Sílvio Castro
Possivelmente Guerra Junqueira será o mais popular poeta do romantismo comparticipante do social em Portugal, não somente preso pelo seu público nacional, mas igualmente entre os brasileiros de seu tempo. No Brasil como que se ombreia com Castro Alves, o mais amado dos poetas românticos brasileiros; ambos, Junqueiro e Castro Alves guiados pela exuberante linguagem lírica de origem huguiana.
Guerra Junqueiro vive de certo modo à parte, mas intensamente, as experiências da Geração de 70. Nele poesia e consciência política se abraçam em forma absolutamente pessoal.
O lirismo do autor de Oração à Luz resulta de uma formação fortemente religiosa, cedo transformada em experiência pessoal intensa. A religiosidade juqueiriana se aproxima então da participação com a natureza, dela se reapropiando e fazendo de tudo uma própria metafísica.
As dimensões de uma religiosidade panteista original e a logo adquirida consciência política da realidade social, em que vive, fazem de Guerra Junqueiro um poeta especial. Surgem assim vozes aparentemente contraditórias, mas eficazes: cantos feitos de subjetividade profundamente religiosa e uma viva batalha contra o poder temporal da Igreja e as deformações produzidas pelo mesmo no ambiente social, sob uma semântica poética resultada da linguagem corrente e de forte espírito satírico, como no poema “O Baptismo”:
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sábado, 21 de agosto de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
A questão dos tabacos - Centenário da República
Carlos Loures
Temos estado a analisar alguns dos motivos que conduziram à queda do regime monárquico. Vimos já como as comemorações camonianas de 1880, lideradas por personalidades republicanas e pelo Partido Republicano Português, fundado em 1876, que aproveitou esses festejos patrióticos para demonstrar a sua capacidade de mobilização e de organização, cooptando numerosos aderentes, contribuiram para o avanço do ideal republicanista.
O Ultimato de 1890 foi outro passo de gigante dado pelos republicanos. Na verdade, o rei e o governo, perante o humilhante “memorando” britânico, pouco poderiam ter feito. A Grã-Bretanha era a super-potência da época e o nosso Exército e a Armada não dispunham de capacidade bélica para a enfrentar. E disso se tratava, pois o nosso “velho aliado” logo nos ameaçou veladamente de bombardear com os seus navios as nossas principais cidades. Creio que uma análise serena e isenta nos levará à conclusão que a questão do regime era irrelevante – Monarquia ou República teriam tido de ceder.
Temos estado a analisar alguns dos motivos que conduziram à queda do regime monárquico. Vimos já como as comemorações camonianas de 1880, lideradas por personalidades republicanas e pelo Partido Republicano Português, fundado em 1876, que aproveitou esses festejos patrióticos para demonstrar a sua capacidade de mobilização e de organização, cooptando numerosos aderentes, contribuiram para o avanço do ideal republicanista.
O Ultimato de 1890 foi outro passo de gigante dado pelos republicanos. Na verdade, o rei e o governo, perante o humilhante “memorando” britânico, pouco poderiam ter feito. A Grã-Bretanha era a super-potência da época e o nosso Exército e a Armada não dispunham de capacidade bélica para a enfrentar. E disso se tratava, pois o nosso “velho aliado” logo nos ameaçou veladamente de bombardear com os seus navios as nossas principais cidades. Creio que uma análise serena e isenta nos levará à conclusão que a questão do regime era irrelevante – Monarquia ou República teriam tido de ceder.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
O 31 de Janeiro - Centenário da República
Carlos Loures

Assinalando os passos dados a caminho da Proclamação da República, não é possível esquecer o levantamento militar de 31 de Janeiro de 1891, no Porto. Depois da grande mobilização cívica de 1880. nas comemorações camonianas, da exaltação patriótica verificada na sequência do humilhante Ultimato britânico de 1890, o 31 de Janeiro foi a primeira tentativa de derrube do regime monárquico pela força. O movimento republicano não cessava de tirar dividendos dos erros do rei e dos governos, aumentando de dia para dia a capacidade de organização dos seus militantes, inclusive entre os militares. A cedência do Poder perante o ultimato, tinha deixado um profundo travo de humilhação. O directório do Partido Republicano Português, liderado por Elias Garcia, mostrara-se favorável à preparação de um movimento insurreccional. O Porto seria a cidade onde a revolta iria eclodir, espalhando-se depois por todo o País.

