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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Música romântica do Século XX - 28

Segundo consta o tangoA Media luz foi composto em 1925 durante uma festa na mansão da família Wilson, em Montevideo. A media luz tem letra de Carlos César Lenzi e música de Edgardo Donatto. A letra fala de um prostíbulo de Buenos Aires e teve de ser várias vezes modificada po pressões diversas.

A gravação original foi a de Carlos Gardel. Como já aqui apresentámos uma interpretação do grande Gardel, optámos por trazer hoje outra grande voz do tango -  Libertad Lamarque (1908 — 2000) - grande cantora e actriz argentina.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Música romântica do Século XX - 20

Carlos Gardel (1890 — 1935) foi a mais emblemática voz do tango argentino. Este tango que hoje apresentamos, Volver, foi gravado no ano em que morreu. É uma composição do próprio Gardel e de Alfredo Le Pera.




Com este título - Volver - Pedro Almodóvar realizou em 2006 um filme com Penélope Cruz, Carmen Maura e Lola Dueñas nos principais papéis - o tema musical é o tango de Carlos Gardel


sábado, 23 de outubro de 2010

A televisão, D. Afonso Henriques e o fado

Carlos Loures

Não me recordo precisamente de quando foi – há 15, talvez há 20 anos – num dicionário de História de Portugal cuja edição coordenei, na entrada sobre D. Afonso Henriques, dava-o como nascido no ano de 1109 em Coimbra. As gentes de Guimarães deram paus por pedras: não podia ser, exigiam que a editora publicasse um desmentido. Era uma «gralha»? – perguntavam alguns. Numa obra com diversos volumes, mais de um milhar de páginas, muitos milhares de entradas e milhões de palavras – e com prazos rigorosos a cumprir – quem coordena não pode ler tudo e, aquele pormenor tinha-me passado. E, mesmo que tivesse lido, talvez tivesse estranhado, mas teria de aceitar, pois quase todas as entradas tinham sido entregues a especialistas. Era o caso.

O autor da entrada era um credenciado medievalista da escola de José Mattoso, um jovem mas prestigiado professor da Universidade Nova de Lisboa. De Guimarães começaram a chegar à editora cartas, postais, telefonemas e até uma entrevista telefónica em directo tive de dar para a Rádio Fundação. Queriam desmentidos. Cheguei à fala com o autor e ele mostrou-se inamovível – não desmentia nada: se D. Afonso Henriques nasceu em 1109, não pode ter nascido em Guimarães - nesse ano a corte estava em Coimbra. Naquela época, não havia as «barrigas de aluguer» e os filhos nasciam onde as mães estavam. A administração apertava comigo – e lá estava este vosso amigo entalado entre o ardor do regionalismo vimaranense e a justificada teimosia da ciência histórica. Não vou fazer do episódio um romance policial. Vou já revelar como é que o imbróglio se resolveu porque o que quero contar é outra história.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dia Mundial da Música - Caminito

Carlos Loures

Vou fazer outra escolha emocional - "Caminito", um tango cantado pelo grande e eterno Carlos Gardel, patrono (esta escolha é da Carla) da fracção onomástica dos Carlos, verdadeira vanguarda revolucionária da nação estrolábica. Dedicado com amizade às duas partes em que a Humanidade se divide:

a) os Carlos;

b) aqueles que por infelicidade, mau gosto e imperícia dos padrinhos têm outro nome.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Tango - a paixão dos corpos!

Luís Moreira



Nasceu com um pé em Buenos Aires e outro em Montevideu, entre os “porteros” os homens das docas que arrimavam vindos do outro lado do Atlântico. Com o rio de La Plata a separá-los nasceu entre os que tinham deixado a terra natal e encontraram terras imensas mas não a sorte. Terras onde havia uma mulher para catorze homens, o Tango começou por ser dançado entre dois homens.

Cada um apresenta-se ao seu “adversário” à vez ( como o nosso fandango) e depois os corpos encontram-se e elevam-se numa onda de paixão, sublimando o corpo “único” que através da dança se funde e complementa.
Nasceu e cresceu entre os mais miseráveis e dado ao abandono por quem, vindo da mesma origem, não aceitava o “aculturamento” misturando-se com gente ida de Portugal,Espanha, França, Alemanha, Holanda…de tal forma que numa parte da cidade moravam os “terratenentes” que a todo o custo defendiam a “sua” cultura e, no outro lado da avenida, a principal, dita da Glória, viviam os pobres, os que inventaram o “acordeão” e o “bandolim” porque não podiam transportar o orgão da Igreja natal.
De tal sorte que os filhos dos “terratenentes” eram enviados de volta à Europa para estudarem e assim defenderem-se do “aculturamente” , falando Francês entre si e mesmo latim para manterem as distâncias.

