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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 177 e 178 (José Brandão)

Sidónio

(Contribuição para a história do presidencialismo)

José Brandão

Perspectivas & Realidades, 1983

«Súcia de imbecis que somos (perdoem que o diga), súcia de feiticistas das palavras a quem as palavras bastam, súcia de adoradores do Verbo que se não fez carne nem peixe mas que se pode fazer peixe-espada, súcia de escravos vis sobre que os aventureiros trepam, às escaladas inconfessáveis e às torpezas sem nome!» (Raul Proença, Março de 1924).

Vale a pena começar qualquer livro com as palavras de um homem como Raul Proença.

Se o que Proença diz em 1924 tem ou não alguma coisa a ver com o momento presente, é problema que não se torna obrigatória e muito menos vital para a leitura do livro que está agora a ser apresentado.

Nele se pretende falar do Sidónio Pais de 1918 sem que isso signifique qualquer desprendimento em relação ao presente.

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O Dr. Sidónio Pais e a República Nova

1910-1918


Sérgio Gouveia


Lisboa, 1918



Depois da extraordinária manifestação que lhe fez a população de Caminha – sua terra natal – e ainda após os estrondosos aplausos de que foi alvo por parte do povo e da Academia de Coimbra, regressou o sr. dr. Sidónio Pais a Lisboa, e então a recepção que lhe foi feita, tocou as raias do delírio, ascendendo até ao deslumbramento de uma verdadeira apoteose, destas que não esquecem mais e que profundamente devem ter calado no ânimo de S. Ex.ª, dando-lhe a mais nítida impressão de que o país está com ele e nele vê a figura predominante da redenção da Pátria saturada de desmandos, de tiranias e de crueldades sem nome.


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma- 3, de Hélder Costa

Cena 3


Julgamento

Carmona – Eu, Oscar Fragoso Carmona, acusador público, declaro que estou aqui para cumprir o meu dever, como militar que sou, e só à lei e ao dever obedeço no exercício deste espinhoso cargo.

Berta Maia - Sr. Dr. Juiz, a minha dor é imensa e a minha revolta não tem nome. Sei que não me podem dar outra vez o meu querido marido, sei que nunca deixarei de sofrer pelo seu desaparecimento. Quero que este tribunal faça justiça, que liberte a memória de Carlos da Maia de qualquer mancha ou calúnia e que faça luz sobre o mistério desta noite e destas mortes que enlutaram tanta gente de bem.

É a minha esperança para que o ódio – que Deus me perdoe – adormeça no meu coração.

Dente D’Ouro - Vou perguntar eu, réu e criminoso, porque não soube o Governo guardar as moradias dos cidadãos ameaçados por facínoras que poderiam andar toda a noite a cometer crimes que ninguém surgiria para os evitar. Disso os acusarei; juro!

Carmona - Os acusados, os oficiais que realizaram o 19 de Outubro, não tiveram ligações com os assassinos, mas a verdade é que não tomaram as providências necessárias para que se evitassem, se não todos, pelo menos alguns dos crimes.

Berta Maia - Tu falarás, não hoje, neste Tribunal, mas mais tarde, tu falarás.

Carmona – Finalmente, em Fevereiro de 1923, acabámos o julgamento dos bárbaros crimes do 19 de Outubro de 1921. Abel Olímpio (o Dente de Ouro) Heitor Gilman e José Carlos, 10 anos de prisão maior e 20 de degredo, Mário de Sousa, Acácio Cardoso, Matías Carvalho, Palmela Arrebenta, José Maria Felix, Acácio Ferreira, 8 anos de prisão maior seguidos de 20 de degredo (redução de voz). Benjamim Pereira, Manuel Aprígio, Baltazar de Freitas...

Jaime Cortesão - (com um exemplar da Seara Nova) – O que vai sair daqui? Quem esperará ver nos ministérios que se seguirem outra coisa que não seja ministérios de simples expediente administrativo?

E isto quando a força das coisas e a própria lógica nos não levarem para uma ditadura militar, com toda a opressão do sistema militar e o predomínio dos interesses militares.

Nós, que fizemos o voto de dizer toda a verdade, levantamos a nossa voz de protesto e acusação. Fundámos a revista “Seara Nova” e acusamos os de ontem e os de hoje.

Os que já fizeram o mesmo e agora condenam os outros, e os que, para corrigir os erros passados, começam por seguir os métodos do passado. Acusamos os partidos da oposição, que conheciam o que se ia passar e nada fizeram para evitar a catástrofe.

Raul Proença – (c/ ex. Seara Nova) Na “ Seara Nova” acusamos os que fomentaram todas as desordens, os que fizeram silêncio sobre todos os desvarios demagógicos, que não tiveram uma palavra de condenação e de proscrição para os miseráveis que, dizendo-se seus partidários desmentiam todos os sentimentos de humanidade. Acusamos os potentados da finança (exploradores, especuladores, açambarcadores, falsificadores, inimigos do povo) que vivem de sugar todo o sangue da Nação pelas ventosas da sua ambição desmedida.

