Mostrar mensagens com a etiqueta palestina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta palestina. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Em terras de Belém (

Eva Cruz



Em terras de Belém
Presépio de sangue
Estrelinha apagada
Magos sem rumo
Jesus nascido
P´ra nada.

Na coroa os espinhos
Nas mãos as chagas
Cristo perdido
Entre os homens
O Gólgota erguido.

Um muro de ódio
Feito de mortos
Feito de corpos
Cristo de novo crucificado
Mártires lado a lado
Eternos heróis
Rebentados de pólvora
Atada à cintura
Um muro erguido
Entre a fome
E a fartura.

Ergue-se a lua
Em forma de crescente
À Palestina sem terra
Resta apenas
O céu do Oriente.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Israel - Memória e responsabilidade histórica

Rui de Oliveira

Na habitual crónica de Esther Mucznik (E.M.) num Público de Agosto passado há uma curiosa reflexão sobre a memória do holocausto e o facto de a maioria dos grandes memoriais (museus e projectos educativos) na Alemanha só ter surgido nos últimos vinte anos, o que a leva a concluir que foi preciso o desaparecimento da geração da guerra para haver comemorações (interrogação acessória seria indagarmos se também entre nós o bloqueio da rememoração antifascista sofre do mesmo mal ?...). Daí E.M. afirmar a certeza de que “a memória só se torna colectiva e consensual quando politicamente inócua … ou seja quando se transforma em memória cultural”.

sábado, 2 de outubro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Réquiem por Israel?


Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas. Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas, o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou. Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um facto consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Israel – a recorrência da Shoah no discurso político

Carlos Loures

Circularam e circulam pela net e em e-mails fotografias de uma manifestação realizada em Londres pela comunidade muçulmana. Vêem-se manifestantes exibindo cartazes onde se diz entre outras coisas: «Matai aqueles que insultam o Islão», «Europa. Pagarás, a tua demolição está em marcha»; «O Islão dominará o mundo»; «Europa, pagarás. O teu 11 de Setembro vem a caminho»; «Prepara-te para o verdadeiro holocausto». Segundo se diz também nessas mensagens, tratava-se de uma manifestação pacífica. Habituei-me a acolher com cepticismo e cuidado estas informações que, muitas vezes mais não são do que desinformações. Lá estão as fotografias, com os cartazes escritos em inglês, mas todos sabemos como é fácil manipular fotografias. Verdade ou mentira, não há dúvida que entre os muçulmanos passa uma corrente de intolerância e ódio que nada contribui para que, quem não compartilha a sua crença, possa ao menos ser solidário com a sua legítima revolta.

Existem, mas são poucas, as vozes que nos defendam a causa palestiniana, por exemplo, com serenidade e isenção. Compreendo que seja difícil ser isento quando estamos a ser chacinados, vemos as nossas casas bombardeadas, as nossas crianças assassinadas, a nossa terra ocupada. É difícil, mas aos muçulmanos pede-se esse supremo acto de heroísmo. Do lado judaico existem , sempre existiram, essas vozes. Bem sei, que os judeus, embora em permanente perigo de extermínio à mínima distracção, estão numa situação diferente. Mas não se julgue que a posição dos israelitas é fácil. Entendo que a criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um crime.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um barco para encalhar em Gaza e em Washington

Luis Moreira

As negociações entre a Autoridade Palestiniana e o Estado de Israel defrontam-se com o primeiro grande problema, como aliás, já se sabia. A moratória que impede a construção de mais colonatos termina hoje. Este assunto é, tanto para os Israelitas como para os Palestinianos, absolutamente fundamental para que se encontre um caminho para a existência de dois estados. A moratória vai ser renovada?

Então de que se iriam lembrar os corajosos "amantes da paz" para ajudar as negociações? Enviar um barco para Gaza com a finalidade confessa de romper o bloqueio que os Israelitas fazem naquela região. Se passa, no caso dos Israelitas acharem que não vale a pena prejudicar as negociações, os extremistas vão cantar vitória, o que terá uma reacção muito negativa na opinião pública israelita; se não passa, aqui d'el rei que há um bloqueio ilegal a pessoas que só querem ajudar; e afastemos a possibilidade de haver mortos e feridos como bem há pouco tempo aconteceu.

domingo, 5 de setembro de 2010

Hammas boicota negociações à bomba!

