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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (47)

O Século XIX Português


M. Fátima Bonifácio


Imprensa de Ciências Sociais, 2002


Liberalismo e radicalismo possuíam fundamentos filosóficos diferentes e até antagónicos. Por trás de cada uma destas distintas correntes políticas estavam distintas concepções sobre os fins da existência individual e social e sobre as relações entre o Estado e a sociedade. Ao egoísmo individualista dos liberais, fundado numa visão do indivíduo como um ser transcendente à sociedade, os radicais (ou democratas) opunham o ideal do cidadão despido dos seus interesses particulares e inteiramente votado à res publica entendida como uma comunidade de iguais, da qual o indivíduo não era mais do que uma emanação. À protecção da liberdade pessoal exigida pelos primeiros, os últimos contrapunham a supremacia dos interesses públicos sobre os privados. Aqueles estavam sobretudo empenhados em proteger os indivíduos da ingerência estatal nas suas vidas particulares…

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Seis Estudos sobre
O Liberalismo Português

Maria de Fátima Bonifácio


Editorial Estampa, 1996

«Existe na comunidade académica portuguesa o hábito pernicioso de ignorar o que os outros fazem. As citações de trabalhos alheios, com raras excepções, servem geralmente dois únicos propósitos: exibir erudição ou autorizar opiniões cuja responsabilidade o próprio não se atreve a assumir. Quase ninguém aproveita o trabalho dos outros para o confrontar seriamente com os resultados a que cada um, encastoado na sua quadrícula, vai chegando; muito menos para corrigir eventuais enganos – que ninguém, com raras e honrosas excepções, reconhece ter cometido. Em Portugal a crítica é ofensiva dos bons costumes académicos. É tida, geralmente, por sintoma de agressividade temperamental ou por falta de boas maneiras, ou ambas as coisas combinadas. É por isso que a publicação dos mais evidentes disparates beneficia de total impunidade.
Maria de Fátima Bonifácio

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domingo, 7 de novembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (25),

Liberalismo, Socialismo, Republicanismo
(antologia de pensamento político português)

Joel Serrão

Livros Horizonte, 1979
Duas hipóteses se nos apresentavam quanto ao modo de fazer esta antologia: o respeito exclusivo pela seriação cronológica dos autores seleccionados e dos respectivos escritos, ou a tentativa de explicitar os núcleos fundamentais e sucessivos da temática e problemática políticas portuguesas no período a que este volume respeita: da instauração do liberalismo (1820) à crise do republicanismo (cerca de 1920).
Preferimos a última hipótese, que se nos afigurou mais apta a revelar o devir do pensamento cujos momentos mais significativos buscámos caracterizar e sumariar.
Para uma complementar e mais exacta situação temporal, todos os autores seleccionados são referidos pela ordem cronológica do nascimento nas notas bibliográficas que lhes são consagradas, no fim do volume.

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Lisboa no Liberalismo

Victor de Sá

Livros Horizonte, 1992


Detectar na Lisboa dos finais do milénio, a urbe do princípio do século XIX, antes ainda das profundas transformações e inovações urbanísticas que o liberalismo introduziu na capital, eis o desafio que Víctor de Sá nos propõe.
Tentar ver na Lisboa actual os limites urbanos, as localizações dos acontecimentos e as veredas por onde serpenteavam as esperanças e os furores duma época que deu início às alterações introduzidas no nosso viver quotidiano. Um quotidiano burguês e proletário, de ampla e intensa circulação, hoje, a contrastarem com a cidadezinha dos duzentos mil habitantes que eram quando a Revolução Liberal se iniciou em 1820.

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sábado, 6 de novembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (24),

Junqueiro na Berlinda


Luís de Oliveira Guimarães

Lisboa, 1950

Quando conheci pessoalmente Junqueiro andava eu à volta dos vinte anos; Junqueiro já tinha feito setenta. Um dia, numa das visitas que lhe fiz, perguntou-me a idade. Disse-lha.

– Fazemos diferença de meio século. – comentou ele. Desde então a sua generosa estima por mim acentuou-se ainda e, não obstante terem decorrido já vinte e sete anos sobre a morte do poeta, a sua figura tutelar continua a envolver-se para o meu culto dum clarão de vida.

Não sei se este livro, com as características que apresenta, significará alguma coisa para a biografia do homem e a do escritor; sei que, ao reunir estas «notas junqueirianas», me pareceu –

radiosa ilusão! – que estava a ver e a ouvir Junqueiro como se ele vivesse ainda. Dir-me-ão algumas pessoas que este livro é um livro anedótico. Mas o que é afinal a anedota senão a consagração da História!

