(Enviado de Marrocos por José Magalhães)
The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.
As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-year phase-in plan that would become known as “Euro-English”.
In the first year, “s” will replace the soft “c”.. Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard “c” will be dropped in favour of “k”. This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter.
There will be growing publikenthusiasm in the sekond year when the troublesome “ph” will be replaced with “f”.. This will make words like fotograf 20% shorter.
In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.
Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.
Also, al wil agre that the horibl mes of the silent “e” in the languag is disgrasful and it should go away.
By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as replasing “th” with “z” and “w” with “v”.
During ze fifz yer, ze unesesary “o” kan be dropd from vords kontaining “ou” and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensi bl riten styl.
Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi TU understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.
Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas.
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domingo, 28 de novembro de 2010
Semana da Economia - temos mesmo que ser pobres?
Luis Moreira
A verdade é que a grande maioria dos países é bem menos abastada que nós. Portugal encontra-se entre os 25% dos países mais ricos do mundo. Mais concretamente, em 2000, entre 207 países, Portugal era o 49º mais rico. De facto, se à grande maioria dos povos fosse dada a oportunidade de emigrar para Portugal, milhões de seres humanos viriam bater-nos à porta.
Então porque pertencemos ao grupo dos PIGS da Europa? Porque na Europa há bem melhor do que nós e não há razão nenhuma de não estarmos ao nível deles. A verdade é que ainda temos bolsas de pobreza que nos envergonham, mas globalmente estamos longe de ser um país pobre.
Mas a história ensina-nos coisas muito curiosas. Nunca tivemos um supéravit na balança comercial (diferença entre exportações e importações)isto é, comemos sempre mais do que produzimos. E como equilibramos nós as contas? Primeiro com as especiarias das índias, depois com o ouro do Brasil, mais tarde com as remessas dos emigrantes, a seguir com os fundos vindos da UE e, agora, com os empréstimos que pedimos lá fora, mas que não há mais.
Como sair daqui? É isso que queremos discutir. São as grandes obras que nos safam? Ou é um tecido empresarial moderno e virado para a produção de bens transaccionáveis? É cortar nos vencimentos dos trabalhadores, reduzindo a procura interna? É piorar a vida aos pensionistas?
A dívida não representa o mesmo para países que crescem a 4% ou para outros, como o nosso, que cresce abaixo dos 1%. É nessa (in)capacidade de criar riqueza e de ter excedentes para pagar a dívida, que Portugal representa para os credores um risco e, claro, aproveitam-se disso para nos fazerem pagar altas taxas de juro.
A verdade, é que desde a entrada dos fundos comunitários que temos tido ciclos sucessivos de obras públicas, de dez em dez anos, construímos infraestruturas que não dão o retorno necessário para a economia crescer.Há que mudar de modelo económico, apostar na produção de bens transaccionáveis, fortalecer a exportação e substituir importações. Este modelo exige perseverança, estratégia, é bem mais dificil do que dar à manivela das betoneiras.
A verdade é que a grande maioria dos países é bem menos abastada que nós. Portugal encontra-se entre os 25% dos países mais ricos do mundo. Mais concretamente, em 2000, entre 207 países, Portugal era o 49º mais rico. De facto, se à grande maioria dos povos fosse dada a oportunidade de emigrar para Portugal, milhões de seres humanos viriam bater-nos à porta.
Então porque pertencemos ao grupo dos PIGS da Europa? Porque na Europa há bem melhor do que nós e não há razão nenhuma de não estarmos ao nível deles. A verdade é que ainda temos bolsas de pobreza que nos envergonham, mas globalmente estamos longe de ser um país pobre.
Mas a história ensina-nos coisas muito curiosas. Nunca tivemos um supéravit na balança comercial (diferença entre exportações e importações)isto é, comemos sempre mais do que produzimos. E como equilibramos nós as contas? Primeiro com as especiarias das índias, depois com o ouro do Brasil, mais tarde com as remessas dos emigrantes, a seguir com os fundos vindos da UE e, agora, com os empréstimos que pedimos lá fora, mas que não há mais.
Como sair daqui? É isso que queremos discutir. São as grandes obras que nos safam? Ou é um tecido empresarial moderno e virado para a produção de bens transaccionáveis? É cortar nos vencimentos dos trabalhadores, reduzindo a procura interna? É piorar a vida aos pensionistas?
A dívida não representa o mesmo para países que crescem a 4% ou para outros, como o nosso, que cresce abaixo dos 1%. É nessa (in)capacidade de criar riqueza e de ter excedentes para pagar a dívida, que Portugal representa para os credores um risco e, claro, aproveitam-se disso para nos fazerem pagar altas taxas de juro.
A verdade, é que desde a entrada dos fundos comunitários que temos tido ciclos sucessivos de obras públicas, de dez em dez anos, construímos infraestruturas que não dão o retorno necessário para a economia crescer.Há que mudar de modelo económico, apostar na produção de bens transaccionáveis, fortalecer a exportação e substituir importações. Este modelo exige perseverança, estratégia, é bem mais dificil do que dar à manivela das betoneiras.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Soluções ex-presidenciais
Rolf Damher
Não costumo ver os programas televisivos que mostram os habitantes da “casa sem pão” a digladiarem-se com questões fúteis que nada têm a ver com a solução dos problemas.
