(Continuação)
Esta citação revela o império do desejo de entender que a relação cultura - indivíduo, não é apenas uma problemática denominada por Kraepelin um problema civilizacional, é apenas, como referi antes, uma relação de interacção social entre as leis que governam o comportamento humano, orientam a educação dos mais novos e desenvolvem um adulto capaz de se separar da vida social, por mutações biológicas causadas na base de situações emotivas contraditórias, manifestadas pelo adulto, como no caso das formas rituais paranormais de amok, lata, koro, comportamentos que observa nas culturas citadas no paragrafo anterior e redige no seu texto de 1904: Psychiatrie comparée [120], onde refere formas de agir perante o que eu denominaria a traição da cultura ao indivíduo que, até essa altura, vivia em paz, no meio dos ditames da lei escrita ou tradicional, rituais e mitos, sentimentos definidos e formas materiais de os exprimir que não feriam as relações das pessoas entre si, sempre que essa forma de agir prescrita for cumprida.
Mostrar mensagens com a etiqueta freud. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta freud. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Fala que não entende -2 - Raúl Iturra
Mas, e a criança, como Freud, Klein, Dolto, analisam? Não há razão da parte delas para essa infelicidade? E para a infelicidade que não conhecemos, que não sabemos por falta de observação e de aprendizagem especializada? Mas, que elas no seu agir, palavras e comportamentos individuais e em grupo, nos ensinam quase sem palavras? Porque não há apenas o silêncio do saber proscrito e a infelicidade adulta do pequeno dotado. Há também uma realidade que nasce da própria realidade, enquanto a criança, cuja idade muda e situação social é "retalhada", o ter uma percepção do real, que Wilfred Bion denominaria entender que há um infinito ao qual pertencemos, como seres finitos que somos e que essa finitude deve entender a relação para não entrar na omnipotência que define parte psicótica do nosso ser[112]. Essa criança passa por diferentes estádios enquanto repara que a base da sua vida - a alimentação -, vem de um corpo estranho[113]. Estas idades podem-se apreciar na seguinte tábua:
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A materialidade dos afectos, por Raúl iturra.
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia2.shtml#xintro
http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner%20Die%20Valkyrie&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1
Wagner: Die Walkure: Walkurenritt (Karl Böhm)
As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930 [5], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. Os mais novos escrutinam o nosso agir, decidem se é bom ou mau para eles e não vão a votos, é um observar sem democracia. Ditadura dos mais novos que obriga os mais velhos, a um comportamento adequado aos seus sentimentos definidos pela epistemologia cultural, que os mais novos desconhecem. Há uma procura de empatia simpática, a mais primária das emoções, referidas no meu livro de 2000 - O saber sexual da infância e no anterior de 1998,
http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner%20Die%20Valkyrie&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1
Wagner: Die Walkure: Walkurenritt (Karl Böhm)
As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930 [5], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. Os mais novos escrutinam o nosso agir, decidem se é bom ou mau para eles e não vão a votos, é um observar sem democracia. Ditadura dos mais novos que obriga os mais velhos, a um comportamento adequado aos seus sentimentos definidos pela epistemologia cultural, que os mais novos desconhecem. Há uma procura de empatia simpática, a mais primária das emoções, referidas no meu livro de 2000 - O saber sexual da infância e no anterior de 1998,
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 27 - por Raúl Iturra

(Conclusão)
Anexo 2
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos. Os patrícios, descendentes das famílias mais antigas da cidade, ou seja, dos chefes tribais da região do período pré-romano, eram donos das maiores e melhores terras e os únicos a possuir direitos políticos. História completa em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADcio. Não foi em vão que referi, no texto central, o proletariado, as condições económicas e sociais são muito semelhantes, excepto a escravidão. Porém, um proletário vive do trabalho e do seu salário correndo o risco de encerramento da indústria ou de despedimento por causa provada, do proprietário dos meios de produção. Para os Pontífices, a história diz: Os primeiros sacerdotes eram obviamente os reis. A sua posição como mediadores entre os homens e os deuses dava-lhes um carácter sagrado. Com a sua expulsão, foi criado um sacerdote (o rei dos sacrifícios) herdeiro das atribuições religiosas, mas unicamente dessas, dado o pavor que os romanos tinham de adquirir um novo rei. Entre a monarquia e os primeiros tempos da república foram sendo criados uma série de sacerdócios, pois, entre os romanos, era considerada ser função do estado assegurar uma boa relação com os deuses. O colégio das vestais era um dos mais famosos. Na Roma Antiga, o termo latino Pontifex Maximus ("Sumo Pontífice") designava o sumo-sacerdote do colégio dos Pontífices, a mais alta dignidade na religião romana de Rómulo e Remo. Historia completa em: http://roma-antiga.blogspot.com/2006/10/religio-romana-iii-os-primeiros.html
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
sábado, 13 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –25 por Raúl Iturra.
