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domingo, 2 de janeiro de 2011

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços.

Feliz Natal.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Henrique Raposo responde a Jorge Coelho

Luis Moreira

Caro Dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com
conhecimento para a direcção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.
Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA). Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões, e não a 587 milhões.
Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto. Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retractasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V. Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um Zé Ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país.
Isto até parece brincadeirinha.
Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?".
A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os "lapsos" de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto. E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do actual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal.
Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração.
Não estou a dizer que Sócrates governou com o objectivo de enriquecer as construtoras.
Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país.
A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS.
Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida colectiva do meu país.
Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não - transaccionáveis que destruiu o meu futuro próximo.
No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retractar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o Alfa e o Ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bom Ano de 2011 !





Luis Moreira


Este é o menino que representa todos os meninos. Este é o menino que devia iluminar o presépio e a árvore de Natal.

Em cada cinco segundos um dos meus meninos Jesus morre de fome devorado pelos abutres que da fome alheia se alimentam. Quem os poderá ignorar?

Poema de Eugénio Andrade

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos.
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão apodrecidos.

Eugénio Andrade



Tenham um óptimo ano de 2011 !

Ensino: CNE - a cultura da avaliação é ainda incipiente

Luís Moreira


O Conselho Nacional de Educação considera que as escolas privadas devem ser também alvo de avaliação externa. Desde 2006 que a Inspecção- Geral da Educação já avaliou 984 agrupamentos e escolas não agrupadas do sector público.


Numa recomendação sobre a avaliação externa o CNE sugere que "seja definida a obrigatoriedade de as escolas apresentarem um plano de melhoria" O CNE lembra que é assim que se faz em muitos outros países, sendo feita depois, no fim do processo, uma monitorização da concretização do plano de melhoria.


Cá no país ainda não foi efectuada nenhuma aferição dos efeitos dos programas e defende que este balanço deve ser feito por uma entidade externa e independente do ME. Este processo é importante e ainda mais porque a classificação das escolas tem consequências para a fixação das quotas para a atribuição aos professores das classificações de Excelente e Muito Bom.


Claro que o CNE também reconhece que ainda não há consenso sobre esta matéria, mas isso já todos esperávamos, pois se a corporação de professores defende a "impossibilidade" de avaliar as escolas e os professores e que todos os professores devem chegar ao topo da carreira...


Mas o que tem que ser pode muito, a avaliação é cada vez mais consensual, as quotas para os níveis mais elevados da carreira como consequência do mérito são já defendidas por muitos professores, e a razão e os processos com provas dadas vão ter vencimento.

Não se pode trocar o mérito pela preguiça, nem a exigência pela irresponsabilidade. É tempo de se avançar no caminho da qualidade e dos resultados.

Por muito que custe aos que esperam sentados.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uma classe política que se despreza

Luis Moreira


Muita gente ainda pensa que Alberto João o Presidente da Madeira é um tipo próximo do palhaço, ou de quem roça o rídiculo ou mesmo a má educação. É, óbvio, que não é nenhuma dessas coisas. É um político com um apurado sentido das forças em presença e usa as fragilidades do adversário em proveito das suas posições. Na maioria das vezes sente-se que o Presidente da Madeira tem um profundo desprezo pela classe política nacional. Soube hoje que moveu uma acção em tribunal contra um adversário político, por uma frase escrita num blogue, há, portanto, quem pense dele o mesmo e, os caciques que monopolizam a economia da Madeira, sendo todos da sua cor política, também não abonam a sua transparencia.

Esta sensibilidade acentua-se e generaliza-se. Vejam a posição tomada pelo Presidente dos Açores, perante o anunciado corte nos vencimentos dos funcionários. Não corta nos vencimentos e é tudo legal, transfere umas massas que tinha para abrir uns caminhos e paga ao pessoal. A legalidade do acto ainda acentua mais o desprezo que lhe merece quem, ao nível central, lhe deu tão íniqua ordem! Soube-se por estes dias que os funcionários que vão ser poupados ao esforço pedido a todos são os boys de César, são os que ganham mais, chefes de divisão, sudirectores, directores...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Meia - Maratona de Lisboa - puro prazer.


Luis Moreira

Fui uma das sete mil pessoas que foram para a Baixa de Lisboa ver correr centenas de atletas. Uns campeões nacionais (como a Jessica Augusta, recente campeã europeia) a esmagadora maioria homens e mulheres, jovens e crianças, a correrem por puro prazer. Frio? Ninguem o sentia, uma cidade em festa.