Luis Moreira

Sob a égide dos US, UE, e Rússia foi possível estabelecer um programa de negociações, tendo em vista chegar à paz na Palestina. O Hammas renunciou liminarmente essa possibilidade negando sentar-se à mesa e levou a efeito um atentado matando quatro Israelitas civis, uma das quais grávida.

O objectivo é óbvio e não vale a pena adocicar ou justificar este terror com outros terrores.O Presidente da Autoridade Palestiniana é um dos interlocutores nas negociações, aceitou sentar-se à mesa, num processo que dura há mais de um ano.Há pois, garantias, por pequenas que sejam para se tentar, ao menos tentar!

sábado, 21 de agosto de 2010

Israel / Palestina - cara a cara !


Luís Moreira



Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas vão encontrar-se cara a cara no ínicio de Setembro em Washington. Negociar sem condições prévias . Como é isso possível se ambas as partes sabem há muito tempo as condições de que não podem largar mão?

Os colonatos, acredito que deixem de expandir-se, mas vão recuar? A moratória que acaba agora após dez meses em vigor, sem construção de colonatos na Cisjordânia, será prorrogada? E que preço paga Obama junto do lobby Judeu americano?

Israel aceitou sem reservas o diálogo mas o Hamas já veio recusar liminarmente. Exige um total congelamento da colonização (Jerusalém Oriental incluída) e um " Estado palestiniano independente, democrático e viável". Esta moratória termina em 27 de Setembro, se prorrogada, as conversações terão ínicio, no caso contrário, morrem logo ali.

Para que tudo seja mais dificil, há eleições intercalares nos US para o senado, o que obriga o Presidente Obama a redobrar de cuidados para não irritar o lobby judaico muito influente na opinião pública americana.

Desta vez, após anos de negociações nos bastidores e de muitas mortes e muita dor, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU juntam-se com o objectivo supremo de transformar o território governado pela Autoridade Palestiniana em Estado Soberano até Junho de 2011.

sábado, 3 de julho de 2010

Os semitas deserdados e as «pátrias ancestrais»


Carlos Loures

Já aqui falei algumas vezes do Estado de Israel e daquilo que penso sobre a legitimidade das pretensões judaicas sobre o território da Palestina. Mas, já agora, volto a dizer – acho que foi uma ignomínia. Com base no que diz um livro e por mais que digam, o Antigo Testamento (ou a Torah), não passa de um livro, os palestinianos foram desapossados das terras, enxotados, como se de um rebanho se tratasse, para campos de refugiados, obrigados a viver como pedintes em terra alheia.

Uma vergonha, uma prepotência da diplomacia britânica que, até ao primeiro quarto do século XX, entendia poder intervir em qualquer parte do mundo, sob qualquer pretexto ou mesmo sem pretexto. Apenas porque sim, porque lhe convinha. Papel hoje competentemente desempenhado pelos Estados Unidos. Naturalmente que os judeus construíram o seu estado, hoje habitado por quase oito milhões de seres humanos e seria outra ignomínia «riscá-lo do mapa», como pretendem os extremistas da causa islâmica. Um erro não se emenda com outro erro. E seria o caso.

sábado, 5 de junho de 2010

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.

Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito de se defender, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrarão sua próxima refeição.

As Nações Unidas, a União Européia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e agora a ONU convocou uma investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.

Vamos gerar um clamor global tão alto, que não possa ser ignorado. Assine a petição para exigir uma investigação independente sobre o ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique para assinar a petição, e depois repasse essa mensagem a todos os que você conhece:

http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla_8/?vl

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Palestina, pasto de ódios!


Luís Moreira

A questão da Palestina não será resolvida pelas actuais gerações no poder, cresceram com o ódio, não há família que não chore um morto ou um estropiado. É uma questão de orgulho pessoal, já pouco contam os verdadeiros interesses da paz e dos povos. Antes morrer que recuar ou ser visto como perdedor, mesmo que ganhem todos.