Ontem, curioso pelo que os três antigos Presidentes da República teriam a dizer sobre a crise em geral e a crise portuguêsa em particular, abri uma excepção – e não fiquei desiludido. Sem me lembrar das palavras exactas de cada uma das personalidades, a seguir cito as afirmações mais centrais de cada uma delas, em resposta à pergunta o que Portugal deve fazer para criar um novo desígnio que lhe permita saír da crise: -
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Reformas escandalosas na UE!
Luis Moreira Embora sendo um europeísta convicto a verdade é que não vale tudo! Foi aprovada a aposentação aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês. Sim, leu correctamente! Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental ...),os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha ..) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar. |
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Notas de cêntimo (11) - Basileia III
Carlos Mesquita
O Comité de Basileia, composto por 27 bancos centrais, acordou no domingo novas regras para o sector bancário. Fundamentalmente, os reguladores financeiros exigem que a banca aumente progressivamente as suas reservas de capital. Ao contrário do que se passa com os deficits excessivos dos países da União, que são para reduzir de imediato, independentemente da situação das economias desses povos, para a banca foi dado um prazo alargado “para não criar problemas à economia”. Numa originalidade aritmética da regulação financeira o prazo é de seis anos mas só a contar de 2013, até 2019, portanto iniciam a introdução das novas regras daqui a 2 anos e picos, o que dá contando pelos dedos 8 anos e três meses. A banca aplaudiu, tendo no entanto a Associação Portuguesa de Bancos lamentado a baixa rentabilidade da banca, que segundo sabemos tem lucros (os cinco maiores nacionais) de 4 milhões de euros diários. A banca nacional é dos principais responsáveis da “dificuldade de obter liquidez nos mercados internacionais” pelo seu papel na economia; correndo riscos desnecessários no crédito ao consumo e negando ou levando juros incomportáveis no financiamento da actividade produtiva. São muitos os casos nos últimos anos de tirar financiamentos para a aquisição de matérias-primas, a empresas com encomendas firmadas, levando assim ao seu encerramento.
O Comité de Basileia, composto por 27 bancos centrais, acordou no domingo novas regras para o sector bancário. Fundamentalmente, os reguladores financeiros exigem que a banca aumente progressivamente as suas reservas de capital. Ao contrário do que se passa com os deficits excessivos dos países da União, que são para reduzir de imediato, independentemente da situação das economias desses povos, para a banca foi dado um prazo alargado “para não criar problemas à economia”. Numa originalidade aritmética da regulação financeira o prazo é de seis anos mas só a contar de 2013, até 2019, portanto iniciam a introdução das novas regras daqui a 2 anos e picos, o que dá contando pelos dedos 8 anos e três meses. A banca aplaudiu, tendo no entanto a Associação Portuguesa de Bancos lamentado a baixa rentabilidade da banca, que segundo sabemos tem lucros (os cinco maiores nacionais) de 4 milhões de euros diários. A banca nacional é dos principais responsáveis da “dificuldade de obter liquidez nos mercados internacionais” pelo seu papel na economia; correndo riscos desnecessários no crédito ao consumo e negando ou levando juros incomportáveis no financiamento da actividade produtiva. São muitos os casos nos últimos anos de tirar financiamentos para a aquisição de matérias-primas, a empresas com encomendas firmadas, levando assim ao seu encerramento.
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domingo, 5 de setembro de 2010
Hammas boicota negociações à bomba!
Luis Moreira
Sob a égide dos US, UE, e Rússia foi possível estabelecer um programa de negociações, tendo em vista chegar à paz na Palestina. O Hammas renunciou liminarmente essa possibilidade negando sentar-se à mesa e levou a efeito um atentado matando quatro Israelitas civis, uma das quais grávida.
O objectivo é óbvio e não vale a pena adocicar ou justificar este terror com outros terrores.O Presidente da Autoridade Palestiniana é um dos interlocutores nas negociações, aceitou sentar-se à mesa, num processo que dura há mais de um ano.Há pois, garantias, por pequenas que sejam para se tentar, ao menos tentar!
Sob a égide dos US, UE, e Rússia foi possível estabelecer um programa de negociações, tendo em vista chegar à paz na Palestina. O Hammas renunciou liminarmente essa possibilidade negando sentar-se à mesa e levou a efeito um atentado matando quatro Israelitas civis, uma das quais grávida.
O objectivo é óbvio e não vale a pena adocicar ou justificar este terror com outros terrores.O Presidente da Autoridade Palestiniana é um dos interlocutores nas negociações, aceitou sentar-se à mesa, num processo que dura há mais de um ano.Há pois, garantias, por pequenas que sejam para se tentar, ao menos tentar!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
Capítulo 6
Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva.