Impressionou-me a alegria dos participantes, correm por puro prazer, mães que ficam com os agasalhos das filhas, pais de cronómetro na mão a "apalpar" a passada dos filhotes, técnicos a aconselharem, televisões e rádios em grande azáfama, gritos de incentivo, palmas para as avozinhas que me dizem com o ar mais calmo deste mundo (sigo em frente porque eu estou nos 10 Kms, quando eu lhes indicava o sentido do final dos 3 kms) .

Vi a partida com as mulheres a iniciarem na frente e, quando ainda estava a ver partir os últimos homens, já a Jessica vinha feita gazela, a entrar na Praça do Comércio de onde partira, eram 3 voltas, avenida da Liberdade até ao Marquês e volta pela Rua do Ouro, corri em direcção ao rio lá vinha a campeã para a última volta, e o meu afilhado no meio dos concorrentes a passar por mim" porra, pá, é assim que me dás a agua?" lá tive que pôr o meu ar profissional de "abastecedor" tinha-me esquecido do Luis Miguel que deixara para trás os amigos mais pesados e me trocara as voltas com essa táctica que não era nada como combinado. Vai ter que me ouvir, não se fazem orelhas moucas ao treinador...

Na recta final a máscara de suor e cansaço era substituída por uma enorme alegria, o puro prazer de terem chegado ao fim, braços no ar, um objectivo cumprido, vamos lá ver quanto fiz, a subida era lixada não dá para bater o meu próprio recorde fica para a próxima, e todos falavam com todos, as incidências da corrida, o par de namorados que correu de mão dada corta a meta debaixo de uma cúmplice salva de palmas.

Lindo, ainda me doiem as pernas dos sprintes que tive de fazer para não perder pitada, mas valeu a pena, o desporto é uma coisa maravilhosa.

O Estado Social - é esta a verdade...

Luis Moreira


«….61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros [de ajudas aprovadas em 2009 pelo Governo para combater os efeitos da crise internacional em Portugal], foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.»(público)
É, natural, que os bancos apresentem rios de lucros e que os trabalhadores constituam um mar de desempregados, o Estado Social está aí fotografado com números que não mentem. O Estado Social que muitos dizem defender, o mesmo Estado Social Robin dos Bosques ao contrário que rouba aos pobres para dar aos ricos.


O Estado Social que nacionalizou os prejuízos e que o povo agora paga com mais impostos, que retirou subsídios aos mais pobres é o tal Estado socialista que todos devemos defender( segundo as corporações e alguns bem intencionados). Em qualquer parte do mundo a comunicação social faria desta notícia uma indignação geral, levaria a população a perguntar como é isto possível, os responsáveis pelos atropelos, roubos, off shores e que levaram a economia a esta situação, iriam para a cadeia, aqui, pelo contrário recebem o nosso dinheiro. Mas as manifestações de implosão social começam a aparecer, com a destruição das cabines de cobrança nas autoestradas, os roubos cada vez mais frequentes e violentos...


O Tribunal de Contas publica relatórios que mostram bem como são verdades o que nos conta, um conselheiro jubilado, Carlos Moreno, em recente livro, (Como é gasto o nosso dinheiro) onde desmonta as fraudes cometidas com as parcerias público privadas, os concursos públicos feitos à medida...


Ana Gomes , eurodeputada pelo PS diz que o negócio dos submarinos é uma fraude de nível europeu e faz queixa ao tribunal das Comunidades. Ela sabe bem que aqui não vale a pena e nós começamos a perceber porque a Justiça não funciona, é lenta e cara e nunca chega a lado nenhum.

Como podem ler, linkando, o Tribunal de Contas aponta várias irregularidades e previsões completamente afastadas da realidade, na política bem conhecida de dar um panorama cor de rosa que, obviamente, não se concretizou.


