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domingo, 12 de dezembro de 2010

A crise económica e social, a crise da Europa, a imoralidade dos seus dirigentes, o resultado dos dados estruturais do sistema neoliberal - 1. O salvamento da Irlanda : o escândalo

Arnaud Parient
A Irlanda perdeu a confiança dos mercados devido às suas dificuldades bancárias e a União Europeia e o FMI vieram em seu socorro. Esta intervenção é muito mal sentida na Irlanda, porque põe em causa a soberania nacional, ainda  recentemente alcançada  pela qual muito lutaram, e a que dão muito valor,  e porque parece anunciar uma acentuação da terrível austeridade  que já   está a ser imposta aos Irlandeses. Para além destas reacções compreensíveis, o problema essencial que se põe em todos  os salvamentos bancários, desde o início da crise financeira, é saber quem é que  vai pagar. O acordo que acaba de ser concluído com a Irlanda é deste ponto de vista muito claro e  cada um tem a sua  parte.
O contribuinte vai pagar
Tendo concedido  empréstimos imobiliários muito pouco cuidadosos, os bancos irlandeses não têm dinheiro suficiente  para fazer face os seus compromissos financeiros. Eles já não  podem funcionar normalmente. Duas soluções são possíveis para resolver este problema: um aumento das suas  disponibilidades ( recursos)  ou uma diminuição das suas responsabilidades ( compromissos). - O aumento dos recursos pode  assumir a forma de empréstimos obtidos pelos bancos ou ser obtido através de um aumento de capital. A primeira solução é mais simples, mas apenas tem sentido para resolver um problema transitório (uma crise de liquidez). Por conseguinte não é adaptado à acatual situação dos bancos irlandeses, cujas dificuldades são bem mais profundas. É necessário por conseguinte proceder a um aumento do capital dos bancos, mas os candidatos não se vêem. O Estado irlandês substituiu-se então aos investidores que não estão interessados em investir nestes bancos:  forneceu  capital aos bancos e assim ficou seu accionista. Esta nacionalização, parcial ou total de acordo com os estabelecimentos bancários, foi decidida no início de  2009. Mas, hoje,  são necessárias novas injecções de capital.