Jaime Cortesão e Raul Proença - Acusamo-nos a nós próprios, Jaime Cortesão e Raul Proença, por só agora termos tido este grito.

domingo, 12 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 154 e 155 (José Brandão)

Raul Proença e a “Alma Nacional”

Fernando Piteira Santos

Publicações Europa-América, 1979

Da leitura da revista Alma Nacional, e sem esquecermos que além do seu fundador, António José de Almeida, nas suas páginas se nos depara uma plêiade de escritores, críticos, publicistas políticos, sobressai a colaboração de Raul Proença. E se tivermos em conta a relevância que, após 1921, virá a assumir a sua actividade polémica e doutrinal, particularmente nas páginas da revista Seara Nova, não poderemos furtar-nos à evidência do interesse destas páginas, que, quase totalmente, foram votadas ao esquecimento pelos compiladores da Obra Política de Raul Proença. Não é culpa do autor de um modesto ensaio sobre a existência e função ideológica da revista Alma Nacional se, ao debruçar-se sobre a estratégia e a táctica do Partido Republicano, a presença de Raul Proença adquire relevo e exorbita da moldura que fora concebida. O âmbito da pesquisa era mais vasto.

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O Regicídio

Maria Alice Samara

Rui Tavares

Editora Tinta da China, 2008


No primeiro ensaio, «Memória do Atentado», de Maria Alice Samara, constrói-se o roteiro do evento que viria a alterar de forma indelével a história de Portugal, descrevendo-se o palco, as personagens e os acontecimentos, recorrendo ao testemunho dos principais escritores, políticos e jornais da época: «Certo é que até aos dias de hoje, cem anos depois, há ainda perguntas por responder. É, sem dúvida, importante procurar conhecer a verdade sobre os factos, ou, pelo menos, encontrar uma linha coerente de explicação dos mesmos.

Em «O Atentado Iconográfico», Rui Tavares seleccionou uma vasta colecção de imagens - fotografias e gravuras - publicadas na «Ilustração Portuguesa», usando-as como mote para um texto que explora o modo como o regicídio português foi recebido e tratado nesta importante revista, até à deflagração da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

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domingo, 5 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 142 e 143 (José Brandão)

Poder Político e Caciquismo


na 1ª República Portuguesa

Fernando Farelo Lopes

Editorial Estampa, 1994

Esta obra propõe-se contribuir para um melhor conhecimento do sistema político da 1.ª República Portuguesa, centrando-se nos problemas relacionados com a participação política e o acesso aos órgãos centrais de decisão (Parlamento e Governo). As conexões entre o caciquismo, o processo eleitoral e os mecanismos de escolha e transferência do poder são objecto de uma análise extensa e documentada.

Adicionalmente, esta análise torna evidente que “a dificuldade de acesso” às instituições políticas e a “crise de participação” foram não só um problema político relevante mas também uma das principais fontes de deslegitimação e instabilidade do regime.

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Polémicas

Raul Proença

Publicações Dom Quixote, 1988

O carácter abertamente polémico da obra de Raul Proença é conhecido dos estudiosos da sociedade portuguesa do presente século. Porém, a sua amplitude é bastante maior do que é de consenso geral. Neste livro estão reunidas 51 polémicas que aquele pensador manteve com jornalistas e intelectuais da sua época. Como enquadramento às referidas polémicas, foi elaborada uma cronologia da vida e da obra de Raul Proença, que poderá proporcionar novas perspectivas para a compreensão mais ampla das suas teses. Uma extensa bibliografia sobre a sua obra fecha a presente antologia.

Neste trabalho, apresentam-se os seguintes inéditos que se encontram no espólio daquele escritor, depositado na Biblioteca Nacional: uma carta de Ana de Castro Osório sobre a lei do divórcio, uma de Afonso Lucas sobre política geral e uma terceira de Carlos Bana, sobre a forma que o Estado republicano deveria assumir.
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sábado, 28 de agosto de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 125 e 126 (José Brandão)

Obra Política de Raul Proença

4 Volumes

Raul Proença

Seara Nova, 1972

A profissão que escolhera condizia com as predilecções do seu espírito. Não permitia que o distraíssem mais que alguns minutos da tarefa quotidiana. Das onze às cinco, eram horas de labor pleno, intenso, ganhando, com o dobro ou o triplo do trabalho normal, as centenas de escudos dum ordenado exíguo. As regras de catalogação por ele elaboradas, julgaram-nas uma obra-prima alguns bibliotecários norte-americanos.

Saindo da Biblioteca, descia rapidamente o Chiado, seguia para casa, num bairro distante e tranquilo. Começava então a magnífica vida interior – as leituras, as meditações e as suas intervenções cívicas na turbulenta vida nacional. A sua personalidade desdobrava-se, em múltiplos aspectos. No mesmo número da Seara falava de Deus e de Cunha Leal. Em todos os escritos, havia a mesma pureza de intenções.

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O Operariado e a Primeira República (1910-1924)


César Oliveira


Publicações Alfa, 1990

Este volume é constituído por um conjunto diverso de textos, publicados entre 1971 e 1982, sobre o movimento operário e sindical português. Não foi sem hesitações várias que aceitámos responder positivamente às solicitações do editor e do responsável por esta iniciativa, o Dr. António Reis. Na verdade, se tivesse de elaborar hoje os textos que aqui se incluem, ou pelo menos a sua esmagadora maioria, certamente eles não seriam totalmente idênticos aos que escrevi entre as datas acima referidas. Com excepção do texto relativo à «Formação dos conflitos e clivagens no interior do movimento operário e sindical» publicado em 1982 num volume intitulado O Movimento Sindical Português: A Primeira Cisão, todos os textos foram publicados antes de 25 de Abril de 1974 …

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