E com esta nota, fecho o livro. Consciente estou de não ter referido a Maria João Mota, mas é preciso a deixar em paz para acabar a redacção da sua tese de doutoramento.
Devo confessar que estes tricinco em Portugal, têm sido um mar de rosas, comparados aos anos do Chile, de Cambridge e, especialmente, pela satisfação dada a mim da amizade, visitas, trabalhos e imensos trabalhos solicitados pelo Departamento e pelo ISCTE, hoje Governado pelo Professor Luís Antero Reto . Não apenas o corpo docente, bem como o secretariado todo, têm passado a ser a minha companhia, neste desgarrado livro, que passa a ser agora editado por quem deve: a editora que o publique e por essa querida Senhora, Maria Paula Almeida.
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (39)
Uma outra senhora simpática e cativante, é a minha antiga discente, narrada por mim em capítulos anteriores, a hoje Doutora Antónia Pedrouço de Lima. Uma anedota é precisa para aliviar a leitura: amiga pessoal de Susana Matos Viegas, também a minha discente, no dia no qual Susana estava a dar a luz, foram a passar essas temidas horas em tutoria no meu Gabinete: era dia e hora marcados já. O que não estava marcado, era o nervosismo de Antónia e as dores dissimuladas de Susana, e o meu próprio enervamento! Acabou a tutoria de uma hora, foram para o hospital, e de imediato o bebé nasceu: uma rapariga, hoje em dia, mulher muito querida, em Coimbra com a mãe, o seu marido Nuno Porto e a sua irmã.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (39)
Francisco Vaz, é o grande amigo da minha grande amiga, Rosa Maria Perez. Rosa Maria, actual Presidente do Departamento, tem escrito o texto base desta parte do meu texto. Professora no ISCTE, foi “roubada” por nós a Universidade Nova, quando José Carlos Gomes da Silva estava a formar a sua equipa de semiologia dentro do nosso Departamento. Professora no ISCTE, tive a honra de arguir o seu currículo nas suas provas de agregação.
Lembro bem ter referido a nossa actual Presidente de Departamento como Professora “destemida” por causa do seu trabalho de campo em Gujarat, Goa, na Índia e investigar entre os denominados intocáveis, classificação de pessoas feita pelos indianos. O Próprio Mahatma Ghandi, da casta dos Brâmanes, para acabar com essa divisão de classe, fez-se um intocável e andava semi nu entre os seus concidadãos. Lembro-me ter referido a sua valentia de conviver e viver entre esse intocáveis, para os quais ela era uma pessoa especial, por não ter a vergonha de outros de viver entre eles, no sítio reservado às mulheres. As publicações de Rosa Maria Perez, estão todas referidas no seu currículo e na página web, que cito em nota de rodapé a seguir.[1]O seu trabalho de campo é contado a Maria João Seixas, em 26 de Novembro de 2006, e diz: Parece frágil, de corpo miúdo e cara iluminada pelo tom claro dos cabelos e pelo verde dos olhos. A voz, que a tem doce e ritmada, sublinha toda a harmonia da figura, no seu conjunto. Mas é exactamente pela voz, e pelo que nela viaja de saberes e de desejo de mais saber, que depressa nos apercebemos da força e da determinação que a habitam. Divide grande parte do seu tempo entre Portugal, os Estados Unidos e a Índia.
“Antropóloga, professora no ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa) e na Brown University, Rosa Maria Perez parece estar em trânsito quando não pisa as veredas do seu orientalismo.
A Índia é uma das suas moradas, a que a seduziu para a vida, transformada desde há muito na rota eleita da sua constante demanda. Da investigação que fez para a tese de doutoramento, sobre os "intocáveis" de uma certa aldeia do Gujarat, até ao universo das "devadasi" de Goa, são contínuas e fascinantes as descobertas que o grande país lhe tem proporcionado. A felicidade expressa no sorriso que acompanha o que disso narra é contagiante, chega a ser comovente”. Retirado do sítio referido em nota de Rodapé.
Mas, eu acrescento, que Rosa Maria Perez, a sofrer sempre esse debate de se o seu nome é Perez ou Perez, apelido castelhano trazido para Portugal faz já muito tempo, acaba por sofrer os problemas que tenho referido, acontece comigo, em relação ao meu nome. É interessante também saber que tem sido uma empenhada colaboradora, quer nos trabalhos do Departamento, quer nas nossas relações pessoais. Não há visita à Índia, que ela esqueça e não apareça com um presente para mi, ou das suas idas a cumprir o seu dever de Professora na Brown, Providence, já referida antes, com mais outros presente. Tem-me assistido nas minhas doenças, como vários membros do Departamento, mas com muita dedicação e simpatia. Para mim é, como digo a ela, é uma Fair Lady, ou, em Português, uma Linda Senhora. No acidente de carro que tive faz já quinze anos, ela presidiu o Departamento e fez os meus trabalhos, e não estava certa de convocar ou não a novas eleições para Presidente de Departamento, por não se saber como ia ficar eu após acidente. Mas, !inédito!, apareci de imediato, bem antes do tempo permitido pelos médicos, para cumprir os meus deveres. Rosa Maria Perez queria que eu acaba-se o mandato, mas eu, teimoso e persistente, referi que trabalho é trabalho, lá ou cá, e que deve ser feito. Doença que teve consequências anos mais tarde, mas que, também com a sua ajuda, consegui ultrapassar. Tem motivado ao Departamento para ser colegas acompanhantes de um docente temporariamente doente. Rosa Maria Perez, não apenas é investigadora de mérito, grande escritora, bem como membro de várias instituições, entre as quais, da Fundação Oriente. As melhores referências estão no currículo que passo a citar em nota de rodapé[2]. Tenho nas minhas mãos o seu texto: Reis e Intocáveis. Um estudo do sistema de castas no Noroeste da Índia; da Celta, 1994, a sua tese de doutoramento feita livro. As sua áreas de interesse científico, definidos por ela, são: etnografia e historiografia do colonialismo; orientalismo ; subaltern studies e pós-colonialismo; nacionalismo e género; fenómenos de segregação; categorizações e representações do feminino, referências citadas do seu citado currículo.
Notas:
[1] Rosa Maria Perez está referida, com obra, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Rosa+Maria+Peres&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente o sítio dessa página web: http://www.supergoa.com/pt/read/news_recorte.asp?c_news=583 que vou referir no texto, porque merece.
[2] Rosa Maria Peres: http://ceas.iscte.pt/cria/rm_perez.pdf É necessário acrescentar a sua mais recente publicação: Os Portugueses e o Oriente, Dom Quixote, 2006, Lisboa
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (34)
(Continuação)
Como eles, e para nossa sorte, os candidatos para Assistentes começaram a aparecer. Cumpridores da lei, o primeiro foi para Assistente, um madeirense, já doutorado na Alemanha O Doutor Jorge Freitas Branco, muito fiel, percebi depois e excelente educador e escritor.
É das pessoas que passam a vida toda na nossa instituição. A sua tese foi passada na Alemanha, língua que eu pouco entendia, mas podia ler. No entanto, por ser da Universidade Johannes Guttenberg em Meinz, Alemanha Federal nos 80 . A tese foi defendida e aprovada em l984 após a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha, época na qual eu manifestara no curso da noite: “Eu já nem sei porque estou cá. Os socialismos são derrubados e eu continuo com a minha persistência de ser Socialista à Babeuf, à Marechal, à Philippo Buonarotti , especialmente, à Marx. A Alemanha tinha passado a ser um Estado do Partido Social Democrata que, após tanto sofrimento pela sua partição entre a República Soviética da Alemanha de Leste e a denominada livre da Alemanha Ocidental”.
Sem comentários, apenas dizer que continuo a ser Socialista à Marx e usar o Materialismo Histórico nas minhas análises da realidade social, é dizer, a dialéctica de Hegel transformada por Marx em pesquisa Materialista da História, frases usadas antes neste texto. Jorge Freitas Branco, ofereceu-me a sua tese traduzida ao português, na qual é possível ler que tinha-se formado em Antropologia, ou melhor, em Etnologia, no Instituto de Ciências Antropológicas e Etnológicas, Universidade Técnica de Lisboa, Portugal, em 1977. A seguir foi a Meinz, Universidade da Cátedra Richard Thurnwald , oferecida a mim em 1984, o que eu amavelmente recusei. Já estava no ISCTE! O texto de Jorge Freitas Branco, um dos vários que hoje tem – é, como eu, um viciado na escrita -, define-se como Etnólogo A Universidade de Coimbra outorgou a equivalência ao seu grau de Doutor em 1984, mas persistiu em ficar como Assistente. Foi em 1983 que começou a trabalhar connosco e apenas em 1986, aceitou ser promovido a Professor Auxiliar e fez agregação nesse mesmo ano. O facto de ser Doutor pela Alemanha, explica que, ao ser entrevistado por nós, ele não queria ficar como professor Auxiliar, porque ainda não era Doutor por Portugal. No entanto, eu lutei imenso para ser reconhecido como tal, o que ele agradeceu com simpatia e visitas eternas à minha casa da Parede, vizinha a Oeiras, onde tem morado. O livro tem uma dedicatória escrita a mão, que eu tenho agradecido para sempre, pela simpatia e pelo teor da dedicatória.
Aliás, acompanhou a minha doença e recuperação do cancro que me ia matando, com visitas e telefonemas, mais um agradecimento! Após ter passado por cargos políticos na Madeira, sem nunca abandonar a sua dedicação ao ensino dentro da minha equipa do ISCTE e, a seguir, na sua Optativa América Latina e a sua independência ao ser transferido por mim para Antropologia Política do 4º ano da nossa Licenciatura, como refere o seu currículo e como eu lembro. Antes de trabalhar connosco, tinha sido parte do Governo Regional da Madeira, como Técnico Superior de 1ª classe – enquanto lá residida e ensinava na Universidade de La Laguna, todo o que aconteceu entre 1978 e1983. Cansado já de tanto trabalho político, concorreu para trabalhar connosco em 1984. Na sua forma directa de referir factos, breve e cheia de conteúdo, advertiu que aceitava ficar no ISCTE, mas que devia ir à Madeira durante vários períodos do ano, o que foi aceite por nós perante a sua não apenas honestidade, bem como essa conveniência para a nossa pessoas com experiência política na nossa Licenciatura . Uma das sua actividades mais importantes, tem sido a de consolidar e participar no Centro Manuel Viegas Guerreiro, ou Centro de Tradições Populares Portuguesas Professor Manuel Viegas Guerreiro, na Universidade de Lisboa, o que o situa como colaborador do nosso ilustre Antropólogo. entre 1993 e 1996, ano da morte de Manuel Viegas. Aliás, o nosso Professor colaborou na continuidade da Revista Lusitânia, fundada pelo Doutor Leite, continuada pelo o nosso amigo e velho Professor Manuel Viegas, com a colaboração minha durante um tempo, e a mais permanente de Jorge Freitas Branco
Vamos deixar em paz ao nosso sabido docente, apenas com uma insistência sobre a sua imensas bibliografia . Bem como dizer fora eleito para o cargo de alta responsabilidade da Presidência do Nosso Conselho Científico, reuniões temidas por nós antes, por demorarem entre 4 e 5 horas, mas com o nosso disciplinado Doutor, começavam e acabavam a hora certa: duas horas e nem mais! Reuniões expeditas, sem preâmbulos nem discursos: pão, pão; vinho, vinho.