É este o Estado Social a que chegamos e que ,segundo alguns, devemos defender!







terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ensitel - declaração de guerra

Luis Moreira

COMUNICADO

por Ensitel a Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010 às 17:37

A Ensitel, Lojas de Comunicações, S.A. (“Ensitel”) está a ser confrontada com um conjunto de declarações divulgadas através das redes sociais Facebook e Twiter, decidindo por isso, apresentar o seguinte breve esclarecimento:

A “Ensitel” não põe minimamente em causa qualquer tipo ou forma de liberdade de expressão, mas repudia, rejeita e não aceita ser alvo de uma autêntica campanha difamatória, assente em factos absolutamente falsos que têm como único intuito denegrir a imagem e boa reputação que a “Ensitel” construiu ao longo de 21 anos, apenas porque o cliente não se conformou com uma decisão judicial que lhe foi desfavorável.
Nestes 21 anos de existência, os clientes têm sido e continuarão a ser o maior valor da Ensitel, garantindo a mesma, que todos os seus direitos são preservados e salvaguardados.

A Administração

Pelo que parece e sem ter acesso a toda a matéria, a decisão judicial não é mais que uma providência cautelar que se conforma segundo o pedido da autora, nada diz sobre a bondade da matéria principal. Por isso, eu acho, até porque se trata de uma empresa que pode pagar a advogados, que este comunicado é uma declaração de guerra.

Claro, que a posição empresarial estúpida da empresa, neste caso, não pode ser argumento para atirar para cima do cliente as consequências de uma política a léguas do que aconselha a comunicação com os clientes, a marca e os mercados.

Com o tipo de Justiça que temos, podemos calcular os seguintes passos:
- a Ensitel, tenta refazer os estragos nos mercados de que só ela é culpada, pelo menos na dimensão que o assunto tomou.

- recorre para a Justiça porque nesta primeira faze a providência cautelar, com um mínimo de fundamento, é sempre aceite, dando ideia de uma razão, que no fim do processo pode bem não lhe ser reconhecida

- as custas do processo são muito elevadas, e a Ensitel, como empresa, tem uma capacidade financeira muito superior a qualquer cliente individual e, tem mesmo a vantagem de classificar como custos, despesas que, no caso da cliente lhe saem do bolso sem retoma a não ser que ganhe o processo

- após anos de tribunais e de recursos, sempre por iniciativa de quem tem capacidade financeira e a possibilidade de considerar as custas como "custos" na sua contabilidade ( desta forma, reduzindo o lucro tributável, coloca o Estado a suportar parte das custas...) mesmo que a cliente ganhe, é uma luta desigual.

Isto é, mesmo que o assunto tenha sido alavancado pela cliente, os estragos na imagem da empresa, resultam da estratégia errada da Ensitel, que vai agora, à custa de dinheiro, esmagar um consumidor que teve a desdita de ser sua cliente.

57 000 baixas fraudulentas - um crime sem castigo.

Luis Moreira

Estas pessoas que faltam ao trabalho mentindo, justificando com atestados médicos falsos uma doença que não existe deveriam ser imediatamente despedidas. Há maior justa causa que andar a enganar quem lhes paga o vencimento, a atraiçoar os colegas que têm de fazer o trabalho do crápula e a receber do Estado o que não têm direito? É um triplo crime mas não acontece nada.

Nada disto existiria se quem trabalha fosse devidamente avaliado com as faltas a serem penalizadoras ( um director de uma escola cujo texto publicado no Publico aqui reproduzi, diz que as faltas, nas escolas, eram todas justificadas fosse qual fosse o motivo) porque os faltosos saberiam que tinham alguma coisa a perder, assim vale tudo, não só mentem ao empregador, como recebem do Estado aquilo a que não têm direito (que nós, os que não faltamos, temos que pagar).

Serve a alguem ser honesto, dedicado, empenhado, ter mérito se ao lado tem um colega que goza na sua cara praticando crimes que ficam impunes? É alguma vez possível que a produtividade cresça se não se pode contar com um elemento da organização que falta quando quer? E que é readmitido como se nada tivesse acontecido?

São estes principios em que assenta a nossa legislação laboral que são defendidos, protegendo gente incapaz e desonesta em vez, isso sim, de proteger os trabalhadores dignos desse nome. É isto o resultado das progressões automáticas, dos aumentos ao fim de X tempo. Impunidade para quem engana tudo e todos.

Se a um destes individuos fosse aplicada uma pena exemplar acabavam-se as fraudes de imediato, não vale a pena dizer que são os médicos que assinam de cruz, porque isso não resolve nada, sempre o médico dirá que não pode saber se a pessoa está ou não com obstipação, mas encontrar o "doente" na taberna a jogar as cartas, ou a trabalhar noutro lado, não precisa de confirmação.

