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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"O 25 de Abril foi uma oportunidade perdida pela cidade", disse Boaventura de Sousa Santos em entrevista ao diário As Beiras

Sociólogo, Boaventura de Sousa Santos é um dos universitários portugueses com maior reconhecimento académico e científico dentro e fora do país, desenvolvendo investigação em temas como a democracia, interculturalidade, globalização e direitos humanos. Fundou e dirige o Centro de Estudos Sociais da UC. Em entrevista, aponta rumos a Coimbra e ao país. O retrato que faz da Europa é demolidor.


P – Acabado de jubilar, a sua ligação à Universidade de Coimbra (UC) prossegue ainda pela via da investigação, no CES e no Centro de Documentação 25 de Abril. Sendo uma das suas personalidades de referência, dentro e fora do país, lamenta nunca ter concorrido à reitoria da UC?


R – Não lamento porque, se tivesse concorrido ao lugar e tivesse ganho as eleições, interromperia a minha atividade científica no país e no estrangeiro, a minha maior prioridade desde sempre. Nas instituições que ajudei a criar, como o CES e o CD25, construi equipas e modos de gestão que obrigaram a trabalho muito intenso mas não afetaram significativamente o meu trabalho científico de que afinal todas os meus colaboradores e colaboradoras beneficiaram. O CES é hoje uma instituição científica de renome internacional, uma boa parte dos nossos estudantes de doutoramento são estrangeiros e temos um corpo de investigadores igualmente internacionalizado. Temos uma sede em Lisboa e foram criadas duas instituições irmãs com quem colaboramos fraternalmente, o CES-América Latina (sediado no Brasil) e o CES-Aquino de Bragança (sediado no Maputo). O CD25 é uma instituição que honra a Universidade e o país pelo profissionalismo e pela isenção com que acolhe e trata a documentação sobre o acontecimento mais importante da nossa contemporaneidade, a Revolução do 25 de Abril.

Há mais vida para além da Universidade.


Foto de José Magalhães

Coimbra, capital do Distrito de Coimbra, é a maior concentração urbana da subregião do Baixo Mondego, com uma população que ultrapassa os cem mil habitantes. Os estudantes representam cerca de 30% dessa população. Recheada de referências históricas e culturais, foi Capital Nacional da Cultura em 2003. Coimbra, a Lusa Atenas, designação vulgarmente usada, tem indústrias, comécio - a sua área de influência estende-se por ume região com cerca de dois milhões de habitantes. Tem vida para além da Universidade.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (42)


A Revolta de Ontem nas Palavras de Hoje

Vários


Porto, s. d.

Reúne este opúsculo onze discursos proferidos no 78.° aniversário do 31 de Janeiro cujas comemorações estão (e estarão, até quando?) intimamente ligadas à longa e árdua luta de emancipação político-social de todo um povo. Calou entretanto, e para sempre, uma das vozes que aqui se englobam: Mário Sacramento. Foi sua vontade que a breve mensagem dita no Porto tivesse por complemento o discurso que proferiu em Aveiro, não obstante já ter sido publicado. Se tantos outros não houvessem, restar-nos-iam esses dois actos bem recentes a afirmar da perseverança de quem se integrara desde a juventude no parapeito duma trincheira comum, e da lucidez do combatente que nas horas de opção sabia discernir a falácia

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A Revolta do Grelo


Vasco Pulido Valente


Assírio & Alvim, 1974

Apedrejaram-se o matadouro e as lojas para os obrigar a fechar, as oficinas e fábricas ainda abertas e até casas particulares, onde presumivelmente moravam fiscais de impostos conhecidos. Centenas de manifestantes dirigiram-se também ao liceu local e à Universidade, invadiram-nos pela força, interromperam as aulas o pediram o apoio dos estudantes, que logo lhes foi dado. Naturalmente, a multidão atacou a «repartição do selo» (a Repartição de Finanças), assaltou-a e partiu mobília e vidros.
Durante todos estes acontecimentos, os gritos que se ouviram – «Abaixo os do selo, os impostos a ladroeira! O povo não quer pagar mais» limitaram-se quase exclusivamente à questão que suscitara o protesto. Apenas alguns «vivas à liberdade» - na verdade, pouco frequentes

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Atenção Coimbra: Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC,

O grupo de docentes da FEUC dinamizador e organizador do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC, este ano intitulado Reflexões sobre a economia global em crise: migrantes, cidades, mercados, governação, vem com o presente texto dar a conhecer o programa da segunda sessão do Ciclo que tem como tema específico Migrações, dinâmicas do capitalismo e a crise actual, a realizar nos dias 25 e 26 de Novembro de 2010.


Esta sessão, por razões ligadas à disponibilidade da sala de cinema do TAGV, irá decorrer em dois dias, no dia 25 na FEUC, com as conferências de Alícia Puyana e Joaquin Arriola, e com a projecção do filme O último comboio para casa, no TAGV no dia 26 de Novembro.

sábado, 24 de julho de 2010

Reflexões sobre Bolonha-2

Júlio Marques Mota*


(Continuação)