Anexo 4
Para entender esta parte do anexo, é preciso saber o conteúdo do texto de Freud de 1925, Psychanalyse et médecine ou La question de l'analyse profane, texto em francês, que pode ser lido em:
http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/freud_sigmund/psychanalyse_et_medecine/psychan_et_medecine.html,
“Psychanalyse et médecine” ou “La question de l'analyse profane” (1925) Posfácio
Posfácio do livro de Freud de 1925, escrito e publicado em 1927.
Versão em língua lusa do livro de 1925 : Freud, S. (1926) A questão da análise leiga. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XX. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1976, pp. 203-93.
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra,
sexualidade infantil
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –22 por Raúl Iturra.
Anexo 2
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos.
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –21 por Raúl Iturra.
(Continuação)
Chegava ao fim o Paraíso encantado, sem barulho, longe da cidade, com carros para nos deslocar, ou com as nossas bicicletas ou, simplesmente, a pé ou a cavalo.
Com a minha amada irmã Blanquita, mal havia temporal, ou os bem conhecidos terramotos, normalmente um por ano, ou tremores de terra, quase diários, lá íamos à procura de asilo para os que sem casa ficavam solicitando aos ricos o empréstimo dos seus armazéns, das suas adegas ou terrenos abandonados para construir casas designadas meias águas, feitas em madeira com um tecto para a água da chuva, sempre muita, escorregar – daí, meias água (porque tinha apenas uma placa de madeira, para resguardo da água). O nosso crescimento fez-nos pessoas implicadas persistentemente na defesa dos direitos humanos. A minha doce irmã, nos Centros de Madres com a nossa Senhora Mãe, de uma simpatia e solidariedade impossível de descrever, doce e muito religiosa, de terço às tardes, de joelhos, a família toda, até que, a pouco e pouco, foi ficando apenas com os empregados de casa. O nosso irmão, a converter operários para o marxismo, eu a fundar sindicatos de pescadores e de operários da fábrica, outra a dançar andaluz o tempo todo enquanto criava uma escola para as raparigas operárias.
Chegava ao fim o Paraíso encantado, sem barulho, longe da cidade, com carros para nos deslocar, ou com as nossas bicicletas ou, simplesmente, a pé ou a cavalo.
Com a minha amada irmã Blanquita, mal havia temporal, ou os bem conhecidos terramotos, normalmente um por ano, ou tremores de terra, quase diários, lá íamos à procura de asilo para os que sem casa ficavam solicitando aos ricos o empréstimo dos seus armazéns, das suas adegas ou terrenos abandonados para construir casas designadas meias águas, feitas em madeira com um tecto para a água da chuva, sempre muita, escorregar – daí, meias água (porque tinha apenas uma placa de madeira, para resguardo da água). O nosso crescimento fez-nos pessoas implicadas persistentemente na defesa dos direitos humanos. A minha doce irmã, nos Centros de Madres com a nossa Senhora Mãe, de uma simpatia e solidariedade impossível de descrever, doce e muito religiosa, de terço às tardes, de joelhos, a família toda, até que, a pouco e pouco, foi ficando apenas com os empregados de casa. O nosso irmão, a converter operários para o marxismo, eu a fundar sindicatos de pescadores e de operários da fábrica, outra a dançar andaluz o tempo todo enquanto criava uma escola para as raparigas operárias.
Etiquetas:
complexo de édipo,
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –20 por Raúl Iturra.