As gerações mais novas, libertas desses constrangimentos, já conseguiram estabelecer pontos de entendimento, o que abre caminhos para a negociação e para a vivência em comum. Se querem ter uma vida fraterna, próspera e em paz vão ter que conviver uns com os outros, uma parte importante da população de Israel é de proveniência Palestina, têm a sua vida repartida pelas universidades Israelitas e a sua família trabalha em empresas do Estado de Israel. Não há volta a dar, a não ser o entendimento!

Mas se para quem vive no local é dificil, incompreensível se torna que pessoas longe do conflito, sem sofrer as sequelas da guerra, lance lenha para a fogueira meramente por razões ideológicas. Não dão um passo no sentido da paz, da compreensão do problema. Tudo se resume a quem está do nosso lado e a quem não está. Quem está ,ideologicamente, perto ou longe dos USA assim reage, sem cuidar de saber se tal posição ajuda ou aprofunda o problema.

Sempre contra Israel, sempre a favor dos palestinianos! Sempre contra os Palestinianos, sempre a favor de Israel.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Israel – 14 de Maio de 1948

Carlos Loures



No dia 14 de Maio de 1948, faz hoje 62 anos, era criado o Estado de Israel. O projecto sionista cumpria o sonho hebraico e desencadeava o pesadelo palestiniano. Gesta heróica para uns, cavalgada criminosa para outros. Gostemos ou não, Israel existe. Hoje, o Estado de Israel é um país da Ásia Ocidental situado na margem oriental do Mediterrâneo, com uma área de 20 770 / 22 072 km². As suas fronteiras não fixadas oficialmente, situa o Líbano a Norte, a Síria e a Jordânia a Leste e o Egipto a Sudoeste. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza, confinam também com Israel. Tem uma população de 7,5 milhões de habitantes, dos quais 5,62 milhões são judeus. Dentro do segmento árabe, predominam os muçulmanos, havendo ainda cristãos, drusos, samaritanos e outros.

O problema judaico tem origens remotas, pré-bíblicas, mas quero só lembrar como surgiu a questão no seu formato contemporâneo. O sionismo (palavra com origem em Sion, uma colina da antiga Jerusalém), eclodiu na Europa em meados do século XIX como reacção ao anti-judaísmo que nunca deixou de se verificar. Elitistas, usurários, concentrando grandes fortunas nas suas famílias mais poderosas, os judeus, com os pobres pagando por tabela os pecados dos ricos, sempre provocaram ódios e rejeições. É preciso dizer-se que o anti-judaísmo, condenável como o são todos os sentimentos xenofóbicos, tem na xenofobia judaica uma das suas raízes. Não só, mas também.

São desta época os pogromes na Rússia. As comunidades hebraicas, segregadas, perseguidas, sonhavam com uma pátria judaica. O sionismo, eivado de religiosidade, propugnava o regresso dos hebreus a Israel. Sonhar com Israel confortava os perseguidos e segregados judeus. Quando da expulsão dos reinos da Península, a maioria emigrou para a Europa, mas alguns foram para a antiga Judeia. Desde o século XV, a cidade de Safed tornar-se-ia um importante centro de estudo da Cabala. Foi no século XIX que a afluência de colonos judeus à Palestina foi mais significativo. Em 1844, estando o território integrado no Império Otomano, a maioria da população da cidade de Jerusalém, era já hebraica. Conviviam sem problemas com muçulmanos, cristãos, gregos, arménios. Na segunda metade do século, a migração judaica continuou, agora proveniente sobretudo da Europa Central.

Um facto extremou posições, consolidando o anti-semitismo, catalisando o ideal sionista – o caso Dreyfus. Em 1895, em França, um oficial de origem judaica, Alfred Dreyfus, foi acusado de fornecer informações secretas aos alemães. Foi julgado, condenado, degradado publicamente, após um julgamento que se tornou célebre e mobilizou a opinião pública mundial. Era evidente que a fragilidade das provas remetia a condenação para o foro do preconceito anti-judaico que atravessava transversalmente toda a sociedade francesa. Émile Zola, o grande escritor, bateu-se com todas as suas energias na defesa de Dreyfus, publicando a propósito o ser famoso libelo «J’accuse!».