A reforma de Bolonha é ela desde o seu princípio inscrita na mesma lógica de redução de despesas e do papel do Estado, mas tal como com a crise, o melhor é pensar que se algo está mal na Universidade está algures e não na reforma de Bolonha imposta pelo neoliberalismo, não no sistema que gera a situação de crise económica ou no sistema que gera a crise dos saberes e das aprendizagens. De novo a analogia da eficiência dos mercados financeiros com Bolonha é imediata. Que sentimos nós com estes três anos de Bolonha? Que trabalhamos muito mais, mas mesmo muitíssimo mais, e com uma certeza, ensinamos muito menos e os estudantes, esses, inegavelmente aprendem muito menos. Ensinamos menos. É então disso que se deve falar. E a que assistimos nós? À discussão sobre a aplicação de novas metodologias dentro de Bolonha, ou então à discussão sobre a reestruturação dos saberes, antes de se definir de que saberes é que estamos a falar ou, ainda melhor, de que aquisição de saberes é que queremos para os filhos deste país. Tal como na crise, estamos a passar ao lado do que é fundamental e, neste caso, pensamos que o que é urgente é a desconstrução da reforma de Bolonha. Só assim, cremos, se pode redefinir a Universidade de hoje para um melhor ensino de amanhã. Aproveito então para apelar que se faça e com urgência uma profunda reflexão sobre os impactes da reforma de Bolonha na qualidade do ensino que hoje é prestado nas Universidades.


Adicionalmente, devemos encarar a hipótese de que Bolonha seja em si um absurdo se considerarmos que as sociedades modernas são cada vez mais globais, estão cada vez mais assentes no conhecimento de que emergem a seguir as competências. Bolonha inverteu a lógica do conhecimento e da aprendizagem. A redução de Bolonha a um nível de três anos (a licenciatura) depois mais dois (mestrado) e eventualmente mais três (doutoramento) é caricata e vejamos porquê. Bolonha, inicialmente falava de dois níveis de ensino. Vejamos então um excerto do texto da Convenção de Bolonha:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As certezas socráticas de ontem...


Luís Moreira

Quem ver e ouvir na televisão, o então ministro-adjunto de Guterres a gritar que os estádios de futebol de 2004 seriam a salvação do país,percebe o que deverá pensar do TGV, terceira ponte e aeroporto.

Com o cabelo ainda preto, mais jovem, mas já com aquela maneira convicta de falar do que não sabe, José Sócrates grita aos quatro ventos que tudo se vai pagar, autofinanciar, tirar as Câmaras locais da miséria, o desporto da mediocridade, enfim, vinha aí o céu...

Agora são as próprias Câmaras que querem implodir os estádios, não têm dinheiro para os pagar, nem sequer para manter a limpeza e a operacionalidade,não sabem o que lhes fazer. Aveiro, com um estádio novinho em folha a substituir o belo Mário Duarte, tem lá a jogar uma equipa de futebol que anda pelas divisões inferiores, o Beira- Mar da minha infância.

Coimbra, quer sair daquele estádio e construir um novo, com a dimensão recomendável, não tem dinheiro para aguentar o estádio socrático. Leiria, mete por jogo 200 pessoas, o presidente do clube diz que não pode pagar, quer jogar em Torres Novas.O do Algarve anda a ser chutado entre as autarquias, é alugado para corridas de automóveis e para eventos musicais.

As autarquias têm dívidas para 20 anos, por causa de estádios desnecessários e sobredimensionados,o Tribunal de Contas diz, em relatório, que houve derrapagens nos custos, elevadíssimas, dificeis de explicar, o Estado derreteu nos estádios 1 000 milhões de euros !

Se o homem tivesse um bocado de humildade e visse no que deram as certezas de ontem...

sábado, 3 de julho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra - 37

Manuela Degerine

Capítulo XXXVII

Décima etapa: de Condeixa a Coimbra

Atravesso Soure, passo os hipermercados, sigo em frente. Não gosto de caminhar à beira da estrada mas hoje é domingo, está na hora do almoço, há por isso pouco trânsito, os carros não me agridem – começa porém a doer-me um dedo do pé direito. Primeira bolha?

Chego por fim a Condeixa, encontro setas amarelas: as velhas amigas. O percurso do dia é confuso, com ziguezagues, subidas e descidas. Sinalização inconstante e, uma ou outra vez, até enganadora. Por exemplo, no caminho para Orelhudo, uma seta inclinada parece sugerir uma viragem à esquerda e o roteiro também é neste troço pouco explícito. Dois quilómetros e meio mais adiante, deixei de ver setas amarelas e a paisagem não coincide com o roteiro. Enganei-me, portanto, saí do Caminho. Pergunto a dois moradores, que me indicam a estrada para Cernache, teimo que prefiro a outra, menos frequentada, primeiro não percebem, depois admiram-se, acabam por indicar a direcção de onde venho. Volto atrás. Por acaso este percurso é agradável, atravesso pela segunda vez uma zona de produção agrícola, milho, couves, alfaces, favas, ervilhas, tudo verde e tenro. Vejo levadas de água transparente. É domingo, passo por muita gente sentada à porta de casa, a trabalhar, a ir e vir – alguns olham para mim, surpreendidos e desconfiados. Para onde vai aquela? De onde vem? O que quer? Para que serve a mochila? Porém, se pergunto o caminho, respondem amavelmente.

domingo, 27 de junho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 41 (José Brandão)


Elogio Académico ao Dr. Sidónio Pais

Fernandes Costa

Lisboa, 1919

Sidónio Pais, o malogrado Presidente da Republica, que a mão criminosa de um desvairado prostrou sem vida, quando desta e do seu pessoal prestigio tantos problemas nacionais dependiam, tornados agora a ser outras tantas interrogações temerosas e sinistras, era um sábio, um estudioso, um pensador, um homem de gabinete, um professor; e, fundamentalmente, um académico; embora não tivéssemos a honra, ainda, de engrandecer a relação luminosa dos antigos e modernos membros desta Academia, com o seu nome ilustre.

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