(Continuação)
Pelo seu terceiro ano de idade, o pequeno, já na idade de empatia, torna-se capaz de reabituar as representações que havia aprendido das representações do mundo mental da sua mãe, as suas motivações, as suas intenções e as suas crenças: "Ele ainda vai pensar que sou eu quem tem comido o seu chocolate, apesar de ser o seu irmão. Um bebé a crescer dentro de um mundo frio de afectividade, que se desenvolve num mundo frio, está prestes a pôr atenção a toda a afectividade fria que tudo dos outros lhe pode entregar”. Praticamente pensa: “Toda relação afectiva arrefece ao ser humano. No caso inverso, uma criança que se sente amada, pensa-se amável, por causa dele próprio ser amado”. Este impingir na sua memória de afectividades de sobrevivência, pode criar no pequeno uma representação do seu ego confiante e amável, que usa com simpatia ao entrar na interacção social.
Pelo seu terceiro ano de idade, o pequeno, já na idade de empatia, torna-se capaz de reabituar as representações que havia aprendido das representações do mundo mental da sua mãe, as suas motivações, as suas intenções e as suas crenças: "Ele ainda vai pensar que sou eu quem tem comido o seu chocolate, apesar de ser o seu irmão. Um bebé a crescer dentro de um mundo frio de afectividade, que se desenvolve num mundo frio, está prestes a pôr atenção a toda a afectividade fria que tudo dos outros lhe pode entregar”. Praticamente pensa: “Toda relação afectiva arrefece ao ser humano. No caso inverso, uma criança que se sente amada, pensa-se amável, por causa dele próprio ser amado”. Este impingir na sua memória de afectividades de sobrevivência, pode criar no pequeno uma representação do seu ego confiante e amável, que usa com simpatia ao entrar na interacção social.
Etiquetas:
alice miller,
bion,
etnopsicologia da infância,
freud,
klein
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –17: por Raúl Iturra.
(Continuação)
Se o saber das crianças é uma análise do processo ensino – aprendizagem definido por mim, ao queremos entrar nesse processo, parece-me necessário não apenas ultrapassar essa barreira do nada saber, no primeiro dia de vida, nesse minuto em que se começa a aprender. Apesar da opinião de Bion, comentada antes, é preciso ultrapassar também todas as barreiras do inconsciente. Gostava de reafirmar as minhas hipóteses: além da religião como lógica de cultura, todo o progenitor, especialmente docente, precisa possuir ideias da teoria do inconsciente.
Se o saber das crianças é uma análise do processo ensino – aprendizagem definido por mim, ao queremos entrar nesse processo, parece-me necessário não apenas ultrapassar essa barreira do nada saber, no primeiro dia de vida, nesse minuto em que se começa a aprender. Apesar da opinião de Bion, comentada antes, é preciso ultrapassar também todas as barreiras do inconsciente. Gostava de reafirmar as minhas hipóteses: além da religião como lógica de cultura, todo o progenitor, especialmente docente, precisa possuir ideias da teoria do inconsciente.
Etiquetas:
alice miller,
freud,
klein,
steven hawking
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –16: por Raúl Iturra.
(Continuação)
Eros também pode ser definido como a atracção para a perfeição ou integridade, e é usado para descrever a satisfação entre o homem/mulher e o homem/deus. Ideias que levaram Freud a escrever, em 1923, sobre os sentimentos de vida – Eros e morte – Tanatos. Esse texto transmite-nos, entre outras, a seguinte ideia: o ego procura inserir no inconsciente as influências do mundo exterior, para que o id ou o isto seja capaz de suportar os sofrimentos e abusos desse mesmo mundo, substituindo assim o princípio da realidade pelo do prazer, que reina de forma irrestrita no id da mente humana. Isto acontece porque as percepções do ego ou eu, arrasam a mente com a realidade e o id transforma-as em instinto. O Eu representa a razão e senso comum, ao contrário do id, que está preenchido de paixões .
O saber das crianças é um saber livre que passa por uma estrutura da mente que Freud soube descobrir ao longo de muitos anos de experiências e análises. Existe todo um aparelho de processos mentais que retém esse saber, como pode ser lido nos textos de 1920 e o já citado de 1923, O Ego e o Id , texto que define estes dois conceitos.