Lembrar um docente, a associação com outro aparece de imediato. A leitura passa a ser pesada se não encurto o relato, para mim, interessante e, espero, justo para os narrados. Cristiana David Lage Bastos, apresentou-se como candidata para essa imensa matéria que leccionava: Introdução à Antropologia Social, para Antropólogos e Sociólogos, cadeira comum da qual nunca quisera participar a Licenciatura de Gestão. Cristiana Bastos ensinava bem , mas em breve, quis se transferir ao ICS para trabalhar com os membros do Instituto, especialmente com João de Pina e Cabral. Era a docente que eu pretendia para uma aventura: ensinar Antropologia Médica, sabia imenso da matéria e hoje em dia, é nesta área do saber que ela trabalha. Não aconteceu connosco, falou comigo, levei o caso ao Conselho de Departamento, éramos já 10, e foi-me dito que ela devia repor em dinheiro os anos passados no ISCTE, o que me parecia raro e injusto. Solicitei um Convénio entre ela e o Departamento: todo o que fizer em texto doravante, seria para o Departamento. Começamos logo: solicitou-me orientar a sua tese de Mestrado pelo ISCTE e a sua dívida foi perdoada.
Acabada a tese, examinada e aprovada, a sua dívida ficou saldada. Cristiana Bastos está referida em . A tese foi defendida na Universidade Nova por causa do nosso Departamento não ter ainda licença para outorgar pós graduações, mas na tese constava que era para o ISCTE, Licenciatura de Antropologia, em 1987 e nós apenas começamos a outorgar pós graduações a partir de 1990, quando o ISCTE era uma universidade no incluída entre as Universidades Portuguesas, mas tinha sítio no Conselho de Reitores- o CRUP. A tese não foi apenas orientada por mim, bem como era o meu método, percorri com ela o Alto Barrocal Algarvio, sítio para a sua pesquisa. Foi a nossa Assistente entre 1983 e 1990, pelo concurso ganho por ela. A tese foi examinada antes desse Abril de 1990, quando o Departamento já podia outorgar pós-graduações. O seu currículo, bem impressionante, está referido em nota de rodapé .Texto referido e recenseado na nota de rodapé a seguir a anterior .
Notas:
Todos eles referidos na Introdução deste texto
Thunwarld está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Richard+Thurnwald&spell=1 , especialmente na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Thurnwald , que refere: Richard Thurnwald (1869 - 1954) foi um antropólogo e sociólogo alemão. Fundador da Revista de Psicologia e Sociologia dos Povos, seus estudos seguem a escola funcionalista. Destacou-se na área dos estudos comparativos das instituições sociais. Suas obras foram: Negros e brancos no leste da África (1935), Estrutura e sentido da etnologia (1948).Fica para o leitor procurar mais referências ao activar os sítios net, citações em azul ou vermelhão, quando, eu, sem dar por isso, pressiono a baixada do texto!.
O texto oferecido a mim , foi publicado em 1987, pela Publicações Dom Quixote, e o título indica o conteúdo: Camponeses da Madeira. As bases Materiais do quoridiano no Arquipiélago (1750-!900), definida pela editora como uma monografia etnológica, que revela as dotes de historiador e geógrafo do nosso colega, conhecimento que lhe têm permitido trabalhar com os Historiadores do ISCTE, especialmente coma Doutora Luisa Tiago de Oliveira. Têm escrito vários livros em conjunto. Jorge Freitas Branco, presidiu o Conselho Científico do ISCTE, a substituir a Lurdes Rodrigues, transferida pelo o seu partido socialista para Ministra da Educação. Governou o CC durante quatro anos, entre 2002 e 2006. Está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jorge+Freitas+Branco&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992 , no qual aparece um impressionante currículo.
No seu currículo aparece as suas linhas de investigação:
Instituto de Etnomusicologia -Centro de Estudos de Música e Dança
Linhas de Investigação
Jun/2007-Actual- Etnomusicologia e Estudos em Cultura Popular
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
Out/1996-Actual Departamento de Antropologia
Linhas de investigação»Research fields:
- Culturas do laicismo
Jan/1986-Actual Departamento de Antropologia Linhas de investigação»Research fields:
- Cultura material e culturas técnicas
Mai/1996-Mai/2004 Unidade de investigação DepANT
Linhas de investigação»Research fields:
- Motorização da sociedade -
Etnografias, culturas populares e modernidade em Portugal
Retirado da página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992
Para saber mias, visite todo o sítio: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992
Cristiana Bastos está referidas no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Cristiana+Bastos&spell=1 especialmente o seu texto de Mestrado, já livro: Os Montes do Nordeste Algarvio, Editorial Cosmos, Lisboa,1993
Cristiana David Lage Bastos, CV: http://www.ics.ul.pt/corpocientifico/cristianabastos/cvbastos2005.pdf
Cristiana Bastos tem-se transformado em uma lutadora contra a SIDA, balbuciado na sua tese dos Montes Algarvios, começo dessa sua luta que, no meu ver é louvável e de grande esforço, como é referido em: https://www.ics.ul.pt/rd/person/ppgeral.do?idpessoa=25 Uma recensão aparece em: http://216.239.59.104/search?q=cache:Qr_zWnSQ9tsJ:www.culturgest.pt/docs/hc11032005.pdf+Cristiana+Bastos+Os+Montes+do+Nordeste+Algarvio&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=5&gl=pt
(Continua)
Como eles, e para nossa sorte, os candidatos para Assistentes começaram a aparecer. Cumpridores da lei, o primeiro foi para Assistente, um madeirense, já doutorado na Alemanha O Doutor Jorge Freitas Branco, muito fiel, percebi depois e excelente educador e escritor.
É das pessoas que passam a vida toda na nossa instituição. A sua tese foi passada na Alemanha, língua que eu pouco entendia, mas podia ler. No entanto, por ser da Universidade Johannes Guttenberg em Meinz, Alemanha Federal nos 80 . A tese foi defendida e aprovada em l984 após a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha, época na qual eu manifestara no curso da noite: “Eu já nem sei porque estou cá. Os socialismos são derrubados e eu continuo com a minha persistência de ser Socialista à Babeuf, à Marechal, à Philippo Buonarotti , especialmente, à Marx. A Alemanha tinha passado a ser um Estado do Partido Social Democrata que, após tanto sofrimento pela sua partição entre a República Soviética da Alemanha de Leste e a denominada livre da Alemanha Ocidental”.
Sem comentários, apenas dizer que continuo a ser Socialista à Marx e usar o Materialismo Histórico nas minhas análises da realidade social, é dizer, a dialéctica de Hegel transformada por Marx em pesquisa Materialista da História, frases usadas antes neste texto. Jorge Freitas Branco, ofereceu-me a sua tese traduzida ao português, na qual é possível ler que tinha-se formado em Antropologia, ou melhor, em Etnologia, no Instituto de Ciências Antropológicas e Etnológicas, Universidade Técnica de Lisboa, Portugal, em 1977. A seguir foi a Meinz, Universidade da Cátedra Richard Thurnwald , oferecida a mim em 1984, o que eu amavelmente recusei. Já estava no ISCTE! O texto de Jorge Freitas Branco, um dos vários que hoje tem – é, como eu, um viciado na escrita -, define-se como Etnólogo A Universidade de Coimbra outorgou a equivalência ao seu grau de Doutor em 1984, mas persistiu em ficar como Assistente. Foi em 1983 que começou a trabalhar connosco e apenas em 1986, aceitou ser promovido a Professor Auxiliar e fez agregação nesse mesmo ano. O facto de ser Doutor pela Alemanha, explica que, ao ser entrevistado por nós, ele não queria ficar como professor Auxiliar, porque ainda não era Doutor por Portugal. No entanto, eu lutei imenso para ser reconhecido como tal, o que ele agradeceu com simpatia e visitas eternas à minha casa da Parede, vizinha a Oeiras, onde tem morado. O livro tem uma dedicatória escrita a mão, que eu tenho agradecido para sempre, pela simpatia e pelo teor da dedicatória.
Aliás, acompanhou a minha doença e recuperação do cancro que me ia matando, com visitas e telefonemas, mais um agradecimento! Após ter passado por cargos políticos na Madeira, sem nunca abandonar a sua dedicação ao ensino dentro da minha equipa do ISCTE e, a seguir, na sua Optativa América Latina e a sua independência ao ser transferido por mim para Antropologia Política do 4º ano da nossa Licenciatura, como refere o seu currículo e como eu lembro. Antes de trabalhar connosco, tinha sido parte do Governo Regional da Madeira, como Técnico Superior de 1ª classe – enquanto lá residida e ensinava na Universidade de La Laguna, todo o que aconteceu entre 1978 e1983. Cansado já de tanto trabalho político, concorreu para trabalhar connosco em 1984. Na sua forma directa de referir factos, breve e cheia de conteúdo, advertiu que aceitava ficar no ISCTE, mas que devia ir à Madeira durante vários períodos do ano, o que foi aceite por nós perante a sua não apenas honestidade, bem como essa conveniência para a nossa pessoas com experiência política na nossa Licenciatura . Uma das sua actividades mais importantes, tem sido a de consolidar e participar no Centro Manuel Viegas Guerreiro, ou Centro de Tradições Populares Portuguesas Professor Manuel Viegas Guerreiro, na Universidade de Lisboa, o que o situa como colaborador do nosso ilustre Antropólogo. entre 1993 e 1996, ano da morte de Manuel Viegas. Aliás, o nosso Professor colaborou na continuidade da Revista Lusitânia, fundada pelo Doutor Leite, continuada pelo o nosso amigo e velho Professor Manuel Viegas, com a colaboração minha durante um tempo, e a mais permanente de Jorge Freitas Branco
Vamos deixar em paz ao nosso sabido docente, apenas com uma insistência sobre a sua imensas bibliografia . Bem como dizer fora eleito para o cargo de alta responsabilidade da Presidência do Nosso Conselho Científico, reuniões temidas por nós antes, por demorarem entre 4 e 5 horas, mas com o nosso disciplinado Doutor, começavam e acabavam a hora certa: duas horas e nem mais! Reuniões expeditas, sem preâmbulos nem discursos: pão, pão; vinho, vinho.
