Carlos Leça da Veiga
Envio o texto duma carta dirigida à Senhora Directora do “Destak” que, até agora – e já vai tempo bastante – não teve o favor dum bom acolhimento. Não mereceria?
Naturalmente que os jornais não podem estar abertos a todas as fantasia que se lhes dirijam razão pela qual o título dado a esta croniqueta – para ser-se justo – talvez só merecesse designar-se “azar meu”.
Não posso excluir que tenha produzido obra sem a elevação que é devida à altura dos primores literários do “Destak”. Será que enviei matéria de tão má qualidade? Será que pequei por não venerar a herança dos reis católicos? Terei ferido a susceptibilidade da Senhora Embaixadora?
Mesmo sem expressá-lo – mas será fácil deduzir-se – terei caído no erro de induzir que a chamada verdade desportiva – tantas vezes chamada à pedra – tem mais verdade para uns do que para outros. Só por laracha é que David bate Golias!
O “Estrolabio” é outra loiça – faiança da melhor – e, ao que parece – por mim posso afirmá-lo – abre as portas da sua generosidade democrática sem cuidar “da sorte ou do azar” dos seus correspondentes.
Lisboa, 18 de Julho de 2010
Exmª. Senhora
Directora do”Destak”
Lisboa, 2 de Julho de 2010
“Desenterrar a cabeça da areia” foi a sábia recomendação com que a Senhora Embaixadora Drª Ana Gomes intitulou um texto jornalístico dado à estampa no “Destak”, do dia 2 de Julho deste 2010.
Por igual, são palavras de Sua Exª,”este é o momento para que levantemos a cabeça” pela razão que “Estas são as coisas verdadeiramente importantes” sendo que estas – no conceito esclarecido duma Senhora Embaixadora – “são os assuntos prementes que pintam a crise económica”.
Sê-lo-ão? Não haverá outros com maior premência? Não estou a pensar nos interesses da banca mas sim daqueles dos mais anónimos, afinal os produtores das mais valias que forram a bolsa alheia, a bancária inclusive. A premência é política e não económica, isso caso queira que as coisas melhorem.
O texto da Senhora Embaixadora surge em estreita ligação com um acontecimento «futebolístico» entendido com lamentável para este nosso Portugal. Perdeu-se um jogo com o estado espanhol, estado a que a Articulista, como mandam as regras, chama Espanha.
Portugal perderia se jogasse contra a Catalunha, contra a Andaluzia, contra a Galiza, contra o País Basco ou contra o reino de Castela? Será democrático amalgamar tantas Nacionalidades para fingir ter-se um certo potencial desportivo?
A Inglaterra, mau grado os seus maus antecedentes e piores consequentes face às Nacionalidades que obriga a integrarem o chamado Reino Unido, em matéria de futebol – talvez a contragosto – não aparece reforçada por galeses, irlandeses e escoceses.
A tal ficção castelhana que dá pela designação de Espanha, uma obra bafienta do hipotético direito dinástico, deveria, ou não, aparecer nas competições internacionais – não estou a pedir tudo quanto é devido – não como um todo mas sim com representações desportivas de quantas partes (Nacionalidades) a compõem. Provavelmente nunca ganharia o que quer que fosse.
O tema permitiria ir muito mais longe mas para responder ao final desagradável dum jogo de futebol “politicamente incorrecto” bastará ficar-se por aqui.
Com os meus melhores cumprimentos,
Carlos Leça da Veiga
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domingo, 18 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
La nación catalana no cabe en España. El Tribunal Constitucional recorta el Estatuto de Autonomía de Cataluña".
O nosso colaborador Josep Anton Vidal, envia-nos este texto sobre um tema que para os catalães e para a Catalunha assume uma grande importância. O idioma de Josep Vidal é o catalão. No entanto escreve-nos em castelhano para que melhor possamos compreender o que nos diz.Porque o castelhano é uma língua que, não sendo a sua, lhe é familiar e na qual gosta também de ler e escrever. Nós, de uma forma geral, lemos com facilidade o castelhano. Porque nada temos contra a língua e a cultura castelhana, mantemos a carta de Josep Vidal nesse idioma.
