As Minhas Entrevistas com Abel Olímpio
“O Dente de Ouro”
Berta Maia
Lisboa, 1928
Porque escrevi este livro
Tu, meu filhinho, ficaste órfão aos seis meses, toda a tragédia se desenrolou à tua vista e tu sorrias, sorrias sempre! Deus Meu! Pensei que um dia a tua alma estimaria ler estas páginas, escritas por tua Mãe, sem ódios, sem gritos de vingança, e então uma lágrima rolaria pela tua face, serena, sem revoltas, amparado à cruz de Cristo, forte, altivo na tua dor, orgulhoso de teu Pai!
Berta Maia, viúva de Carlos da Maia – uma das vítimas do 19 de Outubro – empenhou-se corajosamente na busca de quem tinham sido os mandantes dos assassinos. Conseguiu mesmo entrevistar na prisão «o Dente de Ouro», responsável pela morte do seu marido.
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As Minhas Memórias
3 Volumes
Cunha Leal
Lisboa, 1966
O livro, que me proponho escrever, vai ser a resultante dum conjunto de afectuosas, mas insistentes pressões familiares.
Entendem os meus filhos que a personalidade do pai tem sido desvirtuada mercê de observações sistematicamente eivadas de leviandade ou de má fé. Julgam que constitui para mim obrigação indeclinável dizer de minha justiça em causa própria, mostrar ao meu pais com honrada sinceridade o que sou, o que fiz e o que pretendi, mas não me deixaram fazer. Em suma, incitam-me nada mais, nada menos do que a escrever as minhas memórias!
Sou um homem que, através duma vida já longa, nunca contrariou, antes pretendeu sempre favorecer, a instauração na nossa Terra duma organização económica, social e política, susceptível de atenuar sensivelmente as gritantes desigualdades, que estão gerando o surdo descontentamento dos seus habitantes.
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domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 26 e 27 (José Brandão)
A Regra do Jogo, 1980
Decadência e Queda da I República Portuguesa
1º Vol.
António José Telo
Regra do Jogo, 1980
Este livro começou por ser um estudo sobre o 28 de Maio, seu carácter e causas. Simplesmente, ao fim de pouco tempo tornou-se claro que as verdadeiras causas do 28 de Maio e do fim da República se tinham de ir buscar ao pós-guerra, ao modelo então ensaiado e às contradições geradas. Aquilo que era para ser um pequeno estudo, foi-se alargando e prolongando ao longo de meses e anos, interrompido algumas vezes por força das circunstâncias. De uma maneira quase imperceptível para o próprio autor, foi abrangendo sectores inicialmente desprezados e transformou-se num grosso maço de centenas de folhas.
Finalmente tornou-se necessário dividir o conjunto em dois livros, para não se ser obrigado a publicar uma obra demasiado volumosa e cara.
O primeiro período abrange os anos 1919-1922, aquilo a que se pode chamar o pós-guerra.
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Decadência e Queda da I República Portuguesa
2º Vol.
António José Telo
A Regra do Jogo, 1980
A imprensa conservadora recebe favoravelmente a estabilização e o novo decreto sobre os bancos, mas não se mostra satisfeita, O «Jornal do Comércio e das Colónias», por exemplo, reclama contra a continuação do «monopólio» do desconto directo da Caixa Geral dos Depósitos e contra a nomeação governamental de directores para o Banco de Portugal e o Banco Nacional Ultramarino.
Mas também neste campo o gabinete revela a sua mudança de atitude ao nomear para o Banco Nacional Ultramarino Cunha Leal, um dos principais dirigentes conservadores. Assiste-se assim ao paradoxo de Cunha Leal, um dos maiores opositores do decreto de José Domingues dos Santos, entrar para a direcção do BNU pela mão do Governo que atacava e por obra e graça do decreto que esconjurara violentamente.
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Decadência e Queda da I República Portuguesa
1º Vol.
António José Telo
Regra do Jogo, 1980
Este livro começou por ser um estudo sobre o 28 de Maio, seu carácter e causas. Simplesmente, ao fim de pouco tempo tornou-se claro que as verdadeiras causas do 28 de Maio e do fim da República se tinham de ir buscar ao pós-guerra, ao modelo então ensaiado e às contradições geradas. Aquilo que era para ser um pequeno estudo, foi-se alargando e prolongando ao longo de meses e anos, interrompido algumas vezes por força das circunstâncias. De uma maneira quase imperceptível para o próprio autor, foi abrangendo sectores inicialmente desprezados e transformou-se num grosso maço de centenas de folhas.
Finalmente tornou-se necessário dividir o conjunto em dois livros, para não se ser obrigado a publicar uma obra demasiado volumosa e cara.
O primeiro período abrange os anos 1919-1922, aquilo a que se pode chamar o pós-guerra.
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Decadência e Queda da I República Portuguesa
2º Vol.