Século XXI
Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados estes últimos anos. É evidente de que cada um deles, está intimamente ligado a mim, a causa da pesquisa e do prazer retirado do convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também, que a mudança que nos três tem é material acontecido, bem como elas estão todas ligadas entre si e como elas estão ligadas. Não apenas pela economia mundial, bem como pela memória do tempo. Cada um deles, como indicara persistentemente em cada capítulo, acaba por fazer deles lugares diferentes. Visitados, também, por um antropólogo diferente, que com a experiência de investigação, vai mudando. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e pensamento. Pensei que em Chile era possível falar com liberdade. E não era certo. Os Picunche que conheci antigamente como inquilinos e cujos sindicatos colaborei a formar nos anos sessenta, são hoje em dia pessoas individuais e autónomas, uma quase empresa individual e autónoma. A única forma de eles sobreviverem ao contexto sócio - histórico que têm vivido, e vivem. As famílias solidárias e submetidas ao patrão, parecem não existir. Ou são patrões eles próprios, ou empregados que já não aceitam o nome de jornaleiro, embora o sejam no que diz respeito a horas de trabalho e ordenados. O matrimónio endogámico tem-se aprofundado e, por causa do hábito, tem passado a ser uma necessidade económica. A mudança é tão substancial que abre uma certa liberdade às pessoas para se juntarem e viverem como casados, sem contrato primeiro, a seguir passou-se ao contrato e ao sacramento, que dão a segurança da propriedade da união entre duas pessoas. Matrimónios realizado com separação de bens, pactuada antes do casamento, com acta de capitulações. Um matrimónio dito a prova, é dizer, com relações íntimas antes do contrato. O que acaba por levar ao amor entre casais. A herança, é resultado da aplicação do Código Civil, partilhas para todos por igual, e melhoras para os filhos mais requestados para os pais. Esses filhos, com todo, estão a abandonar a agricultura e o trabalho pesado das indústrias. Hoje em dia não se vê jovem nenhum a trabalhar no campo, excepto a colaborar com os pais de uma geração anterior na terra própria. Não há casa em Pencahue, que não tenha uma descendência habilitada pelos estudos pagos por eles próprios, enquanto trabalham em cafés, bombas de gasolina, u outros sítios transitórios. Os jovens que entram no século XXI, sabem que todos trabalhos são transitório e subordinado a contrato.
Capítulo 6
Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva.
Século XXI
Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados estes últimos anos. É evidente de que cada um deles, está intimamente ligado a mim, a causa da pesquisa e do prazer retirado do convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também, que a mudança que nos três tem é material acontecido, bem como elas estão todas ligadas entre si e como elas estão ligadas. Não apenas pela economia mundial, bem como pela memória do tempo. Cada um deles, como indicara persistentemente em cada capítulo, acaba por fazer deles lugares diferentes. Visitados, também, por um antropólogo diferente, que com a experiência de investigação, vai mudando. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e pensamento. Pensei que em Chile era possível falar com liberdade. E não era certo. Os Picunche que conheci antigamente como inquilinos e cujos sindicatos colaborei a formar nos anos sessenta, são hoje em dia pessoas individuais e autónomas, uma quase empresa individual e autónoma. A única forma de eles sobreviverem ao contexto sócio - histórico que têm vivido, e vivem. As famílias solidárias e submetidas ao patrão, parecem não existir. Ou são patrões eles próprios, ou empregados que já não aceitam o nome de jornaleiro, embora o sejam no que diz respeito a horas de trabalho e ordenados. O matrimónio endogámico tem-se aprofundado e, por causa do hábito, tem passado a ser uma necessidade económica. A mudança é tão substancial que abre uma certa liberdade às pessoas para se juntarem e viverem como casados, sem contrato primeiro, a seguir passou-se ao contrato e ao sacramento, que dão a segurança da propriedade da união entre duas pessoas. Matrimónios realizado com separação de bens, pactuada antes do casamento, com acta de capitulações. Um matrimónio dito a prova, é dizer, com relações íntimas antes do contrato. O que acaba por levar ao amor entre casais. A herança, é resultado da aplicação do Código Civil, partilhas para todos por igual, e melhoras para os filhos mais requestados para os pais. Esses filhos, com todo, estão a abandonar a agricultura e o trabalho pesado das indústrias. Hoje em dia não se vê jovem nenhum a trabalhar no campo, excepto a colaborar com os pais de uma geração anterior na terra própria. Não há casa em Pencahue, que não tenha uma descendência habilitada pelos estudos pagos por eles próprios, enquanto trabalham em cafés, bombas de gasolina, u outros sítios transitórios. Os jovens que entram no século XXI, sabem que todos trabalhos são transitório e subordinado a contrato.
domingo, 29 de agosto de 2010
Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Nem tudo o que luz é verde
A questão ambiental entrou finalmente no discurso público e na agenda política, o que não deixa de causar alguma surpresa aos activistas dos movimentos ecológicos, sobretudo àqueles que militam há mais tempo e se habituaram a ser apodados de utópicos e inimigos do desenvolvimento. A surpresa é tanto maior se se tiver em conta que o fenómeno não parece estar relacionado com uma intensificação extraordinária da militância ecológica. Quais, pois, as razões?
Ao longo das últimas quatro décadas, os movimentos ecológicos foram ganhando credibilidade à medida que a investigação científica foi demonstrando que muitos dos argumentos por eles invocados se traduziam em factos indesmentíveis – a perda da biodiversidade, as chuvas ácidas, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a escassez de água, etc. – que, a prazo, poriam em causa a sustentabilidade da vida na terra. Com isto, ampliaram-se os estratos sociais sensíveis à questão ambiental e a classe política mais esclarecida ou mais oportunista (ainda que por vezes disfarçada de sociedade civil, como é o caso de Al Gore) não perdeu a oportunidade para encontrar nessa questão um novo campo de actuação e de legitimação. Assim se explica o importante relatório sobre a "conta climática" de um economista nada radical, Nicholas Stern, encomendado por um político em declínio, Tony Blair. Neste processo foram "esquecidos" muitos dos argumentos dos ambientalistas, nomeadamente aqueles que punham em causa o modelo de desenvolvimento capitalista dominante. Este "esquecimento" foi fundamental para a segunda razão do actual boom ambiental: a emergência do ecologismo empresarial, das indústrias da ecologia (não necessariamente ecológicas) e, acima de tudo, dos agrocombustíveis cujos promotores preferem designar, et pour cause, como biocombustíveis.