Assinalando os passos dados a caminho da Proclamação da República, não é possível esquecer o levantamento militar de 31 de Janeiro de 1891, no Porto. Depois da grande mobilização cívica de 1880. nas comemorações camonianas, da exaltação patriótica verificada na sequência do humilhante Ultimato britânico de 1890, o 31 de Janeiro foi a primeira tentativa de derrube do regime monárquico pela força. O movimento republicano não cessava de tirar dividendos dos erros do rei e dos governos, aumentando de dia para dia a capacidade de organização dos seus militantes, inclusive entre os militares. A cedência do Poder perante o ultimato, tinha deixado um profundo travo de humilhação. O directório do Partido Republicano Português, liderado por Elias Garcia, mostrara-se favorável à preparação de um movimento insurreccional. O Porto seria a cidade onde a revolta iria eclodir, espalhando-se depois por todo o País.
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sábado, 19 de junho de 2010
O Ultimato -Centenário da República
Carlos Loures
Na sumarização dos acontecimentos que contribuíram significativamente para descrédito da Monarquia, não poderia ser esquecido o Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a incluíra no famoso Mapa Cor-de-Rosa, editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reclamando a partir da Conferência de Berlim uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique.
A Sociedade de Geografia de Lisboa fora criada no ano de 1875 com o objectivo de «promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas». Surgira no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, focando a sua actividade na exploração do continente africano. As pretensões portuguesas colidiam com o projecto britânico de construir uma linha de caminho-de-ferro ligando o Cairo à Cidade do Cabo, projecto megalómano que nunca se realizaria. O governo da rainha Vitória não aceitou as pretensões de Portugal. Dizia o documento:
Na sumarização dos acontecimentos que contribuíram significativamente para descrédito da Monarquia, não poderia ser esquecido o Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a incluíra no famoso Mapa Cor-de-Rosa, editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reclamando a partir da Conferência de Berlim uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique.
A Sociedade de Geografia de Lisboa fora criada no ano de 1875 com o objectivo de «promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas». Surgira no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, focando a sua actividade na exploração do continente africano. As pretensões portuguesas colidiam com o projecto britânico de construir uma linha de caminho-de-ferro ligando o Cairo à Cidade do Cabo, projecto megalómano que nunca se realizaria. O governo da rainha Vitória não aceitou as pretensões de Portugal. Dizia o documento:
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Em 12 de Maio de 1386 foi assinado o Tratado de Windsor

Em 1373, D. Fernando I de Portugal e Eduardo III tinham já firmado um tratado de aliança. Porém, o documento assinado em 12 de Maio de 1386, por D.João I e Ricardo II (que serviria a Shakespeare para tema da sua peça “A Tragédia do Rei Ricardo II”) confirmou de forma solene o que estava consignado na versão anterior. Porque, na prática, essa primeira versão funcionara quando archeiros e outros soldados ingleses participaram activamente na Batalha de Aljubarrota (1385). Pelo espírito e pela letra do documento, os dois países manteriam uma amizade e paz perpétuas – o inimigo de um, seria inimigo do outro.
O tratado teve como consequência imediata a obrigação de Portugal fornecer ao rei inglês dez galés equipadas por sua conta. Em 2 de Fevereiro de 1387, o acordo era selado com o casamento de D. João I com a filha do duque de Lencastre, D. Filipa. Deste matrimónio, nasceria a Ínclita Geração, gente de excelência que influenciou positivamente a evolução de Portugal. E este tratado, que tem vigorado até aos nossos dias, nem sempre foi respeitado. Ao longo da História, terá havido uma ou outra ocasião em que Portugal não o respeitou; mas as violações mais gritantes vieram do lado inglês. Digamos que quem está na mó de cima, interpreta a letra dos tratados como melhor lhe convém. Quanto ao espírito, a amizade perpétua, quem quer saber de amizades perpétuas no plano das relações internacionais? Não esqueçamos o Ultimato inglês de 1890.
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