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Lei e Ordem

Justiça Penal, Criminalidade e Polícia


(Séculos XIX-XX)

Pedro T. Almeida/Tiago P. Marques (Coordenação)

Livros Horizonte, 2006


A partir das ideias-chave de lei e de ordem (no duplo sentido de ordem-modelo e de forças da ordem) é possível traçar um dos arcos que definem o campo penal – aquele que vai da criação das normas penais e policiais ao exercício da força que estas solicitam. Os textos que constituem este livro inscrevem-se precisamente no arco temático assim definido, encontrando-se agrupados em três secções. Na primeira, é focado o problema da construção conceptual e normativa de um espaço legítimo de actuação coerciva do Estado com vista à manutenção da ordem. Os textos aqui reunidos abordam dois elementos essenciais à definição desse espaço: a codificação penal e a vítima, esta última desvalorizada no discurso oficial oitocentista sobre a criminalidade, mas fundamental para a compreensão da relação entre Estado e indivíduo. A secção seguinte centra-se na figura do criminoso enquanto sujeito social…

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O Liberalismo Português no Século XIX

Vários

Moraes Editores, 1981

Outra a evolução da política económica que enquadra a produção agrícola: os interesses de uma agricultura que, lentamente embora, se expande, sobretudo por extensificação, conseguem impor a sua força, apesar da interrupção no proteccionismo cerealífero, que vai de 1865 a 1885. Esses interesses atravessarão, sem mossa considerável, a I República e desaguarão no salazarismo.

Com efeito, a articulação proteccionismo/livre-cambismo tem, também em Portugal, raízes que ultrapassam, de largo, no tempo, antes e depois, o liberalismo do século XIX.

Elas mergulham na relação entre a economia de consumo local e a economia de troca, entre a fixação e o transporte, entre a transformação e o comércio, que longa e profundamente nos marcaram. Confronto estimulado pelas condições nas quais se processou a afirmação da nacionalidade…



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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (23), por José Brandão

Imagens do Portugal Queirosiano



Campos Matos

Terra Livre, 1976

Seja como for, mesmo que estas ruas e estas paisagens rurais sejam menos verídicas do que o real imaginário de Eça, a verdade é que o autor do Portugal Queirosiano ajuda-nos, por um lado, a rever sítios e atmosferas que o olhar de Eça visitou e fixou na tela absoluta do seu verbo, e, pelo outro, a passar em revista algumas das mais betas paisagem portuguesas. Neste sentido, o presente trabalho tem um valor intrínseco que subsistiria mesmo que não fosse mediado pelo talento de Eça: permite-nos descobrir um Portugal familiar e recôndito que a obra queirosiana transvazara para o seu mundo próprio e singular. É Portugal que aqui desfila, em dois planos: no do verbo criador de almas que foi Eça, na objectiva remadora que agora, seguindo-lhe as pistas óbvias e menos óbvias, desfila para nosso deleite e encanto.
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A Indústria Portuguesa


Subsídios para a sua História

Esteves Pereira

Guimarães Editores, 1979

A presente edição compõe-se de três ensaios publicados na revista O Ocidente.

Uma brochura de 1900 retomava os Progressos da Indústria e Sobre as Corporações com a redacção ligeiramente modificada. O estudo sobre o movimento corporativo antecedia agora o ensaio dedicado aos progressos. A paginação obedecia a um critério metodológico, como facilmente se depreende. Acompanhavam ainda a reedição onze páginas inéditas, discorrendo sobre a logografia industrial, reprodução escrita do progresso das indústrias, formando um conjunto de conhecimentos relativos ao desenvolvimento material da civilização», segundo a definição adoptada pelo autor. Decidimo-nos pela sua supressão, retomando a redacção de O Ocidente, não deixando porém de assinalar que, se a logografía está hoje ultrapassada, a preocupação de racionalizar o estudo da actividade industrial…

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Instauração do Liberalismo em Portugal

Victor de Sá

Livros Horizonte, 1987

Visão global desse período conturbado que foi no século passado a transformação da sociedade senhorial para a sociedade burguesa e capitalista, instaurada pela Revolução Liberal, neste volume interferem também os factores da descolonização americana (independência do Brasil), das interferências estrangeiras e das movimentações populares. Estas são imprescindíveis à compreensão do Portugal contemporâneo que hoje nos envolve a todos.

Considerando que a história é geralmente escrita pelos vencedores, procura-se aqui ultrapassar as limitações ditadas pelas versões de cronistas oficiais ou oficiosos. O que era a “liberdade” que eles cantavam? Quem era o “povo” que glorificavam?

Neste volume procura-se obter uma visão mais ampla dos acontecimentos relatados e explicações racionalmente mais aceitáveis.

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