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sábado, 11 de dezembro de 2010

O Reino da Traulitânia (o episódio da Monarquia do Norte)

Carlos Loures




No dia 14 de Dezembro de 1918, quando entrava na Estação do Rossio para fazer uma viagem de Estado ao Porto, o presidente Sidónio Pais foi assassinado. Com os sidonistas divididos em monárquicos e republicanos e digladiando-se entre si, as duas Câmaras, Parlamento e Senado, no dia 16 desse mês, elegeram o almirante Canto e Castro como presidente da República, seguindo a Constituição de 1911. No dia 23, o presidente convocou Tamagnini Barbosa para formar Governo.

O objectivo era desenvolver uma política prudente, de compromisso entre a direita e a esquerda, tentando evitar-se o perigo iminente de uma guerra civil. Por direita entendia-se os defensores sidonistas da «República Nova», por esquerda os que eram pela «República Velha», ou seja, pelo regresso aos princípios de 1910. No dia 3 de Janeiro de 1919, no Porto, constituiu-se uma Junta Governativa Militar, que se reivindicava da herança do sidonismo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Noctívagos, insones & afins: O homem que assassinou Sidónio Pais - por José Brandão

No que respeita ao homem que assassinou Sidónio País as coisas não são muito claras. Libertado, em 19 de Outubro de 1921, por um grupo ligado à revolta da Noite Sangrenta, só muito mais tarde José Júlio da Costa voltará a ser preso, e desta vez para sempre. Um indivíduo chamado António Maria Fernandes, morador no Bairro de Alfama, decidira dar caça ao matador de Sidónio Pais. Na posse de um salvo-conduto passado pelo Ministério do Interior, que lhe permitia, se necessário, requisitar o auxílio da Guarda Republicana, este ignorado funcionário público pôs-se a percorrer o País e, depois de ter estado em Garvão e no Algarve, consegue saber que José Júlio da Costa se encontrava numa pensão para os lados de Matosinhos, para onde se dirige, acompanhado de um irmão de Júlio da Costa.


Na sexta-feira, 14 de Janeiro de 1927, o prédio onde se situa o Hotel e Café Central de Matosinhos está cercado pela Guarda Republicana e o proprietário, Alberto Midões, não terá muitas dúvidas em resolver o assunto, entregando José Júlio da Costa aos seus captores.

sábado, 16 de outubro de 2010

Leva da Morte – 16 de Outubro de 1918

Carlos Loures




Local onde ocorreu a chacina da "Leva da morte"

92 anos depois, há quem queira descrever o consulado sidonista como um oásis de ordem no meio do caos da I República. Esquecem-se, entre outros actos de despotismo, os que pretendem branquear o sidonismo, do sinistro episódio da «Leva da Morte», ocorrido em 16 de Outubro de 1918. No ano anterior tinham acontecido muitas coisas – em Janeiro partira para França a primeira brigada do Corpo Expedicionário Português. Portugal entrava na Grande Guerra. Os contingentes continuariam a seguir para a frente de batalha. Em 25 de Abril formou-se o terceiro governo de Afonso Costa. Em Maio noticiavam-se as primeiras «aparições» de Fátima, logo aproveitadas pelas forças conservadoras.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Que República!?

José Brandão

Desde os primeiros dias do novo regime saído da revolução de 5 de Outubro de 1910 que os principais dirigentes republicanos eram vistos com preocupante desconfiança por um cada vez mais numeroso lote de críticos, de indiscutível autoridade e de comprovado passado histórico.

Poucos ou nenhum dos grandes nomes que vão assumir a condução da República em 1910 irão conseguir escapar ilesos a uma das mais formidáveis e avassaladora vaga de ataques de que há memória num regime de colegialidade governativa. Nuns casos mais justos, noutros não tanto, toda essa avalanche acusatória acabava desgraçadamente por ter sempre alguma razão de ser.

