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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A morte de Joan Solà (2)

Josep Anton Vidal
Neste ponto do artigo que o leitor está a ler, há um espaço em branco… Apaguei dois parágrafos onde falava desses dois partidos que, pretendendo-se eles mesmos agora bons catalães e bons espanhóis e, portanto serem exemplos de concórdia, lideram a iniciativa política contra a Catalunha. E fi-lo por respeito a mim mesmo. É tão descarado o exercício da mentira demagógica e tão grave o efeito da acção desses partidos políticos que pretendem abrir fracturas profundas na convivência dos cidadãos da Catalunha sob a desculpa da defesa dos direitos e liberdades, que não sou capaz de falar nisso sem que a argumentação racional dê lugar ao impropério e à reacção intempestiva. Por isso apaguei o que tinha escrito. Nem sequer é preciso dizer que estes partidos foram concebidos para servir um nacionalismo espanhol excluente e monopolizador, e que têm na vanguarda das suas formações demagogos de palavra fácil e hábeis, mas de ideias curtas. Se não tivessem a inteligência obnubilada, não seriam capazes de defender tanta incoerência entre o que dizem e a realidade catalã.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Espanha ainda não assumiu independência de Portugal” disse Josep-Lluís Carod-Rovira

Recuperamos, por nos parecer de uma grande actualidade, uma entrevista dada por Josep-Lluís Carod-Rovira, o dirigente da Esquerda Catalã Republicana (ERC), na altura número dois do executivo catalão e responsável pelas relações externas da Generalitat e de que há dias publicámos um curioso vídeo em que respondia a perguntas sobre a eventual separação da Catalunha.  Nas suas declarações, este destacado político de um país com 7,5 milhões de habitantes, afirma que pretende conseguir o apoio de Portugal para o projecto de independência que defende para a Catalunha, cujo decisivo referendo propõe que se realize em 2014. "O que menos interessa a Portugal é uma Espanha unitária", afirmou, sublinhando que "uma Catalunha independente na fachada mediterrânea poderia ser o contrapeso lógico ao centralismo espanhol".



O vice-presidente do Governo da Catalunha recorre à História, designadamente aos acontecimentos de 1640, para afirmar que "se as coisas tivessem sido ao contrário, hoje Portugal seria uma região espanhola e a Catalunha um estado independente". No século XVII, durante o reinado de Filipe III, Madrid foi confrontada com revoltas em Portugal e na Catalunha mas o Império, apoiado pela França, reprimiu as sublevações catalãs e da Biscaia.

Josep-Lluis Carod-Rovira, que fala e entende perfeitamente o português, garantiu ter "muitos aliados internacionais" para o que designa "projecto de independência para a Catalunha" mas recusou-se a aprofundar o assunto para não dar "pistas desnecessárias". Para Carod-Rovira a situação da Catalunha é específica e não é comparável a nenhuma autonomia ou a qualquer processo de independência. "A Catalunha não é o Kosovo, nem é o País Basco, nem a Madeira", disse, considerando que "os processos de independência passam por três fases: ridicularização, hostilidade e aceitação. Neste momento, estamos entre a primeira e a segunda".