Carlos Loures
Em Abril de 1982, assisti na Gulbenkian à exibição de «Cinco Tangos», executada pelo grupo de Ballet da Fundação. A música era de Astor Piazzolla, o grande compositor argentino, mago do bandoneón. Mostro aqui , mais abaixo, um vídeo da mesma peça interpretada pela Companhia Nacional de Bailado. Lindíssima a música de Piazzolla e muito boa a interpretação.
Várias vozes se fizeram na altura ouvir, chamando a atenção das afinidades entre o tango e o fado. Entre elas a de Jorge Luis Borges, num texto que não o consegui encontrar, embora saiba que foi publicado num suplemento do DN num domingo de há muitos anos.
Nessa crónica anterior, focava o fenómeno da canção urbana, falando das tais similitudes entre o fado e o tango. Quando recordava o pouco que se sabe sobre as obscuras origens da chamada «canção nacional», sugeri entre as hipóteses que os especialistas têm vindo a explorar, aquela que é a mais comummente aceite – a de que o fado nos chegou nos barcos de torna-viagem que trouxeram de regresso a corte de D. João VI que, durante as invasões francesas, esteve refugiada no Rio de Janeiro, para ali tendo transferido a capital do reino.