Eros também pode ser definido como a atracção para a perfeição ou integridade, e é usado para descrever a satisfação entre o homem/mulher e o homem/deus. Ideias que levaram Freud a escrever, em 1923, sobre os sentimentos de vida – Eros e morte – Tanatos. Esse texto transmite-nos, entre outras, a seguinte ideia: o ego procura inserir no inconsciente as influências do mundo exterior, para que o id ou o isto seja capaz de suportar os sofrimentos e abusos desse mesmo mundo, substituindo assim o princípio da realidade pelo do prazer, que reina de forma irrestrita no id da mente humana. Isto acontece porque as percepções do ego ou eu, arrasam a mente com a realidade e o id transforma-as em instinto. O Eu representa a razão e senso comum, ao contrário do id, que está preenchido de paixões .
O saber das crianças é um saber livre que passa por uma estrutura da mente que Freud soube descobrir ao longo de muitos anos de experiências e análises. Existe todo um aparelho de processos mentais que retém esse saber, como pode ser lido nos textos de 1920 e o já citado de 1923, O Ego e o Id , texto que define estes dois conceitos.
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
domingo, 31 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –13: por Raúl Iturra.
(Continuação)
Sobre este comportamento, Weber, sociólogo da religião, esteve bastante atento, dedicando-se ao seu estudo, com trabalho de campo em 1899, e publicação, em 1905, na Alemanha, de um livro, a que penso voltar após a análise de Lutero.
O conceito alma para os luteranos era um princípio central da sua fé, o corpo é apenas uma “gaiola” para a conter. Por isso, só a salvação de alma contava. Lutero acreditava na predestinação, influenciando os primeiros conversos.
No Século XIX, uma grande curiosidade sobre a prosperidade de luteranos e calvinistas surge na vida social. Todos os denominados protestantes (por terem protestado contra a confissão romana, levando-a a mudar no Concílio de Trento do Século XVI), enriqueciam para surpresa do resto da população que, começou de imediato, a pretender ser luterana, verificando-se, por esse motivo, uma grande passagem de cristãos romanos para luteranos.
Curioso do facto, Max Weber deu início ao seu trabalho de campo no Sul do Rio Elba. Trabalho que permitiu uma comparação de comportamentos entre protestantes e católicos. Nas conclusões, publicadas no livro A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), do qual Pierre Bourdieu virá mais tarde a divulgar excertos, Max Weber observa que os operários católicos gastam todo o pouco dinheiro que ganham em festas, bebedeiras, roupas e viagens não poupando nada, vivem na eterna miséria. Por seu lado, os operários luteranos, trabalham de manhã à noite, excepto aos Domingos, poupando todo o seu dinheiro, contrariamente aos católicos, e investindo-o em maquinaria, sementes e melhor terra, com vista a uma maior produção e a uma melhor venda nos mercados.
Sobre este comportamento, Weber, sociólogo da religião, esteve bastante atento, dedicando-se ao seu estudo, com trabalho de campo em 1899, e publicação, em 1905, na Alemanha, de um livro, a que penso voltar após a análise de Lutero.
O conceito alma para os luteranos era um princípio central da sua fé, o corpo é apenas uma “gaiola” para a conter. Por isso, só a salvação de alma contava. Lutero acreditava na predestinação, influenciando os primeiros conversos.
No Século XIX, uma grande curiosidade sobre a prosperidade de luteranos e calvinistas surge na vida social. Todos os denominados protestantes (por terem protestado contra a confissão romana, levando-a a mudar no Concílio de Trento do Século XVI), enriqueciam para surpresa do resto da população que, começou de imediato, a pretender ser luterana, verificando-se, por esse motivo, uma grande passagem de cristãos romanos para luteranos.
Curioso do facto, Max Weber deu início ao seu trabalho de campo no Sul do Rio Elba. Trabalho que permitiu uma comparação de comportamentos entre protestantes e católicos. Nas conclusões, publicadas no livro A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), do qual Pierre Bourdieu virá mais tarde a divulgar excertos, Max Weber observa que os operários católicos gastam todo o pouco dinheiro que ganham em festas, bebedeiras, roupas e viagens não poupando nada, vivem na eterna miséria. Por seu lado, os operários luteranos, trabalham de manhã à noite, excepto aos Domingos, poupando todo o seu dinheiro, contrariamente aos católicos, e investindo-o em maquinaria, sementes e melhor terra, com vista a uma maior produção e a uma melhor venda nos mercados.
