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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Boris Cyrulnik - 3: Ultrapassar o trauma


Clara Castilho


Como podem as crianças soldado, ou as crianças vítimas de maus tratos, ultrapassar os seus traumas?

Ao verificar-se uma ferida, um trauma, dá-se uma agonia psíquica. O horror do que se viu, do que se sofreu, faz com que se fique morto psicologicamente, com que já não haja força para viver. De tal forma foi assustador o que se viveu, que a única forma de não sofrer é tornar-se pateta.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Boris Cyrulnik – 2 - As crianças - soldado


Clara Castilho

Como já tinha anunciado, Borix Cyrulnik esteve em Lisboa, no dia 19 de Novembro, em plena Cimeira da Nato. Só conseguiu chegar às 4,30 do dia em que às 9,30 deveria estar a dar início a uma conferência. O seu atraso serviu para várias piadas, entre elas o facto de a organização do Colóquio o tratar tão bem que ele teve direito a 27 polícias que acompanharam o trajecto entre o seu hotel e o auditório do Instituto Franco-Português…

Com a sua habitual boa disposição, colocou-se ao dispor de todos, com o seu saber e experiência, respondeu a perguntar e comentou casos clínicos.

domingo, 7 de novembro de 2010

O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –19 por Raúl Iturra.

(Continuação)

Se Cyrulnick não tivesse tido a vida que levou, como relatado na Revista Brasileira de Psicanálise , nunca teria trabalhado sobre resiliência como conceito. No entanto, a sua vida foi uma tragédia que soube ultrapassar. Boris Cyrulnik, o meu colega de ensino na Maison de Sciences de l’Homme, em Paris, teve uma vida azarada. Sem resiliência, criada no segundo que salvou a sua vida aos cinco anos, não seria o homem aberto e simpático que eu conheci. Da mesma maneira que eu fui salvo do pelotão de fuzilamento quando visitava, por razões académicas, o Chile de Allende. Não sei o que ele, como criança, deve ter pensado. Sei o que eu pensei quando se levantaram quarenta fuzis para me assassinar. Havia uma mulher que amava, que fez o possível e impossível para me salvar, uma filha adorada e outra no ventre da mãe das minhas filhas. Contudo, pensei: “Por boa causa morro”.

sábado, 6 de novembro de 2010

O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –18 por Raúl Iturra.

(Continuação)

3. Haverá uma terceira via?
Questão que coloco após pensar e estruturar toda a pesquisa em torno da primeira via, o denominado seio bom, definido por Melanie Klein, citada no início deste texto. O seio bom dá esse agir directo do indivíduo com a sua ascendência. Normalmente, a vida social acontece dentro de uma relação directa entre ascendentes e descendentes, entre pais e filhos, em geral uma relação afectiva positiva e directa. O que infelizmente, nem sempre acontece, por ter de passar pelo entendimento de toda a organização da estrutura da personalidade, como tenho analisado ao estudar Klein, Freud , e Miller .

Boris Cyrulnik

Clara Castilho


Boris Cyrulnik volta a Lisboa, no dia 19 de Novembro, para participar no Colóquio da Revista Portuguesa de Psicanálise, a realizar no Instituto Franco-Português.

Médico, psiquiatra, neurologista e psicanalista, primeiro, etólogo de formação depois, Boris Cyrulnik abriu o campo da pesquisa, em França, à etologia humana, dentro de uma abordagem decididamente pluridisciplinar, revolucionando inúmeras ideias pré-estabelecidas sobre o ser humano. Os seus trabalhos debruçam-se, entre outras temáticas, sobre o conceito de resiliência, essa capacidade de superar os traumatismos psíquicos e as mais graves feridas emocionais: doença, luto, violação, tortura, deportação, guerra... Violências físicas e morais às quais milhões de crianças, mulheres e homens estão expostos no mundo de hoje. Apoiando-se em inúmeros exemplos observados localmente, no seu consultório de psicoterapeuta, assim como nas suas missões no exterior – da Bósnia ao Camboja, passando pelo Brasil e pela Rússia –, explica-nos como, mesmo nos casos mais terríveis, as pessoas podem recuperar e retomar o curso de suas vidas, graças a algumas faculdades adquiridas na infância e ao apoio recebido por pessoas empenhadas, depois da experiência traumatizante.