Josep A. Vidal
La reciente sentencia del Tribunal Constitucional español contra el Estatuto de Autonomía de Cataluña, que declara inconstitucionales 14 artículos y señala que otros 27 requieren ser interpretados conforme a la sentencia, ha elevado la crispación del clima político catalán y ha marcado un nuevo hito en el proceso de distanciamiento entre Cataluña y España que se ha ido produciendo a lo largo de los últimos años y que ha cristalizado en una conciencia cada vez más amplia de que la vía autonómica, tal como se ha desarrollado desde la Transición, no sirve para articular un modelo de Estado para España en el que puedan sentirse integradas y corresponsables todas sus partes.
Hay una causa lejana, el franquismo y su vitalidad ideológica, puesto que algunos de los mitos que alimentó sobre el concepto de España y la esencia de lo español, han pervivido y perviven como constituyentes del imaginario colectivo en gran parte de la población española y, lo que es más grave, en el de las fuerzas políticas y sus líderes, tanto de derechas como de centro y de izquierdas. Y hay también una causa remota, primigenia, anterior al franquismo, que, a quienes somos amantes de las hemerotecas, nos regala siempre la angustiosa sorpresa de descubrir en la prensa de cien años atrás palabras y debates que manifiestan idénticas coordenadas de incomprensión, una idéntica incapacidad para articular un Estado moderno, que se reconozca a sí mismo tal como es, en su realidad plural, y que pueda así articular un proyecto de futuro en el que quepan todas sus partes.
Josep A. Vidal
La reciente sentencia del Tribunal Constitucional español contra el Estatuto de Autonomía de Cataluña, que declara inconstitucionales 14 artículos y señala que otros 27 requieren ser interpretados conforme a la sentencia, ha elevado la crispación del clima político catalán y ha marcado un nuevo hito en el proceso de distanciamiento entre Cataluña y España que se ha ido produciendo a lo largo de los últimos años y que ha cristalizado en una conciencia cada vez más amplia de que la vía autonómica, tal como se ha desarrollado desde la Transición, no sirve para articular un modelo de Estado para España en el que puedan sentirse integradas y corresponsables todas sus partes.
Hay una causa lejana, el franquismo y su vitalidad ideológica, puesto que algunos de los mitos que alimentó sobre el concepto de España y la esencia de lo español, han pervivido y perviven como constituyentes del imaginario colectivo en gran parte de la población española y, lo que es más grave, en el de las fuerzas políticas y sus líderes, tanto de derechas como de centro y de izquierdas. Y hay también una causa remota, primigenia, anterior al franquismo, que, a quienes somos amantes de las hemerotecas, nos regala siempre la angustiosa sorpresa de descubrir en la prensa de cien años atrás palabras y debates que manifiestan idénticas coordenadas de incomprensión, una idéntica incapacidad para articular un Estado moderno, que se reconozca a sí mismo tal como es, en su realidad plural, y que pueda así articular un proyecto de futuro en el que quepan todas sus partes.
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Força Portugal!
Esta terça-feira, dia 29, projectamos o jogo de Portugal contra Espanha no centro social para animar aos nossos irmaos do Sul. Será às 20h30.
________________________
Nota: Com os nossos agradecimentos, transcrevemos do blogue da Sociedade Cultural Mádia este anúncio ao jogo de logo, às 19:30, com a selecção do estado espanhol. Como se diz nesse blogue «A Sociedade Cultural Mádia leva! é um projecto comprometido com a lingua e a cultura galega, assim mesmo também trabalhamos por impulsionar a organizaçom do povo, a democracia participativa, a defesa da Terra e a luita pela autodeterminaçom da GALIZA».
madialeva.gz@gmail.com
domingo, 13 de junho de 2010
Carta de Carlos Leça da Veiga a Carlos Loures
Meu Caro Carlos Loures,
Relativamente ao texto que ontem publicaste - "Olivença - cobardia? pragmatismo?", venho dizer-te o seguinte.
Primeiro: é inaceitável falares de Espanha e não de estado espanhol.Uma cedência imprópria dum Democrata!
Segundo: a devolução de Gibraltar só deve ser feita à Andaluzia, enquanto Estado Soberano. Sobre esta matéria já escrevi um extenso documento que, há anos, enviei ao Partido Andalucista.Não tive resposta.
Terceiro: Haverá dois anos, além de utilizar a Assembleia-Geral do Grupo dos Amigos de Olivença(GAO), onde verti sobre a matéria,enviei à sua Direcção um a carta de algumas vinte páginas em que, entre outras coisas, lá fui dizendo que a questão de Olivença exige uma agressividade contra o estado espanhol, por designio, insistir na acusação de que é um ocupante ilegitimo de vários territórios da Hispânia onde oprimem algumas Nacionalidades.