Theodor Herzl, jornalista húngaro, também de origem judaica, estava em Paris seguindo o Caso Dreyfuss. Fazendo a cobertura do processo, entendeu que as seculares perseguições contra judeus só teriam fim quando estes alcançassem autonomia nacional e publicou em Viena o livro "O Estado Judeu". A ideia de uma «pátria judaica» seduziu os judeus espalhados pelo mundo. Os mais aventureiros começaram a chegar à Palestina. O conceito de kibbutz (granja colectiva) consolidou-se depois de criado o primeiro, que se chamou Mikveh Israel (Esperança de Israel), fundado em 1870. Os sionistas, impregnados de fervor religioso e patriótico, defendiam a ideia de um estado hebraico que ocupasse o território definido no Antigo Testamento, o que implicaria a absorção da Jordânia. Foram propostas alternativas na Patagónia, em Chipre, no Uganda e até em Angola. Na realidade, em 1912, o deputado Manuel Bravo apresentou no Parlamento português uma proposta para ser criado em Angola, no planalto de Benguela, um colonato judaico com cerca de 45 000 Km2 (sensivelmente o dobro da área do Estado de Israel). A proposta foi aprovada e no, ano seguinte. Ratificada pelo Senado. Porém, a Jewish Territorial Organisation, que fez uma visita ao território, recusou o projecto.

Terminada a I Guerra, com a queda do Império Turco, a Palestina passou para administração britânica. E este pormenor fez toda a diferença. Em 2 de Novembro de 1917, pela Declaração de Balfour, a Grã-Bretanha assumia perante a comunidade hebraica o compromisso solene de edificar na Palestina o ambicionado «lar judaico». O documento, enviado ao Lord Rothschild, presidente na British Zionist Federation, foi assim chamado por ser assinado pelo então secretario britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour. Dizia:

"Caro Lord Rothschild, "Tenho o grande prazer de endereçar a V.Exª., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinete e por ele aprovada:
O Governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os esforços no sentido de facilitar a realização desse objectivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das colectividades não-judaicas da Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.
"Desde já, me declaro extremamente grato a V.Exª. pela gentileza de fazer chegar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista. ("Arthur James Balfour."
)

Só pela reacção violenta dos árabes, depois de 1920, a Grã-Bretanha percebeu que para resolver um problema, criara outro. Tentou emendar a mão e voltar atrás com a promessa ou, pelo menos, reduzir-lhe o alcance, pondo alguns entraves à migração de judeus para o território. Depois, a II Guerra e o Holocausto reforçaram a ideia de que uma pátria judaica era essencial.

Na Palestina, os árabes reagiam com violência à ideia. Mohammad Amin al-Husayni, Grão-Mufti de Jerusalém aderiu ao nazismo e incentivou a realização de pogromes. Hebron, Jafa e Haifa foram palco de incidentes graves. Em 1921, depois do massacre de numerosos anciãos judeus em Hebron, foi fundada a Haganá, com o objectivo de proteger as comunidades judaicas na Palestina. Da Haganá saiu o Irgun, em 1931. O Irgun especializou-se no ataque a alvos militares britânicos. Os grupos militantes judaicos procuravam infiltrar clandestinamente o maior número possível de refugiados judeus na Palestina, enquanto retomavam os ataques contra alvos britânicos e repeliam acções violentas dos nacionalistas árabes. Sob esta pressão, a Grã-Bretanha decidiu transferir a administração da Palestina para a ONU.

O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, em 29 de Novembro de 1947, que decidiu pela divisão da Palestina Britânica em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira. David Ben-Gurion discursa na Declaração do Estado de Israel em 14 de Maio de 1948. A decisão foi bem recebida pela maioria das lideranças sionistas, embora tenha recebido críticas de outras organizações, por não permitir o estabelecimento do estado judeu em toda a Palestina.

Mas a Liga Árabe não aceitou o plano de partilha. Deflagrou, então, uma guerra entre judeus e árabes. Na sexta-feira, 14 de Maio de 1948, algumas horas antes do término do mandato britânico sobre a Palestina (o horário do termo do mandato foi determinado pela ONU para as 12:00 do dia 15 de Maio) - David Ben Gurion assinou a Declaração de Independência do Estado de Israel.

