Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal, por José Brandão, (55)

Subsídios Para o Estudo da Educação em Portugal


(Da Reforma Pombalina à 1ª República)

Madeira Bárbara

Assírio & Alvim, 1979

O estudo que nos propomos fazer é uma curta análise do que foram as Reformas do Ensino Primário no nosso pais, desde a sua institucionalização no tempo do Marquês de Pombal até à 1.ª República.

Das escolas conventuais (Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, Mosteiro Cisterciense de Alcobaça), às escolas do Conde de Ferreira do final da Monarquia ou às escolas centenárias da República, vai um salto, não só no tempo, como nos métodos e nos objectivos a alcançar.

A escola conventual, a majestade da Universidade, o obscuro posto escolar, a Escola Primária implantada pela República, por ex.: podem associar-se a conteúdos, situações históricas e sociais, modos pedagógicos, etc... em conjunto com os quais tomam sentidos que devem ser esclarecidos e interpretados.
________________

Subsídios Para Uma Bibliografia do Memorialismo Português

João Palma-Fereira

Lisboa, 1981

Em buscas sistemáticas ou de ocasião por diversas bibliotecas e arquivos do país, reuni numerosos verbetes relacionados com o memorialismo português, sem intenção de vir a utilizá-los em mais que não fosse a satisfação. da curiosidade e da leitura. Horas de ócio preenchi-as a anotar memórias, revelações, evocações. e diários, engrossando um ficheiro sem preconceitos, profundamente heterogéneo quanto à qualidade e interesse do material referenciado. E nisso deliberara ficar-me. A leitura, porém, de artigos em dicionários bibliográficos e de literatura sobre «memorialismo» e «autobiografia» decidiram-me, para desfazer equívocos e para revelar o que pelo menos me parece uma rica tendência da cultura nacional, a publicar uns «subsídios bibliográficos» que manifestamente justificarão renovado interesse por uma produção literária e documental até agora muito injustificadamente desprezada.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Escolha da Escola - Descobertas e Conclusões", de Herbert J. Walberg

ESCOLHA DA ESCOLA DESCOBERTAS E CONCLUSÕES, de Herbert J. Walberg (Tradução Nuno Lobo) Direcção Fórum para a Liberdade de Educação, Edição Fundação Manuel Leão, Lisboa, 2010.



O FÓRUM PARA A LIBERDADE DE EDUCAÇÃO (FLE) nasceu em 2002 por iniciativa de um leque diversificado de cidadãos preocupados com a situação da educação e do ensino em Portugal. Sem descurar a importância para o sucesso educativo da pedagogia e das metodologias de ensino ou da qualidade dos professores e da sua formação, o FLE considera que as deficiências mais graves do sistema de ensino resultam primordialmente de decisões ao nível da sua estruturação e organização, com particular ênfase para a ausência de uma efectiva liberdade de aprender e ensinar.

A COLECÇÃO FLE, uma iniciativa do Fórum para a Liberdade de Educação em parceria com a Fundação Manuel Leão, é um espaço privilegiado de estudo e comunicação de ideias sobre educação, tendo em vista o enriquecimento da reflexão e o debate informado sobre política educativa em Portugal.

Este SEGUNDO VOLUME da Colecção FLE, da autoria de Herbert J. Walberg, investigador da Hoover Institution e membro da Koret Task Force on K–12 Education dos EUA, reúne, analisa, e apresenta os resultados dos estudos mais recentes e mais rigorosos sobre os efeitos que as escolas de escolha têm no desempenho dos alunos americanos.

ÍNDICE E SUMÁRIO DOS CONTEÚDOS


Nota introdutória por Paulo Zagalo e Melo (pp. 7-8)

Prefácio do Autor para a Edição Portuguesa (pp. 9-11)

Capítulo 1. INTRODUÇÃO E PERSPECTIVA GERAL (pp. 13-30)

Os Estados Unidos da América são líderes mundiais no rendimento, riqueza, poder militar e influência cultural, mas as suas escolas estão atrás da maioria dos restantes países economicamente desenvolvidos, tanto no plano da eficácia como da eficiência. A produtividade estimada das escolas públicas nos EUA (desempenho académico por dólar gasto) desceu entre 55% e 73% ao longo dos anos escolares 1970-71 a 1998-99. Na medida em que o bem-estar futuro das crianças americanas e a prosperidade dos EUA depende da eficácia do seu sistema educativo, tanto o público como os legisladores e os pais estão interessados na possibilidade de a escolha da escola poder aumentar o desempenho académico dos alunos. Esta possibilidade é analisada nos capítulos subsequentes a partir dos efeitos que as escolas de escolha já existentes geram no desempenho dos alunos.