Como se viu nestas 57 000 fraudes!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Miguel Duarte e Clara - Atrás do Mundo - Honduras

Uma das fotos enviada das Honduras
O Miguel e a namorada companheira de viagem

Luis Moreira


O Miguel Duarte sempre foi uma maravilha, espírito sonhador, aventureiro, sem descurar os seus compromissos , sempre teve horizonte largos. Agora, não esteve com meias medidas foi fazer uma viagem à volta do mundo, visitando 26 países.



Metódico e determinado o bom do Miguel que eu conheço de jovenzinho, foi construindo o seu sonho, organizar a viagem, arranjar pa(i)trocinadores*, criou um blogue, "atrás do mundo" e um site "primeiro passo" e faz uns relatos para a Renascença, "virou-se" como se diz na gíria, desenrascou-se e aí anda ele, na Bolívia por estes dias.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A geração "nem - nem"

Luis Moreira
Chamaram-lhe a geração rasca, por ser preguiçosa, meter-se nos copos, ficar em casa dos pais até aos 40 anos, não estudar, não procurar trabalho, enfim, não fazer nada. O que não se esperava é que fosse a geração "sem alternativas".


A geração anterior está bem instalada, emprego para a vida, esperar pela reforma, não há renovação no emprego, quem tem trabalho chama-lhe seu, não sai nem que seja mau trabalhador, nem se já não corresponde às exigências da função. Pior, obrigam-nos a trabalhar até mais tarde.


Também, até há pouco tempo, era a chamada "geração dos 500 euros", não dava para grande coisa mas sempre acalentava a possibilidade de ter um projecto de vida, estudar e trabalhar era norma, ia-se ganhando experiência, contactos, capacidades.


Mas a ganância e a desregulação dos mercados destruiram a economia, milhões de postos de trabalho deixaram de ser preenchidos, o investimento caíu abruptamente, e os jovens, mesmo com capacidades, não têm futuro.


Curiosamente há trabalho para as artes e ofícios, gente com menos graus académicos mas que "sabem fazer", arrancam com o seu próprio negócio e ganham a vida. Canalisadores, carpinteiros, mecânicos, informáticos "hardware", são cada vez mais os jovens que criam o seu próprio emprego, para não falar dos que saem das grandes cidades e se instalam no interior do país onde a concorrência é bem menor.


Mas há um mar de oportunidades na agricultura e na actividade marítima que precisam do apoio inicial do estado, e que potencialmente podem criar muitos postos de trabalho, bem como na reequalificação urbana que segundo a CIP ( Confederação Industrial Portuguesa) pode criar 500 000 postos de trabalho ao longo de cinco anos.


Destruiu-se a produção, somos uma sociedade de serviços em que poucas actividades têm vantagens competitivas, há que voltar a fazer o que sabemos fazer, actividades tradicionais onde temos "Know how" e matérias primas. (fileira da floresta - celuloses, carpintaria, biomassa, cortiça - texteis, agricultura- floricultura, vinho, azeite, fruticultura, verdes - actividades marítimas, Turismo, modernas tecnologias...)


E, há um principio básico, não pode ser mais favorável ficar em casa a receber subsídios do que trabalhar e ganhar uma miséria. A competitividade não pode nem deve assentar na exploração de mão de obra barata! Sem esta premissa estamos a qualificar jovens para irem procurar vida lá fora ou termos gente subaproveitada, cuja preparação académica custa muito dinheiro a todos nós.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Debates presidenciais - Cavaco Silva / Francisco Lopes - Alegre/Nobre

Luis Moreira


Cavaco Silva sentiu-se cercado. O passado pesa e quem está há 20 anos na política e 15 anos em posições de grande relevo tem dificuldade em sacudir a água do capote. A verdade é que a par de obra feita, há muita coisa que Cavaco fez e fez mal, como se vê agora ao fim deste tempo todo, como as parcerias público/ privadas que iniciou e como desarticulou a agricultura e as pescas a troco dos subsídios de Bruxelas.


Mas também é verdade que trouxe para cá a Autoeuropa, uma das principais, senão mesmo a principal exportadora,, que é líder de um cluster de quase 70 empresas fornecedoras portuguesas e que dá lições todos os dias de empreendorismo e sensatez, mostrando que quando o Estado, os sindicatos e as leis absurdas laborais, ficam à porta, conseguimos ter uma empresa que é das mais competitivas do universo mundial das empresas da volkswagen.


