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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quatre barres - Carlos de Oliveira (1921-1981)




Sonet


M’acusen d’amargor i defalliment,
com si tota la pena dels meus versos
no fos també carn vostra, homes dispersos,
i el meu dolor el dolor del pensament.


Us cantaré la bellesa d’un dia,
quan la llum, que no nego, obri l’obscur
cercle nocturn que ens volta com un mur
i arribis als teus regnes, alegria!


Mentrestant parlaré d’erms i de gebre.
Fins que no caigui a trossos la tenebra,
de la tristor en faré el vi de venjança.


La meva veu de mort del combat brolla.
Si qui confia el seu dolor escorcolla
més glòria té en no perdre l’esperança.


Incendi


Em demanes la vida entera
i la vida entera no!
Del cor sols et dono el racó
que em sobra de l’incendi del món
després de la flama darrera.
Per si així tens prou claror
“i pots ser-me palma de glòria”
et duc sempre a la memòria.


Visió de José Gomes Ferreira en el Vanderman


A les cimes,
on l’aigua esperava el moment de venir a rentar els homes,
Vós vegéreu,
per un sobtat esquinç de l’insomni,
els animals petits engolits pels més grossos, els
grossos menjats pels homes, els homes
rosegats per l’antropofàgia i per les dents
grogues de les estrelles.
Des d’aleshores
el vostre remordiment brolla de cada gota-recordança
del Vanderman,
i el temps, devorant les estrelles, es va engreixant,
amb les grans potes de lleó  entortolligades als nostres cors,
aquest llot de la sang.

(versió de Fèlix Cucurull)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

António Botto no Brasil -17 - por António Augusto Sales



Casa onde nasceu António Botto, em Concavada, Abrantes.



O Regresso



(conclusão)



No dia 29 de Outubro de 1965 regressaste à pátria. Manhã radiante de sol aquela em que, de um avião da Varig, descarregaram a urna com os teus restos mortais no Aeroporto da Portela. Definitivamente separavas-te do Brasil esse país sobre o qual, nas costas de um documento de caixa da casa Magazine Mesbla, do Rio de Janeiro, deixaste este apontamento a lápis: «Quanto a escrúpulos não foram com êles que progrediram as cidades do sul da Bahia, que se rasgaram as estradas, plantaram-se as fazendas, criou-se o comércio, construiu-se o porto, elevaram-se os edifícios, fundaram-se jornais, exportou-se cacau para o mundo inteiro. Foi com tiros e tocaias, com falsas escrituras e medições inventadas, com mortes e crimes, com jagunços e aventureiros, com prostitutas e jogadores. Com sangue e muita coragem» (BNL – espólio de AB – cota 12/883), palavras que, embora não pareça, significam amor por aquela nação.

domingo, 19 de setembro de 2010

António Botto no Brasil – 16 por António Augusto Sales


Da esquerda para a direita Abel Manta, Aquilino Ribeiro, Gualdino Gomes e Júlio da Costa Pinto à porta da Havaneza de Lisboa em 1938.

Percurso Esgotado


(continuação)

Durante longos doze dias a presença constante de amigos nunca deixou só D. Carminda, dia e noite a seu lado falando-lhe baixinho na esperança de o despertar do estado de coma. Botto sofre, luta contra a morte lá no fundo do seu alheamento, mas Caronte e a sua barca esperam-no na Baía de Guanabara. Há uma luz cristalina que lhe abre um caminho infinito por um túnel de cânticos. É a luz de Lisboa a abençoá-lo com as pequenas casas de Alfama a descreverem um desenho suave sobre o rio. Há varinas na rua gritando o peixe, ardinas correndo a vender jornais, amoladores de facas e navalhas anunciando-se ao som estridente da flauta. Olha o Fernando no Martinho da Arcada, o Pacheko a pintar cenários para revistas, a Amália a cantar no Luso, a Beatriz Costa a fazer uma rábula no Variedades! À porta da Bertrand está o Aquilino Ribeiro e o seu grupo e o Gualdino Gomes, esse crítico arrasador, continua a frequentar o Café Chiado onde se encontram agora os neo-realistas. Nas avenidas passam Buicks, Chevrolets, Studbakers. Vem ali o Villaret a declamar a Julieta do Beco das Cruzes e o Filipe Pinto a cantar um fado meu. Raul Leal diz-me que me esperas e tu, António Ferro, também. Já vou, já vou aí!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

António Botto no Brasil – 13 - por António Augusto Sales

Os Últimos Anos de Infortúnio

(continuação)