Uma paciente e interessada observação do que foram alguns desses intermináveis clamores de reprovação pode dar ideia da «doença infantil» que terá atingido, logo à nascença, a República portuguesa.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 191 e 192 (José Brandão)

Um Ano de Ditadura – Discursos de Sidónio Pais

João de Castro

Lisboa, 1924


Os canhões da Rotunda em 8 de Dezembro de 1917, dia de Nossa Senhora, sagravam o Libertador.

O que era ele e o que queria? Isso não importa. Era o Libertador. Era o homem capaz de congregar numa só energia todas as energias, num só sonho de esperança todas as desventuras. Era alguém que sozinho, desacompanhado, sem preparação nem génio político, acordou um país para a esperança de viver. Era um Messias, um desejado, mas trabalhando como devia contra as falsas ideologias, contra os estrangeiros, contra a indisciplina e a anarquia, contra a horda invasora contra tudo o que se congregara na demagogia. Era o Desejado, o entusiasmador do povo, mas ao mesmo tempo aquele que pelo seu aparecimento e existência mostraria o novo caminho.

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Um Escritor Confessa-se

Aquilino Ribeiro

Livraria Bertrand, 1974

Penso às vezes – por poesia, claro está – que talvez tivessem cometido esse intrigante e ilógico disparate por respeito fidalgo pela população lisboeta – em 1919 republicana até ao fundo dos ossos. Pressentiram possivelmente que seria criminoso conquistar pela astúcia uma cidade em que os homens e as mulheres, quando tomaram consciência da situação, vieram para as ruas aos gritos de horror entusiástico, a rebuscar nos museus e nos recantos dos alçapões as poucas armas existentes.

Qualquer servia para os grupos combatentes improvisados: mosquetes com azebre, espetos de assar carne, bacamartes de carregar pela boca, pistolões ferrugentos, paus de vassoura afiados e, principalmente, essas espantosas balas de água que são as duras lágrimas dos olhos determinados.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 185 e 186 (José Brandão)


A Situação Política

Alfredo Pimenta

Lisboa, 1918

…como o regímen republicano que é diferente da pessoa do sr. Sidónio Pais, não merece confiança á Nação, esta, nas eleições de 28 de Abril, manifestando-se como se manifestou, deu provas evidentes do seu sentir monárquico, cercando os deputados e senadores, monárquicos de uma votação bem significativa.

A situação politica só se esclarecerá definitivamente no dia em que a Nação puder responder livremente á pergunta que se lhe faça sobre as instituições politicas que prefere. Por ora, sabemos isto apenas: a Nação é conservadora, e aclama quem lhe garantir, eficazmente e honradamente, o princípio da Autoridade. Nada mais.

l0 de Maio de 1918.
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Suicídios Famosos em Portugal

José Brandão

Europress, 2007

As histórias dos suicídios aqui apresentadas são apenas uma parte de tantas outras que ocorreram durante esse período que medeia entre o início da segunda metade do século XIX e vai até aos anos Trinta do século XX.

São figuras que se destacaram nos diversos campos da vida nacional e que optaram por pôr termo à vida recorrendo ao suicídio.

Apresentadas em dois blocos, em que o primeiro, de José Fontana a Florbela Espanca, contem exposição mais detalhada de cada uma das histórias, esta relação de 17 suicidas famosos ocupa a maior parte deste trabalho.

O segundo bloco, que começa em 1856 e se estende até 1934, resume-se a pequenas notas de cada uma das 30 ocorrência expostas.

São pois, um total de 47 vultos envolvidos num final de vida que é comum a todos eles.

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domingo, 26 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 183 e 184 (José Brandão)

A Sinfonia da Morte

Carlos Loures

Âncora Editora, 2008


A Sinfonia da Morte , terceiro romance do autor, utilizando como pano de fundo o tema do Regicídio de 1908 e a escaldante situação política em Portugal na primeira década do século XX, traça-nos uma interessante trama ficcionística, onde são colocadas questões eternas, tais como a existência ou a inexistência de Deus, a prevalência (ou não) do amor sobre os interesses materiais, a vitória ou a derrota da bondade na sua luta contra a ferocidade que o homem herdou da sua condição animal. Esta obra é uma co-edição com as Edições Colibri.

