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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Centenário Ricardo Carvalho Calero - Ainda não lhe foi feita justiça

Carlos Loures

Este ano de 2010, foi o ano das comemorações do centenário do Professor Ricardo Carvalho Calero (1910-1990), ano que está a chegar ao fim. Com júbilo, os que amam a Galiza, a sua língua, a sua cultura, puderam confirmar que há muitos galegos apostados em recuperar a subjugada identidade da sua Nação. Honrar a memória de Ricardo Carvalho Calero é uma das maneiras de o fazer.

Não sei se é oportuno ou se alguma coisa já se está a fazer nesse sentido, mas parece-me que deveria ser dirigiada uma petição à Real Academia Galega no sentido de em 2011 ser Ricardo Carvalho Calero a ser homenageado no dia das Letras Galegas. Porque é inacreditável que ainda não tenha sido escolhido. Na realidade para quem, como eu, está analisando a questão de fora, tendo apenas os dados disponíveis a toda a gente, torna-se incompreensível que a um homem como Ricardo Carvalho Calero que, inclusivamente, foi indigitado como presidente da Real Academia Galega, seja negada a homenagem que desde há dez anos lhe é proposta. Porquê?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Os dez mais - Evento - Quatro momentos-chave do galego-português

Carlos Loures

Da forma atrabiliária que já denunciei, fui ziguezagueando pelos temas que dizem respeito ao idioma galego-português. Não esquecendo que o objectivo destes textos é o de determinar o momento chave de uma dada literatura. Em jeito de quem apanha pedaços dispersos, eu diria que houve três momentos chave na história do galego-português. Refiro-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português).

Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um primeiro evento assinalável - quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.


Depois da separação política enquanto a agressão aculturante do castelhano começava o seu trabalho, a Sul do Minho a língua comum construía-se, enriquecia-se - Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, para referir só alguns nomes, tiveram na criação da língua e na sua fixação em monumentos literários. E neste segundo ciclo da língua, há um segundo momento crucial quando Portugal, virando costas à Europa, se aventurou mar fora. Foi mercê dessa decisão e da política de navegações sonhada por D. Henrique e levada a cabo por D. João II, que começou a grandeza da língua, hoje falada por 240 milhões de pessoas em nove nações, sendo que a projecção demográfica para 2050 prevê que 350 milhões a falem.

Porém, ao longo de seis séculos de domínio estrangeiro, o galego fora invadido por castelhanismos, inquinado foneticamente e não só. Na Galiza o idioma parecia perdido. Mas não – no século XIX, com o Rexurdimento de Rosalía, Murguia, Pondal e tantos outros, a língua e a cultura galegas começaram a recuperar a sua identidade usurpada. Este renascer do amor pelo idioma, quando o galego estava já remetido à condição de dialecto rural do castelhano é, na minha opinião, o terceiro momento-chave na história da cultura galega.

Diria que estamos a viver um quarto momento-chave. Os filólogos portugueses e galegos (Manuel Rodrigues Lapa, Ricardo Carvalho Calero e muitos outros) criaram condições para que se pensasse na reintegração do galego na família da lusofonia. Do ponto de vista da ciência linguística não parece existir dúvida de que português e galego nasceram de uma mesma matriz. Podemos chamar por isso galego-português ao idioma que, sob duas formas dialectais, falamos lá e aqui. Reintegrar o galego no português ou o português no galego (chamo de novo a atenção para o excelente trabalho de Carlos Durão – “Síntese do reintegracionismo contemporâneo” – trabalho de grande envergadura, é uma das mais claras exposições sobre este tema que me tem sido dado ler). Mas que fique bem claro que quando se fala de reintegrar, não se fala de Portugal anexar politicamente a Galiza, mas sim do regresso do seu idioma à família a que nunca deixou de pertencer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Evento – Quatro momentos–chave do galego-português

 Carlos Loures


Da forma atrabiliária que já denunciei, fui ziguezagueando pelos temas que dizem respeito ao idioma galego-português. Não esquecendo que o objectivo destes textos é o de determinar o momento chave de uma dada literatura. Em jeito de quem apanha pedaços dispersos, eu diria que houve três momentos chave na história do galego-português. Refiro-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português).

Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um  primeiro evento assinalável -  quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Evento – Português e Galego – o fim da deriva?