Capítulo 2. EFEITOS DAS ESCOLAS COM CONTRATO (pp. 31-46)

Este capítulo analisa a investigação sobre os efeitos das escolas com contrato. Cerca de 4,000 escolas, frequentadas por mais um milhão de alunos, distribuídos por 40 estados e Distrito de Colúmbia proporcionam uma base de dados suficientemente grande para o desenvolvimento de estudos credíveis sobre os efeitos das escolas com contrato no desempenho dos seus alunos. Não obstante as escolas com contrato estarem ainda sujeitas a uma regulação excessiva, que contraria a ideia que subjaz à sua criação, os estudos indicam genericamente que os alunos das escolas com contrato têm um melhor desempenho académico do que os alunos correspondentes que permanecem nas escolas públicas tradicionais. O efeito das escolas com contrato no desempenho dos alunos é especialmente bom para os alunos pobres e hispânicos. Os estudos indicam ainda que a vantagem das escolas com contrato é reforçada à medida que elas estão a funcionar há mais anos, têm mais autonomia, e o financiamento que lhes é atribuído se aproxima mais do montante atribuído às escolas públicas tradicionais. As escolas com contrato são muito populares junto dos pais que nelas matriculam os filhos, assim como junto do público em geral.

Capítulo 3. EFEITOS DO CHEQUE ESCOLAR (pp. 47-71)

Este capítulo analisa a investigação sobre os efeitos do cheque escolar – bolsas de estudo que as autoridades estaduais e locais, organizações sem e com fins lucrativos, e pessoas em nome individual atribuem directamente às famílias para que possam enviar os seus filhos para escolas privadas por elas escolhidas. Na maioria dos casos, os cheques escolares são destinados a crianças pobres e oriundas de minorias. Os pais de diversos estados procuram o cheque escolar como forma de se furtarem a escolas públicas tradicionais com uma taxa de insucesso repetidamente elevada. Os estudos indicam genericamente que os alunos com cheque escolar têm um melhor desempenho académico do que os alunos correspondentes que permanecem nas escolas públicas tradicionais, sendo que este efeito positivo é especialmente verificado nos alunos afro-americanos. Alguns estudos indicam que o efeito sobre os alunos brancos é reduzido ou nulo, mas nenhum estudo encontrou um efeito negativo do cheque escolar no desempenho académico. A concentração de benefícios nos alunos afro-americanos pode ser atribuída ao facto de eles estarem maioritariamente representados entre os portadores do cheque escolar, facilitando a probabilidade de se detectar os seus respectivos efeitos estatísticos. Os inquéritos revelam níveis elevados de satisfação por parte dos pais que participam em programas de cheque escolar. Os alunos afro-americanos portadores do cheque escolar frequentam escolas privadas menos segregadas racialmente do que os seus correspondentes que permanecem em escolas públicas tradicionais.

Capítulo 4. EFEITOS DAS ESCOLAS PRIVADAS (pp. 73-89)

Este capítulo analisa a investigação sobre as escolas privadas. As escolas privadas representam 11% do total de alunos matriculados no sistema de ensino básico e secundário dos EUA, sendo que praticamente metade das escolas privadas são católicas, mais de um terço são de outras denominações cristãs ou outras religiões, e perto de um quinto são escolas seculares. Os estudos indicam que o desempenho dos alunos das escolas privadas é superior ao desempenho dos alunos das escolas públicas tradicionais, inclusivamente quando os estudos controlam estatisticamente o estatuto socioeconómico dos alunos e outros confundidores relevantes. Os alunos de escolas católicas revelam um desempenho académico superior, mas alguns estudos mais pequenos revelam efeitos mistos, com os efeitos positivos a serem detectados principalmente junto dos alunos afro-americanos. Todos os estudos indicam que a taxa de diplomados das escolas católicas é maior do que a taxa de diplomados das escolas públicas tradicionais. Os estudos indicam igualmente que os alunos das escolas católicas estão extraordinariamente representados em universidades de elite dos EUA. As escolas privadas são menos segregadas racialmente do que as escolas públicas tradicionais e os seus alunos revelam índices maiores de tolerância e participação cívica do que os alunos das escolas públicas tradicionais.

