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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Teatro em Portugal / Teatro Português (5)


António Gomes Marques
(Conclusão)


VIII

Não posso finalizar esta minha comunicação sem falar de algo que me é muito caro: o Teatro de Amadores, servindo-me de partes do que já, em tempos, escrevi sobre esta matéria.

Falar de Teatro de Amadores (e não Teatro Amador), ou seja, dos que por amor fazem teatro, pode remeter para a área da animação sociocultural e/ou para a da divulgação cultural descentralizada.

Tempo houve em que o Teatro de Amadores tinha o respeito do País, dos meios intelectuais, do público em geral e dos meios de comunicação social. Depois do 25 de Abril conquistou mesmo o respeito do poder político, de quem obteve ajudas financeiras e alguns meios técnicos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Teatro em Portugal / Teatro Português (1)* - por António Gomes Marques

I
Começo por fazer uma declaração: não vivo do teatro, nem espero vir a viver! E continuo com uma pergunta que, várias vezes, tenho feito a mim mesmo: seria mais feliz se do teatro vivesse? Não sei a resposta certa, mas uma certeza eu tenho: em Portugal, a trabalhar no teatro, dificilmente viveria como vivo.

Gosto de fazer o que tenho feito ao longo de várias décadas para ganhar a vida, como é uso dizer-se, mas talvez gostasse mais de fazer teatro!

Concluindo esta questão, presto a minha homenagem àqueles que ao teatro se têm dedicado no nosso país, fazendo disso profissão e que, naturalmente, tiveram mais coragem do que eu para prescindirem de algumas facilidades que outra profissão melhor remunerada lhes poderia proporcionar.

Uma outra questão, que é para mim fundamental, tem a ver com a razão que originou a minha paixão pelo teatro e que só consigo justificar com o facto de o teatro conter todos os meios de expressão artística, sejam musicais, pictóricos, plásticos e até arquitectónicos. Com tais meios de expressão, o teatro torna-se uma arte total, capaz de representar uma universalidade de temas que têm a ver com o homem e com o mundo.

Haverá quem pense o teatro, essencialmente, como a arte do actor, o que, hoje, não me custa a aceitar. Se tivesse oportunidade de ser encenador, julgo que procuraria fazer um teatro em que predominaria a luz branca e o preto das cortinas, evidenciando sobretudo a representação do actor, para a qual procuraria chamar a atenção do espectador. Mas deixemos o sonho, que necessitaria de uma outra explicação que não cabe agora aqui.

Há ainda, para além de muitos outros, dois aspectos fundamentais que me apaixonam: o teatro é fruto de um trabalho colectivo, até mesmo com um encenador autoritário, e é uma arte que não dispensa o público. Distingue-se particularmente do cinema, pela renovação constante de espectáculo para espectáculo, ou seja, no teatro não há dois espectáculos iguais, mais diferente ainda se assistirmos a um mesmo texto em épocas diferentes, se esse mesmo texto for interpretado por diferentes encenadores e diferentes actores (isto também pode acontecer no cinema), é um espectáculo em que basta a mudança dos públicos que a ele assiste para se estar perante um espectáculo renovado. É um espectáculo que, para se concretizar, exige uma rigorosa investigação e posterior experimentação, até pela consciência que se deve ter de que se trata de uma arte em que a sua necessária unidade está permanentemente ameaçada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta de Norberto Ávila a António Gomes Marques

Meu caro Gomes Marques




Cheguei já há uns dias da ilha do Corvo, aonde fui recolher uma brilhante Insígnia Autonómica de Reconhecimento, com que a Assembleia Legislativa e o Governo Regional dos Açores acharam por bem incentivar a minha criatividade literária. E eu era apenas um entre três dezenas. Começaram por ser distinguidas (a título muito póstumo, claro) duas figuras ilustres de açorianos: Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, precisamente os dois primeiros presidentes da República.

