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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um vazio intelectual chamado PSD ou Muito barulho por nada

Carlos Loures


Much ado about nothing, é, como se sabe, o título de uma peça do divino Shakespeare. Vi-a há uns bons vinte anos muito bem encenada e representada no Teatro da Cornucópia, dirigido pelo excelente Luís Miguel Cintra. Para o que quero dizer hoje, a história que a peça conta não interessa; aliás nestes últimos dias, talvez influenciado pela realização do Congresso realizado em Viana do Castelo, tenho procurado no teatro a inspiração para as minhas crónicas. Hoje fui buscá-la ao mestre William.

Penso que a cada facto da actualidade deve ser dada a importância que ele realmente tem e para mim (e se fosse só para mim, não valeria a pena escrever este post). Pois o tema que vou abordar é completamente irrelevante. É o tema dos políticos descartáveis, como são agora as fraldas a que o Eça aludia e cuja substituição aconselhava a bem da higiene.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Risco



Carlos Mesquita

Lendo uma conferência de Anthony Gidens num ciclo da BBC em 1999, descobri algo curioso sobre o “risco”, diz ele que a palavra é portuguesa, inventada durante a nossa História Trágico-Marítima.

Gidens é o teórico da “terceira via” que pretendeu reformar a social-democracia, convencido da prosperidade capitalista e numa globalização solidária; nessa via já se despistaram muitos casmurros que não viram que seguiam por um caminho de cabras, que corria em paralelo com a esburacada auto-estrada do neo-liberalismo, com as mesmas portagens e destino.

O risco está associado à ideia de empresa, ao investimento, à possibilidade de o calculado lucro não vir a existir e até o valor investido se perder. Com mar agitado só pescadores muito necessitados se fazem à faina, e mesmo assim avaliando o perigo.

Na época de maior sucesso empresarial da nossa história, minimizaram-se as percas fazendo embarcar à força condenados, enquadrados por aventureiros e corsários cujo risco se dividia entre o perdão a fama e a riqueza ou perecer. Quem mais lucrava com a empresa ficava seguro em terra firme, e as perdas em material e vidas humanas tinham a falta de importância que têm hoje o encerramento de empresas e o desemprego.

Era o ciclo económico do Império, e os efeitos da globalização à portuguesa. 
 
Hoje que a globalização já não é à portuguesa nem social-democrata de via alguma, mas imperialista e especulativa, o risco é diferente; não há como investir com garantia, não há costa à vista nem vigia a bombordo.

O sistema financeiro sempre protegido não sabe onde meter o dinheiro sem risco, segura-o no Estado.

Em Portugal o capital está historicamente concentrado, antes em algumas famílias, com as nacionalizações, no Estado, com as privatizações em poucos financeiros portugueses e cada dia mais em mãos de estrangeiros.

História à parte têm feito pessoas com expediente e profissionais qualificados, que, ou porque descobrem um nicho de mercado, ou se julgam tão capazes como os patrões, se lançaram a criar empresas; e foram tantos que constituem hoje os maiores empregadores. Pois são esses que o Estado persegue de tempos a tempos, para lhes lembrar que além do risco natural dos seus empreendimentos, têm de contar com a desconfiança da máquina que alimentam. O fisco só procura quem conhece, quem algum dia se inscreveu nos seus cadernos de presença. O Estado sabe que a parte do leão da fuga ao fisco é de quem está na economia informal, mas essa é paralela, vive na twilight zone, e o crepúsculo não convida a visitas. Talvez para encontrar a razão para não haver crescimento económico há dez anos, fizesse sentido ir ver quantos daqueles que abandonaram a produção de riqueza, por razões conjunturais, voltaram a cometer o erro de arriscar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A URSS implodiu porquê?

Luís Moreira

António Vilarigues é um cronista do Público que sempre leio.Ele é comunista, eu sou social-democrata,o que não impede de estar muitas vezes de acordo com o que escreve.O mesmo acontece com a sua crónica de ontem.

Que a URSS esteve na vanguarda das conquistas dos trabalhadores, que muitas das políticas que levaram ao Estado - Providência, nasceram nos países comunistas. Que foi nessa dialéctica,entre a força do capitalismo e das respectivas classes dominantes e do medo que estas tinham da força dos trabalhadores, que nasceram as maiores conquistas do Estado-Providência.

Concordo e subscrevo que esse equilibrio mundial em muito contribuiu para que os liberalismos glutões e sem regras refreassem os seus apetites, e que ao seu desaparecimento corresponda a cavalgada sem freio do capitalismo que nos atirou para um mundo pior e mais injusto.