Ao longo das últimas quatro décadas, os movimentos ecológicos foram ganhando credibilidade à medida que a investigação científica foi demonstrando que muitos dos argumentos por eles invocados se traduziam em factos indesmentíveis – a perda da biodiversidade, as chuvas ácidas, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a escassez de água, etc. – que, a prazo, poriam em causa a sustentabilidade da vida na terra. Com isto, ampliaram-se os estratos sociais sensíveis à questão ambiental e a classe política mais esclarecida ou mais oportunista (ainda que por vezes disfarçada de sociedade civil, como é o caso de Al Gore) não perdeu a oportunidade para encontrar nessa questão um novo campo de actuação e de legitimação. Assim se explica o importante relatório sobre a "conta climática" de um economista nada radical, Nicholas Stern, encomendado por um político em declínio, Tony Blair. Neste processo foram "esquecidos" muitos dos argumentos dos ambientalistas, nomeadamente aqueles que punham em causa o modelo de desenvolvimento capitalista dominante. Este "esquecimento" foi fundamental para a segunda razão do actual boom ambiental: a emergência do ecologismo empresarial, das indústrias da ecologia (não necessariamente ecológicas) e, acima de tudo, dos agrocombustíveis cujos promotores preferem designar, et pour cause, como biocombustíveis.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Mortos: 300 000 Iraquianos/1 500 americanos
Luís Moreira
"Uma morte é uma tragédia; 300 000 são uma estatística" não sei quem disse isto mas tem absoluta razão, não há, aliás, capacidade emocional para lidar com um número destes senão transformado num valor estatístico.. Os americanos, com a possível excepção da Grande Guerra, na Europa, onde se metem militarmente, dão um exemplo deplorável de uma nação democrática.
As Forças Armadas são sustentadas pelos impostos dos contribuintes americanos que tambem entram com os filhos, estes como soldados, que abrem caminho aos negócios das empresas americanas e das dos seus "amigos" europeus (mas pouco). Acostumaram-se, agora é dificil travá-los, afinal foi o que fizeram em plena crise, "socializaram os prejuízos e privatizaram os lucros".
A verdade é que todos os políticos (com a honrosa excepção de Blair que tem às costas um processo crime por ter mentido ao seu povo) que juraram a pés juntos que tinham visto armas nucleares no Iraque, foram todos devidamente agraciados (Portas foi mesmo aos US receber a "comenda") e Durão foi para a UE fazer o que gosta. Reuniões, declarações, televisões e nenhum problema concreto para resolver (é muito português este gajo).
Agora, com o "rabo entre as pernas" vão sair, com uma guerra civil à vista, ainda hoje morreram dezenas de pessoas num atentado, 100 Saddam prontos a discutir o poder e a arrasar com o resto do país e do povo. Mas esta humilhação, é muita cara, depois do Vietnam ficaram vacinados por alguns anos, mas logo que pressentiram que o povo, o bom povo, tinha esquecido e acabado de chorar os seus entes queridos, voltaram ao que melhor sabem fazer.
A pata imunda do poder militar, pode esmagar sem contemplações quem se lhes opõe.
"Uma morte é uma tragédia; 300 000 são uma estatística" não sei quem disse isto mas tem absoluta razão, não há, aliás, capacidade emocional para lidar com um número destes senão transformado num valor estatístico.. Os americanos, com a possível excepção da Grande Guerra, na Europa, onde se metem militarmente, dão um exemplo deplorável de uma nação democrática.
As Forças Armadas são sustentadas pelos impostos dos contribuintes americanos que tambem entram com os filhos, estes como soldados, que abrem caminho aos negócios das empresas americanas e das dos seus "amigos" europeus (mas pouco). Acostumaram-se, agora é dificil travá-los, afinal foi o que fizeram em plena crise, "socializaram os prejuízos e privatizaram os lucros".
A verdade é que todos os políticos (com a honrosa excepção de Blair que tem às costas um processo crime por ter mentido ao seu povo) que juraram a pés juntos que tinham visto armas nucleares no Iraque, foram todos devidamente agraciados (Portas foi mesmo aos US receber a "comenda") e Durão foi para a UE fazer o que gosta. Reuniões, declarações, televisões e nenhum problema concreto para resolver (é muito português este gajo).
Agora, com o "rabo entre as pernas" vão sair, com uma guerra civil à vista, ainda hoje morreram dezenas de pessoas num atentado, 100 Saddam prontos a discutir o poder e a arrasar com o resto do país e do povo. Mas esta humilhação, é muita cara, depois do Vietnam ficaram vacinados por alguns anos, mas logo que pressentiram que o povo, o bom povo, tinha esquecido e acabado de chorar os seus entes queridos, voltaram ao que melhor sabem fazer.