Mas a “cultura” fez (como faz sempre) o seu caminho, o Tango começou a penetrar nas camadas mais altas da sociedade e a tornar-se no hino de todo um país, transbordou para a todo o mundo, e hoje é ouvido e dançado nas selectas colectividades e nas associações de bairro, com grupos de pessoas a frequentarem aulas de Tango, com os passos lengosos e melados a serem rabiscados entre o par, não vá acontecer-lhes, como me aconteceu a mim, que numa noite em Buenos Aires, dando crédito ao meu talento de dançarino me atrevi a dançar um tango “à portuguesa”.

Entre os que consideravam que estava a gozar e os que achavam piada, salvou-me a voz do apresentador que me gritou : ” português, fantástico! Agora necessitas de aprender!”

PS: resumo da exposição de ontem na tertúlia que frequento, de um Argentino há muito vivendo em Portugal.

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Gira, gira – o incontornável fatalismo do tango

Carlos Loures

Aqui há tempos,  contei como, ao traduzir um livro do grande escritor argentino Ernesto Sábato, («Heróis e Túmulos») me vi em palpos de aranha. Estudara língua e literatura castelhana, mas a cada passo surgiam vocábulos que desconhecia e que os dicionários, incluindo o da Real Academia, não registavam. Escrevi então ao Sábato dando-lhe conta da minha dificuldade e ele, muito amavelmente, enviou-me um extenso glossário com termos argentinos e, inclusivamente com modismos «porteños», ou seja, bueno-airenses.

Nesta série de textos que tenho vindo a dedicar ao fado e ao tango – na demanda de paralelismos entre estes dois géneros de canção urbana – vou hoje abrir um parêntesis para vos falar de uma composição de Carlos Gardel em que, para além do fatalismo que irmana o tango com o fado – surge um desses particularismos do castelhano que se fala na Argentina - a começar pelo título, Yira, Yira (pronunciado de forma semelhante á do português) – em castelhano dir-se-ia «Gira, gira», pronunciando-se como fonema fricativo velar surdo – velar, por ser articulado junto do véu palatino (os portugueses quando querem falar portunhol, resolvem o problema, transformando o «g» ou o «j» em «r» – exemplo – rúlio iglésias).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Duas canções urbanas - o fado e o tango – continuemos a divagar

Carlos Loures

Em Abril de 1982, assisti na Gulbenkian à exibição de «Cinco Tangos», executada pelo grupo de Ballet da Fundação. A música era de Astor Piazzolla, o grande compositor argentino, mago do bandoneón. Mostro aqui , mais abaixo, um vídeo da mesma peça interpretada pela Companhia Nacional de Bailado. Lindíssima a música de Piazzolla e muito boa a interpretação.

Várias vozes se fizeram na altura ouvir, chamando a atenção das afinidades entre o tango e o fado. Entre elas a de Jorge Luis Borges, num texto que não o consegui encontrar, embora saiba que foi publicado num suplemento do DN num domingo de há muitos anos.

Nessa crónica anterior, focava o fenómeno da canção urbana, falando das tais similitudes entre o fado e o tango. Quando recordava o pouco que se sabe sobre as obscuras origens da chamada «canção nacional», sugeri entre as hipóteses que os especialistas têm vindo a explorar, aquela que é a mais comummente aceite – a de que o fado nos chegou nos barcos de torna-viagem que trouxeram de regresso a corte de D. João VI que, durante as invasões francesas, esteve refugiada no Rio de Janeiro, para ali tendo transferido a capital do reino.


terça-feira, 20 de julho de 2010

Duas canções urbanas - o fado e o tango


Nesta bela gravura de Rugendas(1802-1858), o pintor alemão que durante três anos viajou pelo Brasil, recolhendo preciosos testemunhos dos costumes populares. Nesta imagem, vemos escravos dançando o lundum.


Que em dois continentes separados por um oceano, tenham nascido duas canções urbanas com sonoridades idênticas, eivadas de fatalismo, não será estranha coincidência. O fado e o tango surgiram em cidades portuárias, onde se chega e parte – “Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!”, afirma-nos Álvaro de Campos. Jorge Luis Borges, num texto publicado há anos atrás no “Diário de Notícias”, estabelecia curiosos paralelismos entre ambos, dizendo salvo erro que o fado fazia parte da genealogia do tango. Não consegui encontrar esse texto, ao qual, aliás, ainda me voltarei a referir, pois foi de uma importância capital numa outra história.

Quanto às origens do fado, apenas vou lembrar o que se diz. Há a tese mais vulgarizada de que, quando a Corte de D.João VI regressou, trouxe consigo uma dança em voga no Rio de Janeiro a que se chamava «Fado», inspirada no lundum, e que podia ser acompanhada por canto. Na realidade, os primeiros registos escritos sobre o tema começaram a surgir no século XIX, mais na segunda metade. Mas foi uma inovação que depressa se converteu em tradição.