Mas então,cabe perguntar,porque ruíram esses países ? O autor não chega a essa pergunta que se impõe fazer no seu texto, porque a resposta seria muito dolorosa para um comunista convicto. Se o sistema tinha tão grandes méritos porque não teve o povo a defende-lo? Os povos a defenderem um sistema amigo, não seria o normal?

A minha resposta, que vale o que vale,(nasce de uma convicção e do que aconteceu) é que o ser humano,logo que tenha as suas necessidades básicas satisfeitas, exige o exercício da liberdade. Liberdade de expressão,liberdade de escolher os seus representantes,liberdade de escolher os caminhos da sua vida e da sua família.

A liberdade é parte integrante do ser humano!Nenhuma ditadura se aguenta muito tempo sem o suporte da repressão e aí começa o seu fim!

À direita e à esquerda não há alternativa para mais e melhor democracia!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Social-Democracia . O que há de melhor?

Luís Moreira

O liberalismo que se afunda em desigualdades e que defende a "lei da selva" a lei do mais forte? Cada um por si? Ou o socialismo, aprisionado em Estados omnipresentes e omnipotentes, criadores de elites que se perpetuam no aparelho de Estado e que não consegue responder às justificadas ambições de melhor níveis de vida das populaçõs?

A social democracia não representa o futuro ideal se calhar nem o passado ideal mas não conhecemos nada que se lhe aproxime.O consenso social do após guerra representa o maior avanço social a que o mundo já assistiu, pela mão da democracia cristã, pelo conservadorismo britânico e alemão e a social democracia nórdica.Nunca a história assistiu a tamanho progresso, nunca tantos experimentaram tantas oportunidades de vida.

Mas o perigo espreita, com a admiração acrítica do mercado livre, o desdém pelo sector público a ilusão pelo crescimento eterno. Até aos anos 70 todas as sociedades europeias se tornaram menos desiguais, graças aos impostos progressivos, aos subsídios dos governos aos mais pobres os extremos de pobreza foram-se apagando.Nos últimos 30 anos deitamos tudo isso fora.

Adam Smith volta a ser citado: " nenhuma sociedade será verdadeiramente florescente e feliz se uma grande parte dos seus cidadãos for pobre e miserável" Sem segurança, sem confiança, as sociedades ocidentais ameaçam ruir. A insegurança alimenta o medo.E o medo -da mudança,medo do declínio, medo do desconhecido- corrói a confiança e a indepedência nas quais assentam as sociedades civis do Ocidente.

Essa rede de segurança social contra a insegurança foi uma das maioras conquistas do sistema, restaurando o orgulho dos perdedores do sistema, trazendo-os para dentro dele e não virando-lhe as costas.Então o que falhou? A esquerda moderada continua a criticar, nostálgica das revoltas dos anos 60, sem apresentar qualquer alternativa consistente, abrindo brechas por onde entraram o individualismo feroz,a proletarização e fragmentação do colarinho branco. As maiores críticas à social democracia, que teve como maior vitória a igualdade, a liberdade e uma maior prosperidade,são comprovadamente falsas, como se verifica pela capacidade revelada em sustentar economicamente todo o sistema.
PS: com Tony Judt - o regresso ao estado providência.

sábado, 29 de maio de 2010

A Social - Democracia Europeia

Luís Moreira

Há muita gente na Europa que critica o sistema em que vive, vendo nele um conjunto de erros e injustiças sem cuidar de ver as suas qualidades.

A primeira qualidade é que nunca houve antes um sistema que tenha mantido por tanto tempo, tantos milhões de pessoas a viverem em paz, em democracia e com um modelo de apoio tão eficaz à família, à doença e à velhice.

A primeira causa,para este resultado, é que este sistema tem assegurado um nível sustentado de criação de riqueza que mais nenhum outro sistema conseguiu. Ora, este nível de criação de riqueza tem permitido que todos os cidadãos, melhorem o seu nível de vida, embora com profundos desequilibrios. Mas, no essencial, a vida das pessoas tem melhorado mais nos últimos cincoenta anos que nos dois séculos anteriores.

Este sistema, conseguiu criar uma rede de segurança social que abarca milhões de pessoas, os mais desprotegidos; uma rede pública universal de escolas que assegura a educação básica para milhões de seres humanos;e, providenciou, uma rede universal de cuidados médicos que assegura a saúde a milhões de pessoas que há cincoenta anos morriam por não terem água tratada.