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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Direita e esquerda, continuam a existir?

Carlos Loures

Vem este texto na sequência de outro que aqui publiquei há dias - “Esquerda, precisa-se”. 

Num dos comentários, a querida amiga Carla Romualdo perguntava: «crês que ainda faz sentido falar em "esquerda" e "direita", quando estes conceitos se esvaziaram de tal modo nos últimos anos? Não lanço a pergunta como uma picadela irónica, mas sim como uma honesta interrogação. Será que ainda faz sentido esta divisão?». Escolhi este comentário por me parecer aquele que coloca a questão mais importante e ao responder à Carla tentarei dissipar outras dúvidas, eventualmente suscitadas por não ter sido suficientemente claro.

Direita e esquerda – faz ainda sentido esta divisão?

Sempre ouvi dizer que as designações de "esquerda" e "direita", tiveram origem no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda.

Na Assembleia Nacional (1789), a expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república. 
 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sondagens para que vos quero...

Luís Moreira

Cavaco Silva aproxima-se dos 60% no que diz respeito a quem vai votar e a 80% nos que acreditam que vai ganhar!

Nas presidenciais parece que o assunto está resolvido, com Manuel Alegre a andar perto dos vinte e tal por cento e Fernando Nobre nos doze por cento.

Nas legislativas o PSD aproxima-se doa 40% e o PS dos 34%.PCP com 9% é a terceira força, BE com 8% e o CDS com 5%. Isto quer dizer que a esquerda ainda se mantem maioritária. Apesar da crise enorme e da má situação o PS ainda vai aos 34%, perdendo cerca de 10% para o PSD, bem como o CDS que perde cerca de 5% para o mesmo PSD.

Claro que perante estes números Passos Coelho capitaliza o que pode, como é o caso da revisão constitucional, que agora toca na regionalização (abandonando a obrigação de uma referendo)deixa cair grande parte das mudanças nos poderes presidenciais, insiste no SNS e na Educação,tornando-as pagas para quem pode e, muda, muito, a economia.

Tirar o Estado da economia é uma obrigação sem o que nunca teremos pequenas e médias empresas com prioridade, serão sempre as empresas públicas e do regime a comer a maior fatia.

Não são mais do que tendências, valem o que valem, mas o ínicio de um novo ciclo, agora com sociais democratas e democratas cristãos,um Estado menos gigantesco e uma sociedade civil mais forte, é o que se formula no horizonte.Por mim, não acredito que num país tão desigual e com tantos pobres o Estado Social seja afectado.Outros caminhos, sim !

PS:

O PSD sob a liderança de Pedro Passos Coelho subiu 13 pontos percentuais em apenas dois meses nas sondagens Bareme para TSF e Diário Económico. A mais recente, divulgada ontem, coloca os sociais-democratas à beira da maioria absoluta e muito longe do PS.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Opinião. Cavaco, outro “berdadeiro” independente


Carlos Mesquita


Pronunciei-me sobre Fernando Nobre, hoje toca a vez a Cavaco Silva, o único dos três candidatos (este é oficioso por enquanto) à presidência da República, que foi secretário-geral de um partido, o PSD. Cavaco tem a tarefa de parecer independente facilitada; a campanha que o coloca distanciado do partido a que pertence, tem anos, resmas de artigos de opinião foram escritos com esse fim e são imensos os comentadores e jornalistas que ao longo da carreira política do actual presidente o têm arrumado fora do partido, criaram-lhe essa imagem, é mas não é, apesar de ser não se assume como sendo, está acima, ao lado, ou de costas, para o PSD, conforme as suas conveniências conjunturais. Pode-se duvidar se Cavaco quando líder do PSD era do PSD. No entanto o seu partido, (ou ex-partido) não lhe nega apoios; todas as linhas do PSD, e são mais que as linhas do TGV do tempo de Durão Barroso/Ferreira Leite, concordam em ampará-lo na candidatura ao segundo mandato como presidente. Todas? Não! Como se diria na introdução de mais uma aventura de Astérix. Alguns católicos do PSD juntos com o CDS e a Igreja, e os seus mais leais fiéis, (ou seja, o sector democrata cristão e cristãos pouco democratas) depois da promulgação por Cavaco Silva, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, põem em causa esse apoio. Este novo elemento é decisivo para medir a facilidade de Cavaco em ser ou não reeleito; os cavaquistas desvalorizam a controvérsia, mas o país, diz-se, é maioritariamente católico. Os activistas anti-casamento gay juntaram mais de 200mil assinaturas para pedir um referendo, número semelhante aos dos movimentos anti-aborto.

Responsáveis da Igreja católica e figuras da direita procuram alternativas ao nome do actual presidente, e o CDS já disse que poderia sustentar um nome da sua área como opção a Cavaco Silva. Qualquer que seja a evolução destas iniciativas, a Igreja e também políticos e comentadores conservadores, não deixarão de levar o tema do “casamento gay” para o período da campanha presidencial, não sendo previsível que esses sectores deixem morrer o assunto em nome das contrariedades económicas e financeiras. Cavaco Silva desiludiu quem nele votou, também pelas comodidades oferecidas à governação de Sócrates, e agora para se furtar à discussão vem dizendo que só pensa na crise, em campanha eleitoral vai ter de abandonar esse paleio.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

IRS - Imposto Revolucionário Socialista

Luís Moreira

O aumento de 1% nos escalões mais baixos e de 1.5% nos escalões mais altos será aplicado a partir de Junho, diz Sócrates. O secretário de Estado da finanças diz que é desde Janeiro, logo o ano todo. Os fiscalistas vieram a correr dizer que a rectroctividade é proíbida.

Se calhar aplicam o aumento a partir de 1 de Junho e depois, no final das contas, aquando da entrega do imposto, acertam tudo, digo eu que já vi o governo há 9 anos dizer que ía criar 150 000 empregos.

O PSD aproveitou para dizer que não senhor o acordo era só a partir de Junho e, agora, que está a ver que a opinião pública já diz " o governo e o PSD" corrige o tiro, engrossa a voz e exige o adiamento do TGV para 2013 . Tarde piaste !

O PCP, como sabe que não tem hipótese nenhuma em deitar abaixo o governo, vai apresentar uma moção de censura, com os votos favoráveis do BE e a abstenção do PSD e do CDS.

Os banqueiros arrasam o governo, dizendo que não há dinheiro, nem eles, bancos, têm dinheiro, por isso o melhor mesmo é deixar cair os megainvestimentos e aproveitar o pouco crédito que podem conceder para as PMEs. E, quando digo banqueiros, digo Ricardo Espirito Santo, Fernando Ulrich , Santos Ferreira...

O único, qual tontinho, que ainda não viu que está no meio duma tempestade é o "estadista" !