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
weber
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –13: por Raúl Iturra.
(Continuação)
Sobre este comportamento, Weber, sociólogo da religião, esteve bastante atento, dedicando-se ao seu estudo, com trabalho de campo em 1899, e publicação, em 1905, na Alemanha, de um livro, a que penso voltar após a análise de Lutero.
O conceito alma para os luteranos era um princípio central da sua fé, o corpo é apenas uma “gaiola” para a conter. Por isso, só a salvação de alma contava. Lutero acreditava na predestinação, influenciando os primeiros conversos.
No Século XIX, uma grande curiosidade sobre a prosperidade de luteranos e calvinistas surge na vida social. Todos os denominados protestantes (por terem protestado contra a confissão romana, levando-a a mudar no Concílio de Trento do Século XVI), enriqueciam para surpresa do resto da população que, começou de imediato, a pretender ser luterana, verificando-se, por esse motivo, uma grande passagem de cristãos romanos para luteranos.
Sobre este comportamento, Weber, sociólogo da religião, esteve bastante atento, dedicando-se ao seu estudo, com trabalho de campo em 1899, e publicação, em 1905, na Alemanha, de um livro, a que penso voltar após a análise de Lutero.
O conceito alma para os luteranos era um princípio central da sua fé, o corpo é apenas uma “gaiola” para a conter. Por isso, só a salvação de alma contava. Lutero acreditava na predestinação, influenciando os primeiros conversos.
No Século XIX, uma grande curiosidade sobre a prosperidade de luteranos e calvinistas surge na vida social. Todos os denominados protestantes (por terem protestado contra a confissão romana, levando-a a mudar no Concílio de Trento do Século XVI), enriqueciam para surpresa do resto da população que, começou de imediato, a pretender ser luterana, verificando-se, por esse motivo, uma grande passagem de cristãos romanos para luteranos.
Etiquetas:
concílio de trento,
émile durkheim,
freud,
lutero,
weber
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –7: por Raúl Iturra.
(Continuação)
Etiquetas:
antropologia social,
etnopsicologia da infância,
freud
terça-feira, 12 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –5: por Raúl Iturra.
O texto de Freud sobre A organização genital infantil, quer pela sua importância quer, ainda, por estar em português, introduzo-o no miolo do presente trabalho, para melhor entendermos esta temática:
Fase Fálica
Terceiro estágio do desenvolvimento psico-sexual. Pela primeira vez, na obra citada, datada de 1923, Freud define a fase fálica (3-5 anos de idade), subsequente às fases oral e anal, que são organizações pré-genitais.
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
fase fálica,
freud,
raúl iturra
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –4: por Raúl Iturra.
A castração marca a interdição, é da ordem do sacrifício. Tendo como contexto a via do mito da horda primeva naquilo que viabiliza a estrutura, como é o caso desse texto, nota-se que o facto dos filhos não puderem aceder às mulheres num primeiro momento hipotético não indica, necessariamente, que eles seriam, dali por diante, castrados, apesar de a lei já circular. Com o assassinato do pai fizeram um acordo, uma hipotética ordem social, um funcionamento viável ao instituir os dois tabus, donde se deduz o que deve ter passado pela subjectividade, cada um pôde assim renunciar e consentir em perda, submetendo-se à interdição. Aqui encontramos a função do pai como agente da castração, o pai não é o castrador é antes o agente da castração, tendo a castração como enunciado de uma interdição.
Etiquetas:
castração,
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
domingo, 10 de outubro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –3: por Raúl Iturra.
Todos estes textos, não esquecem a figura paterna como guarda, tornando-se assim imprescindível sabermos o que a figura paterna representa na infância. No meu caso das bolachas, mal entrava numa casa, de imediato ia às mobílias para procurar “gallallas”. A minha mãe ficava enternecida, a senhora da casa também. Não esquecerei o dia em que entrei na casa da enfermeira que tratava os trabalhadores da fábrica do nosso Senhor Pai, como relato noutro livro meu, a sair em breve, e ir de forma precipitada para uma mobília de madeira de sândalo lavrado e coberta por uma peça de mármore de Carrara, que fez a minha grande ilusão. Era uma mesa encantadora e chamava a minha atenção.