Capítulo 5. EFEITOS DA ESCOLHA NAS ÁREAS GEOPOLÍTICAS (pp. 91-102)

Este capítulo resume os efeitos da escolha da escola no desempenho de todos os alunos de uma dada área geopolítica (como uma cidade ou um estado). Embora alguns educadores – professores, directores de escola, e responsáveis educativos – temam que a concorrência das escolas de escolha atraia para elas apenas os melhores alunos das piores escolas públicas tradicionais, e assim contribua para diminuir o desempenho médio das escolas públicas, os economistas prevêem o oposto, concretamente que a concorrência irá aumentar o desempenho, eficiência, e satisfação dos alunos e pais, tanto nas escolas de escolas de escolha, como nas escolas públicas tradicionais. Para testar este possível efeito, deve-se analisar se a existência de muitas escolas de escolha numa cidade ou condado está positivamente correlacionada com os resultados dos exames nas escolas públicas tradicionais. Os estudos indicam que a ampliação da possibilidade de escolha da escola tem efeitos positivos no desempenho académico dos alunos das escolas de escolha, quando comparados com os alunos das escolas públicas tradicionais da vizinhança, assim como tem efeitos positivos no desempenho académicos dos alunos das escolas públicas tradicionais situadas na vizinhança de escolas de escolha, quando comparados com os alunos das escolas públicas tradicionais que não sentem a ameaça da concorrência das escolas de escolha.

Capítulo 6. SATISFAÇÃO DO CLIENTE (pp. 103-113)

Este capítulo analisa as sondagens recentes da opinião pública americana sobre as escolas de escolha e sobre as escolas públicas tradicionais, assim como as sondagens escolares dirigidas especificamente a pais com filhos em escolas com contrato ou inscritos em programas de cheque escolar. Na medida em que as escolas existem para servir a sociedade ou o público em geral, e os pais em particular, parece razoável que se questione o público e os pais. Os estudos revelam que o público tem opiniões vincadas sobre a concorrência escolar, financiamento e prestação de contas, e que os pais têm opiniões igualmente fortes sobre as escolas dos seus próprios filhos. Os dados revelam uma insatisfação geral do público e dos pais relativamente às escolas públicas tradicionais, e o seu apoio crescente à possibilidade de os pais escolherem a escola dos filhos. Os dados revelam ainda que os educadores públicos têm padrões de exigência e expectativas muito mais baixos do que o público, pais, e alunos

Capítulo 7. DESCOBERTAS PRINCIPAIS E CONCLUSÕES (pp. 115-122)

Este capítulo conclusivo reúne os temas tratados nos capítulos precedentes e resume as descobertas principais e conclusões gerais que a investigação mais rigorosa garante. Há 20 efeitos positivos possíveis de 4 formas de escolha (“escolas com contrato”, “cheque escolar”, “escolas privadas”, e “concorrência”) em 5 resultados educacionais (“desempenho académico de um dado momento no tempo”, “progresso ou valor acrescentado no desempenho”, “eficiência nos custos”, “satisfação dos pais e cidadãos”, e “integração social e participação cívica”). Os efeitos possíveis encontrados podem ser classificados como estando suportados por provas “sugestivas” ou “conclusivas” (nenhuma das provas que suportam as descobertas possíveis é claramente inadequada). As provas suportam qualquer um dos 20 efeitos possíveis da escolha, sendo conclusivas, e não meramente sugestivas, para 14 efeitos. É estatisticamente improvável que estas descobertas globais sejam obra do acaso. Os resultados são tão consistentes quão consistentes podem ser os resultados encontrados pelas ciências sociais, ficando então claro que a escolha da escola funciona.

Notas (pp. 123-136)
Agradecimentos (pp. 137-138)

Contactos


FÓRUM PARA A LIBERDADE DE EDUCAÇÃO (FLE)

Rua Dr. José Joaquim d’Almeida, 819 2775-595 Carcavelos Portugal tm 91 706 69 78 e-mail secretariado@fle.pt www.fle.pt

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os tão badalados rankings


Eva Cruz

Refiro-me a um artigo que publiquei há vários anos no Jornal, A Página da Educação.

Infelizmente o artigo mantém a atualidade. Os leitores serão diferentes, e por isso o reescrevo quase na íntegra com ligeiras alterações. Se mais não for, as alterações a que me vejo obrigada para seguir o acordo ortográfico. Não sou contra inovações, mas esta não me entra na cabeça.

