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sábado, 27 de novembro de 2010

D. João II- Senhor dos senhores, mas não servo dos servidores (1)



Carlos Loures



No dia 4 de Maio de 1455 nasceu em Lisboa o filho do rei D. Afonso V.

Os reinos peninsulares atravessavam uma crise de crescimento que iria ditar o seu futuro próximo, alargar os limites do mundo conhecido pelos europeus, abrir novas fronteiras ao saber, transformar de maneira decisiva a forma de viver das pessoas. Apenas 50 anos do século XV significaram uma profunda viragem na história do mundo. Em 1453, os Turcos conquistaram Constantinopla. Emoção na Europa, marco de separação entre a Idade Média e a Idade Moderna. No limiar da Renascença nasceu um príncipe que iria ser como que um modelo do governante da época que, mais tarde, Maquiavel fixaria na sua obra. Príncipe Perfeito,  chamou-lhe o castelhano Lope de Vega. Designação logo adoptada por outros, e sob a qual acabou por passar à história. Embora nem todos os seus contemporâneos o considerassem «perfeito»...

Em 1438 auando morreu D. Duarte, D. Afonso V, seu filho, tinha apenas seis anos. Por testamento do rei morto, a regência devia pertencer a D. Leonor de Aragão, a rainha-viúva. Porém, enquanto a nobreza exigia o cumprimento do testamento, os mesteirais de Lisboa e os povos miúdos opuerm-se, acabando por proclamar como regente o Infante D. Pedro, tio de D. Afonso V. A regência de D. Pedro caracterizou-se pelo incremento das navegações, pela protecção à Universidade, pela compilação das Ordenações Afonsinas e por mais algumas concessões aos nobres, à generalidade dos quais, no entanto, não agradou.
Em 1448, D. Afonso V assumiu a direcção do Estado e a nobreza consolidou o seu poder. D. Pedro e os seus partidários foram perseguidos e, em 1448, em Alfarrobeira, o infante e grande número dos do seu partido foram mortos. A nobreza saiu completamente vencedora e até ao fim do reinado de D. Afonso V não cessou de obter grandes doações, novos títulos nobiliárquicos, novas tenças... Mas em 1455 nasceu em Lisboa o futuro D. João II. Aquele que iria vingar seu tio-avô, o sábio D. Pedro e, submetendo a nobreza, restituir à Coroa o poder alcançado pelo Mestre de Avis.