Lembrar um docente, a associação com outro aparece de imediato. A leitura passa a ser pesada se não encurto o relato, para mim, interessante e, espero, justo para os narrados. Cristiana David Lage Bastos, apresentou-se como candidata para essa imensa matéria que leccionava: Introdução à Antropologia Social, para Antropólogos e Sociólogos, cadeira comum da qual nunca quisera participar a Licenciatura de Gestão. Cristiana Bastos ensinava bem , mas em breve, quis se transferir ao ICS para trabalhar com os membros do Instituto, especialmente com João de Pina e Cabral. Era a docente que eu pretendia para uma aventura: ensinar Antropologia Médica, sabia imenso da matéria e hoje em dia, é nesta área do saber que ela trabalha. Não aconteceu connosco, falou comigo, levei o caso ao Conselho de Departamento, éramos já 10, e foi-me dito que ela devia repor em dinheiro os anos passados no ISCTE, o que me parecia raro e injusto. Solicitei um Convénio entre ela e o Departamento: todo o que fizer em texto doravante, seria para o Departamento. Começamos logo: solicitou-me orientar a sua tese de Mestrado pelo ISCTE e a sua dívida foi perdoada.
Acabada a tese, examinada e aprovada, a sua dívida ficou saldada. Cristiana Bastos está referida em . A tese foi defendida na Universidade Nova por causa do nosso Departamento não ter ainda licença para outorgar pós graduações, mas na tese constava que era para o ISCTE, Licenciatura de Antropologia, em 1987 e nós apenas começamos a outorgar pós graduações a partir de 1990, quando o ISCTE era uma universidade no incluída entre as Universidades Portuguesas, mas tinha sítio no Conselho de Reitores- o CRUP. A tese não foi apenas orientada por mim, bem como era o meu método, percorri com ela o Alto Barrocal Algarvio, sítio para a sua pesquisa. Foi a nossa Assistente entre 1983 e 1990, pelo concurso ganho por ela. A tese foi examinada antes desse Abril de 1990, quando o Departamento já podia outorgar pós-graduações. O seu currículo, bem impressionante, está referido em nota de rodapé .Texto referido e recenseado na nota de rodapé a seguir a anterior .
Notas:
Todos eles referidos na Introdução deste texto
Thunwarld está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Richard+Thurnwald&spell=1 , especialmente na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Thurnwald , que refere: Richard Thurnwald (1869 - 1954) foi um antropólogo e sociólogo alemão. Fundador da Revista de Psicologia e Sociologia dos Povos, seus estudos seguem a escola funcionalista. Destacou-se na área dos estudos comparativos das instituições sociais. Suas obras foram: Negros e brancos no leste da África (1935), Estrutura e sentido da etnologia (1948).Fica para o leitor procurar mais referências ao activar os sítios net, citações em azul ou vermelhão, quando, eu, sem dar por isso, pressiono a baixada do texto!.
O texto oferecido a mim , foi publicado em 1987, pela Publicações Dom Quixote, e o título indica o conteúdo: Camponeses da Madeira. As bases Materiais do quoridiano no Arquipiélago (1750-!900), definida pela editora como uma monografia etnológica, que revela as dotes de historiador e geógrafo do nosso colega, conhecimento que lhe têm permitido trabalhar com os Historiadores do ISCTE, especialmente coma Doutora Luisa Tiago de Oliveira. Têm escrito vários livros em conjunto. Jorge Freitas Branco, presidiu o Conselho Científico do ISCTE, a substituir a Lurdes Rodrigues, transferida pelo o seu partido socialista para Ministra da Educação. Governou o CC durante quatro anos, entre 2002 e 2006. Está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jorge+Freitas+Branco&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992 , no qual aparece um impressionante currículo.
No seu currículo aparece as suas linhas de investigação:
Instituto de Etnomusicologia -Centro de Estudos de Música e Dança
Linhas de Investigação
Jun/2007-Actual- Etnomusicologia e Estudos em Cultura Popular
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
Out/1996-Actual Departamento de Antropologia
Linhas de investigação»Research fields:
- Culturas do laicismo
Jan/1986-Actual Departamento de Antropologia Linhas de investigação»Research fields:
- Cultura material e culturas técnicas
Mai/1996-Mai/2004 Unidade de investigação DepANT
Linhas de investigação»Research fields:
- Motorização da sociedade -
Etnografias, culturas populares e modernidade em Portugal
Retirado da página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992
Para saber mias, visite todo o sítio: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992
Cristiana Bastos está referidas no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Cristiana+Bastos&spell=1 especialmente o seu texto de Mestrado, já livro: Os Montes do Nordeste Algarvio, Editorial Cosmos, Lisboa,1993
Cristiana David Lage Bastos, CV: http://www.ics.ul.pt/corpocientifico/cristianabastos/cvbastos2005.pdf
Cristiana Bastos tem-se transformado em uma lutadora contra a SIDA, balbuciado na sua tese dos Montes Algarvios, começo dessa sua luta que, no meu ver é louvável e de grande esforço, como é referido em: https://www.ics.ul.pt/rd/person/ppgeral.do?idpessoa=25 Uma recensão aparece em: http://216.239.59.104/search?q=cache:Qr_zWnSQ9tsJ:www.culturgest.pt/docs/hc11032005.pdf+Cristiana+Bastos+Os+Montes+do+Nordeste+Algarvio&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=5&gl=pt
(Continua)
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (32)
(Continuação)
Retomo o texto central para comentar que não estava muito certo se iam ou não ser bem sucedidas no ISCTE, como em Cambridge, as aulas de Gabinete, ou tutorias. E foram! A partir desse dia a minha luta passou a ser diminuir o número de aulas para intensificar a relação pessoal, na nossa Instituição, excepto orientações de teses, que ainda mantenho dentro da minha casa, com resultados excelentes: música de Bach muito baixa, pasteis, chá e leitura prévia dos documentos enviados, antigamente, por correio, hoje, via Net.
A grande tristeza de esta história toda, foi a prematura morte de um dos transferidos de Sociologia para Antropologia, Paulo Valverde, em vias de ser Doutor, falecido muito cedo em Lisboa, em Abril também de 1999, por causa da malária adquirida em trabalho de campo trabalho de campo na República de São Tomé e Príncipe, cujo cadáver tive que identificar, bem como consolar a uma Rosa Maria Perez que tinha vindo ao visitar no Hospital e que, ao saber a notícia, chorava sem parar, solicitei para não mostrar tristeza perante a mãe, mulher, irmão e filho, que nada sabiam. Foi preciso falar com eles para os advertir, antes de se encontrar um quarto sem corpo. Ficaram de luto apressado pela notícia. Foi preciso debater com a médica de turno para permitir a incineração do seu corpo, tal como o Paulo queria.
Retomo o texto central para comentar que não estava muito certo se iam ou não ser bem sucedidas no ISCTE, como em Cambridge, as aulas de Gabinete, ou tutorias. E foram! A partir desse dia a minha luta passou a ser diminuir o número de aulas para intensificar a relação pessoal, na nossa Instituição, excepto orientações de teses, que ainda mantenho dentro da minha casa, com resultados excelentes: música de Bach muito baixa, pasteis, chá e leitura prévia dos documentos enviados, antigamente, por correio, hoje, via Net.
A grande tristeza de esta história toda, foi a prematura morte de um dos transferidos de Sociologia para Antropologia, Paulo Valverde, em vias de ser Doutor, falecido muito cedo em Lisboa, em Abril também de 1999, por causa da malária adquirida em trabalho de campo trabalho de campo na República de São Tomé e Príncipe, cujo cadáver tive que identificar, bem como consolar a uma Rosa Maria Perez que tinha vindo ao visitar no Hospital e que, ao saber a notícia, chorava sem parar, solicitei para não mostrar tristeza perante a mãe, mulher, irmão e filho, que nada sabiam. Foi preciso falar com eles para os advertir, antes de se encontrar um quarto sem corpo. Ficaram de luto apressado pela notícia. Foi preciso debater com a médica de turno para permitir a incineração do seu corpo, tal como o Paulo queria.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Esperanza - una historia de vida - 4, por Raúl Iturra
(Continuação)
• El declive de la literatura gallego-portuguesa de alrededor del año 1350
• La centralización administrativa y el control del Reino de Galicia que se da como finalizada, esta sí, con el viaje a Santiago de Compostela de los Reyes Católicos en 1486.
• La asunción del castellano como lengua de las clases altas y de la administración.
Otras medidas que también fueron tomadas por los Reyes Católicos y que pretenden reformar la administración del Reino de Galicia bajo su autoridad son:
• Nombramiento de un Gobernador-Capitán General foráneo plenipotenciario (auténtico virrey).
• Creación de un órgano jurisdiccional para a impartición de la Justicia en el nombre de la Monarquía: La Real Audiencia del Reino de Galicia, presidida por el Gobernador-Capitán General
• Orden de no reconstruir los castillos derrumbados por los irmandiños.
• Integración de los monasterios gallegos en las congregaciones de Castilla y Valladolid.
• El mariscal Pero Pardo de Cela es decapitado en Mondoñedo, lo cual implica la anexión de sus territorios (El Bierzo) en los de la Corona de Castilla; Pedro Madruga, conde de Camiña y Soutomaior es arrinconado en Portugal y, posteriormente, asesinado.
Tras la unificación de los reinos peninsulares que dieron lugar al Reino de España, el órgano de representación del Reino de Galicia fue la Junta do Reyno, creada en 1528. Hasta su disolución este órgano constituyó la expresión política, si bien su existencia como cabía esperar fue poco significativa durante todo el Antiguo Régimen.
• El declive de la literatura gallego-portuguesa de alrededor del año 1350
• La centralización administrativa y el control del Reino de Galicia que se da como finalizada, esta sí, con el viaje a Santiago de Compostela de los Reyes Católicos en 1486.
• La asunción del castellano como lengua de las clases altas y de la administración.
Otras medidas que también fueron tomadas por los Reyes Católicos y que pretenden reformar la administración del Reino de Galicia bajo su autoridad son:
• Nombramiento de un Gobernador-Capitán General foráneo plenipotenciario (auténtico virrey).
• Creación de un órgano jurisdiccional para a impartición de la Justicia en el nombre de la Monarquía: La Real Audiencia del Reino de Galicia, presidida por el Gobernador-Capitán General
• Orden de no reconstruir los castillos derrumbados por los irmandiños.
• Integración de los monasterios gallegos en las congregaciones de Castilla y Valladolid.
• El mariscal Pero Pardo de Cela es decapitado en Mondoñedo, lo cual implica la anexión de sus territorios (El Bierzo) en los de la Corona de Castilla; Pedro Madruga, conde de Camiña y Soutomaior es arrinconado en Portugal y, posteriormente, asesinado.
Tras la unificación de los reinos peninsulares que dieron lugar al Reino de España, el órgano de representación del Reino de Galicia fue la Junta do Reyno, creada en 1528. Hasta su disolución este órgano constituyó la expresión política, si bien su existencia como cabía esperar fue poco significativa durante todo el Antiguo Régimen.