Após ser obrigado a abandonar a residência da Almirante Alexandrino o casal aloja-se numa casa má na Rua Joaquim Murtinho, nº 549, ainda no bairro de Santa Teresa. Este terá sido um tempo negro como se depreende pela carta endereçada ao seu grande amigo e advogado Paulo Rabello a quem confessa que se tem privado de tudo: «Vendi tudo de valor quanto tinha. A última derradeira jóia que vendi foi um relógio de pulso Patek, todo em ouro». Data deste período o único desabafo que encontramos acerca da mulher: «Não gosta de se desfazer dos vestidos, sapatos, chapéus, jóias, mesmo que precise de pão para a boca». Mesmo estas considerações revelam exagero como se falasse de um moderno guarda-roupa, que não era o caso visto ambos vestirem modestamente segundo as observações de diversos dos seus amigos.

Mal instalado, sobrevive da colaboração em jornais, dos direitos de autor que vai recebendo, do auxílio dos amigos. Declama poesia num restaurante típico português ganhando, mal, o sustento diário: «Comemos arroz, café, chá, um resto de queijo e pão», escreve num dos seus dolorosos apontamentos da segunda metade de 1958. Para o médico de Carminda pede 1000 cruzeiros emprestados a uma portuguesa com venda de ovos e galinhas na Avenida Princesa Isabel, mas no dia seguinte a mulher não leva a primeira injecção «porque não havia dinheiro para o pavio, quanto mais para a vela».

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

António Botto no Brasil - 12, por António Augusto Sales

Os Últimos Anos de Infortúnio


(continuação)

O Brasil que lhe ofereceu glórias não lhe poupou desgraças. Humanamente o poeta esquece as primeiras e enreda-se na malha das segundas. Na sua psique fragilizada acumulam-se recalcamentos que alivia em apontamentos escritos sobre o país escolhido para emigrar. No diário, entre 13 de Outubro e 23 de Novembro de 1958, talvez num dos mais tristes momentos da sua vida, António Botto não poupa comentários críticos e depreciativos em impressões avulsas, na maioria telegráficas, indicando pessoas, marcas, coisas, observações da vida corrente, estabelecendo o contraponto entre a nação rica e «a miséria [que] é o pão de cada dia». A sua realidade conjugada com um envolvimento social difícil deprime a ponto de proclamar a revolta interior de forma algo violenta: «Levanta-te Rei D. João VI, e vem presenciar este novo campo de concentração para os que trabalham. Os outros, os magnates, esses arrastam correntes de ouro pelas ruas da capital desprezada, cheia de lixo e covas onde se podem enterrar os pobres» (BNL- espólio de AB – cota E 12/63).


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Maratona Poética - Alberto Caeiro e Bernardo Marques



Alberto Caeiro



E há poetas que são artistas

E trabalham nos seus versos

Como um carpinteiro nas tábuas!...

Que triste não saber florir!

Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro

E ver se está bem, e tirar se não está!...

Quando a única casa artística é a Terra toda

Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.

Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.

E olho para as flores e sorrio...

Não sei se elas me compreendem

Nem se eu as compreendo a elas,

Mas sei que a verdade está nelas e em mim

E na nossa comum divindade

De nos deixarmos ir e viver pela Terra

E levar ao colo pelas Estações contentes

E deixar que o vento cante para adormecermos

E não termos sonhos no nosso sono.






E terminamos como começámos - Autopsicografia, agora dito pelo grande João Villaret. E despedimo-nos até à próxima iniciativa. Queremos que a última palavra seja a de um grande poeta e que seja a palavra coração.

sábado, 4 de setembro de 2010

António Botto no Brasil - 3, de António Augusto Sales


Brasil, Meu Irmão!

(continuação)

O Brasil atravessa um período conturbado resultante da ditadura de Getúlio Vargas (1853-1954), afastado do poder em 1945 por um golpe militar. O general Eurico Gaspar Dutra será eleito presidente nesse mesmo ano e elaborada nova constituição. A Grande Guerra terminara mas deixara feridas espalhadas por todo o lado e o Brasil não era excepção. A economia abre-se à importação de produtos e a inflação sobe imparável, as reservas de dólares e de libras são desvalorizadas e o desastre económico só é contido pelo aumento da exportação e do preço do café. Época pautada por frequentes perturbações sociais, características paralisações de trabalho, manifestações de rua, actividades sindicais que perturbam a ordem enfraquecendo politicamente o governo e conduzindo-o ao uso da força. O estado militar corta relações diplomáticas com a União Soviética (URSS) e ilegaliza o Partido Comunista Brasileiro prendendo e perseguindo muitos dos seus militantes. Em cinquenta a nação mergulha em eleições gerais e, por ironia da vontade popular, o antigo ditador Getúlio Vargas acaba por ser eleito Presidente da República por esmagadora maioria. Sol de pouca dura! Quatro anos após a oposição conservadora exige a renúncia e Getúlio, angustiado e incapaz de resistir às pressões políticas suicida-se no dia 24 de Agosto de 1954.