Há já muito tempo que perdi a vontade de comentar factos. O sonho que alimentava o espírito combativo foi perdendo penas das asas e tende a quedar-se num conformismo amargo mas legítimo. Sinto que é pregar no deserto e, embora não vencida, desisti de tentar convencer. Às vezes, porém, o compromisso que se assume com a vida é tal, que a voz se solta e antes que dê comigo a falar sozinha, escrevo.

Fui professora de mais de um milhar de alunos e vivi por dentro todas as reformas do Ensino. Apesar de aposentada há já uns anos, vivo ainda os problemas da Educação e sinto-me suficientemente lúcida para os analisar.

Avaliar escolas por resultados numéricos de exames é contrariar todo o espírito que preside à filosofia da Lei de Bases do Sistema Educativo e às reformas que mais ou menos nela assentaram. O mínimo que se pode dizer é que o resultado é enganoso ou falacioso.

Considero, inquestionavelmente, que os bons resultados académicos são importantes.
Sempre valorizei a exigência científica, não me deixam mentir os meus alunos e os professores que formei. Só que esses resultados são números que reflectem realidades merecedoras de análise à luz de muitos fatores, especialmente fatores sócio-económicos dos alunos. Com isto não quero negar o valor dos bons alunos, dos que obtêm bons resultados à custa do seu trabalho, das suas capacidades intelectuais e do empenho do seu professor. Há, no entanto, alunos que, sem ajudas paralelas à escola, e de meios desfavorecidos, conseguem o que outros não conseguem. São casos raros.

O que pretendo perguntar é onde está avaliado o papel da Escola nas competências humanas e humanizantes, o resultado do papel essencial da Educação. A Escola ensina, mas acima de tudo educa. E a Escola é o meio privilegiado para educar para a vida.

A Escola nova assenta em conceitos bem definidos de Educação e Formação. Implica, por isso, critérios novos, outras metodologias e estratégias, outra ordem de meios e recursos, porque os seus objetivos são diferentes. Acima de tudo propõe-se construir um novo projeto de vida. Por isso a Escola não pode estar desligada do homem e da sua vida em relação.

Durante décadas, o Ensino-Aprendizagem foi enformado de uma filosofia positivista, servida por modelos de investigação quantitativa e aplicação selectiva, catalisadores de diferenças e geradores de desigualdades e insucessos. Tocada por uma visão humanista, a Escola repensou o seu papel, apercebendo-se do valor das diferenças e foi levada à valorização de ações e interações. Daí nasceu uma Escola dinâmica, baseada na promoção da pessoa humana. Mas hoje tal não passa de “words mere words”, como diria Shakespeare. E a prova são os critérios que levam aos tão badalados rankings.

O fenómeno da marginalização e da exclusão atinge-nos a todos e por isso há que o encarar de frente e com grande lucidez. Há ainda no mundo quem pense que é possível desmontar e atacar as causas do fenómeno. Há escolas e professores que fazem um trabalho ciclópico para conquistar e integrar aqueles que, por razões diversas, não são os culpados do seu próprio insucesso. São muitas vezes essas escolas e os seus professores que se situam nos últimos lugares dos tais rankings.
Apesar de ter pertencido a uma escola situada nos primeiros lugares do ranking, congratulo-me, não acriticamente, e solidarizo-me com todos aqueles que, no silêncio e fora do palco, continuam a trabalhar alimentados pelo sonho e pela utopia.

(ilustrção de Adão Cruz)

sábado, 9 de outubro de 2010

A respeito de factores de risco (1)

