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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Iberismo? - Não, obrigado! (2)

Carlos Loures

Em entrevista à agência Lusa, em Novembro de 2008, Arturo Pérez-Reverte escritor espanhol, defendeu a existência da Ibéria como país único, sem fronteiras que separem Espanha e Portugal. Entende ser «um absurdo» que os dois países vivam «tão desconhecidos um do outro». Afirma haver «uma Ibéria indiscutível que está entre os Pirenéus e o estreito de Gibraltar, com comida, raça, costumes, história em comum e as fronteiras são completamente artificiais", Para ele, o maior erro histórico de Filipe II, no século XVI, foi não ter escolhido Lisboa como capital do império. “Teria sido mais justo haver uma Ibéria, e a história do mundo teria sido diferente". Acrescentou que a Ibéria não existe de jure, mas "qualquer espanhol que venha a Portugal se sente em casa e qualquer português que vá a Espanha sente o mesmo". (..)"É uma realidade incontestável" que precisa de um empurrão social e não político para ser concretizada”(…)”. O mundo de hoje "é um lugar de grandes mudanças sociais". O " Ocidente pacífico, sereno, poderoso, com alguma coerência cultural e social do século XX não poderá continuar. O Ocidente como o entendemos está na sua etapa final"-

domingo, 23 de maio de 2010

O maldito barómetro ataca de novo

Carlos Loures

Uma sondagem, feita há quatro anos pelo Expresso, indicava que 27% de portugueses estavam dispostos a uma união com o estado espanhol. Segundo um estudo de 2009, de uma coisa chamada «Barómetro de Opinião Hispano-Luso (BOHL)», a percentagem subiu para 40%. Neste fim-de-semana o tal barómetro atacou pela segunda vez - leio no Público de ontem, 22 de Maio, que 45,6 por cento dos portugueses, apoiariam a tal união. O estudo foi, tal como o anterior, levado a cabo pela Universidade de Salamanca, com o apoio de um centro de investigação do ISCTE. Porém, na sua edição do mesmo dia, o El País, refere como sendo de 39,9% a percentagem de portugueses apoiantes de tal ideia. Em que ficamos – 45,6% ou 39,9%?

Não me interessa a resposta. Não quero discutir pormenores. O que gostava de saber era – quem está à frente, ou por detrás, deste barómetro? A Universidade de Salamanca é uma instituição respeitável. O ISCTE, sem a secular tradição da velha escola salmantina, tem também os seus pergaminhos. Quem compra esta «credibilidade», pondo-a ao serviço de uma causa tão repugnante como a de vender a nacionalidade?

A notícia do El País comenta, após fornecer as percentagens: «La unión política entre España y Portugal es una idea que divide a los portugueses y causa indiferencia en España». Isto dá a ideia de que aquí o projecto da tal federação é tema de conversas e constitui uma das preocupações dos portugueses. Falo com muita gente, mas nunca ouvi, em parte alguma, discutir este assunto. Esta questão, de modo algum divide os portugueses.