Carlos Loures

As sínteses têm a sua utilidade, mas são perigosas. O querer dizer em poucas palavras o que só pode ser dito em muitas, implica o risco de haver más interpretações e, por vezes, obriga depois a explicações suplementares. Gasta-se então o espaço e o tempo inicialmente economizados, Espero que estas notas que, sobre o galego-português e as literaturas que lhe são subjacentes, comecei a publicar, recapitulando o que tenho vindo a dizer em textos anteriores, fiquem minimamente claras. Isto, apesar da compactação a que são sujeitos temas delicados e complexos. Feita a advertência, vamos então a mais uma súmula do que tem sido dito.

Entre os séculos IX e XV, a língua falada nos territórios da antiga província romana da Galécia, posteriormente dividida em condados e depois em duas nações, era uma variante neolatina (ou novilatina) – o galego-português (ou galaico-português). A poesia lírica produzida nesta região era escrita neste idioma que não só era utilizado pelos naturais, como, ultrapassando as suas fronteiras, chegava como língua de cultura a Leão e Castela – as “Cantigas de Santa Maria”, obra do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sempre Galiza! – coordenação de Pedro Godinho: Síntese do reintegracionismo contemporâneo (9), por Carlos Durão


Síntese do reintegracionismo contemporâneo (9)
por Carlos Durão

(continuação)

Para A. Gil Hernández: “A “solução (final)” foi o acto de governo da “Xunta” que, sancionando politicamente o acordo da R.A.G. e o I.L.G., mostra a decidida vontade política de reconduzir o processo normalizador iniciado em 1916 com as Irmandades da Fala, truncado pela guerra civil e recomeçado colectivamente durante os anos sessenta-setenta [...]/ Tal decisão, porém, redutora e unilateral dos “notáveis” políticos concorda com os “princípios” que, enunciados como tais na “Introducción”, guiaram (assim o declaram!) aos “notáveis” académicos no processo de elaborarem as Normas oficializadas. / [...] Convergem, portanto, os “notáveis” que detêm [sic] o poder académico e aqueles que controlam o poder político regional a respeito das competências exclusivas da Comunidade Autónoma. Há outros “notáveis”, académicos e políticos, que calam e/ou outorgam, que transigem e/ou se mostram indiferentes [...]/ Reduzir e centrifugar a CLGP em território espanhol, também nos aspectos formais, constitui um passo inescusável no processo, complementar e multilateral, de racionalizar e modernizar as instituições do Estado. Sumir na simples oralidade (transcrevível facilmente!) o idioma galego implica garantir a modernidade (gráfica sobretudo) da língua nacional ou castelhano; negar a unidade diassistémica de galego, língua regional de Espanha, e português, língua oficial (e nacional) de até sete estados, elimina de raiz qualquer tentação de “veleidade” aventurada... O resto, isto é, as repressões académico-políticas, as arbitrariedades administrativas e, em geral, a “política linguística” que a “Xunta” e outros órgãos do Estado promovem e procuram confirmam a tese, mantida já no meu trabalho do volume primeiro de Linguística e Sócio-Linguística Galaico-Portuguesa: “Que o processo normativizador da língua é utilizado pela ‘notabilidade’ da Galiza, hoje no poder, para acelerar a desnormalização da CLGP e, portanto, conseguir a normalização definitiva da Comunidade Linguística castelhana, identificada nestas partes do mundo com o Estado espanhol”” (1986, 6/10: 276-278).

O “Decreto Filgueira” foi aplicado ao ensino através da Direção Geral de Política Linguística, iniciando inspeções nos centros docentes, e perseguições e repressões aos professores de galego; com ele confirmou-se o sequestro do português da Galiza pelo Estado Espanhol, provocando uma enérgica contestação pelos setores mais conscientizados da sociedade, que sofrem fortes represálias se o utilizam nos centros de ensino. A AS-PG publica umas Observações sobre as Normas ortográficas e morfolóxicas do Instituto da Lingua-Real Academia Galega (1982), acusando-as de desintegracionismo, e a AGAL dedica-lhe um Estudo Crítico (1982).