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domingo, 29 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
Portugal é um país em permanente transição, referido ao longo deste cumprido texto, escrito para o melhor sítio de debate académico. Até a entrada dos Bonapartistas no Século XIX, a começos do Séc. XX, toda terra era do Rei. Fosse quem for o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava jà pousada jà na cabeça da imagem da Nossa Senhora em Vila Viçosa. Por séculos. A terra era conquista da Coroa, a partir de Afonso Henriques. Excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos pelos benefícios que este dava. A entrada dos Bonapartistas, acabada na guerra Peninsular e com a perca das guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Pregou o acabamento do contrato da enfiteuse. Bem como o fim do Morgadio, esse que transferia as terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera tinha lutado pela sua abolição (1845), e foi expulso a causa da sua revelia. Como Verdi, na Itàlia (1859), o que o levou ao Parlamento constitucional mais tarde. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham, e não do direito de raiz, esse quarto direito da lei visigótica, jà definido. Lei que dava direito aos proprietàrios que viverem dos rendimentos acumulados na colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros.
Portugal é um país em permanente transição, referido ao longo deste cumprido texto, escrito para o melhor sítio de debate académico. Até a entrada dos Bonapartistas no Século XIX, a começos do Séc. XX, toda terra era do Rei. Fosse quem for o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava jà pousada jà na cabeça da imagem da Nossa Senhora em Vila Viçosa. Por séculos. A terra era conquista da Coroa, a partir de Afonso Henriques. Excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos pelos benefícios que este dava. A entrada dos Bonapartistas, acabada na guerra Peninsular e com a perca das guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Pregou o acabamento do contrato da enfiteuse. Bem como o fim do Morgadio, esse que transferia as terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera tinha lutado pela sua abolição (1845), e foi expulso a causa da sua revelia. Como Verdi, na Itàlia (1859), o que o levou ao Parlamento constitucional mais tarde. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham, e não do direito de raiz, esse quarto direito da lei visigótica, jà definido. Lei que dava direito aos proprietàrios que viverem dos rendimentos acumulados na colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros.
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A poesia e a organização do trabalho
Carlos Loures
Prosseguindo neste debate em que, com o Adão Cruz, tenho vindo a dar achegas para a compreensão da poesia enquanto fenómeno social, trago hoje um testemunho de um filósofo e antropólogo britânico, George Derwent Thomson (1903-1987). Num estudo que publicou em 1945 e que a que deu o título de «Marxism and Poetry» (com uma edição portuguesa, da Teorema, em 1977 – «Marxismo e Poesia»), aborda o tema de uma óptica onde se integram a sociologia, a antropologia e a linguística. Baseia-se, principalmente, em estudos de campo e na recolha de testemunhos de sociedades primitivas, já que a poesia produzida por esse tipo de sociedades não pode ser estudada em espécimes escritos; a sua natureza oral antecede em muitos milhares de anos a escrita e o conceito de literatura. Como Thomson diz, a poesia representa um tipo especial de palavra – se queremos estudar a sua origem, temos de a procurar na origem da palavra e isto, em última análise, significa estudar a origem do homem, pois a palavra constitui um dos traços distintivos mais importantes do homem.
Prosseguindo neste debate em que, com o Adão Cruz, tenho vindo a dar achegas para a compreensão da poesia enquanto fenómeno social, trago hoje um testemunho de um filósofo e antropólogo britânico, George Derwent Thomson (1903-1987). Num estudo que publicou em 1945 e que a que deu o título de «Marxism and Poetry» (com uma edição portuguesa, da Teorema, em 1977 – «Marxismo e Poesia»), aborda o tema de uma óptica onde se integram a sociologia, a antropologia e a linguística. Baseia-se, principalmente, em estudos de campo e na recolha de testemunhos de sociedades primitivas, já que a poesia produzida por esse tipo de sociedades não pode ser estudada em espécimes escritos; a sua natureza oral antecede em muitos milhares de anos a escrita e o conceito de literatura. Como Thomson diz, a poesia representa um tipo especial de palavra – se queremos estudar a sua origem, temos de a procurar na origem da palavra e isto, em última análise, significa estudar a origem do homem, pois a palavra constitui um dos traços distintivos mais importantes do homem.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
Capitulo 2
Foste feito, eu existo. Como era.
Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocam nas nossas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?
A- Victoria
O caso de Victoria é simples: nasceu do matrimónio de Clodomiro Berrios e Reneria Castro, como defini antes. Clodomiro é gestor das terras das famílias antigas da aristocracia espanhola e criolla, nas terras do fundo El Almendro, da hacienda Quepo, que se estende entre a cidade de Talca e o Concelho de Pencahue. Nasce filho do feitor das terras onde o Libertador do Chile, Bernardo O´Higgins Riquelme, fora criado, dois séculos antes, quando as terras pertenciam a família portuguesa de Albano Pereira, quem, por encargo do Vice Rei da Coroa Espanhola, Ambrósio O´Higgins, pai do Libertador que andava de amores com uma dama da alta aristocracia criolla, Doña Isabel Riquelme y Mesa. Por conveniências sociais, a criança nascida para ser Libertad foi levado a Talca, onde foi criado ao cuidado de Don Juan Albano Pereira e de sua esposa, Doña Bartolina de la Cruz. Não podia casar com Doña Isabel Riquelme, por causa do seu cargo todo Vice-Rei deve ser solteiro para não usufruir para si ou a sua família, bens de Coroa Reinante. Com todo, reconheceu ao filho, fez dele o seu herdeiro e o enviara a educar na Inglaterra e Espanha.
Bernardo O´Higgins Riquelme a lutar pela independência do Chile en 1810.
Capitulo 2
Foste feito, eu existo. Como era.
Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocam nas nossas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?
A- Victoria
O caso de Victoria é simples: nasceu do matrimónio de Clodomiro Berrios e Reneria Castro, como defini antes. Clodomiro é gestor das terras das famílias antigas da aristocracia espanhola e criolla, nas terras do fundo El Almendro, da hacienda Quepo, que se estende entre a cidade de Talca e o Concelho de Pencahue. Nasce filho do feitor das terras onde o Libertador do Chile, Bernardo O´Higgins Riquelme, fora criado, dois séculos antes, quando as terras pertenciam a família portuguesa de Albano Pereira, quem, por encargo do Vice Rei da Coroa Espanhola, Ambrósio O´Higgins, pai do Libertador que andava de amores com uma dama da alta aristocracia criolla, Doña Isabel Riquelme y Mesa. Por conveniências sociais, a criança nascida para ser Libertad foi levado a Talca, onde foi criado ao cuidado de Don Juan Albano Pereira e de sua esposa, Doña Bartolina de la Cruz. Não podia casar com Doña Isabel Riquelme, por causa do seu cargo todo Vice-Rei deve ser solteiro para não usufruir para si ou a sua família, bens de Coroa Reinante. Com todo, reconheceu ao filho, fez dele o seu herdeiro e o enviara a educar na Inglaterra e Espanha.
Bernardo O´Higgins Riquelme a lutar pela independência do Chile en 1810.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
C Ciclos
3ª Parte, Capítulo I
Estas crianças crescidas, são o resultado das estratégias reprodutivas dos seus ancestrais, como vamos ver no capítulo 3. O seu saber, é manipulado ao contrário do ensinado pelos pais, pelos parentes. O seu saber é levado pela conjuntura dos tempos e das reacções dos seus pares. Eu insisto de que as crianças estão feitas para fugirem deles, das formas mais complexas possíveis. (Iturra 1997 c ). Em pequenos, da sua vista. Em adultos, da sua vigilância. Em adolescentes, da sua forma de aconselhar e controlar. Justo a altura em que eles querem entrar sós no mundo. Já o diz Daniel Sampaio: Vivemos em uma prisão (1998). A prisão da qual estas três jovens escapam de forma inteligente. Como o fazem os seus germanos e pares da sua geração. Quando conheci a estes todos, e a estas três, que são o elo de ligação que me permite falar das outras e dos outros, parecia que ião ser como as mães delas, como as mesmas mães delas. Como os mesmos pais delas. Bem define Klein (1932) que a rebeldia das crianças e a procura da sua autonomização. Bem é verdade que Klein nunca estudou este tipo de crianças. Boa discípula de Freud, ela dedica o seu tempo ao que ela pensava era o objecto científico, a burguesia urbana nor-europeia. Alice Miller é quem universaliza a teoria dreudiana, a partir do entendimento de ver a pequenada europeia do campo e da cidade, (1983ª e 1983 b), cujas historias de vida analisa a maneira de Georges Devereux (1985). É desses autores, que é possível retirar algumas ideias dos ciclos de vida que acompanham o tempo do saber. Victoria e os seus pares Picunche, vivem a tecer, semear, ir a escola, observar aos adultos que estão no meio de uma revolta social que acaba em ditadura. E o silêncio que ela aprende, é como o silêncio dos outros, resultado da desconfiança de passar a ser pessoas desaparecidas. Especialmente, porque ao pé deles, hoje, estava o irmão de mulher do ditador do Chile, feito proprietário das terras da antiga aristocracia espanhola e criolla - é dizer, pessoas nascidas mais tarde, no Reyno do Chile, como diz Ovalle (1646). Proprietário que tinha uma guarda especial, delatora, com fuzis, com espingardas, que não era recebido em casa nenhuma de antigos proprietários. De raros antigos proprietários que ficaram com terra nos anos setenta deste século. Esses que como tantos outros, não tiveram que sair. Famílias, também, que não iam receber Victoria, porque era filha de Inquilinos. E a hierarquia sempre existia no social, respeitada pelo grande número de habitantes de Pencahue. Eu próprio fui á casa dos proprietários da maior propriedade de terras do lugar, Rauquen. Fui bem recebido e até a falarmos em inglês, língua não oficial, mas muito natural para pessoas antigas em essa terra. Victoria e a nossa amiga e colaboradora de pesquisa, Técnica Veterinária de Talca, Alejandra Cárcamo, ficaram fora, ignoradas. Pelo qual eu rapidamente sai. Porque, as experiências de todos eles, é a de ser deitados fora, de tirarem o chapéu, de terem que lutar pela vida dura.