Adão Cruz

Teoricamente, não é difícil conceber os caminhos para uma sociedade saudável, justa e equilibrada.
1 - Prioridade máxima às crianças, a todas as crianças, sementes da saúde de uma sociedade futura.
2 – Educação e Cultura, sangue de uma sociedade nova.
3 - Justiça social, fiel da balança de uma sociedade futura.
Estes três caminhos constituem, do meu ponto de vista, os grandes passos na promoção da saúde e na prevenção das doenças. Esta, a única forma válida de eliminar o mais possível os factores de risco. Se não aceitarmos isto, o resto são cantigas.
Na prática, tais caminhos são de difícil percurso, por quatro razões principais:
1 - Os ricos e poderosos são voluntariamente cegos e egoístas, tendo como única obsessão na vida a acumulação incondicional de dinheiro, e não vêem ou não querem ver que é muito maior a felicidade de viver numa sociedade justa e equilibrada do que a felicidade de contemplar a pobreza do alto do um monte de notas.
2 - O poder político pouco mais é do que o executor dos interesses do poder económico. Além disso, os políticos são, muitas vezes, medíocres, facilmente corruptos, insensíveis e sem qualquer visão construtiva de um mundo que colida com os seus interesses pessoais e de grupo.
3 – O povo não é suficientemente culto para entender as complexas relações de causa e efeito, daqui decorrendo a sua incapacidade para romper o amorfismo e empreender as mudanças de comportamento necessárias à germinação da semente de uma sociedade nova.
4 – Os mais responsáveis, os ditos intelectuais, aqueles que, por força do conhecimento, mais próximos deveriam estar da verdade e da sua irmã gémea, a moral, os detentores da ciência nos seus mais diversos ramos, os agentes da abertura das mentalidades, estão obrigatoriamente enfeudados, consciente ou inconscientemente, nas formas de pensamento único impostas pelas linhas dos grandes interesses.
Estas razões constituem, a meu ver, os maiores e mais graves factores de risco da nossa sociedade doente, razões a que não se alude em nenhuma das inúmeras conferências e revistas sobre o tema, e que sistematicamente se escamoteiam para não descarnar a verdade, sempre incómoda. Combate-se os sintomas e em lado algum se belisca, sequer, as causas, por velada cobardia e com o estafado pretexto de que não se deve misturar política com ciência!

(ilustração de Adão Cruz)

domingo, 26 de setembro de 2010

Noctívagos, insones & afins - Se eu não me sentisse confuso de como fui feito

Raúl Iturra

...o que um filho diria a um pai que se importa com ele, toma conta e é feliz…por ter um pai por perto….e não compra o filho e vai-se embora….ensaio de etnopsicologia da infância…

À minha descendência


Feito

Porque de certeza não foi o espírito que me criou. Faz já dez anos. Não foi o espírito que entrou no corpo da minha mãe e depositou aí o meu corpo. Diz a minha mãe que foi ela quem me trouxe ao mundo. Que me pôs neste mundo. Que me deu à luz. Que entregou o meu corpo à família e ao pai. E aos vizinhos. Que me viram no dia do baptismo. Diz a mãe que me levou-me no seu ventre durante cumprido tempo. Diz a mãe. A mãe sempre diz todo o que ela sofreu comigo dentro. Diz que sofreu por ter que acordar à noite para me amamentar. Diz a mãe que teve de mudar as minhas fraldas milhares de vezes quando era pequeno e não sabia usar penico. Diz a mãe.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

700 escolas a mais e autonomia a menos!


Luís Moreira

Temos níveis de educação baixíssimos e 700 escolas a mais? Alguem, no passado, congeminou que construir escolas era fundamental para melhorar a educação, o contrário do que se pensa agora. E, enquanto tivermos as escolas centradas no ministério, por cada equipa ministerial que toma posse teremos uma política diferente. Muda-se tudo!
A primeira prioridade é dar autonomia plena às escolas, contribuir para um quadro de professores estável, um ambiente de proximidade, envolver professores, pais de alunos, instituições civis e empresariais, autarquia...

Agora vamos ter mega agrupamentos, concentrar serviços administrativos, financeiros e fazer a gestão de dois/três mil alunos, enquanto nos países que já fizeram isto, há anos, se arrepia caminho e se volta ao "small is beautiful".

Os alunos numa escola não andam todos no mesmo ciclo, por isso esta medida vai apanhar alunos de todas as idades, para uns ,os mais velhos, será favorável conhecer outros jovens e outros professores, para outros vai ser uma odisseia. Na maior parte das vezes má.

O que o governo não faz é negociar com os professores, os pais, as autarquias e associações civis e empresariais, uma autonomia plena para a escola, inserindo-a no seu ambiente, favorecendo a proximidade, a estabilidade e o mérito, isso não, o Ministério deixava de ter a quem mandar as milhentas regras, regulamentos e más disposições diárias.

E ter treze disciplinas, além de estragar a coluna aos jovens com o peso da mochila, tambem contribui para os alunos aprenderem alguma coisa?

Esta questão leva-nos a outra. Que saberes? Português e Inglês, matemática e disciplinas científico-naturais? Ou ênfase nas disciplinas humanistas? Ou como sempre fizemos, prioridade a todas e estarmos mal preparados em todas? E é preciso começarmos pelo primeiro ano para só daqui a 14 anos vermos resultados? Não, deve avançar-se em pequenos passos, introduzindo as alterações no 6º, no 11º e assim por aí adiante.