Essa enfermeira, Dona Ema Cubillos de Geisser, era na verdade uma parteira, denominadas Matronas no Chile. Tinha dinheiro e a sua casa era de uma elegância que qualquer criança poder-se-ia iludir com a ideia de que dentro dela haveria imensas maravilhas, também “gallalas”. O nosso Senhor Pai, de imediato, chamou a minha atenção, no seu papel de guardião: “Menino, não faça isso”. Por ser, nesses tempos filho único, pensava que tudo era meu, e não quis ouvir e não parei quieto até rever toda a mobília da casa. Não havia “gallallas”... Grande desilusão! O puxão de orelhas do Senhor Pai doía menos que a falta do bem mais cobiçado, largamente conhecido pela família, amigos e vizinhos. A transgressão às ditas boas maneiras nem era um afazer mau para mim. Se tudo era meu, porque não tinha “gallallas”? Essa figura guardiã e restritiva, esse papel de pai, tão diferente do da mãe e do das mulheres que também tinham filhos, era apenas no olhar, uma grande punição.
Essa enfermeira, Dona Ema Cubillos de Geisser, era na verdade uma parteira, denominadas Matronas no Chile. Tinha dinheiro e a sua casa era de uma elegância que qualquer criança poder-se-ia iludir com a ideia de que dentro dela haveria imensas maravilhas, também “gallalas”. O nosso Senhor Pai, de imediato, chamou a minha atenção, no seu papel de guardião: “Menino, não faça isso”. Por ser, nesses tempos filho único, pensava que tudo era meu, e não quis ouvir e não parei quieto até rever toda a mobília da casa. Não havia “gallallas”... Grande desilusão! O puxão de orelhas do Senhor Pai doía menos que a falta do bem mais cobiçado, largamente conhecido pela família, amigos e vizinhos. A transgressão às ditas boas maneiras nem era um afazer mau para mim. Se tudo era meu, porque não tinha “gallallas”? Essa figura guardiã e restritiva, esse papel de pai, tão diferente do da mãe e do das mulheres que também tinham filhos, era apenas no olhar, uma grande punição.
Etiquetas:
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Contribuições de António Damásio
Clara Castilho
António Damásio (um dos mais reputados neurocientistas do mundo, dirige o Brain and Creativity institute na Universidade da Califórnia do Sul) publicou um livro “SELF COMES TO MIND”, que teve em português o título de “O livro da consciência”. Confessando estar longe de ter resolvido o mistério do que é a consciência humana, dispõe-se à controvérsia sobre o que defende – o corpo e o cérebro são duas caras da mesma moeda.
Estou longe de ter bagagem para discutir estes assuntos. Mas assisti a um conferência que o autor proferiu, em 2008, no Estoril e de que tirei alguns apontamentos que passo a partilhar convosco.
António Damásio (um dos mais reputados neurocientistas do mundo, dirige o Brain and Creativity institute na Universidade da Califórnia do Sul) publicou um livro “SELF COMES TO MIND”, que teve em português o título de “O livro da consciência”. Confessando estar longe de ter resolvido o mistério do que é a consciência humana, dispõe-se à controvérsia sobre o que defende – o corpo e o cérebro são duas caras da mesma moeda.
Estou longe de ter bagagem para discutir estes assuntos. Mas assisti a um conferência que o autor proferiu, em 2008, no Estoril e de que tirei alguns apontamentos que passo a partilhar convosco.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
Capítulo 1.2º parte
A Saber.