Cheguei há dias, dizia eu, mas, como os vários assuntos que havia deixado pendentes não se resolveram por si, houve que conceder-lhes a principal atenção. E só agora pude dar uma vista de olhos mais demorada ao novo blogue Estrolábio, de que és um colaborador esclarecido e apaixonado, como outros o serão noutros domínios que não o Teatro. Pois a designação de Estrolábio (à míngua da ulilização da palavra agora corrente) acaba por resultar num estímulo à imaginação. E se o arcaico parentesco com Astrolábio facilmente remete para determinar a altura a que um astro se encontra acima da linha do horizonte (e tomemos por astros as personalidades marcantes e os seus actos), lábio endereça para a oralidade do pensamento e estro, por sua vez, traz-nos à mente o génio inventivo, o entusiasmo, a inspiração. Óptimo, portanto.

Voltando agora ao texto que te dignaste escrever a meu respeito e a propósito de ALGUM TEATRO (20 peças em 4 volumes, de recente publicação pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda), seja-me permitido um breve e despretensioso comentário. Enquanto, na 2.ª edição (APTA, 1978 – com direitos de publicação oferecidos pelo autor, se bem te recordas) As Histórias de Hakim é ainda uma peça destinada a um público prioritariamente infantil, já a partir da 3.ª edição (a expensas do Autor, 1982), ela se apresenta muito mais como uma peça para jovens, até mesmo para adultos. Tanto assim que a grande maioria dos teatros da Europa que a representam (e já andam por uma centena) o fazem à noite.

Pensando bem, apenas prevalece dentre as minhas obras uma peça para crianças: A Ilha do Rei Sono (cuja única edição portuguesa data de 1977, Plátano Editora.) Escrita em Paris, por encomenda da Companhia de Françoise Lepeuve, que a estreou no I Festival de Nanterre (1955). Publicada por duas editoras alemãs: Verlag der Autoren (Frankfurt) e Henschel Verlag (Berlim). Representada pelo Teatro do Gerifalto (Lisboa, 1968) e pelo Schauspielhaus de Wuppertal (Alemanha, 1983); transmitida por várias estações de rádio de língua alemã. Traduzida também em servo-croata.

E é tudo (e já é muito) por agora. Bom trabalho no Estrolábio, cuja carreira quero acompanhar com alguma regularidade.

Um abraço firme do amigo

Norberto Ávila

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Apresentando António Gomes Marques


António Gomes Marques, nasceu em 1945 em Chã de Alvares, concelho de Góis, Coimbra. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, foi co-fundador e principal responsável durante anos dos Grupos de Teatro, da Biblioteca e de Cinema dos Serviços Sociais da Caixa Geral de Depósitos. Durante cinco anos, foi presidente da direcção da APTA - Associação Portuguesa do Teatro de Amadores, sendo responsável pela organização de Festivais Nacionais de Teatro de Amadores.

Nomeado pelo Secretário de Estado da Cultura, Dr. António Reis, para representar Portugal no Festival do Trabalho da ex-RDA, em 1978, foi também delegado português ao Congresso da AITA/IATA - Associação Internacional do Teatro de Amadores e Festival Mundial de Teatro de Amadores, realizados em Blagoevgrad-Bulgária, em 1979. Participou noutras reuniões internacionais sobre teatro, sendo delegado português ao Congresso da AITA/IATA - Associação Internacional do Teatro de Amadores e ao Festival Mundial de Teatro de Amadores, realizados no Principado do Mónaco em 1981.

Integrou a equipa técnica da Companhia de Teatro Amascultura, com sede no Centro Cultural da Malaposta, ficando responsável pela Documentação, ali permanecendo desde o início de actividade da Associação, em 1988, até 1995. Representou a Amascultura, na "Homenagem a Carlos de Oliveira - 50 anos de literatura", organizada em conjunto com a Comissão Instaladora do Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira. É membro da Direcção da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo.

Traduziu numerosas obras, sobretudo de carácter didáctico, e colaborou com textos seus em enciclopédias, nomeadamente na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. É autor de Da Chefia à Liderança - Um Caminho para a Mudança