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quinta-feira, 8 de julho de 2010
Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine
Capítulo XLII
Décima segunda etapa: da Mealhada a Águeda
O momento de calçar as botas é doloroso. Tenho seis bolhas mas são as primeiras, maiores e inchadas, que mais me doem. Caminho de maneira bizarra. Maria avisa-me: cuidado, as tendinites aparecem assim, por caminhares numa postura incorrecta! O pior: o meu coração palpita. Caminho portanto devagar. Terei que interromper a caminhada? Teimo em tentar, ao menos, desta vez, chegar ao Porto. Mais três dias. Conseguirei?
Sem paciência para acompanhar o meu ritmo, Maria acelera e, mais adiante, senta-se à espera.
Durante todo o dia nos divertimos com um aviso que Gérard Rousse faz no resumo da jornada: Cuidado, ao chegarem a Águeda, logo a seguir à ponte, em baixo, à direita, avistam um café-residencial mas sigam em frente, pois este lugar de residencial só tem o nome e os quartos são usados para actividades que só de muito longe se podem relacionar com o Caminho...
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine
Capítulo XLI
Décima primeira etapa: na Mealhada
A rapariga desculpa-se por não ter avisado: há no ginásio, das oito às nove, um jogo de básquete, por conseguinte, como é necessário varrer o chão, pois há, aqui e além, excrementos dos pássaros, convém começarmos a arrumar as bagagens. Não é o que mais nos apetece neste momento... Claro que sorrimos à rapariga, declaramos não haver problema, arrumamos tudo, sem demoras; os bombeiros não são obrigados a acolher-nos e, num ginásio, é mais natural jogar básquete do que dormir e secar roupa. Enfiamos as camisolas, cuecas e peúgas em plásticos, dobramos os sacos-cama, pomos tudo nas mochilas, arrastamos os colchões para o canto onde os encontrámos e, depois do que caminhámos durante o dia, resignamo-nos a calcorrear a cidade.
Ao fim de meia hora, demos a volta completa à Mealhada, uma hora depois, palmilhámos duas vezes as ruas do centro, tirámos meia dúzia de fotografias, mirámos todas as montras, admirámos na pastelaria os bolos de aniversário, entrámos num café para comprar sumos de fruta... Falo à Maria do Luso, do Buçaco, dos vinhos e dos leitões da Bairrada; mas não fazem parte desta viagem. (E até, no que me toca, cochinillo... Não gosto.) As ruas estão desertas. Sentimos frio. Sentimo-nos cansadas. Apesar disto tudo, rimo-nos da situação, cada vez mais cómica…
Capítulo XLI
Décima primeira etapa: na Mealhada
A rapariga desculpa-se por não ter avisado: há no ginásio, das oito às nove, um jogo de básquete, por conseguinte, como é necessário varrer o chão, pois há, aqui e além, excrementos dos pássaros, convém começarmos a arrumar as bagagens. Não é o que mais nos apetece neste momento... Claro que sorrimos à rapariga, declaramos não haver problema, arrumamos tudo, sem demoras; os bombeiros não são obrigados a acolher-nos e, num ginásio, é mais natural jogar básquete do que dormir e secar roupa. Enfiamos as camisolas, cuecas e peúgas em plásticos, dobramos os sacos-cama, pomos tudo nas mochilas, arrastamos os colchões para o canto onde os encontrámos e, depois do que caminhámos durante o dia, resignamo-nos a calcorrear a cidade.
Ao fim de meia hora, demos a volta completa à Mealhada, uma hora depois, palmilhámos duas vezes as ruas do centro, tirámos meia dúzia de fotografias, mirámos todas as montras, admirámos na pastelaria os bolos de aniversário, entrámos num café para comprar sumos de fruta... Falo à Maria do Luso, do Buçaco, dos vinhos e dos leitões da Bairrada; mas não fazem parte desta viagem. (E até, no que me toca, cochinillo... Não gosto.) As ruas estão desertas. Sentimos frio. Sentimo-nos cansadas. Apesar disto tudo, rimo-nos da situação, cada vez mais cómica…
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Novas Viagens na Minha Terra-40

Manuela Degerine
Capítulo XL
Décima primeira etapa: de Coimbra à Mealhada
Os 21 quilómetros que vão de Coimbra à Mealhada não são difíceis, caminhamos quase sempre em alcatrão e, mesmo os caminhos, mais raros nesta etapa, não se podem qualificar como inclinados nem pedregosos. Calha bem: doem-me os pés. E a mochila pesa de maneira crescente. Nas duas últimas noites não dormi metade do suficiente; sinto-me cansada porém, entre conversa e descoberta, crescem-me novas energias, avanço sem dificuldade.
Os habitantes com quem metemos conversa, nos cafés, ruas e supermercados, mostram-se amáveis; conhecem o Caminho de Santiago e vêm cada dia passar mochilas. Por outro lado: duas caminhantes parecem-lhes menos suspeitas do que uma sozinha. Se perguntamos o caminho, informam-nos de boa vontade e até, em ocasiões nas quais, distraídas na conversa, tomávamos a direcção errada, nos chamam a atenção.
Atravessamos vinhas, olivais, campos de malmequeres e quintais cobertos de rosas. Também caminhamos à beira da N1, percurso pouco bucólico, nada bonito e até perigoso. Embora, noutras situações, lacónico ou impreciso, aqui o nosso Gérard não omite um pormenor: seguir em frente, tendo à direita o café Monte Belo e à esquerda a churrasqueira Tem-Tem (Ah, os nomes dos cafés e restaurantes! Que poema… Valem só por si o esforço da caminhada.), passar o semáforo, continuar, deixar à direita a estrada para a Pampilhosa e, 30 metros mais adiante, atravessar com prudência a N1. Assentamos que o nosso Gegê, na viagem pelo Caminho Português, terá jantado e dormido bem na cidade de Coimbra: revela aqui as plenas capacidades. Cada vez que devemos atravessar uma linha de comboio ou caminhar à beira da estrada, Gegê recomenda: com cuidado, com prudência.
Rimo-nos.
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