C Ciclos
3ª Parte, Capítulo I
Estas crianças crescidas, são o resultado das estratégias reprodutivas dos seus ancestrais, como vamos ver no capítulo 3. O seu saber, é manipulado ao contrário do ensinado pelos pais, pelos parentes. O seu saber é levado pela conjuntura dos tempos e das reacções dos seus pares. Eu insisto de que as crianças estão feitas para fugirem deles, das formas mais complexas possíveis. (Iturra 1997 c ). Em pequenos, da sua vista. Em adultos, da sua vigilância. Em adolescentes, da sua forma de aconselhar e controlar. Justo a altura em que eles querem entrar sós no mundo. Já o diz Daniel Sampaio: Vivemos em uma prisão (1998). A prisão da qual estas três jovens escapam de forma inteligente. Como o fazem os seus germanos e pares da sua geração. Quando conheci a estes todos, e a estas três, que são o elo de ligação que me permite falar das outras e dos outros, parecia que ião ser como as mães delas, como as mesmas mães delas. Como os mesmos pais delas. Bem define Klein (1932) que a rebeldia das crianças e a procura da sua autonomização. Bem é verdade que Klein nunca estudou este tipo de crianças. Boa discípula de Freud, ela dedica o seu tempo ao que ela pensava era o objecto científico, a burguesia urbana nor-europeia. Alice Miller é quem universaliza a teoria dreudiana, a partir do entendimento de ver a pequenada europeia do campo e da cidade, (1983ª e 1983 b), cujas historias de vida analisa a maneira de Georges Devereux (1985). É desses autores, que é possível retirar algumas ideias dos ciclos de vida que acompanham o tempo do saber. Victoria e os seus pares Picunche, vivem a tecer, semear, ir a escola, observar aos adultos que estão no meio de uma revolta social que acaba em ditadura. E o silêncio que ela aprende, é como o silêncio dos outros, resultado da desconfiança de passar a ser pessoas desaparecidas. Especialmente, porque ao pé deles, hoje, estava o irmão de mulher do ditador do Chile, feito proprietário das terras da antiga aristocracia espanhola e criolla - é dizer, pessoas nascidas mais tarde, no Reyno do Chile, como diz Ovalle (1646). Proprietário que tinha uma guarda especial, delatora, com fuzis, com espingardas, que não era recebido em casa nenhuma de antigos proprietários. De raros antigos proprietários que ficaram com terra nos anos setenta deste século. Esses que como tantos outros, não tiveram que sair. Famílias, também, que não iam receber Victoria, porque era filha de Inquilinos. E a hierarquia sempre existia no social, respeitada pelo grande número de habitantes de Pencahue. Eu próprio fui á casa dos proprietários da maior propriedade de terras do lugar, Rauquen. Fui bem recebido e até a falarmos em inglês, língua não oficial, mas muito natural para pessoas antigas em essa terra. Victoria e a nossa amiga e colaboradora de pesquisa, Técnica Veterinária de Talca, Alejandra Cárcamo, ficaram fora, ignoradas. Pelo qual eu rapidamente sai. Porque, as experiências de todos eles, é a de ser deitados fora, de tirarem o chapéu, de terem que lutar pela vida dura.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
B Tempo
3ª parte Capítulo 1
Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962), todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao próprio saber, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso. Há já dois irmãos e uma irmã, bem mais velhos do que ela, quando ela aparece na Historia. Germanos, como em Antropologia denominam-se aos irmãos. Germanos, que já tinham um conglomerado de outras pessoas de fora do lar, nas suas relações. Relações que Victoria perturbava, por refrear a dinâmica mais desenvolvida, de esses germanos mais velhos. A sua alternativa é mais interna, mais íntima do lar: os pais, os cantos dos mesmos, as fantasias desses cantos, os jogos solitários, a cozinha, esse sítio de trabalho da Yeyé. As saídas com essa mãe Yeyé aos sítios dos adultos, a relação com os adultos, intermediada pela Yeyé. Beatriz é já uma pessoa pré adolescente de onze anos, quando a sua irmã Victoria aparece, e os irmãos Maurício e Eduardo, homens de experiência larga de adolescentes desenvolvidos (ver Genealogia 1). O grupo pessoal de Victoria, o grupo que a recebe, tem já um pai com filhos alem do quadro, e filhos do quadro, como gostaria dizer: do matrimónio, e de fora do matrimónio. Em consequência, o irmão do quadro, Maurício, tinha conhecido o silêncio da luta do casal, fora das relações abertas com a vizinhança que ainda os não acolhia, os cuidados preferenciais de uma mãe nova para um filho só, e foi aceitando a entrada dos outros á sua vida. Havia escola, ia a escola, era o pioneiro do livro e do caderno, essas novidades do saber de fora do lar, às quais os seus irmãos ião - se habituando pela prática de os ver. Como Victoria, a intelectual do grupo, a Técnica Agrícola de hoje, superiormente habilitada na próxima cidade de Talca, sem surpresa nenhuma com a disciplina de estudar. De conhecer métodos para entender a realidade pragmática.
B Tempo
3ª parte Capítulo 1
Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962), todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao próprio saber, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso. Há já dois irmãos e uma irmã, bem mais velhos do que ela, quando ela aparece na Historia. Germanos, como em Antropologia denominam-se aos irmãos. Germanos, que já tinham um conglomerado de outras pessoas de fora do lar, nas suas relações. Relações que Victoria perturbava, por refrear a dinâmica mais desenvolvida, de esses germanos mais velhos. A sua alternativa é mais interna, mais íntima do lar: os pais, os cantos dos mesmos, as fantasias desses cantos, os jogos solitários, a cozinha, esse sítio de trabalho da Yeyé. As saídas com essa mãe Yeyé aos sítios dos adultos, a relação com os adultos, intermediada pela Yeyé. Beatriz é já uma pessoa pré adolescente de onze anos, quando a sua irmã Victoria aparece, e os irmãos Maurício e Eduardo, homens de experiência larga de adolescentes desenvolvidos (ver Genealogia 1). O grupo pessoal de Victoria, o grupo que a recebe, tem já um pai com filhos alem do quadro, e filhos do quadro, como gostaria dizer: do matrimónio, e de fora do matrimónio. Em consequência, o irmão do quadro, Maurício, tinha conhecido o silêncio da luta do casal, fora das relações abertas com a vizinhança que ainda os não acolhia, os cuidados preferenciais de uma mãe nova para um filho só, e foi aceitando a entrada dos outros á sua vida. Havia escola, ia a escola, era o pioneiro do livro e do caderno, essas novidades do saber de fora do lar, às quais os seus irmãos ião - se habituando pela prática de os ver. Como Victoria, a intelectual do grupo, a Técnica Agrícola de hoje, superiormente habilitada na próxima cidade de Talca, sem surpresa nenhuma com a disciplina de estudar. De conhecer métodos para entender a realidade pragmática.
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sábado, 21 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
1-Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trinta e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são.
1-Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trinta e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Saber (Parte de um livro meu em edição…)
Raúl Iturra
Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962) – todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao próprio saber, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso.
Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962) – todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao próprio saber, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso.
sábado, 14 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra (conclusão)
Este último texto da série Autores fundadores da Antropologia, pequenas notas biográficas extraídas da obra O Grupo Doméstico ou a Construção Conjuntural da Reprodução Social, de Raúl Iturra, é incluído por iniciativa da coordenação d Estrolabio e incorpora um testemunho do Professor Raúl Iturra.
É uma singela homenagem a quem tanto nos tem ensinado e cuja actividade científica, particularmente no campo da docência universitária, tanto significou para o avanço da Antropologia em Portugal..
«A ideia de Meyer de querer estrangeiros, como eu, nos seminários de Antropologia, devia-se ao facto da necessidade dos candidatos a antropólogos, aprenderem a integrarem-se em sociedades alheias. Não sermos ingleses era um bom pretexto para sermos submetidos à aprendizagem da cultura britânica e se passássemos por todos os rituais, estaríamos, então, habilitados a sermos antropólogos. O Antropólogo tem que seduzir, ver, ouvir, calar e nunca falar da sua vida pessoal. O meu próprio seminário de Cambridge, com o Jack como Catedrático, era composto por malteses, italianos e um outro de Espanha, que, apesar do meu empenhamento em colaborar no seu saber e com o seu inglês, só conseguiu acabar o doutoramento escrevendo a tese em castelhano, traduzida, depois, para inglês e, finalmente, defendida em Cambridge. Era o problema de todos os que não éramos anglo-falantes desde o começo, mas que, sem dar por isso, conseguíamos ultrapassar. Detalhe da chamada conversa trivial, para tornar mais amena a escrita e a arte de escrever. O que interessa saber é que Goody pensava que havia uma evolução na comunicação, ideia aprendida da sua leitura da obra de Vere Gordon Childe, textos que pode ser lidos em: http://algarvivo.com/arqueo/arqueologos/vere-childe.html. Mas, o que fora mais importante para ele, foi a sua leitura da obra de James Frazer, The Golden Bough, como tinha acontecido com Malinowski, e que lera em francês na altura em que esteve num campo de concentração em França, antes de ser transferido para a Alemanha: Le rameau d’or, foi para ele a leitura que o fez antropólogo, como relata na sua entrevista e como me contara a mim numa conversa, dessas raras que tínhamos em privado, sempre estava rodeado de gente. Aliás, se não me lembro mal, entrar no seu gabinete de Professor William Wyse de Antropologia de Cambridge, era um risco: ou estava todo amável e sorridente, ou a maior parte das vezes a secretária Janette advertia-me que era melhor não entrar, que estava mal-humorado. Era verdade, dezenas de vezes sai do seu gabinete com livros a serem atirados sobre a minha cabeça, lançados por ele sobre o meu magro e indefeso corpo, por causa do seu mudável humor: ora amigo, ora cheio de raiva. O resto da conversa trivial fica para outros livros meus, onde estão relatados outros factos, ou para o livro citado de entretiennes. O que interessa é essa primeira frase do livro que me orienta, The domestication of the savage mind, 1977, Cambridge University Press. Na primeira frase do primeiro capítulo, página 1, aparece essa ideia que debate ao longo de 178 páginas: As vias pelas que têm passado as mudanças do modo de pensar em diversas sociedade, no tempo e no espaço, é uma temática sobre a qual muitos de nós temos especulado uma e outra vez..... O nosso modo de pensar: porque é que os indígenas se comportam do modo como o fazem; o que nós pensamos que eles pensam; porque é que a arte africana difere da Arte Europeia Ocidental, ou se vemos uma pintura, desde a sua perspectiva histórica, pensamos o que está por detrás dessa ideia, ou no Antigo Médio Oriente, na Grécia ou na Europa Renascentista, sítios em que novas formas de pensar aparecem e substituem outras... São questões que têm feito pensar e debater inúmeras vezes ao antropólogos, sociólogos, psicólogos, historiadores e filósofos, sobre a mudança do pensamento mágico para o pensamento científico ou racional. O problema está em que são pensamentos que nos separam a nós dos outros, pensamento que é ao mesmo tempo binário e etnocêntrico, ideias que limitam a nossa maneira de pensar e analisar...às vezes usamos as taxonomias folclóricas de forma simples e, quando não conseguimos entender o pensamento do outro, substituímos o pensamento simplista por sinónimos polissilábicos... Falamos de sociedades avançadas, como se a mente humana funciona-se ao mesmo ritmo e da mesma forma que uma qualquer máquina. Metáfora impossível de aplicar: as máquinas, tecnologia cultural, não pensam. Se a emergência da ciência no Renascimento, na Antiga Grécia ou ainda antes, na Babilónia, tivesse tido um período pré-científico no qual predominasse o pensamento mágico, os filósofos descreveriam esse processo como a emergência do racional a partir do irracional.....Palavras de Goody e minhas, ao percebermos que existiam formas de pensamento que convertiam em intelectuais os membros das sociedades iletradas, em que a literacia e o criticismo colaboram na criação do conhecimento, acabando o processo na aprendizagem da literacia e na classificação, até se reconsiderar essa grande dicotomia, como fala Goody, e aceitar que entre os selvagens há pensamento intelectual denominado mágico, tal como entre nós existem várias formas de pensar que são mágicas. Mesmo nas sociedades primitivas há intelectuais. Em todas as sociedades há um pensamento lógico, e, em algumas existe o pensamento científico primeiro, serve para a interpretação simbólica da realidade; o outro é a forma utilitária de pensar. Falando de outra maneira, digo na minha obra, baseada na do Jack, podia acrescentar como o pensamento selvagem é conquistado ou domesticado pela lógica simbólica cultural, bem como, o pensamento selvagem seria a aplicação do cálculo utilitário ou da razão prática contra o cálculo da lógica cultural. A domesticação da mente selvagem, é o entendimento dos denominados povos civilizados de que há uma forma diferente de pensar entre vários povos, e que a aprendizagem da escrita fez surgir a História, forma de pensar que conquista a mente selvagem dos dois lados. Relativizar é a forma de conquistar ideias e mente. Quando surgem as datas, começa o pensamento histórico, como prova Lévi- Stauss no seu texto de 1962: La pensée sauvage, editado pela Librairie Plon, Paris, citado por Goody que usa a edição inglesa de 1966. Para Goody, é a escrita e a história, as que marcam a passagem do pensamento selvagem para o pensamento racional, entendendo, também, que o pensamento selvagem tem uma lógica exprimida em símbolos e fórmulas mágicas. É o relativismo cultural que domestica o pensamento selvagem, quer dos primitivos, quer dos europeus.