Em Janeiro de 1949, Israel realiza suas primeiras eleições parlamentares e aprovou leis para garantir o controlo educacional, além do direito de retorno ao país para todos os judeus. A economia floresceu com o apoio estrangeiro e remessas. No período entre a Declaração de Independência e a Guerra de Independência, Israel recebeu cerca de 850 mil imigrantes, em especial sobreviventes de guerra e judeus oriundos dos países árabes (sefarditas e Mizrahim). Foi executada a Operação Tapete Mágico, para resgatar os judeus do Iémen.

A população muçulmana, com a ajuda da polícia deu início às perseguições. Em 1947 82 judeus foram mortos e centenas de residências e casas comerciais destruídas. Em 1948, o boato de que duas meninas haviam sido mortas por judeus numa cerimónia religiosa, provocou nova onda de violência. A situação dos judeus do Iémen deteriorou-se e a American Joint Distribution Committee resolveu transportar toda a comunidade daquele país para Israel. Entre Junho de 1949 e Setembro de 1950 cerca de 50 mil judeus iemenitas foram retirados em voos secretos. Sabotagens e ataques da aviação egípcia tornavam as viagens arriscadas, mas nenhum dos 380 voos da Operação Tapete Mágico foi mal sucedido.

Até o fim de 1951 desembarcaram em Israel 37 mil judeus da Bulgária, 30 mil da Líbia e 118 940 da Roménia. 121 512 judeus iraquianos foram também resgatados. No total, o número de judeus que afluíram a Israel nos primeiros anos, foi de 684 201, mais do que toda a população judaica de Israel em 1948. Entre 1952 e 1954, o número total de imigrantes foi de 51 463. Em 1955, iniciou-se nova onda de imigração. Até 1957 chegariam ao país 162 308, em maioria vindos de Marrocos, da Tunísia e da Polónia.

Os movimentos nacionalistas dos países do Norte da África empurraram os judeus para a emigração. Entre 1955 e 1957 mais 55 mil judeus marroquinos e 15 mil tunisinos deixaram os países de origem. A revolução na Hungria, em 1956 e a repressão na Polónia geraram mais ondas migratórias: 8 682 judeus húngaros e outros milhares de polacos chegaram a Israel até 1960. Após a Guerra dos Seis Dias (1967), os judeus do Egipto foram expulsos. 14 562 destes imigrariam para Israel. As cidades de Dimona e Ashdod e as regiões de Lachish e Taanach foram por eles povoadas. Este conflito gerou uma onda de antijudaísmo nos países de Leste. Na Polónia, mais cinco mil judeus imigraram. Até 1973, ano da Guerra do Yom Kippur, 260 mil judeus desembarcaram em Israel, na sua maioria vindos de países socialistas.

Em suma. Israel, passou das páginas do Antigo Testamento e da Torah para a realidade. Hoje o Estado de Israel é uma realidade, empolgante para uns e dramática para outros. Fazendo o papel de Deus, com a Declaração de Balfour, os ingleses criaram o problema que conhece. E deram início a um problema que sabendo-se como começou, ninguém sabe como irá acabar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cronica desde Palestina

FugaEmRede - Brigada 'Palestina, terra e territorio'

Pegadas de umha terra interminavel



Tres dias nos territorios ocupados de Cisjordania som suficientes para decatar-se do significado que 'Lager' (campo de concentracom em alemam) pode ter na sociedade do risco contemporanea. A anulacom do regime de cidadania de umha povoa com enteira pola via da emergencia, e a fragmentacom em arquipelagos dos territorios e afectos que constituem o centro de qualquer comunidade humana, som rasgos centrais da politica etnica israeli.

Na periferia atopamos os tres eixos transversais de umha dinamica colonial profundamente ambivalente, sofisticada e rudimentaria de umha vez, a saber: impedir de forma fisica e burocratica qualquer apendice de livre mobilidade da povoacom arabe do 'West Bank' (cisjordania); controlar, tutelar e apoderar-se da capacidade de produccom material da mesma e, finalmente, substraer de forma continuada os seus recursos e bens comuns.

Pero apenas tres dias som tambem suficientes para percatarse do exponencial ejercico de dignidade que, colectivamente, atravesam diariamente miles de pessoas nas terras da Palestina Historica. Venres 30 de abril, 09.00 da manha. Tras horas de viagem, controis, fronteiras e interrogatorios, atopamo-nos de novo na terra 'Filastin'. A paradoxal alegria que produz atravesar o Chekpoint de Qalandya para entrar no maior campo de concentracom do planeta fala as claras do mundo de contrastes que habita nestes preto de 5.600 km2 de terra (di)seccionada.