A pata imunda do poder militar, pode esmagar sem contemplações quem se lhes opõe.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Um país onde a tragédia é não haver tragédias
Carlos Loures
Não há quem não elogie a Suíça – a limpeza das cidades e aldeias, a pontualidade com que comboios cumprem horários – podemos acertar os relógios pelas partidas e chegadas – a urbanidade dos suíços, o nível de vida dos suíços, os relógios suíços, o chocolate, os canivetes, os bancos…
A Suíça é, na realidade, um país bonito. Visitei-o há uns anos na Primavera, por altura da Páscoa. Apanhei alguns daqueles fortes nevões sem os quais a Suíça tem tanta graça como o Algarve sem sol ou a Alemanha sem cerveja. Com a minha mulher e outro casal amigo e o seu filho (o Gomes Marques, a Célia e o António Pedro), percorremos o país que, como sabemos é pequeno - uma área ligeiramente superior à soma do Alentejo com o Algarve - ao longo de um pouco mais de uma semana. Chegados de avião a Zurique, visitámos depois as demais cidades – Genebra, Lausana, Basileia, Montreux, Lucerna, Zermatt, os Alpes… (estive a ver as fotografias, mas não me lembro se o itinerário seguiu esta ordem). Comprovámos tudo o que se diz – a beleza, a limpeza, a organização… Porém, quando atravessámos a fronteira e chegámos a França, após uma maravilhosa viagem sem incidentes, sentimos uma certa sensação de alívio. Por que terá sido?
Não há quem não elogie a Suíça – a limpeza das cidades e aldeias, a pontualidade com que comboios cumprem horários – podemos acertar os relógios pelas partidas e chegadas – a urbanidade dos suíços, o nível de vida dos suíços, os relógios suíços, o chocolate, os canivetes, os bancos…
A Suíça é, na realidade, um país bonito. Visitei-o há uns anos na Primavera, por altura da Páscoa. Apanhei alguns daqueles fortes nevões sem os quais a Suíça tem tanta graça como o Algarve sem sol ou a Alemanha sem cerveja. Com a minha mulher e outro casal amigo e o seu filho (o Gomes Marques, a Célia e o António Pedro), percorremos o país que, como sabemos é pequeno - uma área ligeiramente superior à soma do Alentejo com o Algarve - ao longo de um pouco mais de uma semana. Chegados de avião a Zurique, visitámos depois as demais cidades – Genebra, Lausana, Basileia, Montreux, Lucerna, Zermatt, os Alpes… (estive a ver as fotografias, mas não me lembro se o itinerário seguiu esta ordem). Comprovámos tudo o que se diz – a beleza, a limpeza, a organização… Porém, quando atravessámos a fronteira e chegámos a França, após uma maravilhosa viagem sem incidentes, sentimos uma certa sensação de alívio. Por que terá sido?
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domingo, 22 de agosto de 2010
Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Porqué no te callas?
São pequenos textos de opinião, publicados na revista "Visão" ou no jornal Público. O sociólogo pronuncia-se sobre temas que, embora não sejam recentes, mantêm a actualidade. Começamos com "Porqué no te callas?"
Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha, dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cimeira Iberoamericana, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colónias. Não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congénere europeu quaisquer que tenham sido as razões do primeiro para reagir às afirmacões do último. Como qualquer frase que intervém no presente a partir de uma história não resolvida, esta frase é reveladora a diferentes níveis.
Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha, dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cimeira Iberoamericana, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colónias. Não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congénere europeu quaisquer que tenham sido as razões do primeiro para reagir às afirmacões do último. Como qualquer frase que intervém no presente a partir de uma história não resolvida, esta frase é reveladora a diferentes níveis.
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sábado, 21 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
1-Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trinta e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são.
1-Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trinta e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Catalunha independente - como reagiria a União Europeia?
Esta semana, estamos a dedicar este espaço à Catalunha. Espaço que normalmente ocupamos com questões peninsulares - a restituição de Olivença, território roubado pelo estado espanhol a Portugal, a reabilitação da língua e da cultura galegas, e com o que se prende com a história e a cultura catalãs. Ontem ouvimos Josep Lluís Carod-Rovira, dirigente da ERC, responder a perguntas sobre uma eventual independência da Catalunha.
No mesmo sentido está construído este trabalho da TV3 - ""Adéu, Espanya?". Compara a realidade da Groenlândia, da Escócia e do Quebeque com a da Catalunha, deixando no ar a pergunta - " a independência/secessão é democrática?" e outras questões - seriam economicamente viáveis estes novos estados? Como reagiria a União Europeia?
No mesmo sentido está construído este trabalho da TV3 - ""Adéu, Espanya?". Compara a realidade da Groenlândia, da Escócia e do Quebeque com a da Catalunha, deixando no ar a pergunta - " a independência/secessão é democrática?" e outras questões - seriam economicamente viáveis estes novos estados? Como reagiria a União Europeia?
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Os processos de globalização (4)- Boaventura Sousa Santos
4. A globalização política e o Estado-nação
A nova divisão internacional do trabalho, conjugada com a nova economia política "pró-mercado", trouxe também algumas importantes mudanças para o sistema interestatal, a forma política do sistema mundial moderno. Por um lado, os Estados hegemónicos, por eles próprios ou através das instituições internacionais que controlam (em particular as instituições financeiras multilaterais), comprimiram a autonomia política e a soberania efectiva dos Estados periféricos e semiperiféricos com uma intensidade sem precedentes, apesar de a capacidade de resistência e negociação por parte destes últimos poder variar imenso.[5]Por outro lado, acentuou-se a tendência para os acordos políticos interestatais (União Europeia, NAFTA, Mercosul). No caso da União Europeia, esses acordos evoluíram para formas de soberania conjunta ou partilhada. Por último, ainda que não menos importante, o Estado-nação parece ter perdido a sua centralidade tradicional enquanto unidade privilegiada de iniciativa económica, social e política. A intensificação de interacções que atravessam as fronteiras e as práticas transnacionais corroem a capacidade do Estado-nação para conduzir ou controlar fluxos de pessoas, bens, capital ou ideias, como o fez no passado.