Steven Stoer (1991 e 1998), Luiza Cortesão (1995 e 1988)), Luís Souta (1997), de entre os meus próximos na pesquisa, ficavam encantados com uma situação de objecto científico como esta. Encantados, porque é uma situação multicultural, á qual eu acrescentava, multitemporal. Porque a multicultura, não é apenas de uma etnia diferente. É também o tempo diferente, as gerações diferentes dentro do mesmo tempo, e, mais ainda, o saber diferente. Victoria, Pilar, Anabela, estão a retirar o seu saber para avaliar, das camadas de ideias que, um dia, ficaram todas coladas. Coladas pela sua sedimentação no tempo, pelo sincretismo que a população teve que organizar, para juntar normativas condutoras do comportamento, provenientes de outras épocas. Bem como, de outros Continentes. E de outras terras do mesmo Continente. E de outras experiências conjunturalmente mutáveis. E de outros costumes, credos e leis. Embora, sintetizadas de forma subsumida, á época actual. Subsumida á Historia, á sua interpretação, á cronologia que vou referir mais em frente, como tempo. Dentro de um conjunto heterogéneo de experiências comportamentais. Onde, como diriam Goody (1986) e Scribner & Cole(1981) e Gough(1981) e Locke (1690), a escrita abafou á oralidade. Uma oralidade que fez os mitos (Lévi-Strauss (1962b)), Maurice Godelier (1984), Sigmund Freud (1913)), lembrados apenas nos factos da troca reprodutiva, na orientação da afectividade, nos santos, e nas festas. De facto, para Victoria é normal que um homem tenha muitas mulheres. Um homem sem muitas mulheres, acaba por não ser do género masculino.
Capítulo 1.2º parte
A Saber.
Steven Stoer (1991 e 1998), Luiza Cortesão (1995 e 1988)), Luís Souta (1997), de entre os meus próximos na pesquisa, ficavam encantados com uma situação de objecto científico como esta. Encantados, porque é uma situação multicultural, á qual eu acrescentava, multitemporal. Porque a multicultura, não é apenas de uma etnia diferente. É também o tempo diferente, as gerações diferentes dentro do mesmo tempo, e, mais ainda, o saber diferente. Victoria, Pilar, Anabela, estão a retirar o seu saber para avaliar, das camadas de ideias que, um dia, ficaram todas coladas. Coladas pela sua sedimentação no tempo, pelo sincretismo que a população teve que organizar, para juntar normativas condutoras do comportamento, provenientes de outras épocas. Bem como, de outros Continentes. E de outras terras do mesmo Continente. E de outras experiências conjunturalmente mutáveis. E de outros costumes, credos e leis. Embora, sintetizadas de forma subsumida, á época actual. Subsumida á Historia, á sua interpretação, á cronologia que vou referir mais em frente, como tempo. Dentro de um conjunto heterogéneo de experiências comportamentais. Onde, como diriam Goody (1986) e Scribner & Cole(1981) e Gough(1981) e Locke (1690), a escrita abafou á oralidade. Uma oralidade que fez os mitos (Lévi-Strauss (1962b)), Maurice Godelier (1984), Sigmund Freud (1913)), lembrados apenas nos factos da troca reprodutiva, na orientação da afectividade, nos santos, e nas festas. De facto, para Victoria é normal que um homem tenha muitas mulheres. Um homem sem muitas mulheres, acaba por não ser do género masculino.
Monumento a Pedro de Valdívia em Santiago do Chile.
O papel do homem é coordenar o trabalho reprodutivo, quer do conhecimento tecnológico, quer do trabalho das pessoas, quer ainda, do tempo. Os Picunche, mal se lembram de serem parte da etnia Mapuche. E ficam assim definidos. (José Bengoa, 1985; Sérgio Villalobos, 1974; Leonardo Castillo 1996) da terra denominada Chili pelos Quechua. Foram os Quechua, que disseram ao Conquistador Espanhol do Chile, Pedro de Valdivia (1542), de que ia á terra do frio, é dizer, do chili - embora muitas disputas existam sobre o facto (Francisco Frias Valenzuela, 1986; Jaime Eyzaguirre, 1963; José Bengoa 1985; Sérgio Villalobos 1974, Luís Silva Pereira 1998; Elias Lizana 1909, e o Historiador local oral de Pencahue, Luís Bravo). Os Picunche, abatidos pelos colonizadores a começos do Século XVI (Arquivos da Igreja de Pencahue), e reduzidos a sítios denominados Doutrinas: (Rauquen, Libun, Toconay, Tapihue, Carrizal), tiveram que se comportar como os seus invasores espanhóis e algum português prévio a Tordesilhas. Sitos na Cordilheira de Los Andes, a viverem em extensões entre o que hoje é o Chile e a Argentina, como vou analisar no capitulo 2 , viviam dos pastoreio das vicuñas, llamas e guanacos, e das lãs desses animais que os Inca ensinaram a cardar e tecer.