É uma singela homenagem a quem tanto nos tem ensinado e cuja actividade científica, particularmente no campo da docência universitária, tanto significou para o avanço da Antropologia em Portugal..
«A ideia de Meyer de querer estrangeiros, como eu, nos seminários de Antropologia, devia-se ao facto da necessidade dos candidatos a antropólogos, aprenderem a integrarem-se em sociedades alheias. Não sermos ingleses era um bom pretexto para sermos submetidos à aprendizagem da cultura britânica e se passássemos por todos os rituais, estaríamos, então, habilitados a sermos antropólogos. O Antropólogo tem que seduzir, ver, ouvir, calar e nunca falar da sua vida pessoal. O meu próprio seminário de Cambridge, com o Jack como Catedrático, era composto por malteses, italianos e um outro de Espanha, que, apesar do meu empenhamento em colaborar no seu saber e com o seu inglês, só conseguiu acabar o doutoramento escrevendo a tese em castelhano, traduzida, depois, para inglês e, finalmente, defendida em Cambridge. Era o problema de todos os que não éramos anglo-falantes desde o começo, mas que, sem dar por isso, conseguíamos ultrapassar. Detalhe da chamada conversa trivial, para tornar mais amena a escrita e a arte de escrever. O que interessa saber é que Goody pensava que havia uma evolução na comunicação, ideia aprendida da sua leitura da obra de Vere Gordon Childe, textos que pode ser lidos em: http://algarvivo.com/arqueo/arqueologos/vere-childe.html. Mas, o que fora mais importante para ele, foi a sua leitura da obra de James Frazer, The Golden Bough, como tinha acontecido com Malinowski, e que lera em francês na altura em que esteve num campo de concentração em França, antes de ser transferido para a Alemanha: Le rameau d’or, foi para ele a leitura que o fez antropólogo, como relata na sua entrevista e como me contara a mim numa conversa, dessas raras que tínhamos em privado, sempre estava rodeado de gente. Aliás, se não me lembro mal, entrar no seu gabinete de Professor William Wyse de Antropologia de Cambridge, era um risco: ou estava todo amável e sorridente, ou a maior parte das vezes a secretária Janette advertia-me que era melhor não entrar, que estava mal-humorado. Era verdade, dezenas de vezes sai do seu gabinete com livros a serem atirados sobre a minha cabeça, lançados por ele sobre o meu magro e indefeso corpo, por causa do seu mudável humor: ora amigo, ora cheio de raiva. O resto da conversa trivial fica para outros livros meus, onde estão relatados outros factos, ou para o livro citado de entretiennes. O que interessa é essa primeira frase do livro que me orienta, The domestication of the savage mind, 1977, Cambridge University Press. Na primeira frase do primeiro capítulo, página 1, aparece essa ideia que debate ao longo de 178 páginas: As vias pelas que têm passado as mudanças do modo de pensar em diversas sociedade, no tempo e no espaço, é uma temática sobre a qual muitos de nós temos especulado uma e outra vez..... O nosso modo de pensar: porque é que os indígenas se comportam do modo como o fazem; o que nós pensamos que eles pensam; porque é que a arte africana difere da Arte Europeia Ocidental, ou se vemos uma pintura, desde a sua perspectiva histórica, pensamos o que está por detrás dessa ideia, ou no Antigo Médio Oriente, na Grécia ou na Europa Renascentista, sítios em que novas formas de pensar aparecem e substituem outras... São questões que têm feito pensar e debater inúmeras vezes ao antropólogos, sociólogos, psicólogos, historiadores e filósofos, sobre a mudança do pensamento mágico para o pensamento científico ou racional. O problema está em que são pensamentos que nos separam a nós dos outros, pensamento que é ao mesmo tempo binário e etnocêntrico, ideias que limitam a nossa maneira de pensar e analisar...às vezes usamos as taxonomias folclóricas de forma simples e, quando não conseguimos entender o pensamento do outro, substituímos o pensamento simplista por sinónimos polissilábicos... Falamos de sociedades avançadas, como se a mente humana funciona-se ao mesmo ritmo e da mesma forma que uma qualquer máquina. Metáfora impossível de aplicar: as máquinas, tecnologia cultural, não pensam. Se a emergência da ciência no Renascimento, na Antiga Grécia ou ainda antes, na Babilónia, tivesse tido um período pré-científico no qual predominasse o pensamento mágico, os filósofos descreveriam esse processo como a emergência do racional a partir do irracional.....Palavras de Goody e minhas, ao percebermos que existiam formas de pensamento que convertiam em intelectuais os membros das sociedades iletradas, em que a literacia e o criticismo colaboram na criação do conhecimento, acabando o processo na aprendizagem da literacia e na classificação, até se reconsiderar essa grande dicotomia, como fala Goody, e aceitar que entre os selvagens há pensamento intelectual denominado mágico, tal como entre nós existem várias formas de pensar que são mágicas. Mesmo nas sociedades primitivas há intelectuais. Em todas as sociedades há um pensamento lógico, e, em algumas existe o pensamento científico primeiro, serve para a interpretação simbólica da realidade; o outro é a forma utilitária de pensar. Falando de outra maneira, digo na minha obra, baseada na do Jack, podia acrescentar como o pensamento selvagem é conquistado ou domesticado pela lógica simbólica cultural, bem como, o pensamento selvagem seria a aplicação do cálculo utilitário ou da razão prática contra o cálculo da lógica cultural. A domesticação da mente selvagem, é o entendimento dos denominados povos civilizados de que há uma forma diferente de pensar entre vários povos, e que a aprendizagem da escrita fez surgir a História, forma de pensar que conquista a mente selvagem dos dois lados. Relativizar é a forma de conquistar ideias e mente. Quando surgem as datas, começa o pensamento histórico, como prova Lévi- Stauss no seu texto de 1962: La pensée sauvage, editado pela Librairie Plon, Paris, citado por Goody que usa a edição inglesa de 1966. Para Goody, é a escrita e a história, as que marcam a passagem do pensamento selvagem para o pensamento racional, entendendo, também, que o pensamento selvagem tem uma lógica exprimida em símbolos e fórmulas mágicas. É o relativismo cultural que domestica o pensamento selvagem, quer dos primitivos, quer dos europeus.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
Edmund Leach (1910-1989), foi um Antropólogo Britânico que influenciou notavelmente à teoria da ciência da social anthropology. Foi um dos líderes na via de propagar o método neo-structuralism dentro da academia britânica, em conjunto com Mary Douglas, Rodney Needham, e Victor Turner.
Leach nasceu em Sidmouth, Devon, foi educado no colégio privado em Marlborough School e na Faculadade Clare College, da Universidade de Cambridge. Fez os seus estudos de pós graduação na London School of Economics (LSE), orientado por Bronislaw Malinowski, e quando este se transferira para as Universidades de Cornell, Harvard e Yale University dos EUA, essa orientação passou para Raymond Firth. Continuou a sua carreira académica ensinando na London School Economics na da Cambridge. Continuou a sua carreira de docente universitário como Provost ou Reitor da Faculdade do Rei o King’s College, entre (1966-1979), presidente do Royal Anthropological Institute (1971-1975), membro académico da British Academy desde 1972, e foi armado Cavalheiro da Monarquia em 1975. Fonte: a minha memória e privacidade com ele, especialmente na sua casa.
O seu trabalho de campo começou com uma viagem a Tobago em 1936, como médico de uma expedição antropológica. A seguir fez a sua própria expedição entre os Kachin, hoje em dia Myanamar, interrompido por causa da Guerra. Mais tarde fez trabalho de campo Bornéu, entre os habitantes da região cultural Curda, Kurdish cultural region, hoje em dia a moderna Myanmar de Sri Lanka. A sua análise é um repto: o seu modelo de uma sociedade fluida e instável que possui comportamentos conflituosos, desafiou a ideia tradicional britânica de ser os grupos estudados modelos de estruturas estáveis e funcionais, enraizada na mente antropológica britânica. O seu trabalho influiu profundamente no desenvolvimento da antropologia política. Leach também interpretou e introduziu na Grã-Bretanha os textos de Claude Lévi-Strauss. Os vários trabalhos de Sir Edmund Ronald Leach, incluem livros afamados pelo seu posicionamento estruturalista semiótico, como: Political Systems of Highland Burma (1954); Rethinking Anthropology (1961); In Pul Eliya: A Village in Ceylon (1961); e Social Anthropology (1982). Em 1967 as suas Lições Reith, abalizando problemáticas sociais na Grã-Bretanha, foram transmitidas pela BBC. Era denominado o Lévi-Strauss Britânico. Dele aprendi como trabalhar com grupos sociais que não realizam funções específicas, mas são um tecido de interacção recíproca e solidária, em donde as palavras ditas tinham um objectivo: aprendi com ele que as palavras falam pelo que estudar parentesco e propriedade, era definir os lugares sociais que as pessoas representam. Esta aproximação estruturalista, é a sua análise da conjuntura da reprodução social dos grupos domésticos. Para ele o que existia não era moléculas de uma grande e larga sociedade: eram seres humanos hierarquicamente classificados pela sua interacção e pelas suas posses de terra e o saber trabalhar o que deles era.
