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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Saudades de Coimbra


(Foto de José Magalhães)
 Estamos a chegar ao fim deste dia que dedicámos inteiramente à cidade de Coimbra. Vamos ouvir Saudades de Coimbra, com música (e letra) de Edmundo de Bettencourt, interpretada pelo guitarrista clássico Silvestre Fonseca.



Vamos terminar este Dia de Coimbra e, claro, somos bastante previsíveis, mas quem resiste a, nesta altura, dizer que "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida"? Não é verdade, porque o encanto de Coimbra está em nos apanhar de surpresa quando chegamos à cidade. Mas a canção de Fernando Machado Soares é uma maravilha e ela aí está:



Orfeon Académico de Coimbra

O Orfeon Académico de Coimbra é um dos mais antigos orfeões universitários da Europa. Com a designação de Sociedade Choral do Orpheon Académico, foi criado em 1880, no ano das comemorações camonianas, e teve apresentação pública em Dezembro desse ano no Teatro Académico Príncipe Real, em Coimbra. Contava nessa altura com 60 coralistas.


Criado como coro exclusivamente masculino, foi reestruturado a partir de 1974, ano em que passou a admitir estudantes do sexo feminino. Desde 1911 até à actualidade tem realizado numerosas digressões pelo estrangeiro, péla Europa e por todos os outros continentes.


Vamos ouvir este excelente orfeão numa "Homenagem a Zeca Afonso" realizada no Teatro Académico de Gil Vicente em Março de 2005:

Coimbra na Literatura

João Machado

Coimbra é uma cidade milenária. Tendo em conta a sua localização e atendendo aos factos históricos não admira que tenha sido sempre um pólo de atracção importante. Foi capital de Portugal até ao reinado de D. Afonso III. Ali se realizaram as primeiras cortes de que há memória, em 1211, de onde saíram as primeiras Leis Gerais do Reino, que centravam o poder nas mãos do rei, e tentavam acabar com os abusos da nobreza e do clero. A implantação da Universidade confirmou a cidade como um grande centro cultural, e a maior cidade do centro do país.

Camões dá-nos uma imagem da importância de Coimbra, referindo-se a D. Dinis:

Fez primeiro em Coimbra exercitar-se
O valeroso ofício de Minerva;
E de Helicona as Musas fez passar-se
A pisar de Mondego a fértil erva.
Quanto pode de Atenas desejar-se
Tudo o soberbo Apolo aqui reserva.
Aqui as capelas dá tecidas de ouro,
Do bácaro e do sempre verde louro.
(Lusíadas, Canto III, estrofe 97)

E mais adiante, numa nota triste:


Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
(Lusíadas, Canto III, estrofe 120)

Um histórico do fado coimbrão -Edmundo de Bettencourt

Carlos Loures

Conheci Edmundo de Bettencourt numa tertúlia, uma das muitas que existiam em Lisboa. Reunia esta nos fins de tarde no café Restauração da Rua 1º de Dezembro, no centro de Lisboa. Paravam por ali, além do jurista, poeta e cantor madeirense, o Alfredo Margarido (1928-2010), que viria a ser professor da Sorbonne e que  faleceu recentemente, o Manuel de Castro (1934-1971), um grande poeta quase desconhecido, às vezes, outro madeirense célebre, o Herberto Hélder. Mais raramente o Renato Ribeiro, com a sua mulher a Fernanda Barreira.
Ocasionalmente, algum «imigrante» vindo do Gelo – era só atravessar a rua e andar meia dúzia de metros.



Edmundo Bettencourt, para além de notável poeta e ímpar cantor do fado de Coimbra, era uma pessoa afável, muito cordial, com memórias muito interessantes do seu tempo de estudante - foi ele que me chamou a atenção para os "históricos" do fado coimbrão - o Augusto Hilário e o António Menano, do mago da guitarra , o Artur Paredes. Falou-me do Luís Goes e de um nome que, na altura, nada me disse - José Afonso -  que, na sua opinião, viiria a ser o cantor. Dada a sua modéstia, "esqueceu-se" de referir um histórico incontornável que se chamava Edmundo de Bettencourt.