António José Telo
A Regra do Jogo, 1980

A imprensa conservadora recebe favoravelmente a estabilização e o novo decreto sobre os bancos, mas não se mostra satisfeita, O «Jornal do Comércio e das Colónias», por exemplo, reclama contra a continuação do «monopólio» do desconto directo da Caixa Geral dos Depósitos e contra a nomeação governamental de directores para o Banco de Portugal e o Banco Nacional Ultramarino.
Mas também neste campo o gabinete revela a sua mudança de atitude ao nomear para o Banco Nacional Ultramarino Cunha Leal, um dos principais dirigentes conservadores. Assiste-se assim ao paradoxo de Cunha Leal, um dos maiores opositores do decreto de José Domingues dos Santos, entrar para a direcção do BNU pela mão do Governo que atacava e por obra e graça do decreto que esconjurara violentamente.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 14
Carlos Leça da Veiga
A União Europeia é um autêntico logro político e económico para os portugueses, porém, um negócio notável para quem, na falta dos lucros oriundos das velhas colónias africanas, agora, entre nós, recebe o favor dos subsídios europeus e, traição verdadeira, sob os pretextos de obediência neoliberal às regras de mercado, não só tudo faz para impedir a produção nacional como, em simultâneo, incrementa a importação. Enfim, transformaram Portugal numa colónia. Viver-se-á melhor?
Contra toda a lógica, aliás bem evidente, da evolução duma economia mundial balanceada entre o retrocesso da dos ocidentais e a presença fortíssima, em crescendo, da dos emergentes – muito mais que emergentes – os dirigentes da política portuguesa, sem tino nem senso, pela necessidade de conseguirem apresentar algum serviço e, sobretudo, pela ânsia tradicional de copiar os estados europeus, de preferência os continentais e, por igual, satisfazer-lhes os interesses estratégicos, correram a aceitar-lhes uma aliança multilateral, a União Europeia, sabendo – deviam saber – que estavam a fazê-lo com estados que, como a História no-lo conta, sempre pretenderam prejudicar Portugal e que, nos últimos anos, como está à vista, até deixaram de ter interesse económico e político significativo por estarem em perda económica muito sensível e, pelo certo, irreparável. Estar-se-á a viver melhor?
Mais uma vez, na História de Portugal, os seus dirigentes, foram procurar, na aliança com os potentados do ocidente europeu, em retrocesso económico, as fontes do auxilio para, como imaginaram e imaginam – mas mal – conseguirem que a grandeza desses potentados, se o foi, ou se o é, extravasasse para Portugal. Procederam desse modo por causa não só das tradicionais mimética e submissão face a tudo quanto é feito na Europa – uma crença com séculos – mas, também, não pode ignorar-se, por força das manobras políticas dos interesses muito próprios dos possidentes nacionais e da sua aliança estreita com um lote influente de personalidades políticas portuguesas interessado na satisfação duma sua velha mas desastrosa perspectiva maçónica que a leva a imaginar-se, mais outra vez, como fundadora dum sonhado mas serôdio federalismo europeu. Viver-se-á melhor?
A União Europeia é um autêntico logro político e económico para os portugueses, porém, um negócio notável para quem, na falta dos lucros oriundos das velhas colónias africanas, agora, entre nós, recebe o favor dos subsídios europeus e, traição verdadeira, sob os pretextos de obediência neoliberal às regras de mercado, não só tudo faz para impedir a produção nacional como, em simultâneo, incrementa a importação. Enfim, transformaram Portugal numa colónia. Viver-se-á melhor?
Contra toda a lógica, aliás bem evidente, da evolução duma economia mundial balanceada entre o retrocesso da dos ocidentais e a presença fortíssima, em crescendo, da dos emergentes – muito mais que emergentes – os dirigentes da política portuguesa, sem tino nem senso, pela necessidade de conseguirem apresentar algum serviço e, sobretudo, pela ânsia tradicional de copiar os estados europeus, de preferência os continentais e, por igual, satisfazer-lhes os interesses estratégicos, correram a aceitar-lhes uma aliança multilateral, a União Europeia, sabendo – deviam saber – que estavam a fazê-lo com estados que, como a História no-lo conta, sempre pretenderam prejudicar Portugal e que, nos últimos anos, como está à vista, até deixaram de ter interesse económico e político significativo por estarem em perda económica muito sensível e, pelo certo, irreparável. Estar-se-á a viver melhor?
Mais uma vez, na História de Portugal, os seus dirigentes, foram procurar, na aliança com os potentados do ocidente europeu, em retrocesso económico, as fontes do auxilio para, como imaginaram e imaginam – mas mal – conseguirem que a grandeza desses potentados, se o foi, ou se o é, extravasasse para Portugal. Procederam desse modo por causa não só das tradicionais mimética e submissão face a tudo quanto é feito na Europa – uma crença com séculos – mas, também, não pode ignorar-se, por força das manobras políticas dos interesses muito próprios dos possidentes nacionais e da sua aliança estreita com um lote influente de personalidades políticas portuguesas interessado na satisfação duma sua velha mas desastrosa perspectiva maçónica que a leva a imaginar-se, mais outra vez, como fundadora dum sonhado mas serôdio federalismo europeu. Viver-se-á melhor?
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