Relativamente ao texto que ontem publicaste - "Olivença - cobardia? pragmatismo?", venho dizer-te o seguinte.
Primeiro: é inaceitável falares de Espanha e não de estado espanhol.Uma cedência imprópria dum Democrata!
Segundo: a devolução de Gibraltar só deve ser feita à Andaluzia, enquanto Estado Soberano. Sobre esta matéria já escrevi um extenso documento que, há anos, enviei ao Partido Andalucista.Não tive resposta.
Terceiro: Haverá dois anos, além de utilizar a Assembleia-Geral do Grupo dos Amigos de Olivença(GAO), onde verti sobre a matéria,enviei à sua Direcção um a carta de algumas vinte páginas em que, entre outras coisas, lá fui dizendo que a questão de Olivença exige uma agressividade contra o estado espanhol, por designio, insistir na acusação de que é um ocupante ilegitimo de vários territórios da Hispânia onde oprimem algumas Nacionalidades.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Colónias nunca mais. Pela Independência da Galiza.
Carlos Leça da Veiga
A Galiza, por força do direito democrático, tem de ser um Estado independente com representação própria na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Contentar-se em reivindicar a sua língua – a portuguesa – embora uma atitude muito meritória e que nunca deve ser descurada, não parece ser um gesto político suficiente.
Compreende-se que um Cidadão Galego, obrigado à prepotência castelhana, para não ficar sujeito à injustiça das sanções penais, não queira reclamar, em público, o direito à Independência da sua Nacionalidade. Esta atitude, porém, não deve ser a de qualquer português.
A estes, quanto mais não seja por coerência histórica e, também, para reafirmação dos Direitos Humanos compete estar ao lado de todas as Nacionalidades onde quer que elas tenham uma vontade manifesta de Independência e na Galiza, bem sabido, há um importante e significativo movimento em prol da reconquista da sua Independência Nacional. Não será a acção da polícia castelhana que irá destruí-lo.
Se Portugal é um Estado que, como deve ser, só comporta uma Nacionalidade que razão haverá para que os outros Estados – sem respeito pela Democracia – obriguem várias nacionalidades a uma sujeição?
Aos portugueses compete considerar que se Portugal – e muitíssimo bem – teve de deixar de ter colónias porquê, então, o reino de Castela não está obrigado ao mesmo procedimento? E quem diz Castela tem, por igual, de dizer muitos outros Estados, dentre dos quais há vários europeus.
O direito dinástico em vigor no estado espanhol e que vem dos chamados Reis Católicos merece tanta consideração como quanta, hoje em dia, mereceria o Tratado de Tordesilhas. Castela e Aragão, em associação, nos idos do século XV começaram a ocupar indevidamente todos os Estados da periferia da Península Hispânica com excepção de Portugal já que para tanto, à época – depois foi outra conversa – não tiveram forças. Assim o colonialismo castelhano, à semelhança do de vários outros casos na Europa iniciou-se pela submissão de várias Nacionalidades da sua envolvente territorial próxima e só depois é que se abalançou às ocupações fora da Europa.
Colónias tanto as pode haver na Europa como pelo mundo fora e para ser-se colonizado não é preciso ter uma pele de cor diferente. O tempo das colónias já acabou e as que sobrevivem – que na Europa não são poucas – fazem-no à sombra da perversão do Direito Internacional, com o favor dos interesses inconfessáveis dos potentados económicos e, também, com a ajuda da repressão pela força armada. Quantas destas situações continuam a sobreviver na imensidão da Europa?
Na perspectiva política que defendo para a intervenção internacional de Portugal – uma intervenção democrática – os Galegos, os Andaluzes, os Asturianos, os Bascos e os Catalães, como exemplos mais frisantes dentro do estado espanhol, devem ganhar o estatuto legitimo de Estados Independentes e, como assim, viverem lado a lado, em fraternidade com os Castelhanos e, naturalmente, com os Portugueses. Nada de federalismos.
Aos portugueses não compete, bem pelo contrário, aceitar que o seu País tenha de defender e considerar ajustada a existência dum conglomerado de Nacionalidades forçada a qualquer autoridade, no caso vertente, a castelhana.
Depois do 25 de Abril, com a excepção honrosa duma pequena organização – a OUT – a chamada esquerda que com muito acerto soube demonstrar um grande empenho na descolonização portuguesa nunca foi capaz de reclamar, nos areópagos nacionais e internacionais, contra a existência, na própria Europa, de Estados que, como fruto aberrante das suas designadas Unificações, Reunificações ou Conquistas possam
continuar a manter muitas anexações e colonizações. Só Portugal é que era colonialista?