Carlos Loures nasceu em 1937 em Lisboa. Entre 1958 e 1960, foi um dos organizadores da Revista Pirâmide, na qual colaboraram numerosos escritores. Com Manuel Simões, organizou uma série de antologias temáticas de poetas portugueses. Talvez um Grito (1985) e A Mão Incendiada (1995), são as suas anteriores incursões no território da ficção.

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A Situação Política

Alfredo Pimenta

Lisboa, 1918


…como o regímen republicano que é diferente da pessoa do sr. Sidónio Pais, não merece confiança á Nação, esta, nas eleições de 28 de Abril, manifestando-se como se manifestou, deu provas evidentes do seu sentir monárquico, cercando os deputados e senadores, monárquicos de uma votação bem significativa.

A situação politica só se esclarecerá definitivamente no dia em que a Nação puder responder livremente á pergunta que se lhe faça sobre as instituições politicas que prefere. Por ora, sabemos isto apenas: a Nação é conservadora, e aclama quem lhe garantir, eficazmente e honradamente, o princípio da Autoridade. Nada mais.

l0 de Maio de 1918.
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Noctívagos, insones & afins - Se eu não me sentisse confuso de como fui feito

Raúl Iturra

...o que um filho diria a um pai que se importa com ele, toma conta e é feliz…por ter um pai por perto….e não compra o filho e vai-se embora….ensaio de etnopsicologia da infância…

À minha descendência


Feito

Porque de certeza não foi o espírito que me criou. Faz já dez anos. Não foi o espírito que entrou no corpo da minha mãe e depositou aí o meu corpo. Diz a minha mãe que foi ela quem me trouxe ao mundo. Que me pôs neste mundo. Que me deu à luz. Que entregou o meu corpo à família e ao pai. E aos vizinhos. Que me viram no dia do baptismo. Diz a mãe que me levou-me no seu ventre durante cumprido tempo. Diz a mãe. A mãe sempre diz todo o que ela sofreu comigo dentro. Diz que sofreu por ter que acordar à noite para me amamentar. Diz a mãe que teve de mudar as minhas fraldas milhares de vezes quando era pequeno e não sabia usar penico. Diz a mãe.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa - 5

(Continuação)

Cena 5

1ª reunião dos conspiradores

(Reunião de conspiradores monárquicos. Padre Lima, Gastão de Matos, Carlos Pereira, Abel Olímpio ,Rudolph, agente alemão)

Gastão de Matos – O nosso movimento está mais forte do que se julga.

Carlos Pereira – Mas eu não vejo os pequenos comerciantes e industriais a reagir, não vejo essa gente a lutar pela monarquia.

Gastão de Matos – Não lutam pelo Rei, mas calam-se se a gente ganhar. Para esses, basta dar-lhes umas encomendas de meia tijela e começam logo a dizer que somos os salvadores da Pátria! (Risos).

Carlos Pereira – não tenho a certeza disso.

Gastão de Matos – é porque anda distraído. Essa gente que veio da ralé tem ódio aos mais pobres porque eles lhes lembram o buraco de onde sairam. É por isso que se juntam a nós; invejam-nos, mas andam da mão estendida à procura da migalha. E também querem mais polícia para os defenderem dos que são mais pobres que eles!

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 179 e 18 0 (José Brandão)

Sidónio Pais

Ídolo e Mártir da República

Rocha Martins

Bonecos Rebeldes, 2008

Na redacção da Luta, pelas noites quentes de Agosto, o senhor Brito Camacho jogava o bluff no jardim coberto, e pela sua frente, em cumprimentos respeitosos, passavam oficiais, de todas as Armas, alguns fardados, que iam conspirar com Sidónio Pais. O chefe unionista, fingindo-se atento às cartas, enviesava o olhar para essa gente nova que chegava, cheia de fé, e num furor mal contido contra o Governo democrático.

Desde 1913 que se amontoavam revoltas, se excitavam ânimos, se soltavam cóleras, se faziam envolvimentos, de todos os partidos, sempre fracassados, o que enchia de orgulhosa força os detentores do Poder e os fazia aguardar, desdenhosos e audazes, as explosões da rua, para as dominar aumentando o seu prestígio.