A nova divisão internacional do trabalho, conjugada com a nova economia política "pró-mercado", trouxe também algumas importantes mudanças para o sistema interestatal, a forma política do sistema mundial moderno. Por um lado, os Estados hegemónicos, por eles próprios ou através das instituições internacionais que controlam (em particular as instituições financeiras multilaterais), comprimiram a autonomia política e a soberania efectiva dos Estados periféricos e semiperiféricos com uma intensidade sem precedentes, apesar de a capacidade de resistência e negociação por parte destes últimos poder variar imenso.[5]Por outro lado, acentuou-se a tendência para os acordos políticos interestatais (União Europeia, NAFTA, Mercosul). No caso da União Europeia, esses acordos evoluíram para formas de soberania conjunta ou partilhada. Por último, ainda que não menos importante, o Estado-nação parece ter perdido a sua centralidade tradicional enquanto unidade privilegiada de iniciativa económica, social e política. A intensificação de interacções que atravessam as fronteiras e as práticas transnacionais corroem a capacidade do Estado-nação para conduzir ou controlar fluxos de pessoas, bens, capital ou ideias, como o fez no passado.
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domingo, 25 de julho de 2010
A economia alemã acelera...
Luís Moreira
As últimas informações vão no sentido de a economia alemã ter crescido quatro pontos percentuais, o maior crescimento num trimestre dos últimos 20 anos.
Isto a curto prazo é uma óptima notícia, as restantes economias europeias vão crescer por arrasto,é para a Alemanha que nós portugueses mais exportamos,vamos crescer pelas exportações e travar com o pacote de cortes à procura interna.
Mas como muito bem diz o nosso convidado Dr. Rolf Damher, os problemas estruturais permanecem, os viajantes que apanham a locomitiva não podem viajar descansados, porque a uma causa corresponde um efeito, e se os problemas permanecem...
As últimas informações vão no sentido de a economia alemã ter crescido quatro pontos percentuais, o maior crescimento num trimestre dos últimos 20 anos.
Isto a curto prazo é uma óptima notícia, as restantes economias europeias vão crescer por arrasto,é para a Alemanha que nós portugueses mais exportamos,vamos crescer pelas exportações e travar com o pacote de cortes à procura interna.
Mas como muito bem diz o nosso convidado Dr. Rolf Damher, os problemas estruturais permanecem, os viajantes que apanham a locomitiva não podem viajar descansados, porque a uma causa corresponde um efeito, e se os problemas permanecem...
sábado, 17 de julho de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República - 60
Carlos Leça da Veiga
Utopia que seja; quem quererá partilhá-la? (Continuação)
Será utopia querer modificar o mundo em que nos tem sido dado viver?
Como tentar fazê-lo?
A Democracia, e só a Democracia, tem obrigação e tem possibilidades de poder consegui-lo.
No nosso País, a República, tal como é determinado pelo seu ordenamento constitucional, não parece ser capaz de encontrar a resposta mais favorável, aquela que nos dias de hoje, é imperioso exigir-se. Uma outra República haverá de sê-lo. Experiência após experiência – a História a isso obrigará – algum resultado deverá conseguir-se, pese embora, admitir a possibilidade de conseguir atingir-se uma qualquer perfeição seja, pelo certo, um procedimento muito insensato. Utopia não é um sinónimo de insensatez. Um lugar procurado pode, jamais, conseguir encontrar-se.
Procure-se inventar uma República fundamentada numa Constituição Política que, como disse de Fernando Pessoa, saiba “ter saudades do futuro”; que, como desejado por Teilhard de Chardin, não inquine a perspectiva de “crescermos para cima e para dentro”; que, como ensina Jonathan Wolff saiba “determinar a distribuição adequada de poder político” e que, como prescreve Rabindranath Tagore, leve muito em conta que, “se fechas a porta a todos os erros, deixarás de fora a verdade”. Bastar-lhe-á que seja uma Democracia com uma Constituição desejável e exequível aberta, o mais possível à verdade, à participação de todos e que, por igual, seja a Democracia do ser, a do ter e a do saber.
Utopia que seja; quem quererá partilhá-la? (Continuação)
Será utopia querer modificar o mundo em que nos tem sido dado viver?
Como tentar fazê-lo?
A Democracia, e só a Democracia, tem obrigação e tem possibilidades de poder consegui-lo.
No nosso País, a República, tal como é determinado pelo seu ordenamento constitucional, não parece ser capaz de encontrar a resposta mais favorável, aquela que nos dias de hoje, é imperioso exigir-se. Uma outra República haverá de sê-lo. Experiência após experiência – a História a isso obrigará – algum resultado deverá conseguir-se, pese embora, admitir a possibilidade de conseguir atingir-se uma qualquer perfeição seja, pelo certo, um procedimento muito insensato. Utopia não é um sinónimo de insensatez. Um lugar procurado pode, jamais, conseguir encontrar-se.