Francisco Lopes deu voz a todos os comunistas que têm em Cavaco um exemplo de político liberal que acredita em tudo o que o PCP combate, e não largou a presa, filou-a, não fazendo mais estragos porque Cavaco é um mestre em passar por cima da rama sem fazer barulho.


Alegre/Nobre
Nobre esteve ao ataque, Alegre não gostou, tal como Cavaco Silva não gostou do discurso de Francisco Lopes, quem teve resposabilidades políticas tem responsabilidades na presente situação mas, isso é dificil de engolir, embora não possa ser de outra maneira.


Há barreiras na sociedade portuguesa que é preciso derrubar, diz Nobre, os 300 000 velhos que ganham 300 euros de reforma, os jovens que não têm emprego, é uma vergonha que 37 anos após o 25 de Abril estas situações se mantenham. Uma flagantre injustiça entre os que mais ganham e os restantes trabalhadores.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O meu verdadeiro presépio


Luis Moreira


Entre Caldas da Rainha e Óbidos, numa casa com quintal, pintada de branco e com fachas azuis escuro, dando para um pinhal, moravam o meu pai, eu e os meus dois irmãos mais novos. O patrão da casa durante o dia era eu, embora nos meus precoces seis anos, isso quisesse dizer uma só coisa. Tinha que defender os meus irmãos. E defendia-os, como o meu pai viu ao chegar a casa à noite e verificar que eu tinha rasgado o vestido da minha irmã para lhe atar a cabeça partida com uma pedra perdida.


Era Natal, e eu na minha casa de família perdida pelos adultos, sempre tivera presépio e árvore de Natal e meti na cabeça que teria presépio, aquele ano e naquela casa.. À entrada das Caldas havia ( e há, embora fechadas) as fábricas de loiça com as criações de Bordalo Pinheiro cujas peças com defeito eram amontoadas no seu exterior. Grande fartura de peças para o presépio, para mim não tinham defeito nenhum, sabia lá porque estavam ali à mão, a única explicação era um milagre do menino Jesus , Ele sabia bem que sem ovelhinhas, moinhos, pontes, homens e mulheres não havia presépio.


E, ali no quintal, ao lado direito da porta de entrada fiz com os meus irmãos o "nosso" presépio, bem me lembro que o Menino deixou para mim o milagre de arranjar "papel de prata" para fazer o rio que passava por debaixo da ponte. Um rapaz mais velho ( tinha uma bengala que usava debaixo do ombro, onde se apoiava) viu o "nosso " presépio e arranjou-me a prata, ele também não tinha amigos para jogar a bola, também teve que fazer o seu próprio presépio."Fazes bem, Luis, é bom!" disse-me ele e para mim bastou, alguém tinha olhado para o nosso presépio e gostara dele. Basta uma palavra, a indiferença é algo de terrível, fazer uma festa na cabeça de uma criança, todos os dias, devia ser
uma das três coisas obrigatórias antes de morrer.


O meu pai, foi ao pinhal e trouxe um ramo de pinheiro e com ele fez a árvore de Natal, a vizinha ao lado fez uma estrela prateada ( depois vim a saber que "era aquela estrela pequenina a tremer de medo por cima do forte de Santa Catarina...), não havia luzes, mas havia o musgo que íamos buscar ao bosque, o azevinho de bolinhas vermelhas , as plantas selvagens, e o nosso presépio cresceu, vinham pessoas do bairro ver e sempre deixavam uma ideia, mais uma estrela, e o menino à noite por causa do frio teve direito às roupas que lhe fez a minha professora da pré-escola (bem a vi a chorar...) e o presépio já era de todos, vieram os bolos e as rabanadas, o bacalhau e o azeite, e o meu presépio já era a minha casa cheia de gente .


Não houve presentes comprados à pressa, não havia dinheiro, mas a lareira estava cercada de mulheres a cantar as canções de Natal, a todos se abria a porta, todos a desejarem "Bom Natal" , bandos de rapazes andavam de porta em porta, levavam uma rabanada ( na região das Caldas são filhós..) o meu pai era um emérito cozinheiro, a aletria da minha terra natal, e a mesa farta cheia de pequenas coisas que todos deixavam e trocavam e saboreavam...


E, naquela noite, sonhei com a minha mãe, estava feita figurinha junto ao "menino"...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Coimbra á a cidade com mais camas hospitalares do mundo?