Monteiro Lobato era prestigiado escritor em 1947, ano em que começou a ser editada a colecção das suas obras completas num total de 13 volumes. Viveu como se deslizasse numa montanha russa em surpreendentes flexões do destino como editor, empresário, adido comercial do Brasil em Nova Iorque e até preso político e incomunicável, em 1941, na ditadura de Getúlio Vargas. Quando António Botto chega a São Paulo, Monteiro Lobato, que viria a falecer em 1948, está em condições de o apresentar aos altos representantes da finança paulista, escritores e alta sociedade, ajudando-o a entrar pela porta grande em recitais ao lado de Joracy Camargo e Procópio Ferreira e sessões de autógrafos em diversas salas. São Paulo se não lhe abriu os braços como o Rio de Janeiro também não os fechou.

O casal Botto começou por instalar-se no Hotel S. Bento, na Rua Rogério Badaró, nº 504, apartamento 2119 no 21º andar, onde a Companhia Óscar Rudge entregava as encomendas de resmas de papel feitas pelo Dr. António Botto Almada, recuperando assim a «veleidade de aristocrata» que João Medina refere (Morte e Transfiguração de Sidónio Pais, nota nº 99, pág. 164, Edições Cosmos, Lisboa, 1994) como «tendo chegado a pôr um Almada entre parêntesis, a seguir ao nome, nos cartões de visita». Por essa altura realiza conferências e representações de poemas seus na sala Camões do Centro Português, no Clube Portugália, na Sociedade Brasileira de Alimentação, na Boite Restaurante São Paulo e no Museu de Arte com afluência de público. Tinha trabalho regular na Rádio Bandeirantes com o programa Portugal Canta, transmitido aos domingos, pelo que recebia 1000 cruzeiros por emissão. Durante todo o período de São Paulo estabeleceu contratos com a Rádio Tupi, Rádio Difusora de São Paulo e Rádio Cultura onde manteve Almas e Povos, três dias por semana, que lhe rendia 500 cruzeiros por audição, pagos adiantadamente; aparecia assiduamente em jornais com artigos, crítica, contos, crónicas e poemas. Não sendo rico arrecadava o suficiente para uma vida medianamente confortável como se deduz da sua relação com a Imprensa Gráfica da Revista dos Tribunais a quem pediu orçamento, encomendou papel e realizou pagamentos para a impressão do livro Poesia Nova que por razões desconhecidas não se fez. Por essa altura manda brochar «com todo o cuidado e capa dobrada à francesa», oitocentos livros a um cruzeiro cada.

domingo, 8 de agosto de 2010

Orlando da Costa no Terreiro da lusofonia


Orlando da Costa (1929-2006) foi um poeta verdadeiramente  lusófono. Nascido em Moçambique numa família goesa e, como tal, criado em Margão, veio para Lisboa para a Universidade e, com três nacionalidades possíveis, optou pela portuguesa. E foi um português de eleição, um homem que lutou contra a ditadura e sempre se mostrou consequente com os seus princípios. Um grande português e um grande escritor.

Orlando da Costa, nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, em 1929, numa família goesa. Foi criado em Margão, vindo para Lisboa, com apenas 18 anos, em cuja Faculdade de Letras se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Ficcionista, dramaturgo e poeta, publicou uma dezena de livros, dos quais se destacam os romances «O Signo da Ira» (1961), «Podem Chamar-me Eurídice» (1964), «Os Netos de Norton» (1994) e «O Último Olhar de Manú Miranda» (2000). O poema escolhido foi publicado na antologia «Poemabril» (1984) e foi musicado pelo maestro Fernando Lopes-Graça:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (V)

Sonhei que existia

Outra forma de existir
Meu filho seria teu
e o teu, eu abraçaria.

Nos dias de chuva
eu seria a terra amada
Na primavera, o fruto
da terra regada

Quando meu corpo ardesse
bastaria te olhar e meus ais
seriam ouvidos só por ti
desde o início ao fim

E se os ais pedissem mais
tu serias meu benfeitor

Seríamos um, dois, mil ou mais
E os filhos seriam de todos
e em todos seríamos um só

Se pelo caminho vires, uma família

como se fossem os reis magos
são vislumbres do meu sonho
a dar esperança ao caminhante

Brilham como se fossem estrelas
iluminam que sonha que existe
outra forma de existir

Um, dois, mil ou mais
acreditam que todos
somos um só
num lento e prolongado abraço.

