Mostrar mensagens com a etiqueta 31 de janeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 31 de janeiro. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de julho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 68 e 69 (José Brandão)

História da República Portuguesa

Lopes D’Oliveira

Editorial Inquérito, 1947

O rei pedia, em carta datada de 15 Setembro, a Venceslau de Lima para que interviesse, aplacando a ira do presidente do ministério contra as Congregações, cuja existência ilegal as expunha aos golpes do poder civil: - «A questão política está muito complicada, muito torcida...» «Também acho que Teixeira de Sousa está tomando por um caminho liberal de mais, direi mesmo radical. Preciso do seu auxílio para me ajudar a fazê-lo sair desse caminho...» «Acho que sobretudo com respeito à questão religiosa ele está avançando demais: já eu consegui, depois de uma luta tremenda, em que ele punha a questão de confiança, que ele não me trouxesse um decreto, para eu assinar, fechando todos os colégios jesuítas…» «É necessário que o Teixeira de Sousa não irrite mais os conservadores porque senão nada se pode fazer; modere ele um pouco o seu liberalismo e entenda-se com a oposição.»
______________________________


História da Revolta do Porto

João Chagas

Ex-Tenente Coelho

Assírio & Alvim, 1978

A reedição da obra que adiante se vai ler e que tão pormenorizadamente retrata o célebre levantamento do 31 de Janeiro exigia, de quem se encarregasse de a apresentar ao público, um apontamento breve das razões que determinaram esse levantamento e, também, daquilo que representou a República instaurada em 1910. Só o esclarecimento dessas duas ordens de factos – a das causas próximas da revolta e a do balanço do regime que essa revolta preludiou – permitirão ao leitor desprevenido uma clara compreensão do texto.

Enquanto às primeiras, sabe-se que a revolta foi principalmente o resultado da reacção nacional ao Ultimatum inglês de Janeiro de 1890 e ao tratado anglo-português de 20 de Agosto do mesmo ano.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O 31 de Janeiro - Centenário da República

Carlos Loures




Assinalando os passos dados a caminho da Proclamação da República, não é possível esquecer o levantamento militar de 31 de Janeiro de 1891, no Porto. Depois da grande mobilização cívica de 1880. nas comemorações camonianas, da exaltação patriótica verificada na sequência do humilhante Ultimato britânico de 1890, o 31 de Janeiro foi a primeira tentativa de derrube do regime monárquico pela força. O movimento republicano não cessava de tirar dividendos dos erros do rei e dos governos, aumentando de dia para dia a capacidade de organização dos seus militantes, inclusive entre os militares. A cedência do Poder perante o ultimato, tinha deixado um profundo travo de humilhação. O directório do Partido Republicano Português, liderado por Elias Garcia, mostrara-se favorável à preparação de um movimento insurreccional. O Porto seria a cidade onde a revolta iria eclodir, espalhando-se depois por todo o País.

domingo, 20 de junho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 34

Carlos Leça da Veiga

(Continuação)

As culpas da não modernização do país, sem que, por regra, até hoje, para contrariá-las, tenha conseguido vingar uma proposta válida e verdadeiramente nacional – como nem o Regalismo nem a Regeneração conseguiram – foram e são lamentadas com constância e, também, atribuídas, com maior ou menor justiça, ao secular obscurantismo imposto pela vontade despótica da hierarquia religiosa romana, às exigências e às soluções menos correctas das várias governações monárquicas, aos vestígios mantidos do empedernido conservantismo dos possidentes, às peripécias políticas que o jacobinismo maçónico impôs à Primeira República, à inconsequente aventura belicista nas tormentas da Flandres, às aberrações ditatoriais dos cinquenta anos do salazarismo, ao absurdo e às inconsequências políticas das guerras coloniais e, já no fim desta longa lista, ao “revanchismo” das facções políticas da reacção nacional, sempre em oposição às transformações sociais conseguidas no tempo posterior à vitória inesquecível do 25 de Abril.

Todos estes acontecimentos, ou cada um, na conformidade das maiores conveniências da época – oportunistas nunca nos faltaram – não escaparam à acusação de terem sido os autores do atraso material do País, ou seja, por seu intermédio, terem conseguido impedir o país da guindar-se para a galeria cimeira dos Estados do centro europeu.