Leach nasceu em Sidmouth, Devon, foi educado no colégio privado em Marlborough School e na Faculadade Clare College, da Universidade de Cambridge. Fez os seus estudos de pós graduação na London School of Economics (LSE), orientado por Bronislaw Malinowski, e quando este se transferira para as Universidades de Cornell, Harvard e Yale University dos EUA, essa orientação passou para Raymond Firth. Continuou a sua carreira académica ensinando na London School Economics na da Cambridge. Continuou a sua carreira de docente universitário como Provost ou Reitor da Faculdade do Rei o King’s College, entre (1966-1979), presidente do Royal Anthropological Institute (1971-1975), membro académico da British Academy desde 1972, e foi armado Cavalheiro da Monarquia em 1975. Fonte: a minha memória e privacidade com ele, especialmente na sua casa.
O seu trabalho de campo começou com uma viagem a Tobago em 1936, como médico de uma expedição antropológica. A seguir fez a sua própria expedição entre os Kachin, hoje em dia Myanamar, interrompido por causa da Guerra. Mais tarde fez trabalho de campo Bornéu, entre os habitantes da região cultural Curda, Kurdish cultural region, hoje em dia a moderna Myanmar de Sri Lanka. A sua análise é um repto: o seu modelo de uma sociedade fluida e instável que possui comportamentos conflituosos, desafiou a ideia tradicional britânica de ser os grupos estudados modelos de estruturas estáveis e funcionais, enraizada na mente antropológica britânica. O seu trabalho influiu profundamente no desenvolvimento da antropologia política. Leach também interpretou e introduziu na Grã-Bretanha os textos de Claude Lévi-Strauss. Os vários trabalhos de Sir Edmund Ronald Leach, incluem livros afamados pelo seu posicionamento estruturalista semiótico, como: Political Systems of Highland Burma (1954); Rethinking Anthropology (1961); In Pul Eliya: A Village in Ceylon (1961); e Social Anthropology (1982). Em 1967 as suas Lições Reith, abalizando problemáticas sociais na Grã-Bretanha, foram transmitidas pela BBC. Era denominado o Lévi-Strauss Britânico. Dele aprendi como trabalhar com grupos sociais que não realizam funções específicas, mas são um tecido de interacção recíproca e solidária, em donde as palavras ditas tinham um objectivo: aprendi com ele que as palavras falam pelo que estudar parentesco e propriedade, era definir os lugares sociais que as pessoas representam. Esta aproximação estruturalista, é a sua análise da conjuntura da reprodução social dos grupos domésticos. Para ele o que existia não era moléculas de uma grande e larga sociedade: eram seres humanos hierarquicamente classificados pela sua interacção e pelas suas posses de terra e o saber trabalhar o que deles era.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
Julian Haynes Steward (31 de Janeiro de 1902 – 6 de Fevereiro de 1972) foi um antropólogo conhecido pelo seu papel no desenvolvimento de uma teoria científica de evolução cultural após a segunda guerra mundial. Fez os seus estudos de pré grau durante um ano em Berkeley, com dois tutores Alfred Kroeber e Robert Lowie. Transferiu-se para a Cornell University, formando-se em 1925 como Bachelor em Ciências de Zoologia. A maior parte das Universidades desses tempos careciam de departamentos de Antropologia, o Presidente da Universidade, Livingston Farrand, tinha ensinado previamente na Columbia University. Farrand aconselhou a Steward que continuara o seu interesse (ou, nas palavras de Steward, escolhera uma vida de trabalho) em antropologia em Berkeley (Fonte: Kerns 2003:71-72). Foi assim como Julian Haynes Steward estudara com Kroeber e Lowie, em Berkeley. Sua tese de doutoramento: The Ceremonial Buffoon of the American Indian, a Study of Ritualized Clowning and Role Reversals, foi aprovada em 1929. A tese foi feita em biblioteca, baseado no seu conhecimento dos povos mencionados. O título da tese é uma autêntica palhaçada, com um profundo significado. Eram os rituais do povo que estudou e com o qual vivera, usados para criar a agua que faltava. Uma forma de reprodução até esse dia nunca pensada. Era a palhaçada par ensinar ecologia aos povos das montanhas altas, os Shoshone locais e ao povo Paiute, que não apenas estudou, mas viveu com eles, povo que acordou em ele um grande interesse em estas área do saber.
Steward organizou um Departamento de Antropologia na University of Michigan, onde ensinara até 1930. O Departamento ganhou notoriedade por ter contratado, como orientador dos estudos antropológicos, a Leslie White. Steward não concordava com os princípios dos universais da cultura do novo orientador, um evolucionista cultural. Em 1930, Steward transferiu-se para a Universidade de Utah, que chamara a atenção de Ateward pela sua proximidade com a Serra Nevada, e a proximidade com novos campos de investigação arqueológicas em Califórnia, Nevada, Idaho, e Oregon. As suas experiências na Montanhas Altas e os povos já mencionados, Shoshone e Paiute, foram um grande incentivo para desenvolver a sua teoria. A natureza é cuidada enquanto se ensina à pessoas a não ter medo delas. Daí o título e conteúdo da sua tese.
O interesse de Steward para pesquisar, estava centrado na subsistência ou a interacção dinâmica entre o ser humano, médio ambiente, tecnologia, estrutura social e a organização do trabalho sobre estas correlações — uma aproximação que Kroeber qualificara como excêntrica, original e inovadora. (Fonte: Ethno Admin 2003) Em 1931, Steward pressionara por dinheiro para começar uma pesquisa para começar uma pesquisa na Grã Bacia Hidrográfica dos Shoshone, com o apoio dos recursos de Kroeber Culture Element Distribution (CED) para investigação; em 1935 foi designado membro da endinheirada Smithsonian’s Bureau of American Ethnography (BAE), que publicara os seus trabalhos mais influentes. Entre eles: Basin-Plateau Aboriginal Sociopolitical Groups (1938), onde explicara até o mais mínimo detalhe o paradigma da ecologia cultural, afastando-se assim, com grande brilho, da orientação difusionista da antropologia americana. Fonte: DeCamp, Elise. Julian Steward; Kerns, Virginia. 2003:151 Scenes from The High Desert: Julian Steward's Life and Theory University of Illinois Press. Bem como as palavras com mais história, de: http://en.wikipedia.org/wiki/Julian_Steward
Foi a maneira de esta equipa, que até no Peru, organizara a reprodução social conjuntural do Grupo Doméstico, dentro da teoria da Antropologia Ecológica.
Steward organizou um Departamento de Antropologia na University of Michigan, onde ensinara até 1930. O Departamento ganhou notoriedade por ter contratado, como orientador dos estudos antropológicos, a Leslie White. Steward não concordava com os princípios dos universais da cultura do novo orientador, um evolucionista cultural. Em 1930, Steward transferiu-se para a Universidade de Utah, que chamara a atenção de Ateward pela sua proximidade com a Serra Nevada, e a proximidade com novos campos de investigação arqueológicas em Califórnia, Nevada, Idaho, e Oregon. As suas experiências na Montanhas Altas e os povos já mencionados, Shoshone e Paiute, foram um grande incentivo para desenvolver a sua teoria. A natureza é cuidada enquanto se ensina à pessoas a não ter medo delas. Daí o título e conteúdo da sua tese.
O interesse de Steward para pesquisar, estava centrado na subsistência ou a interacção dinâmica entre o ser humano, médio ambiente, tecnologia, estrutura social e a organização do trabalho sobre estas correlações — uma aproximação que Kroeber qualificara como excêntrica, original e inovadora. (Fonte: Ethno Admin 2003) Em 1931, Steward pressionara por dinheiro para começar uma pesquisa para começar uma pesquisa na Grã Bacia Hidrográfica dos Shoshone, com o apoio dos recursos de Kroeber Culture Element Distribution (CED) para investigação; em 1935 foi designado membro da endinheirada Smithsonian’s Bureau of American Ethnography (BAE), que publicara os seus trabalhos mais influentes. Entre eles: Basin-Plateau Aboriginal Sociopolitical Groups (1938), onde explicara até o mais mínimo detalhe o paradigma da ecologia cultural, afastando-se assim, com grande brilho, da orientação difusionista da antropologia americana. Fonte: DeCamp, Elise. Julian Steward; Kerns, Virginia. 2003:151 Scenes from The High Desert: Julian Steward's Life and Theory University of Illinois Press. Bem como as palavras com mais história, de: http://en.wikipedia.org/wiki/Julian_Steward
Foi a maneira de esta equipa, que até no Peru, organizara a reprodução social conjuntural do Grupo Doméstico, dentro da teoria da Antropologia Ecológica.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
John Hajnal-Kónyi (26 November 1924 – 30 November 2008), foi Professor de Estatísticas na London School of Economics, 1975-86. A sua educação foi na University College School, Londres e Balliol College, Oxford. A importância de Hajnal reside no facto de ter fixado e provado, em um afamado capítulo de livro, um marco divisório para a história do matrimónio na Europa. Hajnal is known for identifying, in a landmark 1965 paper as normas históricas do matrimónio na Europa Ocidental, provando que as pessoas casavam tarde na vida e muitos eram solteiros. Os limites geográficos de este tipo de matrimónio sem precedentes, é denominado como a Hajnal line. Enquanto Hajnal defende que o aparecimento de tais padrões se verificou em finais do século XVI e que se pode associá-lo ao desenvolvimento do capitalismo e do protestantismo, outros assinalam a presença desses mesmos traços numa época anterior, embora como algo característico do Noroeste, mais do que de todo o Ocidente europeu.
O que Goody procurava eram regras semelhantes de matrimónio ao longo da história e de diferentes sítios geográficos do mundo. Encontrou em Hajnal uma marca divisória e taxativa de um tipo de matrimónio provadamente reiteraria ao longo do tempo. Os Grupos Domésticos eram poucos e de idade avançada. A resposta a estas formas diferentes de casar, Goody a comenta no Capítulo 8 do livro que me orienta, que intitula The hidden economy of kinship, ou, em português: A economia escondida do parentesco. Analisa a correlação entre as formas matrimoniais e parentais da formação das famílias, o que custa casar e o que ainda é mais caro divorciar. A primogenitura é uma das formas de acumular riqueza, como a celebração de matrimónios proibidos entre parentes consanguíneos chegados, como filhos de irmãos, o que eu defendo em outro texto. Defendo, por ser tão evidente que se e pagava ao Vaticano uma suma de dinheiro importante, o matrimónio podia ser realizado, como analiso no meu texto de 23 páginas: Stratégies de reproduction. Le droit cânon et le mariage ans un village portugais (1862-1983), em Droit et Société. Revue International de Droit et de Sociologie Juridique, Nº 5, 1987, CNRS, Paris. Bem como no meu (1991) 2001 : A religião como teoria da reprodução social, Fim de Século, Lisboa.