Amei cada um
como se fosse o único
prolongamento de mim

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (IV)


Eras rosa e eu acreditei em ti

Segui-te cega, sem questionar
que caminho fazias, quando partias
Ah! Quantas vezes partimos
Sem nunca chegar
Eras tão rosa
e eu sempre acreditei em ti
Falavas de um lugar que nunca vi
Contavas histórias perdidas

Tantas vezes tentámos chegar
que nos perdemos em cada partida
Perdi a conta das despedidas
tão tristes éramos como a partida

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (III)

sou o beija-flor e o girassol

a formiga e a cigarra
a árvore centenária
sou a casa e a janela
o verde da colina
a árvore quase nua
sou o medo que se espanta
a vontade de crescer
o desejo que tudo ama

Sou o tudo e o nada
O verde, azul e amarelo
Sou a menina gigante
Que mal cabe na tela

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (II)


Se houvesse antes, se existisse o passado...


eu teria existido em ti, doce presente em que não existo,
e sou isto, aguardente a desaguar quente,
memória do que nunca vivi,
Ah - a vontade de reviver o imaginário,
um dó, um sol e invento a clave
realejo perdido
Ah - e esse desejo que me queima

GRITO: - ESTOU AQUI!
ninguém me ouve,

EXISTO!
meu sexo é prova disso
respira comigo
inspira e expira
quer mais e mais,

Se houvesse antes, se existisse o passado...

cada história de amor
era encantada com uma nova cor

saudades que tenho
do azul que nunca esqueci
e dos teus beijos loucos,
vermelhos a brincar com a cor

Nunca soube teu nome
Meu corpo guardou tua cor
nessa doce noite de amor

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (I)


É noite, choram as carpideiras

Os mortos de cada dia
Boa safra que se escapa da vida
Doce é a partida
quando se faz desejada
Partem os homens de Boaventura
Restam as viúvas vestidas de luto
Trago no corpo, teu corpo
Salgado, agora sem vida
Memória de ti nas noites
Sem noite
Memória de ti em cada manhã
Amanhã e depois de amanhã
Mal anoiteça, estarás comigo
Até que eu adormeça



terça-feira, 20 de julho de 2010

Para um amigo sonhado,

Ethel Feldman


sonhei contigo sem sonhar
cada pedaço de ti em mim
sonhei contigo por dentro
sem sonhar estive em ti

com as asas que me deste
visitei o universo, em ti
por cada beijo trocado
vivi em ti tudo que perdi

meus lábios passeiam-se felizes por ti
devagar saboreio teu paladar
e somos tantas vezes um no outro
que deixamos de existir

se o desejo é isto
em segredo grito que ardo
por ti

tantas vezes fomos um no outro
abraça-me de novo!

sábado, 3 de julho de 2010

Luís Veiga Leitão no Terreiro da Lusofonia


Hoje desce ao Terreiro um poeta português - Luís Maria Leitão (Moimenta da Beira, 1912 — Niterói, 1987), conhecido sob o pseudónimo de Luís Veiga Leitão. Poeta e artista plástico, foi um dos fundadores do grupo literário Germinal. Activista político, antifascista, esteve preso em 1952. Dessa experiência resultou a colectânea poética Noite de Pedra, apreendida pela censura Com Egito Gonçalves, Daniel Filipe e outros, criou as Notícias do Bloqueio, uma série de fascículos publicada no Porto, entre 1957 e 1961, onde se reunia a criação poética de diversos autores. Foi colaborador das revistas Seara Nova, Vértice, entre outras. Poeta neo-realista, os seus poemas incorporam linguagens e técnicas subsidiárias de outras correntes, tais como o surrealismo. Em 1967 foi para o Brasil, onde viveu até 1977 e onde morreu.

Obras principais: Latitude (1950); Noite de Pedra (1955); Ciclo de Pedras (1964); Longo Caminho Breve. Poesias Escolhidas (1943-1983); Biografia Pétrea, (1989); Rosto por Dentro (1992); Linhas do Trópico (1977); Livro de Andar e Ver (1976); Livro da Paixão (1986); Obra Completa, (1997). De Ciclo de Pedras seleccionámos este poema:

A uma bicicleta desenhada na cela

Nesta parede que me veste
Da cabeça aos pés, inteira,
Bem hajas, companheira,
As viagens que me deste.


Aqui,
Onde o dia é mal nascido,
Jamais me cansou
O rumo que deixou
O lápis proibido…
Bem-haja a mão que te criou!
Olhos montados no selim
Pedalei, atravessei
E viajei
Para além de mim.