
Frencisco de Almeida Grandella
Por volta de 1912 o governo português debatia-se com uma situação financeira desgraçada que obrigava a recorrer ao estrangeiro pedindo empréstimos, a juros altíssimos, para fazer face às despesas correntes. A situação chegou a ser tão degradante que, sobretudo o mercado inglês, exigia a assinatura do comerciante Francisco de Almeida Grandella, como garantia para os empréstimos nacionais, através do património do homem dono de uma fortuna fabulosa. Neste caso o Grandella valia mais que o governo da nação. Nem por isso o país tomou juízo visto que anos mais tarde mandou vir um ditador de Coimbra pôr as finanças em ordem quando os juros da dívida pública já eram superiores às receitas da nação.Este é um exemplo, entre outros, representativo da incapacidade em governar a nossa casa, que desde a instituição do constitucionalismo assumiu o papel de doença crónica. Após a rebaldaria militar do século XIX, logo que a terra portuguesa entrou num certo sossego, veio a rebaldaria dos partidos fragmentados, governantes marados, eleições manobradas, aristocratas e comerciantes manhosos cativando fortunas através do erário público. Enquanto o povo empobrecia a máquina do Estado engordava com amigalhaços, familiares e correligionários políticos. D. Pedro V, que tivemos a fatalidade de morrer com 25 anos e de lhe suceder o paspalho do irmão D. Luís I, abominava os políticos que, segundo ele, serviam para esmifrar a nação.