Ao respeito, opina R. Lorenzo: “Cando se tratou de normativiza-la lingua e a Academia Galega e o Instituto da Lingua Galega da Universidade chegaron a unha normativa case común, a uns cantos aficionados ocurréuselles presentar unha normativa lusista, ou ‘reintegracionista’, como se di pra disimular, querendo achega-lo galego ó portugués na grafía, na morfosintaxe e no léxico, porque resulta que utiliza-lo galego vivo é escribir baixo a presión do castelán e hai que recupera-lo que ‘nunca’ existiu. Así chégase a dúas posturas totalmente contrarias, porque a unha exclúe a outra e non hai posibilidade de entendemento./ Estes galegoaprendices en moitos casos fixéronlle un fraco favor ó galego e contribuíron a que a xente se indispuxese aínda máis contra a nosa lingua. [...] O galego e o castelán teñen hoxe unhas características moi semellantes, cousa que non sucede entre o galego e o portugués falado, e mesmo escrito” (1981). Nas “Actas” do Colóquio de Tréveros, de 1980, referindo-se ao português diz R. Lorenzo: “son un enamorado desta lingua”; e também: “qué desgracia ten o galego en caer en mans de xentes que non debían estar co galego ás voltas” (1982: parece que não havia por ali um espelho à mão...). E tem um bom discípulo em M. Fraga Iribarne: “desde la independencia de Portugal, hay un destino que sigue la lengua gallega, que se convierte en la lengua popular de Galicia, conviviendo con el castellano en un bilingüismo que nunca ha creado problemas. Esta no sólo es una opinión mía: lo es también del ilustre catedrático de Santiago, Lorenzo, quien ratifica que el gallego hay que dejarlo como es, no inventarlo de nuevo, ni mucho menos si esta invención, no sólo no es filológica, sino también política” (1981). Outro “ilustre” discípulo era o Dr D. García-Sabell, Presidente da RAG,  também Delegado do “Gobierno Español” na Galiza, que escrevia no Limiar da edição de R. Lorenzo da Crónica Troiana (1985): “as sabencias do Profesor Ramón Lorenzo van dereitas ó cumio do estilo científico da indagación seria e responsable. E que somentes pode ser subliñado con unha palabra, con un soio calificativo, este: asombroso” (1986, 14-17: 155). E comenta I. Alonso Estraviz: “há anos que Ramón Lorenzo saudou com grande alvoroço a necessidade de uma integração do galego numa ortografia comum ao português ao fazer a resenha crítica dos livros de Ernesto Guerra da Cal no jornal compostelano La Noche. Que o levou a se converter em furibundo antilusista e defensor de uma ortografia castelhanizante para o galego?” (1986, 14-17: 159), referindo-se ao que escrevera Lorenzo: “Sería verdaderamente maravilloso que la literatura gallega fuese conocida en el mundo luso-brasileño y romper el cerco que hoy le tienen trazado [...] nosotros tendríamos que hacer una acomodación a los fonemas portugueses. La idea encontraría opositores. Pero no me parece descabellado. Sólo me refiero a algunos fonemas, o hablando más propiamente a la grafía de algunos fonemas, como nh, lh, g, j (como hacía Pondal). Adoptar la ç sería más complicado. Sabemos que hoy hay una zona de seseo y otra de ceceo. Lo propiamente gallego es la s porque la z es particularidad del castellano en toda la Romania. Pero nosotros escribimos con z, aunque pertenezcamos a una zona de seseo [...] La idea, repito, es interesante. Habría que luchar, pero sería fundamental que nos acercásemos al mundo luso-brasileño, siempre que no perdiésemos nuestros derechos y nuestro patrimonio” (1960); e também: “a única solución das letras galegas é arrimarse a Portugal, arrincar o pano que afasta ás duas rexións pra traballar nos mesmos eidos. Esta posibilidade fai algún tempo que se comezou a entrever con certa forza [...] En Portugal contamos en primeirísimo termo con o grande mestre Rodrigues Lapa. En Galicia somos moitos os que queremos esta xuntanza” (1962).