O que Goody procurava eram regras semelhantes de matrimónio ao longo da história e de diferentes sítios geográficos do mundo. Encontrou em Hajnal uma marca divisória e taxativa de um tipo de matrimónio provadamente reiteraria ao longo do tempo. Os Grupos Domésticos eram poucos e de idade avançada. A resposta a estas formas diferentes de casar, Goody a comenta no Capítulo 8 do livro que me orienta, que intitula The hidden economy of kinship, ou, em português: A economia escondida do parentesco. Analisa a correlação entre as formas matrimoniais e parentais da formação das famílias, o que custa casar e o que ainda é mais caro divorciar. A primogenitura é uma das formas de acumular riqueza, como a celebração de matrimónios proibidos entre parentes consanguíneos chegados, como filhos de irmãos, o que eu defendo em outro texto. Defendo, por ser tão evidente que se e pagava ao Vaticano uma suma de dinheiro importante, o matrimónio podia ser realizado, como analiso no meu texto de 23 páginas: Stratégies de reproduction. Le droit cânon et le mariage ans un village portugais (1862-1983), em Droit et Société. Revue International de Droit et de Sociologie Juridique, Nº 5, 1987, CNRS, Paris. Bem como no meu (1991) 2001 : A religião como teoria da reprodução social, Fim de Século, Lisboa.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
Meyer Fortes (April 25, 1906 – January 27, 1983) era um South African social anthropologist, bem conhecido pelos seus estudos sobre parentesco, e cultures. Por meio das suas comparações objectivas entre o seu próprio Judaism e religious beliefs (crenças religiosas) dos grupos tribais Tallensi e Ashanti de Ghana. Teve grande influência na dinamização dos estudos comparados em ethnology, especialmente em relação aos aspectos religiosos de diferentes tribos africanas que ele estudara, Fortes encontrou numerosas semelhanças. Por estar bem formado em psychologist e anthropologist, o seu trabalho se endereçou sobre o papel que desempenhavam as crenças religiosas e sentimentos de fé na social structures e comportamento cultural, sem analisar para nada as crenças doutrinais. Assim, o seu trabalho foi um contributo inapreciável para o nosso entendimento de valores universais comuns entre vários grupos, apoiando assim o bom entendimento e harmonia da interacção entre vários povos do mundo. Fonte: as minhas leituras, as nossas conversas, a leitura da sua obra e a aplicação da sua teoria entre os grupos sociais por mim estudados, com as palavras de: http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Meyer_Fortes, fonte de informação também.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
Sir Raymond William Firth (Auckland, 25 de Março de 1901 — Londres, 22 de Fevereiro de 2002) foi um etnólogo neozelandês. Um etnólogo que não soube esperar. Íamos comemorar os seus 101 anos – o seu pai tinha atingido, como bom Zelandês, os 104, e um mês antes das festividades para comemorar as suas formas de reproduzir saber, nos deixara. Dizem por ai que a vida é assim... A sua análise era sobre a economia, por se ter graduado em Ciências Económicas na Universidade de Auckland em 1921, e aprofundou os seus estudos durante o ano de 1922, ao cursar um Mestrado em Economia e um Diploma em Ciências Sociais em 1923. Queria aprofundar os seus estudos em Economia, mas, ao se transferir a Universidade de Londres, conhece a Malinowski quem o orienta para combinar a sua pesquisa económica com trabalho de campo no Pacífico. Sítio conhecido para Firth, esta relação com Malinowski resulta num doutoramento sobre a etnia Maori da Nova Zelândia. Não é estranho que apenas investigue a família, propriedade, acasalamentos e educação, sem analisar para nada a religião Maori, por ser um confesso ateu, como tive a sorte de ouvir da sua boca. De origem Maori ele próprio, acontece com ele essa conjuntura que aparece nas nossas sociedades: enquanto mais adultos, melhor optamos pelos nossos próprios meios. Aliás, a religião Maori tinha sido substituída por crenças europeias. Apesar de ser os neozelandeses de religião cristã pela actividade das missões anglicanas e católicas entre os Grupos Maori levam a Firth ignorar esse dado e fala, antes, de reciprocidade e de colaboração solidária entre os membros dos clãs Maori. Eles tinham e têm as suas próprias divindades, invocadas para diversas actividades: eles próprios. Sabiam distinguir entre seres humanos e espíritos, sendo estes o que mais temiam. Forma de acreditar que dá passo não a deuses, mas sim a símbolos que representam a realidade. Por outras palavras representações da realidade humana, como são explicadas na nota de rodapé pelo autor. Os símbolos e espíritos tinham nome. Te Puni, um chefe
Maori do século XIX espírito, que era chefe e símbolo. O símbolo mais usado como ritual pelo povo Maori, era uma impressionante tatuagem, pintada na cara: a tatuagem moko. Para muitas culturas a mão, o rosto e o pescoço estão fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é. A tatuagem tinha uma coisa distintiva de status dentro da tribo, ou do clã. A posição social é dada pela tatuagem também. Quando eles entravam em guerra, cortavam a cabeça do inimigo e colocavam-na em urnas sagradas. No século 19, as cabeças tatuadas dos guerreiros maoris se tornaram objectos cobiçados por coleccionadores europeus. Começou, então, o tráfico dessas cabeças, os próprios maoris passaram as trocar por armas de fogo. Era uma história assustadora e triste, pois eles tatuavam para matar e vender.
O que interessa para a reprodução, é saber as formas de trabalho. Narrada antes, apenas acrescento que a divisão do trabalho é por sexo. Todo o que diz respeito a plantações hortícolas, é trabalho de homem, tal como o é construir casa, fabricar canoas, instrumentos de trabalho, instrumentos musicais, preservar cabeças humanas. É sabido que os Maori são um povo canibal, como diz a página 134 do livro que me orienta: Primitive Economics of the New Zealand Maori, George Routledge & Sons. Ltd, Londres, 1929,1ª Edição. Costumam preservar com óleo as cabeças dos seus inimigos. Cabe as mulheres cuidar a casa, o preparar as comidas, os trabalhos no mar, como retirar algas e pescar. Como foi relatado antes, os fundamentos das famílias é exógamo: a mulher contratada, que deve pertencer a outro clã, sai das suas terras, onde mais tarde irão trabalhar os seus filhos que casam com as suas primas. A mulher não perde a herança por sair do seu Hapu, mas a recupera por meio do acasalamento da descendência. Narrado antes, narrado fica. Factos comentados em http://en.wikipedia.org/wiki/Raymond_Firth e referências em todas as entradas Internet da página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raymond+Firth+Primitive+Economics+of+the+New+Zealand+Maori&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=&aq=f&oq=
Maori do século XIX espírito, que era chefe e símbolo. O símbolo mais usado como ritual pelo povo Maori, era uma impressionante tatuagem, pintada na cara: a tatuagem moko. Para muitas culturas a mão, o rosto e o pescoço estão fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é. A tatuagem tinha uma coisa distintiva de status dentro da tribo, ou do clã. A posição social é dada pela tatuagem também. Quando eles entravam em guerra, cortavam a cabeça do inimigo e colocavam-na em urnas sagradas. No século 19, as cabeças tatuadas dos guerreiros maoris se tornaram objectos cobiçados por coleccionadores europeus. Começou, então, o tráfico dessas cabeças, os próprios maoris passaram as trocar por armas de fogo. Era uma história assustadora e triste, pois eles tatuavam para matar e vender.
O que interessa para a reprodução, é saber as formas de trabalho. Narrada antes, apenas acrescento que a divisão do trabalho é por sexo. Todo o que diz respeito a plantações hortícolas, é trabalho de homem, tal como o é construir casa, fabricar canoas, instrumentos de trabalho, instrumentos musicais, preservar cabeças humanas. É sabido que os Maori são um povo canibal, como diz a página 134 do livro que me orienta: Primitive Economics of the New Zealand Maori, George Routledge & Sons. Ltd, Londres, 1929,1ª Edição. Costumam preservar com óleo as cabeças dos seus inimigos. Cabe as mulheres cuidar a casa, o preparar as comidas, os trabalhos no mar, como retirar algas e pescar. Como foi relatado antes, os fundamentos das famílias é exógamo: a mulher contratada, que deve pertencer a outro clã, sai das suas terras, onde mais tarde irão trabalhar os seus filhos que casam com as suas primas. A mulher não perde a herança por sair do seu Hapu, mas a recupera por meio do acasalamento da descendência. Narrado antes, narrado fica. Factos comentados em http://en.wikipedia.org/wiki/Raymond_Firth e referências em todas as entradas Internet da página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raymond+Firth+Primitive+Economics+of+the+New+Zealand+Maori&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=&aq=f&oq=
domingo, 8 de agosto de 2010
Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra
Gregory Bateson (Grantchester, Inglaterra, 9 de maio de 1904 — São Francisco, Califórnia, 4 de julho de 1980) foi biólogo e antropólogo por formação. Contudo, como grande pensador sistémico e epistemólogo da comunicação, incorreu também pela psiquiatria, psicologia, sociologia, linguística, ecologia e cibernética. Foi enviado em trabalho de campo entre os Iatmul da Nova Guiné que tinham uma cerimónia especial denominada Naven para alicerçar aos mais novos a aprender cortar cabeças e cometer crimes entre os seus inimigos ou entre eles. Paulo Jorge Pinto Raposo tem analisado a Bateson entre nós, em aulas, como nas suas leituras optativas: Antropologia e Teatro, e na sua tese de doutoramento: O papel das expressões performativas na Contenporaneidade. Identidade e Cultura Popular, ISCTE, 2002. Raposo usou o cerimonial Naven para as suas pesquisas em Portugal e proferir aulas para explicar o cerimonial Naven e os seus motivos de arte performativa. Cerimonial descrito no livro intitulado Naven: A Survey of the Problems suggested by a Composite Picture of the Culture of a New Guinea Tribe drawn from Three Points of View by Gregory Bateson (Paperback - Jun 1, 1958) Versão Castelhana, Júcar Universidad, 1990 É possível ver, que no seu conjunto, como comentava Audrey, Malinowski reservou para si o sítio mais calmo e simpático, os Massim do Noroeste, enquanto os seus derradeiros discípulos ingleses, Edmund Leach estudava os Kachin da Alta Birmânia, na plantação de algodão do seu pai, e Julian Pitt-Rivers aos jornaleiros das terras da sua mulher, em Andaluzia. O primeiro resultou num livro titulado Political Systems of Highland Burma. A study of Kachin Social Structure, 1954, London School of Economics Monographs in Social Anthropology, Nº 44, The Athlone Press, Londres; o segundo, também em 1954: The People of the Sierra, Chicago University Press.
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