Procure-se inventar uma República fundamentada numa Constituição Política que, como disse de Fernando Pessoa, saiba “ter saudades do futuro”; que, como desejado por Teilhard de Chardin, não inquine a perspectiva de “crescermos para cima e para dentro”; que, como ensina Jonathan Wolff saiba “determinar a distribuição adequada de poder político” e que, como prescreve Rabindranath Tagore, leve muito em conta que, “se fechas a porta a todos os erros, deixarás de fora a verdade”. Bastar-lhe-á que seja uma Democracia com uma Constituição desejável e exequível aberta, o mais possível à verdade, à participação de todos e que, por igual, seja a Democracia do ser, a do ter e a do saber.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República - 59
Carlos Leça da Veiga
Utopia que seja; quem quererá partilhá-la? (Continuação)
A alienação tem por substrato um pensamento discursivo racional – ideológico – de substantivação das relações sociais que, no caso português e nos últimos mais de trinta anos, ao arrepio das proposições constitucionais, mas por conveniências políticas inaceitáveis, tem sido veiculado e ampliado com insistência desmesurada, tanto pela comunicação social como, sobretudo, pelas intervenções políticas dos sucessivos governos. Diagnostica-se-lhes, a uns e a outros, a intenção primordial – digam o que dizerem – de reforçar a alienação da população com vista a permitir que o logro político instalado continue a facilitar aos possidentes a benesse duma sua eternização na hegemonia do poder político e, aos seus fâmulos de serviço – governantes, deputados, partidocratas, comentadores e comunicadores sociais – que não percam a mira das sinecuras pingues ou, se assim tiver de ser, assegurem, pelo menos, as gamelas e os condutos.
As classes possidentes sabem muito bem como ter os Governos, tanto na sua mão, como à sua mão. A seu lado – note-se bem – nunca falta a companhia da generalidade dos partidos políticos parlamentares que, ao aprovarem ou, simplesmente, contemporizarem com os programas e com as obras dos sucessivos executivos nacionais – as sumptuárias de sobremaneira – não podem ser dispensados da sua importante fatia de responsabilidade na tarefa de inculcar, ou deixar inculcar, na mente da população, que as variações económicas e financeiras que cada qual sente e que, agravam as condições de exploração da mão de obra, já de si muito barata, não decorrem da apropriação indevida das mais valias que resultam da exploração dessa sua força do trabalho mas, sim, de variações inevitáveis inclusive erros ou desvios de circunstância das regras do mercado e, também, das imprevisíveis flutuações da oferta e da procura, porém, como é repetido à exaustão, esse mesmo mercado, graças à sua própria capacidade de regulação e, por igual – argumento criminoso – devido a um imaginado sentido de justiça social dos seus lideres, dispõe de condições para tudo rectificar e, também, sem falta, garantir uma futura redistribuição do rendimento nacional a ser processada com a maior justiça.
Utopia que seja; quem quererá partilhá-la? (Continuação)
A alienação tem por substrato um pensamento discursivo racional – ideológico – de substantivação das relações sociais que, no caso português e nos últimos mais de trinta anos, ao arrepio das proposições constitucionais, mas por conveniências políticas inaceitáveis, tem sido veiculado e ampliado com insistência desmesurada, tanto pela comunicação social como, sobretudo, pelas intervenções políticas dos sucessivos governos. Diagnostica-se-lhes, a uns e a outros, a intenção primordial – digam o que dizerem – de reforçar a alienação da população com vista a permitir que o logro político instalado continue a facilitar aos possidentes a benesse duma sua eternização na hegemonia do poder político e, aos seus fâmulos de serviço – governantes, deputados, partidocratas, comentadores e comunicadores sociais – que não percam a mira das sinecuras pingues ou, se assim tiver de ser, assegurem, pelo menos, as gamelas e os condutos.
As classes possidentes sabem muito bem como ter os Governos, tanto na sua mão, como à sua mão. A seu lado – note-se bem – nunca falta a companhia da generalidade dos partidos políticos parlamentares que, ao aprovarem ou, simplesmente, contemporizarem com os programas e com as obras dos sucessivos executivos nacionais – as sumptuárias de sobremaneira – não podem ser dispensados da sua importante fatia de responsabilidade na tarefa de inculcar, ou deixar inculcar, na mente da população, que as variações económicas e financeiras que cada qual sente e que, agravam as condições de exploração da mão de obra, já de si muito barata, não decorrem da apropriação indevida das mais valias que resultam da exploração dessa sua força do trabalho mas, sim, de variações inevitáveis inclusive erros ou desvios de circunstância das regras do mercado e, também, das imprevisíveis flutuações da oferta e da procura, porém, como é repetido à exaustão, esse mesmo mercado, graças à sua própria capacidade de regulação e, por igual – argumento criminoso – devido a um imaginado sentido de justiça social dos seus lideres, dispõe de condições para tudo rectificar e, também, sem falta, garantir uma futura redistribuição do rendimento nacional a ser processada com a maior justiça.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Krugman, o Nobel da economia, insiste!

Luís Moreira
A Grécia poderá estar de saída da Zona Euro e, por arrastamento, Portugal!
Cavaco Silva já veio dizer que não está de acordo, conhece muito bem Krugman e que só o facto de ele "estar fora" do Euro é que o leva a dizer uma coisa que não acontecerá. A Grécia ficaria a flutuar e a afundar-se, mas a UE não ficaria melhor. Desde logo por ter à porta um país cheio de pobremas que, inevitavelmente, lhos meteria cá dentro.Depois porque Portugal e outros países estariam numa posição muito incómoda, aberta que fosse a tampa da caixa.