(continua)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sempre Galiza! - coordenação Pedro Godinho: Síntese do reintegracionismo contemporâneo (5), por Carlos Durão



Síntese do reintegracionismo contemporâneo (5)
por Carlos Durão

(continuação)

Nos anos 50 e 60, R. Lapa colabora com a editora Galaxia em publicações de textos medievais, como as Cantigas d'escarnho e de maldizer dos cancioneiros medievais galego-portugueses (1965.1970), e insiste: “Uma das grandes dificuldades para quem se ocupa dos trovadores é e continua a ser a determinação dos seus lugares de origem, da sua pátria, digamos, no fraseado de hoje, que não correspondia ao de então. É, em muitos casos, uma tarefa vã; e isso mesmo tem um significado lisonjeiro, porque revalida a ideia de uma perfeita identidade entre as duas Galizas, a de além e a daquém Minho” (1952, I: 9); “O único remédio eficaz para a salvação do idioma, gravemente ameaçado, deverá ser uma decisiva aproximação com o português, que poderá considerar-se a expressão literária do galego” (1971.1979: 27); “o galego não pode morrer: sobreviveria no português, sua pulcra expressão literária” (1973, 42: 466); “o galego, ou se perde, devorado pelo castelhano, ou se salva, incorporado no português, sua língua natural, como pretendia o grande Castelão” (1983.1986, 6/10: 26);  “De qualquer forma, e para conforto dos que o amam, o galego não morrerá, por uma simples razão: é que ele está bem vivo e razoavelmente puro no português de hoje” (1974.1979: 71); “Pois bem: quando 3 milhões de galegos falarem galego e escreverem português, ou galego-português, como língua de cultura, estará findo em glória o drama crucial que tem afligido o povo da Galiza” (1979: 110); e adverte: “a singularidade só se compreende dentro de um largo espírito de comunhão, que a reforça e engrandece.  O culto injustificado e abusivo da diferença, respeitável em si mesmo, só pode conduzir à desgraça.  Foi o que aconteceu ao filho pródigo; e é também o que pode acontecer ao galego, em termos de língua e de cultura” (1981.1982.1985, 4/5: 38); “todo Portugal é mais ou menos galego.  A toponímia demonstra-o claramente” (1985, 4/5: 39-40); “o reintegracionismo desejado, que se nos apresenta como única salvação do galego” (1981, 74: 498); e em fim: “Falta ao galego de hoje a consciência de que galego e português foram e são ainda a mesma língua, apesar das diferenças que a uma delas imprimiu o contacto com outra língua, culta e dominadora. [...] Por isso, quaisquer que sejam as vicissitudes que o destino e a cobardia dos homens reservem ao idioma galego, uma coisa temos como certa: esse doce linguajar não morrerá, pois se ouve e se lê em Portugal, onde é uma língua de cultura [...] De qualquer maneira, estamos a braços com um dilema, que exige uma opção crucial: ou o galego se perde, submergido pelo castelhano; ou se salva, apoiando-se na força duma língua em ascensão como é o português” (1972, 8: 2).

Foi nos anos 70 quando R. Lapa, sabedor de que a “Ley General de Educación y Financiamiento de la Reforma Educativa” (Ley 14/1970, de 4 agosto, BOE, no 187) autoriza por primeira vez, sequer timidamente, o ensino do galego na escola primária, publica o seu artigo "A recuperação literária do galego" (1973, 13: 5-14), que já anunciara antes em correspondência particular à redação do Grupo de Trabalho Galego de Londres; assim: “É que tenciono responder a uma carta que o nosso bom e comum amigo Ramón Piñeiro escreveu ultimamente para a revista portuguesa “Colóquio” (no 8), na qual ele põe o problema do galego dum modo exageradamente optimista, sem declarar os perigos a que ele está sujeito e que os galegos aí de Londres tão perspicazmente enxergam” (1972); “Tenho esboçado um longo artigo, a publicar na revista “Colóquio/Letras” da Fundação Gulbenkian em resposta a uma “Carta de Santiago” nela publicada pelo nosso querido amigo Ramón Piñeiro, em que ele vê o caso com excessivo e perigoso optimismo. Na verdade, só vejo nesse problema crucial duas hipóteses: 1) ou se forja a passo acelerado a koiné indispensável ao uso literário, recorrendo principalmente ao português [...] 2) ou a língua literária do galego culto será singelamente o português já feito, que lhe é oferecido em salva de prata -de fácil aprendizagem, pois se trata da mesma língua./ Isto é fundamentalmente o que eu penso e o que desejaria ver discutido, com seriedade, objectividade e desejo de acertar” (1972); e mais adiante: “Ainda vou dar uma réplica final ao nosso bom amigo Piñeiro, aduzindo novas razões, mas não quero prolongar uma polémica, que sei que os magoa, pois vejo-os numa atitude suicida frente ao problema da língua e da cultura” (1974); e ainda: “Com a teimosia, levada ao paroxismo, o Galego sofre hoje de outro mal, o complexo da singularidade; e isso leva-o a recusar o retorno à tradição comum, como você diz muito bem” (1981).