Luís Moreira

A Coimbra há quem chame a cidade com mais camas hospitalares por m2 do mundo. Coimbra não tem culpa, claro, mas é só para assinalar mais uma originalidade portuguesa,a juntar a sermos o país com mais autoestradas por m2,com o maior lago artificial da Europa, as pontes mais extensas, ou com o arco de betão mais largo...enfim, os excessos que têm arruinado o país ao longo dos séculos.


A saber temos: Os HUC - Hospital Universitário de Coimbra; Instituto Português de Oncologia ; Hospital Pediátrico de Coimbra; Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra; Maternidade Bissaya Barreto e Hospital dos Covões. Diga-se, em abono da verdade, que em Lisboa também é assim, hospitais a mais, camas a mais, hospitais velhos que custam milhões em reabilitação permanente.


Depois, na zona centro, temos com hospitais novos: Santa Maria da Feira, Leiria, Viseu, Tomar, Torres Novas, Abrantes que enviam para os HUC tudo o que é doença grave.

Em Coimbra há médicos e especialidades médicas com renome internacional, como sejam o Serviço Cardio-toráxico do Prof Manuel Antunes e na área da oftalmologia.


A luta do prof Manuel Antunes para conseguir que lhe fosse autorgada a responsabilidade da Gestão Financeira do seu serviço foi heróica, contra a opinião da maioria dos seus colegas que tudo fizeram para não deixar que se abrisse esse precedente, de um serviço e o seu Director serem pagos pelo mérito e pelos resultados, bem como os seus colaboradores.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Candidatos enviam Boas festas ao estrolabio



Luis Moreira

Cavaco Silva - Eu e a minha mulher, embora não possamos, enquanto Presidente da República, entrar em polémicas, desejamos um santo Natal, a todos os que nesta noite em que nasceu o menino, em família e à volta da lareira, dêm bem conta das maravilhosas prendas que a sociedade liberal nos dá a todos e, está bem de ver, as minhas palavras vão, especialmente, para aqueles que se autoexcluiram, desta irmandande em Cristo.
Para esses é sempre tempo de deixar uma palavra de conforto e de esperança, voltem, voltem, pois que os receberemos de braços abertos. Não estamos zangados com ninguem, eu sou o Presidente de todos os portugueses ( ouve-se o hino)

Sócrates - Com a economia a crescer como nunca e a pobreza aos mais baixos níveis de sempre, o desemprego a decair 0,2 em relação a ontem é, pois, tempo de dizer não aos pessimistas que ainda há bem pouco tempo proclamavam que vinha aí uma crise com profundas consequências na vida dos portugueses. Como se vê, e os portugueses vêm, as famílias reunem-se à volta do bacalhau ( que eu próprio pesquei) e das rabanadas sem açucar tendo em vista a última campanha de saúde, lançada há momentos e que já está a produzir efeitos benéficos nos níveis de glicose de todos nós.
Se não fosse a violenta luta que me moveram, podíamos ter ido ontem de TGV a Madrid, fazer as compras de Natal e os Madrilenos estariam agora na baixa de Lisboa a comprarem e a contribuirem para a balança de "invisiveis correntes" (isto deve ser algum engano do Pereira...) mas, não, não, o que interessa hoje, é que tenham um santo natal cheio de propriedades ( mesmo que abarbatadas pelos bancos...)

Francisco Lopes - nós na campanha independente e suprapartidária que outras forças democráticas, designadamente, Os verdes e a CDU, apoiam, bem como largas faixas da sociedade civil, pequenos negociantes ( como sabem em Cuba o PC está a apoiar activamente, a abertura à iniciativa privada de barbeiros) no estrito cumprimento da Constituição enviamos a todos os portugueses os desejos que nos meses críticos que nos esperam votem nas forças democráticas e antifascistas ( já repararam que a reacção deu a cara de Manuel Alegre ao menino e a minha a S. José? a provocação terá resposta...)

Manuel Alegre - comigo o presépio nunca mais será o mesmo, sou republicano, laico e poeta ( é o vento que passa...) comigo não se tocará na saúde ( grande apontaria ir a um hospital e nem sequer se encostar a uma parede...), nem no Estado Social, nas minhas competências, criarei as PTs que forem necessárias para que todos, sem diferenças ideológicas, ganhem o mesmo que o Barroso Soares ( isto é mesmo a maneira do Mário me lixar a candidatura...) mas fui um resistente, um socialista e bater-me -ei com toda a energia a bem do povo, contra os que antes do 25 de Abril iam fazer queixinhas à PIDE, eu pirei-me a tempo e fui para Paris ( onde tudo se passa) e depois para a Argélia onde fazia soar a minha voz contra as forças armadas portuguesas que...( o DVD deixa de se ouvir...)

Fernando Nobre - cócorocó, corococó...nunca mais apanho a galinhola, ordinária apanhou o pão do rapaz, vais já para a panela...córococó,corococó...ah, ai já está...portugueses, a minha candidatura resulta da fome do mundo, sei bem o que é o sofrimento e o medo e quero levar tudo isso para Belém, para que o presépio seja mesmo de pobreza e autêntico, sem carros, (tiro mesmo os cavalos à GNR...) e AMI ninguém dá lições de patriotismo. Bom Natal, embora ninguem acredite em tal coisa, com a miséria que vejo ali na AMI, até tive que libertar umas secretárias por causa das sopas...

Defensor de Moura - portugueses, não consegui deitar abaixo essa múmia e desastre nacional que é o prédio "Coutinho" em Viana, estive 30 anos numa luta sem quartel, mas a mim ninguem vence, vou para Belém e hei-de deitar aquilo abaixo, mesmo que tenha que aprovar o orçamento do Sócrates e do Passos Coelho (trrriiiiimmm...desculpem...estou? estou xim?...........ai é, ai ele é isso, então já sabe não sai agora sai daqui a dois meses sem indemnização...) desculpem, mais uma besta que não quer sair do "Coutinho" essa desgraça...mas onde é que eu ia,? ah, sim, Bom Natal (para aqueles gajos nem pó...só se for o pó do mostrengo a cair...)

O estrolabio agradece comovido tão sinceros desejos de Boas Festas (segue as assinaturas...)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Aproveitar a política para fazer pobreza...

Luis Moreira

No blogue o abade de travanca escreve-se a frase da semana: "Mais grave do que aproveitar a pobreza para fazer política, é aproveitar a política para fazer pobreza".

Agora, perante a pobreza que já não se esconde, a palavra de ordem é não falar nela. Nem falar nas organizações da sociedade civil que distribuem refeições quentes ou nas iniciativas como "as sobras" das cantinas e restaurantes. Varrer para baixo do tapete, mais uma vez.

O que se esperava quando equilibrar o déficite corresponde a cortar nos salários, nas pensões, nos subsídios que mesmo sem cortes já não asseguravam uma vida digna? Onde está a reestruturação da administração pública, com o seu cortejo de fundações, comissões, direcções gerais e os ordenados principescos dos gestores das empresas públicas...?

Quando a Educação melhora os seus índices ( aplaude-se, obviamente) defendem-se como sendo resultado das políticas governamentais, quando a pobreza aparece, faz-se de conta que não existe.

Este é o mais recente "slogan", quem falar de pobreza está a fazer política com a pobreza, não falar dela ( a pobreza) não está a fazer política, não senhor . Uma poderosa máquina de esconder, manipular, mentir ...

Ainda as medidas políticas de pobreza pouco fizeram e já se percebeu os terríveis efeitos que vão ter numa sociedade ainda tão carenciada como a nossa, onde dois milhões de pessoas permanecem na pobreza, alguns mesmo trabalhando. Mas o "diapasão" está já a ser utilizado, não há pobreza nenhuma, o bispos não têm razão, a oposição também não, as associações de ajuda humanitária são dependentes do Estado, e assim por diante...

Por isso, minha gente, se virem algum vizinho ou amigo, vender o carro, tirar os filhos do colégio, despedir a mulher a dias, tirar a mãe do lar, já sabem, estamos perante um perigoso comunista, social-democrata ou, até mesmo, um neo-liberal.

Como se a implosão social que já se vê em outros países não chegue cá, os próximos três meses com as medidas a terem o efeito em pleno na vida das pessoas, com a procura interna a decrescer, o desemprego a crescer, a produção de riqueza a cair, só nos faltava mesmo era estarmos proíbidos de nos indignarmos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mariano Gago - há um grande ministro neste governo


Luis Moreira




Mariano Gago como é reconhecido à esquerda e à direita é um óptimo ministro. Falam por ele, não só essa revolução silenciosa que tem apoiado na investigação e ciência, com meritórios prémios internacionais ganhos frequentemente, e publicações em revistas cientificas reputadas internacionalmente, mas também a luta titânica sem desfalecimentos que tem travado com poderosas corporações ligadas às universidades.


No lançamento do livro " sobre as causas do atraso nacional" do nosso companheiro estrolábico, Fernando Pereira Marques, ouvi de viva voz o Prof Eduardo Lourenço referir-se a Mariano Gago em termos muito elogiosos como sendo o único político executivo com obra apresentada e a apresentar. Hoje, Mariano Gago, com muita coragem e de uma forma transparente nunca vista na política portuguesa, abriu o livro e, afirmou que as "Ordens Profissionais" impedem o desenvolvimento do país, barram o caminho aos jovens licenciados que querem entrar na vida profissional, erguendo "barreiras corporativas".


"Entram no meu gabinete a pedirem-me que impeça a entrada dos jovens licenciados na profissão e pressionam a Assembleia da Republica para manterem os privilégios", com êxito, no que diz respeito aos deputados que se acomodam aos interesses das corporações.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Debates Presidenciais - O Xico e o Manel não gostam do Aníbal...

Luis Moreira

O Francisco Lopes e o Manuel Alegre concordam num ponto, o Aníbal não esteve à altura dos acontecimentos. Perante a evidente falha governativa e o avolumar dos problemas, o Aníbal devia ter usado os seus poderes com maior capacidade de intervenção, reunir mais vezes o Conselho de Estado, dirigir-se à Assembleia da República e aos portugueses, dizer não a um orçamento que é muito mau e que leva o país para a recessão e para o desemprego.



Francisco diz que é desolador que quem corta no abono de família, no subsídio mínimo, sejam os mesmos que fazem coro com as vozes dos que lastimam a fome que aumenta. Isto é o resultado de políticas erradas emanadas da união europeia, da especulação desenfreada e das políticas internas do PS e do PSD.

O Filme - O Concerto





VERBARTE

Luís Moreira





É verdade que o passado não regressa mas podem regressar factos desse mesmo passado e quanto perturbadores podem eles ser.

Estamos perante um filme entre a comédia e o drama, com cenas bem conseguidas e hilariantes mas, paralelamente, corre como o marfim, o talento aprisionado nos corpos de homens e mulheres que por razões políticas foram afastados da sua paixão. A música! E, quem os afastou, fê-lo também por uma paixão. O amor a um partido e a uma ideologia!

Chegou a altura da redenção e no ambiente fantástico da grande música, desenrolam-se factos há muito contidos que se vão elevando na arte esplêndida de exímios músicos.

Ficamos sentados muito para além do fim do filme, enquanto não termina o sonho, teimamos em ficar. Gostei muito, embora cenas hajam desnecessárias e que tiram alguma beleza e mistério ao filme!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Estatismo não é socialismo.

Luis Moreira
Criar uma oligarquia que domina o aparelho de Estado, a Administração Pública, as empresas públicas, uma parte importante do sistema financeiro (CGD, BCP,BNP,BPP), as empresas do regime onde estão colocados os seus homens de mão, e accionar ciclos de grandes obras públicas de dez em dez anos não tem nada de socialismo. É estatismo!

Limitar e condicionar a opinião pública com o controlo da Comunicação Social, através de favores como dar prioridade às campanhas de publicidade em determinado orgão em detrimento dos que não vergam a cerviz, ter um mar de gente que depende do estado, do vencimento fixo, das carreiras, enquanto a sociedade civil, as empresas privadas e os dois milhões de pobres e os desempregados, não entram nas contas, não é socialismo.É estatismo!

Ter um país onde se agravou o fosso entre ricos e pobres, onde a relação entre o ordenado mínimo e os vencimentos e mordomias praticados no sector público e nas empresas públicas, é a maior da Europa; onde os gestores das empresas públicas, incluindo o governador do Banco de Portugal ganham mais que o Presidente do Banco Central dos US e mais que os congéneres de países europeus muito mais ricos; onde o Estado faz tudo mas não regula os mercados ; onde não tem mão na Justiça que só serve a quem tem dinheiro; não é socialismo. É estatismo!

Um estado imenso e prepotente que leva o país a uma situação de profunda desigualdade, onde não há oportunidades iguais, que se verga à força do dinheiro e do número de pessoas que compõem as corporações (dão muitos votos) não é um estado a caminhar para o socialismo. É estatismo, no seu pior!

Porque terei eu de estar preocupado com qualquer outro governo que aí venha, sendo resultado de eleições democráticas?