João Machado
Coimbra é uma cidade milenária. Tendo em conta a sua localização e atendendo aos factos históricos não admira que tenha sido sempre um pólo de atracção importante. Foi capital de Portugal até ao reinado de D. Afonso III. Ali se realizaram as primeiras cortes de que há memória, em 1211, de onde saíram as primeiras Leis Gerais do Reino, que centravam o poder nas mãos do rei, e tentavam acabar com os abusos da nobreza e do clero. A implantação da Universidade confirmou a cidade como um grande centro cultural, e a maior cidade do centro do país.
Camões dá-nos uma imagem da importância de Coimbra, referindo-se a D. Dinis:
Fez primeiro em Coimbra exercitar-se
O valeroso ofício de Minerva;
E de Helicona as Musas fez passar-se
A pisar de Mondego a fértil erva.
Quanto pode de Atenas desejar-se
Tudo o soberbo Apolo aqui reserva.
Aqui as capelas dá tecidas de ouro,
Do bácaro e do sempre verde louro.
(Lusíadas, Canto III, estrofe 97)
E mais adiante, numa nota triste:
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
(Lusíadas, Canto III, estrofe 120)