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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

57 000 baixas fraudulentas - um crime sem castigo.

Luis Moreira

Estas pessoas que faltam ao trabalho mentindo, justificando com atestados médicos falsos uma doença que não existe deveriam ser imediatamente despedidas. Há maior justa causa que andar a enganar quem lhes paga o vencimento, a atraiçoar os colegas que têm de fazer o trabalho do crápula e a receber do Estado o que não têm direito? É um triplo crime mas não acontece nada.

Nada disto existiria se quem trabalha fosse devidamente avaliado com as faltas a serem penalizadoras ( um director de uma escola cujo texto publicado no Publico aqui reproduzi, diz que as faltas, nas escolas, eram todas justificadas fosse qual fosse o motivo) porque os faltosos saberiam que tinham alguma coisa a perder, assim vale tudo, não só mentem ao empregador, como recebem do Estado aquilo a que não têm direito (que nós, os que não faltamos, temos que pagar).

Serve a alguem ser honesto, dedicado, empenhado, ter mérito se ao lado tem um colega que goza na sua cara praticando crimes que ficam impunes? É alguma vez possível que a produtividade cresça se não se pode contar com um elemento da organização que falta quando quer? E que é readmitido como se nada tivesse acontecido?

São estes principios em que assenta a nossa legislação laboral que são defendidos, protegendo gente incapaz e desonesta em vez, isso sim, de proteger os trabalhadores dignos desse nome. É isto o resultado das progressões automáticas, dos aumentos ao fim de X tempo. Impunidade para quem engana tudo e todos.

Se a um destes individuos fosse aplicada uma pena exemplar acabavam-se as fraudes de imediato, não vale a pena dizer que são os médicos que assinam de cruz, porque isso não resolve nada, sempre o médico dirá que não pode saber se a pessoa está ou não com obstipação, mas encontrar o "doente" na taberna a jogar as cartas, ou a trabalhar noutro lado, não precisa de confirmação.

Como se viu nestas 57 000 fraudes!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Como se fora um conto - O Sr. Adérito, engraxador

José Fernando Magalhães



Já lá vão muitos anos, mas as lembranças fluíam com rapidez.

Sentado à mesa de um café da baixa Portuense, olhei os meus sapatos e pensei em quanto me saberia bem que aquele café tivesse um engraxador. Apeteceu-me ter os sapatos limpos, escovados e a brilhar.

Se ao menos ainda houvesse engraxadores! Já há muito que os não via. Os últimos estavam naquela entrada de um prédio da rua Sampaio Bruno, quase em frente à Casa da Sorte. Havia também um ou dois, que paravam na Praça da Liberdade, quase na esquina da rua da 'engraxadoria'.

Antigamente, não havia café que não tivesse um, e havia trabalho para todos. Todo o homem que se prezasse gostava de ter os sapatos a brilhar. Hoje são raros, os engraxadores, já que sapatos a brilhar ainda os vai havendo, e homens que se prezem ainda há um ou outro.

.O sr Adérito era franzino, pequeno, de pele muito branca e sem barba. Homem dos seus quase cinquenta anos, não parecia ter mais de trinta.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Doença Fisiológica, Doença Social.

Raúl Iturra

Palavra definida pela negativa, como convém quando a substância é a dor. Provém da palavra latina dolentia: falta de saúde, ou dolentiae: dor.

Há vários tipos de doença com os quais lutamos imenso para sarar. Há as que saram e há as que matam, há as que nos acama, há as que, passado um tempo, recuperamos do referido mal. Historicamente, há as que eram incuráveis, como o cólico miserere hoje denominado apendicite ou inflamação do apêndice ileocecal. Doença que, até 1940, matava se não fosse operada ou subtraída do corpo antes de infectar os intestinos ou o peritoneu (membrana serosa que cobre as paredes do abdómen = Peritónio). Doença que, actualmente, é simples de curar e ocorre mais entre crianças que entre adultos. Se acontecer uma inflamação do peritónio, a penicilina G é um antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Descoberta em 15 de Setembro de 1928, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming, está disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso. A apendicite não é, hoje em dia, uma doença que mate, excepto se não for tratada atempadamente por falta de recursos da família do doente, ou porque não se acredita na pessoa que diz sofrer essas dores. Há outras doenças, urgentes de tratar, que começaram a aparecer por meados do Século passado, como o Alzheimer e o vírus HIV, transmitido por via sexual ou sanguínea, caracterizada pela destruição ou pelo desaparecimento das reacções imunitárias do organismo (o agente da sida é o retro vírus HIV). A doença caracteriza-se pela destruição de uma certa classe de glóbulos brancos, os linfócitos T4, suportes da imunidade celular, e traduz-se por um desaparecimento das reacções de defesa do organismo. São as doenças, como o cancro, nomeadamente da mama, que matam sem, ainda, se ter descoberto defesas para as curar.