Qalandya Checkpoint e a principal barreira que impide o transito de miles de palestinianxs desde Cisjordania (West Bank) cara a Al Quds (Jerusalem), a sua historica capital. Finalmente, na manha, somos miles xs civis que atopamo-nos sorteando as barreiras entre decenas de militares voluptuosamente armadxs. Atraves ando intuitivamente um Checkpoint que funciona como vertice de confluencia do muro ilegal e que fracciona -etnica e religiosamente- as vidas de preto de 3 milhons de pessoas.

Venres 30 de abril, chegamos a Bi'lin (http://www.bilin-village.org/) para participar da manifestacom semanal contra o muro da vergonha. Um muro de segregacom que, acorde com a estrategia colonial de ocupacom, e empregado polo estado de Israel como ferramenta expiatoria para roubar sistematicamente as melhores terras e recursos das pequenas vilas palestinianas. Fronte a esta nova forma de violencia e humilhacom a resposta das gentes de Bi'lin e clara: desobediencia civil. Desde ha pouco mais de 5 anos, cada venres, umha plural mobilizacom nom violenta percorre a vila ate as posicons do muro, ate os acampamentos das tropas israelis.

Cada semana novas mobilizacons singulares: convocadas por comités populares autonomos som expressons publicas novedosas nas que povoadorxs, internacionais e activistas israelis contra a ocupacom caminhamos a um tempo em Bi’lin ou nas diversas demostracons que nascerom tras o ejemplo da vila fronteirica. Ni'lin, Yayus o Budrus som, desde ha meses vilas onde se reproduz este ejemplo molesto, o da cooperacom civil contra o muro, respostado punitivamente pola maquinaria de guerra do Tzahal (http://miblog-shomer.blogspot.com/) que, com no vos ordenamentos, declara cada venres 'zona militar fechada' (umha sorte de toque de queda posdemocratico) as vilas desobedientes.

Na tarde, asistimos a ilusionante mobilizacom de Sheikh Jarrah (http://www.en.justjlm.org/) na que centenares de pessoas participam de umha iniciativa novedosa, vital. Sheikh Jarrah, bairro arabe de Jerusalem
leste, sofre desde ha meses a ocupacom de vivendas por parte de colonos judeus inspirados num extremismo mais humano que divino, amparadxs na connivencia da policia israeli. Ante isto, num gesto convertido em desafecto, miles de israelis mostram cada venres umha repulsa -ao fim activa- como parte demasiado cativa de umha sociedade, a israeli, paralicada e inmobil ante a constante violacom de direitos que deriva do seu hegemonico monopolio da violencia.

O exemplo das coordenacons autonomas contra o muro http://almubadara.org/) dos comites juvenis de saúde (http://www.hwc-pal.org/), ou das multiplas cooperativas de mulheres (http://palestineembroidery.wordpress.com/) acompanham-nos na calida manha dum domingo entre Ni’lin (http://www.nilin-palestine.org/en) e Ramallah
Finalmente Palestina, nom se traduz so (como diria John Berger) num som mais forte que um ouveo, mais apremiante que o lamento. Palestina e, singularmente, um mar de dignidade colectiva contra brutal avanco do
deserto. Ante as injusticas sistemicas, hoje em dia cumpre estar do ladodxs que tomam parte. Tomar partido aqui significa retomar velhas palavras, pero sobre todo, agora emprender fermosas practicas: parte e fim, solidariedade.

Aquí, na falda das colinas, ante o ocaso
e as fauces do tempo,
junto as hortas de sombras arrancadas,
fazemos o que fam xs prisioneirxs,
o que fam xs sem trabalho:
alimentamos a esperanza.


De 'Estado de Sitio' Mahmud Darwish, grande poeta palestiniano.

Desde algum ponto cerca do rio Jordam, t. e h. por FugaEmRede.
Imagens da brigada de FugaEmRede 'palestina, terra e territorio':
http://www.flickr.com/photos/fugaemrede/

Video da manifestacom do 30/4/10 em Bi'lin:


-Demonstration