Etiquetas:
freud,
leonardo castillo,
pedro de valdívia
terça-feira, 6 de julho de 2010
Parece-me felonia intervir na vida privada das pessoas
Raúl Iturra
É o meu hábito, desde que lembro dos meus dias de vida, que começam a ser muitos, acordar entre 6 e 7 da manhã, a melhor hora para escrever: todos andam a dormir, o silêncio é interrompido apenas pelos pássaros que acordam ao dia e o telefone não tem esse pouco simpático som que faz perder o fio a meada. Hábito ao que tenho todo o direito, porque a seguir, adormeço meia hora e fico fresco, como alface. Como agora.
Apenas que hoje, o mundo mudou. Como quando integro júris longe das minhas terras e para estar em Coimbra, devo sair de Cascais pelo menos as 6 da manhã. A minha sesta passa, a volta, a ser de, pelo menos duas horas. Hoje, por ter acabado um novo livro que ofereci a minha Universidade: Marx, um devoto luterano, 365 páginas, estava cansado e sentei-me no cadeirão do meu estudo para ler notícias.
É o meu hábito, desde que lembro dos meus dias de vida, que começam a ser muitos, acordar entre 6 e 7 da manhã, a melhor hora para escrever: todos andam a dormir, o silêncio é interrompido apenas pelos pássaros que acordam ao dia e o telefone não tem esse pouco simpático som que faz perder o fio a meada. Hábito ao que tenho todo o direito, porque a seguir, adormeço meia hora e fico fresco, como alface. Como agora.
Apenas que hoje, o mundo mudou. Como quando integro júris longe das minhas terras e para estar em Coimbra, devo sair de Cascais pelo menos as 6 da manhã. A minha sesta passa, a volta, a ser de, pelo menos duas horas. Hoje, por ter acabado um novo livro que ofereci a minha Universidade: Marx, um devoto luterano, 365 páginas, estava cansado e sentei-me no cadeirão do meu estudo para ler notícias.
Etiquetas:
charcot,
cristiano ronaldo,
freud,
klein,
raúl iturra,
winnicot
terça-feira, 29 de junho de 2010
Ontem e hoje: o crescimento das crianças (5)
Raúl Iturra
O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, obter terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade.
Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta á exploração do consumo e da procura. Há que ter bens para vender e dinheiro para comprar. E a União Europeia encarrega - se de que o gasto, exista. Dívidas como créditos, que, enquanto mais tarde se paguem, é melhor. O crescimento das crianças modifica a aliança reprodutiva. Não é suficiente desejar, não é suficiente a paixão. A pessoa parceira deve é ter terra ou industria ou emprego para investir dinheiro no futuro lucro. Lucro que sintetiza o contexto dentro do qual crescem hoje as crianças. Com o prazer de se divertir. Como a Bertita, que enquanto é professora primaria, também faz música. Ou o seu irmão Pedro, que desenha e de esse desenho técnico, tira prazer e vive. Ião querer trabalhar no campo?
O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, obter terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade.
Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta á exploração do consumo e da procura. Há que ter bens para vender e dinheiro para comprar. E a União Europeia encarrega - se de que o gasto, exista. Dívidas como créditos, que, enquanto mais tarde se paguem, é melhor. O crescimento das crianças modifica a aliança reprodutiva. Não é suficiente desejar, não é suficiente a paixão. A pessoa parceira deve é ter terra ou industria ou emprego para investir dinheiro no futuro lucro. Lucro que sintetiza o contexto dentro do qual crescem hoje as crianças. Com o prazer de se divertir. Como a Bertita, que enquanto é professora primaria, também faz música. Ou o seu irmão Pedro, que desenha e de esse desenho técnico, tira prazer e vive. Ião querer trabalhar no campo?
Etiquetas:
antropologia,
etnopsicologia da infância,
freud,
raúl iturra
Subscrever:
Mensagens (Atom)