No seu soado artigo, que como vimos é uma resposta a Piñeiro, diz claramente Lapa: “Nada mais resta senão admitir que, sendo o português literário actual a forma que teria o galego se o não tivessem desviado do seu caminho próprio, este aceite uma língua que lhe é brindada numa salva de prata” (1973, 41: 286). O artigo é “contestado” por Ramón Piñeiro (1974), embora confesse “que non son dúas senón tres as linguas que xurdiron do común galego-portugués: o galego, o portugués e mailo brasileiro [...] lingua filla do portugués como este o é do galego-portugués [...] estamos totalmente de acordo en que o galego e o portugués son radicalmente a mesma lingua” (1974: 401). E Lapa: “Pergunto daqui ao meu querido amigo Ramón Piñeiro, que na dedicatória do seu Cancioeiro da Poesia Céltiga [sic] (1952) me considerou “o mais ilustre galego de aquém-Minho”, o seguinte: -Se eu tenho orgulho em ser galego desta Galiza de aquém-Minho, e não é a primeira vez que o manifesto (sou de Anadia, nos limites da Galiza anterga [sic]), por que razões ele, homem de Lugo, que pertencia à metrópole de Braga, não há-de ter orgulho em ser português? Dizendo melhor: por que não havemos todos de ter muita honra em ser galego-portugueses?” (1977, 55: 44). Mais adiante: “o galego de hoje é um composto de formas arcaicas e populares do galego-português com mistura aberrante de castelhanismos de toda a espécie. A este idioma desgraçadamente poluído dá-se o nome de ‘castrapo’” (1982: 235-236).

(continua)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sempre Galiza! - coordenação Pedro Godinho: Síntese do reintegracionismo contemporâneo (4), por Carlos Durão



Síntese do reintegracionismo contemporâneo (4)

por Carlos Durão


(continuação)

Quanto mais nos achegamos aos nossos dias, mais numerosos são os testemunhos, e mais forte é o movimento, prematuramente rejeitado pelos pessoeiros do oficialismo. De facto, o “lusismo” fora já descartado por Carlos Casares por fins dos anos 70 no jornal La Voz de Galicia como “felizmente já superado”, considerando “peregrina” a proposta de R. Lapa (vide infra); mas anos depois também considerava “extravagante” a ortografia oficialista (1999, 902: 25); e Darío Xohán Cabana escrevia pelas mesmas datas, no semanário A Nosa Terra, que isso era uma “enfermidade infantil” do nacionalismo. (E o que anos mais tarde seria presidente da RAG, X.L. Méndez Ferrín, acusou os reintegracionistas de traidores à pátria, e de estarem em contra do idioma, o mesmo que a pior reação espanholista.)

Para designar este conceito empregaram-se os termos seguintes: “grafia renovada”, “reintegrar”, “língua franca galaicoportuguesa”, "unificação”, “novo idioma", unificação ortográfica”, “reabilitação literária”, “língua galaico-portuguesa”, “reintegração”, “recuperação literária”, “integração”, “integracionismo”, “integracionista”, “incorporado”, “mesma língua”, “reincorporação”, “ortografia comum”, “língua portuguesa”, “integração linguística galego-portuguesa”, “restaurar”, “ortografia unificada”, “rectificação”, “devolução”, “resgate”, “unificação ortográfica galego-portuguesa”, “galaico-português”, “galaicoportuguês”, "galego ou português", “regeneração”, “regeneracionismo”, “reintegração galego-portuguesa”, “recuperação”, “galego etimológico-reintegrado”, “reingresso”, “reinserção”, “lusistas-reintegracionistas”, “reintegracionismo/lusismo”, “luso-reintegracionismo”, “lusoreintegracionismo”, “restituição”, “revitalização”, “recuperação do idioma”, “recuperacionista”, “reintegrante”.

Também se empregaram para este campo semântico os termos “galego-português”, “galegoportuguês”, “língua galécio-portuguesa”, “português galego”, “português da Galiza”, “portugalaico”, “língua galaico-portuguesa”, “lusofonia”, “galaicofonia”, “portugalego”, “porto-galego” e “galeguia” (“lusismo” e “lusista” foram amiúde empregados com sentido pejorativo pelos isolacionistas para tentar desacreditar este crescente movimento diante da opinião pública).