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O Sidonismo e o Movimento Operário Português

António José Telo

Ulmeiro, 1977

É inútil realçar a importância dos anos de 1917-1919 a nível da história mundial. Já na história portuguesa, contudo, a sua importância é geralmente desprezada, apesar de os acontecimentos então vividos terem então marcado profundamente todo o século XX português.

Em Dezembro de 1917, Sidónio Pais, oficial do exército praticamente desconhecido, é levado por um golpe militar vitorioso ao lugar cimeiro da política portuguesa, apoiado num amplo bloco de classes possuidoras, e mesmo no proletariado durante os primeiros meses. O que parecia ser mais um vulgar golpe militar não tarda muito em transformar-se numa experiência politica única e insólita em Portugal e mesmo no mundo, cujo total alcance só poderia ser compreendido a posteriori.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa - 4

(Continuação)

Cena 4


Ódios e necessidades



(Reunião de senhoras a tomar chá)

Ciclorama laranja, camponeses trabalham em contra-luz)



Condessa de Ficalho (com um rosário) - Deus me perdoe, não posso mais com tanta miséria que se vê aí pelas ruas.

Condessa de Tarouca – É no que deu esta República: crimes, roubos e fome.

Berta Maia – Desculpem, minhas amigas. Porquê acusar sempre a República? A miséria vem de muito longe, das injustiças que a monarquia praticava.

Condessa de Ficalho– Minha querida Berta, sei que é difícil, mas pense um pouco. Quem fez Portugal? Quem conquistou? Quem derrotou hereges? Quem espalhou a fé e o império? Fomos nós.

Condessa de Tarouca – Não é natural que tanto esforço tenha compensação? Queria que distribuíssemos riquezas pelos labregos e pelos cobardes que não derramaram o sangue na faina heróica dos nossos antepassados? Coma! Coma!

Condessa de Ficalho– Onde é que já se viu isso? Queria que os filhos dispersassem a fortuna que os pais lhes deixavam?

Condessa de Tarouca – Que falta de sensatez, minha amiga.

Berta Maia – Deus diz-nos para olharmos para os pobres e infelizes, e para remediarmos as desigualdades deste mundo.

Condessa de Tarouca – e por isso nós fazemos estes chás de caridade.

Condessa de Ficalho– E o que fazem os republicanos, os bolcheviques, quando nós queremos ir por esse caminho?

O que fizeram ao Sidónio Pais que tinha criado a sopa para os pobres e que, abençoado por Deus, ia pelos hospitais confortar os doentes da pneumónica?

Abateram-no com um tiro, como se faz a um cão raivoso.

A miséria moral dos paizinhos...


Na noite de terça para quarta assisti a algo de indescritível num dos canais da Sportv. Uma reportagem de um combate de kickboxing entre crianças, com idades bastante baixas, de certeza entre quatro e seis anos. O "combate" disputou-se no Casino Solverde, penso que em Espinho, e o que vi foi verdadeiramente lamentável. As duas crianças davam murros e pontapés e uma delas, a mais pequena, olhava permanentemente para fora das cordas tentando encontrar, concerteza, o pai. Bem triste. As imagens não dignificaram nem o desporto nem todos os que colaboraram naquele triste espectáculo.

Essa tristeza, aí em cima , que fui buscar ao" Todos Somos Portugal" do Carlos Godinho, é o resultado de os paizinhos quererem à força que os filhos lhes preencham as frustações que lhes ficaram de, eles próprios, não terem tido a coragem de andar ao murro e ao pontapé .É ver os miúdos a correr para os treinos de captação de talentos dos grandes clubes; ver os miúdos e miúdas em filas de espera à porta dos "castings" para novelas e filmes; para modelos, enfim, para tudo que dê dinheiro sem trabalho,sem estudar, para preencher o ego e a vaidade aos paizinhos.