Mas é claro que não haverá uma escola nova estando centrada no Ministério, nunca a colocação de professores terá que ver com a coesão de uma equipa, os programas pedagógicos nunca terão a ver com a região em que a escola se insere e com as características sociais dos alunos.

Autonomia, competências, responsabilização, são as chaves de alunos melhores preparados e de professores mais motivados. Sem esta mudança, vamos andar toda a vida, como já andamos há dezenas de anos, atrás do "eduquês", das experiências pedagógicas, por cada equipa ministerial que toma posse muda-se tudo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Professores - 31% do aumento da despesa!

Luis Moreira

Contas Públicas em exame
Educação representa 31% da subida dos gastos do Estado

O JN, e o Jornal de Negócios em primeira página , apresentam títulos que deixam grande parte da classe em desespero. O montante dos vencimentos subiu uns milhões e há esturro com as horas extras! No aumento da despesa pública 31% refere-se à educação.

Que nunca mais compram o JN, tal como nunca mais compraram o Expresso, depois de uma notícia que, pelos vistos, só eles não esqueceram. Não devem os jornais noticiar o que não agrada à classe de professores? Nenhum professor nega a notícia mas todos a justificam, ora com "mais assessores lá na minha escola", Direcção cheia de "gente que não faz nada" ( esta já sabíamos, meu caro)...

O que impressiona na classe é que parece que não conhecem o país onde vivem e trabalham. Reivindicação atrás de reinvindicação como se no país não haja gente sem trabalho, ou pior, gente que trabalha e não sai da miséria. Os professores ganham bem mais que a maioria dos portugueses ( a maioria dos trabalhadores não ganha mais que 600,00 euros) têm condições muito melhores de trabalho, de carreira, de garantias para o futuro do que a maioria que não tem vínculo para toda a vida a uma entidade patronal.

Colocar as suas questões como se fossem as prioritárias num país pobre e injusto, só lhes retira credibilidade, tanta como não quererem perceber que enquanto não tivermos uma escola de excelência, andarão a queixarem-se uns aos outros e a maioria da população a não compreender. Esta noção que a população não lhes reconhece credibilidade é muito frequente no discurso dos professores.

Agora são os jornais que estão contra os professores, ontem a classe política, depois os desempregados, os jovens que, licenciados como eles, nunca tiveram nem vão ter emprego, se o quiserem têm que emigrar para o estrangeiro. E nós a ouvirmos como reinvindicação a colocação numa escola lá do bairro...

Eu sei que num país onde há pensões de muitos milhares de euros e vencimentos de milhões a vontade é ir ao "pote de mel", todos pensamos assim, todas as corporações pensam assim, mas a pensar assim, este país é governável?

O título dá a resposta!Não há contas nacionais que resistam!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O umbigo da nossa Educação !

Luís Moreira





É um naco de prosa que mostra bem como é necessário acabar com os chumbos nas escolas.Porque é o menor dos prejuízos, tudo o que nos poder passar pela cabeça para extinguir o que há de mau nas escolas, ao ler o que transcrevo, dá muito mais trabalho e manifestaçãoes na avenida. Fiquemo-nos, pois, pelos chumbos:

"Toda a pessoa é, no fundo, um grande sonho - motivação, para cuja consecução dispõe de potencialidades, com as quais busca a sua realização, rumo a uma plenitude inatíngivel mas indefinidamente aproximável.Ora,este desvelamento do Eu só pode fazer-se através do Tu e ocorre sempre rumos a um Nós em que todos seríamos um ideal de infinitude para onde sempre vamos caminhando, sem jamais o consumarmos. Tudo aponta para que,em frase-limite,tenhamos que afirmar, ser é amar" (do blogue A Educação do Meu Umbigo)

Como se vê o "eduquês" atinge a espuma da imbecilidade, e a mente das pobres crianças que têm que habitar uma escola onde coexistem com quem se entretem com o seu umbigo, transformando-o no centro do mundo.Só aos próprios interessa a escola, não a escola onde se prosseguem objectivos que têm como alvo o aluno, mas objectivos que têm como único alvo o seu próprio umbigo. Uma corporação como muitas outras que tomaram o Estado.

Só uma escola autónoma, em que os pais possam escolher e todos os agentes sejam avaliados, segundo o mérito, é que inverterá esta tendência que se mantem ano após ano, uma escola cada vez pior e alunos cada vez mais mal preparados.

Aquela frase é linda, não é?