Mas que raio de esquerda! Não podia ofender nem Leste nem Oeste que, a cada qual, o que não faltava era ter colónias. Qualquer projecto de unidade europeia só terá exequibilidade democrática se cada Nacionalidade estiver traduzida por uma declarada Independência Nacional com representação própria e autónoma na ONU.
Lisboa, 21 de Maio de 2009
A Galiza, por força do direito democrático, tem de ser um Estado independente com representação própria na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Contentar-se em reivindicar a sua língua – a portuguesa – embora uma atitude muito meritória e que nunca deve ser descurada, não parece ser um gesto político suficiente.
Compreende-se que um Cidadão Galego, obrigado à prepotência castelhana, para não ficar sujeito à injustiça das sanções penais, não queira reclamar, em público, o direito à Independência da sua Nacionalidade. Esta atitude, porém, não deve ser a de qualquer português.
A estes, quanto mais não seja por coerência histórica e, também, para reafirmação dos Direitos Humanos compete estar ao lado de todas as Nacionalidades onde quer que elas tenham uma vontade manifesta de Independência e na Galiza, bem sabido, há um importante e significativo movimento em prol da reconquista da sua Independência Nacional. Não será a acção da polícia castelhana que irá destruí-lo.
Se Portugal é um Estado que, como deve ser, só comporta uma Nacionalidade que razão haverá para que os outros Estados – sem respeito pela Democracia – obriguem várias nacionalidades a uma sujeição?
Aos portugueses compete considerar que se Portugal – e muitíssimo bem – teve de deixar de ter colónias porquê, então, o reino de Castela não está obrigado ao mesmo procedimento? E quem diz Castela tem, por igual, de dizer muitos outros Estados, dentre dos quais há vários europeus.
O direito dinástico em vigor no estado espanhol e que vem dos chamados Reis Católicos merece tanta consideração como quanta, hoje em dia, mereceria o Tratado de Tordesilhas. Castela e Aragão, em associação, nos idos do século XV começaram a ocupar indevidamente todos os Estados da periferia da Península Hispânica com excepção de Portugal já que para tanto, à época – depois foi outra conversa – não tiveram forças. Assim o colonialismo castelhano, à semelhança do de vários outros casos na Europa iniciou-se pela submissão de várias Nacionalidades da sua envolvente territorial próxima e só depois é que se abalançou às ocupações fora da Europa.
Colónias tanto as pode haver na Europa como pelo mundo fora e para ser-se colonizado não é preciso ter uma pele de cor diferente. O tempo das colónias já acabou e as que sobrevivem – que na Europa não são poucas – fazem-no à sombra da perversão do Direito Internacional, com o favor dos interesses inconfessáveis dos potentados económicos e, também, com a ajuda da repressão pela força armada. Quantas destas situações continuam a sobreviver na imensidão da Europa?
Na perspectiva política que defendo para a intervenção internacional de Portugal – uma intervenção democrática – os Galegos, os Andaluzes, os Asturianos, os Bascos e os Catalães, como exemplos mais frisantes dentro do estado espanhol, devem ganhar o estatuto legitimo de Estados Independentes e, como assim, viverem lado a lado, em fraternidade com os Castelhanos e, naturalmente, com os Portugueses. Nada de federalismos.
Aos portugueses não compete, bem pelo contrário, aceitar que o seu País tenha de defender e considerar ajustada a existência dum conglomerado de Nacionalidades forçada a qualquer autoridade, no caso vertente, a castelhana.
Depois do 25 de Abril, com a excepção honrosa duma pequena organização – a OUT – a chamada esquerda que com muito acerto soube demonstrar um grande empenho na descolonização portuguesa nunca foi capaz de reclamar, nos areópagos nacionais e internacionais, contra a existência, na própria Europa, de Estados que, como fruto aberrante das suas designadas Unificações, Reunificações ou Conquistas possam
continuar a manter muitas anexações e colonizações. Só Portugal é que era colonialista?
Mas que raio de esquerda! Não podia ofender nem Leste nem Oeste que, a cada qual, o que não faltava era ter colónias. Qualquer projecto de unidade europeia só terá exequibilidade democrática se cada Nacionalidade estiver traduzida por uma declarada Independência Nacional com representação própria e autónoma na ONU.
Lisboa, 21 de Maio de 2009
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