Foi M. Rodrigues Lapa o primeiro que usou o termo “portugalego”, como abreviatura de português galego: “galego-português ou portugalego” (1977); “fala galega, mas língua literária portuguesa da Galiza sob o nome de portugalego” (1979: 127). Posteriormente empregaram-no R. Carvalho Calero: “galego-português, portugalego, galuso, galego ou português” (1983.1984: 16); A. Gil Hernández: “galego (português ou portugalego)” (1988, 14: 197), e Joaquim Reis: “galego-português [...] Ou portugalego, que é o mesmo” (1997, 785: 27). R. Lapa também  empregou “Portugaliza” por vez primeira: "Para designar isso mesmo, em termos menos sublimados, nós criámos uma palavra composta que vem a dar no mesmo: Portugaliza.  Isto é, a união de dois países irmãos, estreitamente ligados, mas em perfeita liberdade" (1982.1985: 37) (anteriormente empregara o termo “Portugalicia” pelo menos uma agência de viagens entre Londres e Galiza e Portugal).

Também Rodrigues Lapa empregou o termo “galeguia”: “Perante esta evidência, demonstrada a galeguia (que bonito nome!) do português de todos os quadrantes, perguntamos se é justa a opinião daqueles que se empenham em descobrir diferenças no génio dos dois povos irmãos” (1981, 74: 500). Posteriormente foi empregado pelo escritor brasileiro Luiz Ruffato para designar a lusofonia: “no meu caso, compreendi perfeitamente o galego -mas essa felicidade, que chamei de galeguia (galegria), dá um tom de suavidade muito particular” (2005, 83/84: 241), no VIII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, Compostela, 2005 (21 julho), e numas Jornadas organizadas pela fundação Via Galego, em 2007; e ainda: “sabemos que a língua com que nos expressamos, antes de ser portuguesa, é galega - a Galiza é o berço do que se convencionou denominar, por injunções históricas, de língua portuguesa. Então, na época, propus que ao invés de levantarmos a bandeira da lusofonia, passássemos a falar em galeguia - que devolve o sentido original da raiz da nossa língua, relativiza o peso do passado colonial e reincorpora, com os devidos créditos, a Galiza a este universo comum” (2007, 89/90: 214).

Foi, com efeito, o professor Manuel Rodrigues Lapa, que se considerava galego de Anadia, um vulto fulcral na orientação do reintegracionismo. Cedo demonstrou o seu interesse, apaixonado até, pelos problemas do galego, sempre livre de qualquer “imperialismo linguístico” de que foi injusta e miseravelmente acusado pelo oficialismo galego: por exemplo por X. Alonso Montero, embora este aconselhasse ao crítico literário: “Non te esquezas do duro traballo que é darlle orde literario a un idioma que se presentaba sin elo. Non te esquezas que no papel non se pode poñer o lenguaxe tal como o ouvimos na boca do pobo. Haberá que pensalo e vivilo con mentalidade elevada, con mentalidade culta” (1951: 71). Mas para Alonso Montero o galego nasceu no século XIX (1958/1959). Para X.L. Méndez Ferrín o galego nasceu com o Pe Sarmiento (2006).

Já nos anos 30 escrevia Lapa: “Para esta indispensável aproximação é necessário em primeiro lugar reformar a ortografia galega no sentido da nossa ortografia oficial, sempre que isso seja possível, que quase sempre o é” (1932.1979: 20); “O acordo filológico entre as duas regiões seria coisa facílima, não precisando sequer da intervenção oficial: bastava um entendimento entre o Centro de Estudos Filológicos e o Seminário de Estudos Galegos” (1935, 425: 261-262); “Afinal, parece que estamos todos de acordo: fala brasileira, mas língua portuguesa do Brasil, com as singularidades próprias de cada uma, mas sem quebra da unidade fundamental [...] Com efeito, aquilo que atrás dissemos sobre o caso brasileiro, poderíamos repeti-lo quase nos mesmos termos a respeito do galego: fala galega, mas língua literária portuguesa da Galiza sob o nome de portugalego, isto é, com as peculiaridades próprias de cada uma, sem prejuízo da unidade fundamental [...] O português literário, sem garantia de propriedade, é privilégio de três países, Galiza, Portugal e Brasil, a que se juntaram agora mais cinco nações africanas emancipadas” (1979: 125/127/128); “não nos esqueçamos de que uma língua falada não é nunca língua de todo o povo; é de uma região, de uma profissão, de uma classe; só a língua escrita é uma língua geral, -no espaço e no tempo” (1979: 126); “Sempre considerei a Galiza, essa terra maravilhosa, desgraçada e incompreendida, como sendo a minha própria terra; e historicamente e geograficamente assim é, pois estou dentro dos limites da velha Galécia, que chegava pelo sul ao rio Mondego” (1979).

(continua)     

sábado, 30 de outubro de 2010

Carvalho Calero, na tradição galega da Linguística românica

Carlos Durão

Passados 20 anos da morte de Ricardo Carvalho Calero, e 100 do seu nascimento, continua na
Galiza o silenciamento da sua pessoalidade e da sua obra, tanto por parte das instituições como
daqueles inteletuais, de “direitas” ou de “esquerdas”, que decidiram seguir a política autonómica
isoladora do galego, a mesma do Estado Espanhol. É por isso que as associações reintegracionistas
galegas estão a celebrar o Ano Carvalho Calero com diversas atividades, culturais, pedagógicas,
lúdicas, que promovem a sua obra linguística e lembram a sua vida devotada à comunidade cívica
galega.

Lembremos brevemente alguns pontos da sua biografia. Nado em Ferrol no 1910, fez ali os seus
primeiros estudos, e ali realizou as suas primeiras atividades culturais e políticas galegas. Fez em
Santiago de Compostela estudos universitários, de Filosofia e Direito, relacionando-se com outros
estudantes do Seminário de Estudos Galegos e do Grupo “Nós”, nos anos da ditadura de Primo de
Rivera, e participando no movimento de resistência universitária.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rodrigues Lapa, galego de Anadia


Manuel Rodrigues Lapa, na sua casa de Anadia, com um amigo barbudo (o professor galego Dr Domingos Prieto); eu sou o "jovem" da direita (começos dos 80, não posso precisar a data exacta):
Carlos Durão


O título deste artigo poderá parecer exagerado a leitores que não saibam da paixão (ele próprio a qualificou de “vício”, aí sim talvez exagero) do mestre Manuel Rodrigues Lapa pela língua da Galiza: uma e outra vez demostrada, com persistência, com amor, com teimosia galega até, ao longo de muitos anos. Ele sentia como seus os problemas da língua ao norte da Raia, a sua prostração, os ataques do espanholismo, e certeiramente previa muitos dos desvios daqueles que se diziam “galeguistas”, como também os perigos do colaboracionismo linguístico (e não só) e os raquíticos frutos que depois deu.

Existem duas citas da firme posição deste valente homem a respeito da Galiza: “Sempre considerei a Galiza, essa terra maravilhosa, desgraçada e incompreendida, como sendo a minha própria terra; e historicamente e geograficamente assim é, pois estou dentro dos limites da velha Galécia, que chegava pelo sul ao rio Mondego”(1) . “Pergunto daqui ao meu querido amigo Ramón Piñeiro, que na dedicatória do seu Cancioeiro da Poesia Céltiga [sic] (1952) me considerou “o mais ilustre galego de aquém-Minho”, o seguinte: -Se eu tenho orgulho em ser galego desta Galiza de aquém-Minho, e não é a primeira vez que o manifesto (sou de Anadia, nos limites da Galiza anterga [sic] (2), por que razões ele, homem de Lugo, que pertencia à metrópole de Braga, não há-de ter orgulho em ser português? Dizendo melhor: por que não havemos todos de ter muita honra em ser galego-portugueses?” (3)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O porvir do galego - Professor Ricardo Carvalho Calero fala sobre o galego-português

Dando continuidade à série de textos que temos vindo a dedicar às comemorações do centenário do Professor Ricardo Carvalho Calero (1910-1990), iniciamos hoje a divulgação de um conjunto de vídeos sob o título genérico "O porvir do galego", titulo e tema de um entrevista emitida em 27 de Abril de  1987 pela TV Galiza. Esta entrevista foi conduzida por Constantino García González (Uvieu 1927 - Compostela 2008), Catedrático de Filologia Românica da Universidade de Santiago de Compostela. É um depoimento essencial para a compreensão da posição de Carvalho Calero na luta pela língua e pela cultura galegas. Sabendo que os galegos, de uma maneira geral, conhecem sobejamente esta posição, fazemos a sua divulgação mais em intenção de muitos portugueses, brasileiros e outros falantes  do idioma, que não têm dado a este magno problema a atenção devida.

