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domingo, 5 de setembro de 2010

Amar na Galiza e em Portugal - 2, por Raúl Iturra

Cooperativas que têm auxilio de veterinários e técnicos agrícolas, que ensinam a genética das vacas, dá créditos para a construção de estábulos, muito diferentes das quadras medievais, que serviam para animais e aquecimento das casas. Quadras que desaparecem, como o trabalho manual, que passa a ser feito com tractores. Mas a maquinaria não pode ser parte do uso de uma população habituada ao trabalho em grupo, em carro de bois, em carro de mão, com tempo largo para fazer, com tempo curto para cumprir.

E mais curto ainda, para criar uma nova filharada a aprender o uso industrial da agricultura. Diz Pepe de Taboada, o parente de Pilar e o meu amigo por anos, de que é preciso aposentar cedo, para dar lugar aos mais novos ao entendimento do que é agora produzir e fazer as contas. Era mais claro saber a genealogia de uma vaca, do que a da própria família. Por isso é que para Pilar e família, é uma novidade procurar na história dos seus antepassados, quando a estudamos em 1998. Como é para Pepe de Taboada, já nada habituado a gastar tempo em falar da mamã, do papa, dos tios e primos. Estudo que tinha feito na escola quando o professor mandou inquirir a genealogia dos estudantes. Agora, era a genealogia da vaca, para saber raças, cuidados, possíveis doenças, litros que podem dar por dia e qual a época do ano em que esses litros podem ser produzidos. Todo feito, dentro da industria que a cooperativa privada por eles instalada e tributaria da internacional Feiraco de Pontedeume, instala para eles, a conta do que virá a ser produzido a futuro.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O crescimento das crianças

 Raúl Iturra

Capítulo 6


Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva.

Século XXI

Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados estes últimos anos. É evidente de que cada um deles, está intimamente ligado a mim, a causa da pesquisa e do prazer retirado do convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também, que a mudança que nos três tem é material acontecido, bem como elas estão todas ligadas entre si e como elas estão ligadas. Não apenas pela economia mundial, bem como pela memória do tempo. Cada um deles, como indicara persistentemente em cada capítulo, acaba por fazer deles lugares diferentes. Visitados, também, por um antropólogo diferente, que com a experiência de investigação, vai mudando. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e pensamento. Pensei que em Chile era possível falar com liberdade. E não era certo. Os Picunche que conheci antigamente como inquilinos e cujos sindicatos colaborei a formar nos anos sessenta, são hoje em dia pessoas individuais e autónomas, uma quase empresa individual e autónoma. A única forma de eles sobreviverem ao contexto sócio - histórico que têm vivido, e vivem. As famílias solidárias e submetidas ao patrão, parecem não existir. Ou são patrões eles próprios, ou empregados que já não aceitam o nome de jornaleiro, embora o sejam no que diz respeito a horas de trabalho e ordenados. O matrimónio endogámico tem-se aprofundado e, por causa do hábito, tem passado a ser uma necessidade económica. A mudança é tão substancial que abre uma certa liberdade às pessoas para se juntarem e viverem como casados, sem contrato primeiro, a seguir passou-se ao contrato e ao sacramento, que dão a segurança da propriedade da união entre duas pessoas. Matrimónios realizado com separação de bens, pactuada antes do casamento, com acta de capitulações. Um matrimónio dito a prova, é dizer, com relações íntimas antes do contrato. O que acaba por levar ao amor entre casais. A herança, é resultado da aplicação do Código Civil, partilhas para todos por igual, e melhoras para os filhos mais requestados para os pais. Esses filhos, com todo, estão a abandonar a agricultura e o trabalho pesado das indústrias. Hoje em dia não se vê jovem nenhum a trabalhar no campo, excepto a colaborar com os pais de uma geração anterior na terra própria. Não há casa em Pencahue, que não tenha uma descendência habilitada pelos estudos pagos por eles próprios, enquanto trabalham em cafés, bombas de gasolina, u outros sítios transitórios. Os jovens que entram no século XXI, sabem que todos trabalhos são transitório e subordinado a contrato.

domingo, 29 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra
Portugal é um país em permanente transição, referido ao longo deste cumprido texto, escrito para o melhor sítio de debate académico. Até a entrada dos Bonapartistas no Século XIX, a começos do Séc. XX, toda terra era do Rei. Fosse quem for o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava jà pousada jà na cabeça da imagem da Nossa Senhora em Vila Viçosa. Por séculos. A terra era conquista da Coroa, a partir de Afonso Henriques. Excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos pelos benefícios que este dava. A entrada dos Bonapartistas, acabada na guerra Peninsular e com a perca das guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Pregou o acabamento do contrato da enfiteuse. Bem como o fim do Morgadio, esse que transferia as terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera tinha lutado pela sua abolição (1845), e foi expulso a causa da sua revelia. Como Verdi, na Itàlia (1859), o que o levou ao Parlamento constitucional mais tarde. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham, e não do direito de raiz, esse quarto direito da lei visigótica, jà definido. Lei que dava direito aos proprietàrios que viverem dos rendimentos acumulados na colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros.

sábado, 21 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra

1-Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trinta e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Amar na Galiza e em Portugal - ensaio de etnopsicologia da infância (3)

Raúl Iturra

C- Anabela
Hoje é professora primária em Cinfães, Viseu. Em pequena estudou nos textos pós 25 de Abril. Novos ainda. Nos seus 35 anos de hoje, casada e mãe, aos seis começou ir a escola local de Vila Ruiva, com uma professora de Mangualde, Dona Isilda, até que no seu quarto ano de primária, o Professor Messias foi o seu mestre. Os pais longe, na Alemanha, eram a avô Conceição Vidigueira que tomava conta da sua pessoa e dos seus estudos. Esses que continuou no ciclo preparatório desses anos, na Vila de Nelas, no ano 83, vila onde fez os seus estudos secundários entre os anos 84 e 92. Levou mais um ano do que é habitual, devido a que tinha, como já sabemos, que tomar conta do trabalho do café do pai, do café da família. Durante o dia.