Em muitas reuniões de pais eu ficava chocado com o que os pais diziam sobre o que queriam para os filhos, nenhum falava em alegria de viver, ser feliz, deixar os miúdos serem miúdos, todos queriam que o filho fosse o próximo Einstein...

Nestas condições, sonhos perdidos, amargura quanto baste, acabam na violência, no abandono escolar e na droga.

Há bem pouco tempo lemos na imprensa o desejo de uma jovem de catorze anos, com o apoio incondicional dos pais, querer dar a volta ao mundo num veleiro, sozinha, meteu tribunais e tudo o que é comunicação social, tudo o que contribua para que, no fim da aventura, se tudo correr bem, o livro que se vai escrever venda muito e bem, que os convites para os shows televisos sejam pagos milionariamente e que ,os paizinhos fiquem muito orgulhosos de terem posto a vida da filha em perigo com a sua estupidez e a bolsa cheia ...


sábado, 4 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 139 e 140 (José Brandão)


Perfil de Sidónio Pais

Bruno de Montalvão

Lisboa, 1942

Sidónio Pais ocupa lugar de relevo no conjunto de valores da nossa Raça.

O seu nome pode inscrever-se na galeria dos mártires e, por isso, tem um lugar escolhido no meu coração,

Nunca recebi qualquer benesse da política ou da obra sidonista e no entanto, à medida que o tempo passa mais se afervora o meu culto e a minha admiração por essa nobre figura de português.

Se este pequeno e singelo preâmbulo à «Vida e Obra de Sidónio Pais», trabalho a que pacientemente me tenho dedicado, for agora bem acolhido pelo público, não me furtarei a lançar à luz da publicidade essa obra em que procuro focar, com a maior clareza possível, a vida, a obra e as intenções do desventurado Presidente.

O AUTOR

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O Poder e o Povo

(A Revolução de 1910)

Vasco Pulido Valente
Moraes Editores, 1982

Da revolução de 1820 à queda da Monarquia, em 1910, a Coroa apoiou invariavelmente os partidos moderados «cartistas» contra o perigo do jacobinismo urbano. E excepto por breves intervalos, estes conseguiram prevalecer sobre as forças «democráticas» e radicais, a que apenas se aliaram nos mais negros dias da guerra civil Entre 1847 e 1852, a esquerda pequeno-burguesa dissolveu-se em dúzias de facções impotentes ou foi absorvida e domada pela Regeneração. A nova burguesia terra-tenente, financeira e comercial dos «barões» liberais dominou o Estado, quase sem desafio, até 1903-1905. Os médicos, advogados, professores, oficiais, funcionários públicos, comerciantes, pequenos empresários da indústria oficinal e médios proprietários rurais, que haviam dirigido a ala intransigente do «Vintismo», a revolução de Setembro e a revolta da Patuleia ficaram sessenta anos numa posição subordinada.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 131 e 132 (José Brandão)

Paixão e
Morte de Sidónio
Visconde do Porto da Cruz

Funchal, 1928

O Outono descia rápido, anunciando que se avizinhava um inverno rigoroso…
Sintra estava adorável e eu gozava aquelas ferias inesperadas, após tantos meses agitados com boatos e prevenções…
Quando reabririam as aulas na Escola de Guerra? Que importava? Abrissem quando abrissem era sempre a tempo. E no entanto ia-se gozando aqueles dias de doce tranquilidade. Mas de súbito o boato de novas tentativas do Partido Democrático vem quebrar aquele paradisíaco sossego…
De facto não tardou que rebentasse uma forte agitação revolucionaria no Barreiro, que o Porto, Coimbra e Lisboa tentaram secundar… Procurei os Camaradas que tinham, como eu, ido para Sintra e concertámos na forma de mais rápida e eficazmente chegar a Lisboa…

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Para a História da Maçonaria em Portugal
1913-1935

António Carlos Carvalho

Vega, 1976

Várias razões nos levaram a escrever este livro: um interesse muito grande, desde sempre, por estes assuntos: a noção de que está tudo, ou quase tudo, por dizer e esclarecer; a consciência de que a Maçonaria só tem sido apresentada parcialmente aos profanos; a verificação de que era importante continuar a obra de Borges Grainha, «História da Franco Maçonaria em Portugal» que se detém no ano de 1922, e incidir no período 1913 1935, ou seja, até à proibição das actividades das sociedades secretas, decretada pelo Governo de Salazar.
De 1935 até Abril de 1974, pouco se sabe acerca da acção da Maçonaria, a não ser que a Ordem nunca deixou de existir, apesar da forte repressão policial. Esse facto foi, aliás, confirmado recentemente pela própria Maçonaria, ao reclamar publicamente a propriedade do prédio da Travessa do Guarda-mor, em Lisboa, onde existia o Grémio Lusitano.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 88 (José Brandão)

A Igreja Católica e Sidónio Pais

Cunha e Costa

Coimbra Editora, 1921

Essa hora virá, ma só quando a Providência entender que a expiação colectiva suficientemente resgatou os graves pecados de que nenhum de nós está inocente.

Estou, entretanto, convencido, de que a tragédia da noite de 14 de Novembro de 1918 muito contribuiu para adiantar essa hora.

Em torno dessa memória se está lenta mas seguramente, refazendo a Nação, como, devagar, mas com firmeza, após Alcácer-Quibir se refez.

O erro dos que ainda hoje a mera invocação do seu nome enfurece, consiste em não se aperceberem de que o chamado Sidonismo não pôde ser um partido político precisamente porque é a religião cívica de todos os bons portugueses.

Assim considerado, ele é invencível. Pode-se, em rigor, exterminar uma facção politica;

segunda-feira, 26 de julho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 83 e 84 (José Brandão)


istória Política de Portugal 1910-1926

Douglas L. Wheeler

Publicações Europa-América, s. d.

No breve espaço de tempo entre a monarquia constitucional (1834-1910) e o regime emergente da Revolução Nacional, em 1926, Portugal teve quarenta e cinco governos sucessivos. A Primeira República foi o regime parlamentar mais instável da Europa ocidental.

As hipóteses da sua sobrevivência eram poucas. O País sofreu com a desorganização económica e social sem precedentes, com a violência pública e com os constantes pronunciamentos militares-revolucionários. A desvalorização da moeda e a inflação foram de longe as piores dos tempos modernos. Por volta de 1926, restavam à República muito poucos apoiantes.

É sobre este período turbulento que o Prof. Douglas L. Wheeler se debruça.

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O Homem Que Matou Sidónio Paes

Alberto Franco


Paulo Barriga

Guerra & Paz, 2008

Lisboa, 14 de Dezembro de 1918: pela primeira vez, o leitor pode viajar no tempo e seguir os últimos passos do Presidente-Rei através do homem que mudou, para sempre, o rumo da história do século XX português: José Júlio da Costa, o homem que matou Sidónio Pais.

Escrito numa linguagem simples e acessível, apoiado numa investigação de fundo de Alberto Franco e Paulo Barriga, este é um relato único e inédito, que o fará reviver a empolgante história do assassino do Presidente-Rei.

No momento em que se assinalam 90 anos sobre a morte de Sidónio Pais, aceite o nosso convite e embarque nesta viagem.

domingo, 27 de junho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 41 (José Brandão)


Elogio Académico ao Dr. Sidónio Pais

Fernandes Costa

Lisboa, 1919

Sidónio Pais, o malogrado Presidente da Republica, que a mão criminosa de um desvairado prostrou sem vida, quando desta e do seu pessoal prestigio tantos problemas nacionais dependiam, tornados agora a ser outras tantas interrogações temerosas e sinistras, era um sábio, um estudioso, um pensador, um homem de gabinete, um professor; e, fundamentalmente, um académico; embora não tivéssemos a honra, ainda, de engrandecer a relação luminosa dos antigos e modernos membros desta Academia, com o seu nome ilustre.