A Cidade-Poesia

(Foto de José Magalhães)




Quatro poetas falam de Coimbra e do Mondego - Coimbra, berço de movimentos literários, é fonte de inspiração para canções e poemas - é a cidade-poesia.

Carlos de Oliveira


ELEGIA DE COIMBRA


Gela a lua de março nos telhados
e à luz adormecida
choram as casas e os homens
nas colinas da vida.


Correm as lágrimas ao rio,
a esse vale das dores passadas,
mas choram as paredes e as almas
outras dores que não foram perdoadas.


Aos que virão depois de mim
caiba em sorte outra herança:
o oiro depositado
nas margens da lembrança.


(in Mãe Pobre, 1945).

Coimbra, Portugal

Raúl Iturra



Bem sabemos que visitar Coimbra, é visitar um monumento. Não apenas o túmulo de primeiro rei de Portugal, proclamado como tal em 5 de Dezembro de 1143 após derrotar os mouros na Batalha de Ourique. O sítio em que nasceu, é incerto. Há duas hipóteses: teria nascido em Viseu em dia incerto, no ano 1109; outros defendem que nasceu em Guimarães, memos ano, mesma data incerta. Mas o túmulo que guarda os seus restos é digno de uma pessoa desse tamanho, que criou o Reino de Portugal. Curiosos, os que não temos reis para nos governar, o primeiro que chama a nossa atenção é visitar todos os sítios por onde se diz que o Rei Fundador de Portugal com reino, apagando a ideia de Condado Portucalense esse pequeno troço de terra de Guimarães, estreito para si, começou as batalhas para expulsar mouros e judeus das suas terras que passaram a ser o que hoje é a República de Portugal, faz 100 anos a esta data.

Há mais vida para além da Universidade.


Foto de José Magalhães

Coimbra, capital do Distrito de Coimbra, é a maior concentração urbana da subregião do Baixo Mondego, com uma população que ultrapassa os cem mil habitantes. Os estudantes representam cerca de 30% dessa população. Recheada de referências históricas e culturais, foi Capital Nacional da Cultura em 2003. Coimbra, a Lusa Atenas, designação vulgarmente usada, tem indústrias, comécio - a sua área de influência estende-se por ume região com cerca de dois milhões de habitantes. Tem vida para além da Universidade.

Coimbra, uma cidade com um coração de bronze

(Pormenor de foto de José Magalhães)

Quando falamos de Coimbra, logo lhe associamos uma ideia - a da Universidade. Numa visão estereotipada que a magnífica canção de Raul Ferrão e José Galhardo acentua, Coimbra é muitas vezes descrita na óptica saudosista de quem lá estudou e, com o avançar dos anos, foi progressivamente associando a cidade à sua juventude.  Para muitos, Coimbra é um ícone nostálgico dessa longínqua juventude. E a quem não nasceu ou não vive em Coimbra, essa é a visão mitificada que lhe chega. Porque as descrições que mais pesam na construção do imaginário vêm de ex-estudantes e dão-nos essa ideia - a de que a cidade apenas existe em função da Academia.

Como vai ser o Dia de Coimbra

Começa aqui o "Dia de Coimbra" no Estrolabio:

Vamos ter, ao longo das próximas 24 horas, 22 blocos - história, literatura, música, a Universidade. Não temos a pretensão de dizer coisas que nunca tenham sido ditas sobre a cidade - não vamos descrever Coimbra - vamos celebrá-la.

Para começar, Amália Rodrigues canta a famosa composição de Raul Ferrão e de José Galhardo, numa gravação ao vivo realizada durante um concerto em Montreaux


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Coimbra é uma lição que aprenderemos depois de amanhã, no dia 23

Na quinta.feira o Estrolabio, desde o primeiro ao último minuto, será ocupado por Coimbra. Coimbra, a canção de Raul Ferrão, que vamos ouvir executada por  Perez Prado & His Orchestra: