Sonhei que existia
Outra forma de existir
Meu filho seria teu
e o teu, eu abraçaria.
Nos dias de chuva
eu seria a terra amada
Na primavera, o fruto
da terra regada
Quando meu corpo ardesse
bastaria te olhar e meus ais
seriam ouvidos só por ti
desde o início ao fim
E se os ais pedissem mais
tu serias meu benfeitor
Seríamos um, dois, mil ou mais
E os filhos seriam de todos
e em todos seríamos um só
Se pelo caminho vires, uma família
como se fossem os reis magos
são vislumbres do meu sonho
a dar esperança ao caminhante
Brilham como se fossem estrelas
iluminam que sonha que existe
outra forma de existir
Um, dois, mil ou mais
acreditam que todos
somos um só
num lento e prolongado abraço.
Amei cada um
como se fosse o único
prolongamento de mim
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (IV)
Eras rosa e eu acreditei em ti
Segui-te cega, sem questionar
que caminho fazias, quando partias
Ah! Quantas vezes partimos
Sem nunca chegar
Eras tão rosa
e eu sempre acreditei em ti
Falavas de um lugar que nunca vi
Contavas histórias perdidas
Tantas vezes tentámos chegar
que nos perdemos em cada partida
Perdi a conta das despedidas
tão tristes éramos como a partida
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (III)
sou o beija-flor e o girassol
a formiga e a cigarra
a árvore centenária
sou a casa e a janela
o verde da colina
a árvore quase nua
sou o medo que se espanta
a vontade de crescer
o desejo que tudo ama
Sou o tudo e o nada
O verde, azul e amarelo
Sou a menina gigante
Que mal cabe na tela
a formiga e a cigarra
a árvore centenária
sou a casa e a janela
o verde da colina
a árvore quase nua
sou o medo que se espanta
a vontade de crescer
o desejo que tudo ama
Sou o tudo e o nada
O verde, azul e amarelo
Sou a menina gigante
Que mal cabe na tela
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (II)
Se houvesse antes, se existisse o passado...
eu teria existido em ti, doce presente em que não existo,
e sou isto, aguardente a desaguar quente,
memória do que nunca vivi,
Ah - a vontade de reviver o imaginário,
um dó, um sol e invento a clave
realejo perdido
Ah - e esse desejo que me queima
GRITO: - ESTOU AQUI!
ninguém me ouve,
EXISTO!
meu sexo é prova disso
respira comigo
inspira e expira
quer mais e mais,
Se houvesse antes, se existisse o passado...
cada história de amor
era encantada com uma nova cor
saudades que tenho
do azul que nunca esqueci
e dos teus beijos loucos,
vermelhos a brincar com a cor
Nunca soube teu nome
Meu corpo guardou tua cor
nessa doce noite de amor
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (I)
É noite, choram as carpideiras
Os mortos de cada dia
Boa safra que se escapa da vida
Doce é a partida
quando se faz desejada
Partem os homens de Boaventura
Restam as viúvas vestidas de luto
Trago no corpo, teu corpo
Salgado, agora sem vida
Memória de ti nas noites
Sem noite
Memória de ti em cada manhã
Amanhã e depois de amanhã
Mal anoiteça, estarás comigo
Até que eu adormeça
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
Apresentando Adão Cruz
Adão Pinho da Cruz nasceu no lugar de Figueiras, freguesia de Castelões, concelho de Vale de Cambra, em 1937. Licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, especializado em Cardiologia e sub-especializado em ecocardiografia. Prestou serviço militar na Guiné, entre 1966 e 1967, como alferes médico. Usando palavras suas: «a profunda vivência da guerra e o profundo contacto com uma população miserável, constituíram uma das mais ricas e marcantes experiências da sua vida».
Apanhado pela explosão do 25 de Abril, não fugiu ao novos deveres de cidadania criados pela Revolução e, nomeado pelo Governador Civil de Aveiro, exerceu durante um ano as funções de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara municipal de Vale de Cambra. É membro da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, da Sociedade Europeia de Cardiologia, da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos e foi também membro da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos.
Para além da sua actividade como médico, é escritor e pintor, com diversos livros publicados, de contos, poemas e pinturas. Fez várias exposições, individuais e colectivas, realizadas em Portugal e no estrangeiro. Principais obras publicadas: Esta Água Que Aqui Vem Dar (poemas e pinturas-1993), Vem Comigo Comer Amendoim (contos, ilustrados por Manuel Cruz-1994), Palavras e Cores (prosa poética e álbum de pinturas-1995), Adão Cruz – Tempo, Sonho e Razão (álbum de pinturas e textos de Albano Martins e César Príncipe-2003), Nova Ponte Sobre um Velho Rio (conjunto de três pequenos volumes de poesia, com capas sobre pinturas do autor-2006), Adão Cruz – Hora a hora rente ao tempo (álbum de pinturas e texto do autor-2007) e Adão Cruz – Um gesto de silêncio (álbum de pinturas e poemas, com texto do autor -2010).
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