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domingo, 20 de junho de 2010

Reinaldo Ferreira, o Repórter X

Carlos Loures



Em Agosto de 1914, na redacção de «A Capital», foi admitido um rapazinho com 17 anos. Garibaldi Falcão, jornalista veterano, fora encarregado de o guiar no começo da profissão, mas estava preocupado com o que chegava sobre a Grande Guerra que deflagrara dias antes, em 28 de Julho. Vendo o jovem inactivo, perguntou-lhe: «Ouça lá, o menino já fez fogos?» Pensando que o estavam a tomar por um pirómano, Reinaldo Ferreira, indignado, respondeu: «Não senhor!». Desfeito o equívoco, após uma gargalhada geral dos redactores, lá foi fazer a sua primeira reportagem, a cobertura de um fogo posto, na Rua D. Estefânia. Chamava-se Reinaldo Ferreira e nasceu em Lisboa em 10 de Agosto de 1897. Foi repórter, novelista, dramaturgo e até realizador de cinema. Começou a escrever nos jornais com doze anos. Aos vinte, era considerado o maior repórter português.

Como, a princípio, só lhe davam incêndios, furtos, casos insignificantes… - começou a inventar reportagens sensacionais. Em 1917, horrorizou os leitores com um crime na Rua Saraiva de Carvalho, que metia um cadáver, criminosos encapuçados, pormenores misteriosos e macabros e um sinistro «homem dos olhos tortos» – a história ia saindo n”O Século sob a forma de cartas assinadas por um tal Gil Góis e atingiu tal impacto entre os leitores que o jornal achou melhor revelar que tudo não passava de ficção. Mesmo assim, a história prosseguiu e o interesse dos leitores manteve-se até ao desfecho, à semelhança do que acontecera cinquenta anos antes com o folhetim de Eça e de Ramalho - «O Mistério da Estrada de Sintra».

domingo, 6 de junho de 2010

A República nos livros de ontem nos livros de hoje - 9 (José Brandão)

A Cadeira de Sidónio
Ou a Memória do Presidencialismo

José Freire Antunes

Publicações Europa-América, s. d.

Onde ia esse homem buscar um tal fascínio?
Durante muitos anos, depois da sua morte, continuaram a acender-se lamparinas de azeite em sua memória. Nas juntas de freguesia do interior viam-se fotografias de Sidónio penduradas na parede, ao lado das de Salazar.
A sua figura tem sido evocada nestes anos de brasa, em que o espectro da I República vem pairando sobre o Terreiro do Paço, São Bento e Belém, antigo triângulo da classe política.
Forçadas analogias irrompem da pena dos colunistas mais avisados. Brande-se o risco do sidonismo para vestir uma pele de autocrata ao actual presidente da República. E este já se viu obrigado a jurar: nunca os caminhos de Sidónio trilharei.
É sabido como Fernando Pessoa viu em Sidónio
Pais, num clássico poema, o chefe nacional em que, por uma efémera hora, «encarnou el-rei Dom Sebastião»

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Apresentando José Brandão



José Augusto de Jesus Brandão, nasceu em Lisboa em 1948. Operário metalúrgico, entre 1969 e 1971 esteve na guerra em Moçambique. Ligado à ARA a partir de 1972, participou em diversas operações de reconhecimento de objectivos. Esteve preso pela PIDE em 1973. Após a revolução de Abril, foi empregado na Carris e dirigente sindical. Militante do PS, foi membro da Comissão Nacional entre 1980 e 1988 e, entre 1985 e 1987, pertenceu à Comissão Política.

Historiador, especializado na violência armada no período contemporâneo, tem uma vasta obra publicada, da qual se salienta: Sidónio – Ele Tornará Feito Qualquer Outro (1.ª ed. 1983), Carbonária – O Exército Secreto da República (1.ª ed. 1984), 100 Anos por 1 Dia, (1987), A Noite Sangrenta (1991),Suicídios Famosos em Portugal (2007); Portugal Trágico – O Regicídio,(2008), Cronologia da Guerra Colonial (2008) e A Vida Dramática dos Reis de Portugal ( 2008).

Baseada na sua obra Suicidios Famosos em Portugal, iniciaremos amanhã a publicação de uma série de textos sobre o tema. Os textos que aqui apresentaremos, revistos e alterados pelo autor, são diferentes da edição de 2007.