumida participação com a realidade, mais em particular com a realidade civil. Esta, nascida de uma forte integração com os problemas sociais e políticos de seu país, faz derivar naturalmente no poeta uma integração com os problemas próprios de outras realidades nacionais. Ferreira Gullar é naturalmente um poeta empenhado, um poeta político. Assim sendo, ele corresponde a uma já consagrada norma derivada da ação e teoria da história da Modernidade brasileira referente ao conceito de “poeta maior”, conceito nascido de um esclarecimento de um outro grande poeta brasileiro moderno, Manuel Bandeira, que se definia um “poeta menor”, pois, sempre segundo ele próprio, a sua poesia se confinava na dimensão lírica, nunca ousando atingir aquela do empenho social. Para esta, e portanto para a melhor definição do “poeta maior”, Bandeira os encontrava em criadores como Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Poemas de que gostamos



As oito da manhã, aqui no Estrolabio, é a hora da poesia. Vamos hoje dar início a uma série de poemas de que gostamos. Começamos com um grande poeta brasileiro – João Cabral de Melo Neto (1920 —1999) .

Da sua colectânea O Engenheiro (1945),

As Nuvens



As nuvens são cabelos

crescendo como rios;

são os gestos brancos

da cantora muda;



são estátuas em voo

à beira de um mar;

a flora e a fauna leves

de países de vento;



são o olho pintado

escorrendo imóvel;

a mulher que se debruça

nas varandas do sono;



são a morte (a espera da)

atrás dos olhos fechados

a medicina, branca!

Nossos dias brancos.