O que me parece é que os americanos gostariam que o Euro não existisse, é a única moeda que combate o dóllar, rei e senhor absoluto e que tem funcionado como reserva global, com evidentes e enormes vantagens para as suas finanças.
Eu, por mim, tambem não acredito, seria colocar em causa a UE e, apesar de todos os problemas, não parece que se possa voltar para trás. Não interessa a ninguem, pelo contrário, esta crise mostrou que há que aprofundar a UE e não ter dúvidas.
Mais e melhor UE, é o que todos precisamos!
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República - 49
Carlos Leça da Veiga
À espera duma Terceira República (Continuação)
Nas mentes de quantos têm mandado no viver dos europeus não há a consciência – pelo menos, não parece haver – que está a terminar a época em que, no chamado mundo ocidental e no europeu de sobremaneira, está em aproximação veloz o fim da acumulação, continua, desenfreada e num crescendo ininterrupto dos lucros do capital. Salta à vista que são impedidos de prosseguir pela força concorrencial desmedida das novas e poderosas economias instaladas fora da Europa para as quais, com justiça plena, chegou a hora de inverter as conveniências do tradicional centralismo colonizador muito próprio dos europeus e transportar as sedes das decisões internacionais para fora da Europa, muito especialmente, senão decididamente, para as margens do Oceano Pacífico. Dizer-se o contrário e vociferar-se pela retoma económica europeia (voltar ao antigamente) só é possível por razões de mera metafísica ou duma fé redentora, uma e outra, simples crenças insustentáveis que, no caso que mais interessa, o português, só por delírio dos seus dirigentes políticos, é que pode ser imaginada como coisa susceptível de acontecer inclusive – tão longe prosseguem ao arrepio da objectividade mais comezinha – que chegam ao ponto de considerá-la evidente, inexorável e indiscutível.
À espera duma Terceira República (Continuação)
Nas mentes de quantos têm mandado no viver dos europeus não há a consciência – pelo menos, não parece haver – que está a terminar a época em que, no chamado mundo ocidental e no europeu de sobremaneira, está em aproximação veloz o fim da acumulação, continua, desenfreada e num crescendo ininterrupto dos lucros do capital. Salta à vista que são impedidos de prosseguir pela força concorrencial desmedida das novas e poderosas economias instaladas fora da Europa para as quais, com justiça plena, chegou a hora de inverter as conveniências do tradicional centralismo colonizador muito próprio dos europeus e transportar as sedes das decisões internacionais para fora da Europa, muito especialmente, senão decididamente, para as margens do Oceano Pacífico. Dizer-se o contrário e vociferar-se pela retoma económica europeia (voltar ao antigamente) só é possível por razões de mera metafísica ou duma fé redentora, uma e outra, simples crenças insustentáveis que, no caso que mais interessa, o português, só por delírio dos seus dirigentes políticos, é que pode ser imaginada como coisa susceptível de acontecer inclusive – tão longe prosseguem ao arrepio da objectividade mais comezinha – que chegam ao ponto de considerá-la evidente, inexorável e indiscutível.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
Que se passa na PT?
Luis Moreira
A UE já veio dizer que é ilegal a golden share que o estado tem na PT.75% dos accionistas já disseram que aceitam a proposta da Telefónica, incluindo as grandes empresas portuguesas que se gastaram a falar no interesse nacional mas que, face ao monte de dinheiro, já esqueceram tudo o que respeita ao interesse nacional.
Pateticamente, Sócrates anda a agitar a golden share que a partir do dia 16 não vale nada, a PT está nas mãos dos espanhóis e se não for a bem vai a mal, lança uma OPA sobre a própria PT e fica com a empresa e com a Vivo. O BES, que sempre esteve na frente do combate do interesse nacional, já está vendedora, isto tem a ver com as tremendas dificuldades que a banca tem tido para se financiar nos mercados internacionais, face à situação explosiva portuguesa.
Andamos vigiados atentamente, e o BCE vai financiando a tesouraria para podermos pagar o merceeiro e o padeiro, porque a questão agora já não são as obras públicas do patético Sócrates, agora são as coisas comezinhas que já não conseguimos pagar.
A UE já veio dizer que é ilegal a golden share que o estado tem na PT.75% dos accionistas já disseram que aceitam a proposta da Telefónica, incluindo as grandes empresas portuguesas que se gastaram a falar no interesse nacional mas que, face ao monte de dinheiro, já esqueceram tudo o que respeita ao interesse nacional.
Pateticamente, Sócrates anda a agitar a golden share que a partir do dia 16 não vale nada, a PT está nas mãos dos espanhóis e se não for a bem vai a mal, lança uma OPA sobre a própria PT e fica com a empresa e com a Vivo. O BES, que sempre esteve na frente do combate do interesse nacional, já está vendedora, isto tem a ver com as tremendas dificuldades que a banca tem tido para se financiar nos mercados internacionais, face à situação explosiva portuguesa.
Andamos vigiados atentamente, e o BCE vai financiando a tesouraria para podermos pagar o merceeiro e o padeiro, porque a questão agora já não são as obras públicas do patético Sócrates, agora são as coisas comezinhas que já não conseguimos pagar.
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