 Neste segmento que hoje inserimos, o Professor Carvalho Calero explica as razões históricas que conduziram à secundarização do galego relativamente ao castelhano, situadas sobretudo no século XIV, quando no século XIV, a aristocracia galega apoiante de Henrique de Trastâmara, se viu obrigada a exilar-se. sendo substituída pela nobreza castelhana e durante a Revolução Industrial, com a chegada de técnicos estrangeiros. Explica como na Catalunha as coisas se passaram de modo diferente, pelo que foi possível aos catalães manter a língua e a literatura mais protegidas da aculturação.

Até 30 de Outubro próximo, não deixaremos de ir publicando textos, fotografias e vídeos sobre o Professor Carvalho Calero, figura cimeira da intelectualidade galega . O Estrolabio de 30 de Outubro será inteiramente dedicado à sua vida e à sua obra.

Iremos,até lá, publicando textos sobre Carvalho Calero e sobre outros paladinos da unidade do galego-português, como já fizemos com Manuel Rodrigues Lapa, por exemplo, um grande intelectual português que disse referindo-se a Otero Pedrayo: Se eu tenho orgulho em ser galego desta Galiza de aquém-Minho, e não é a primeira vez que o manifesto (sou de Anadia, nos limites da Galiza lanterga [sic]), por que razões ele, homem de Lugo, que pertencia à metrópole de Braga, não há-de ter orgulho em ser português? Dizendo melhor: por que não havemos todos de ter muita honra em ser galego-portugueses?”( in Otero Pedrayo e o problema da língua”, Grial, no 55, 1977, p. 44; depois em Estudos galego-portugueses, op. Cit.

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Manuel Rodrigues Lapa e a Galiza (2)

Carlos Loures

Nos anos que se seguiram, prosseguiu infatigavelmente a sua tarefa de pedagogo, saindo textos seus na Seara Nova, na Revista Portuguesa de Filologia, de Coimbra, na revista Anhembi, de São Paulo, no Diário Carioca, do Rio de Janeiro, nos Cuadernos de Estudios Gallegos, de Santiago de Compostela, na revista Romania, de Paris. Em 8 de Agosto de 1954, foi a São Paulo onde participou no Congresso Internacional de Escritores, na companhia de Adolfo Casais Monteiro e de Miguel Torga. Deu lições na Universidade e conferências na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais. Regressou a Lisboa e prosseguiu a sua batalha, publicando a comunicação ao congresso de São Paulo – Das origens da poesia lírica medieval portuguesa. Na Anhembi publicou Galiza e Portugal; aspectos da cultura galega.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Manuel Rodrigues Lapa e a Galiza (1)

Carlos Loures

Nas comemorações do centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, não podia deixar de recordar um dos seus amigos portugueses – Manuel Rodrigues Lapa, um dos homens que, do lado de cá da fronteira mais se empenhou na reabilitação do galego e na sua reintegração no tronco comum do galego-português. Em Agosto de 1932 fez a sua primeira viagem à Galiza para participar numa homenagem a Castelão. Foi um marco importante da vida de Rodrigues Lapa, pois o seu amor por aquela nação irmã, acompanhá-lo-ia para sempre. Em Junho de 1981, fez uma última viagem à «sua» Galiza. Foi a Santiago de Compostela para participar no lançamento de um livro de Carvalho Calero - Problemas da Língua Galega. A ligação ao berço do idioma, foi uma constante na sua vida: «Nunca deixei de me ocupar da Galiza, que é para mim um vício e uma necessidade»., disse. A Galiza foi uma das maiores paixões da sua vida. Façamos, pois, uma síntese da sua biografia e dessas relações com os irmãos do Norte.

Manuel Rodrigues Lapa, nasceu em 22 de Abril de 1897 na Anadia, no extremo Sul do antigo reino da Galiza. Em 1919 licenciou-se em Filologia Românica e em 1929 entrou no corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa como assistente, indicado por José Leite de Vasconcelos. Bolseiro em Paris (1929-1930), doutorou-se com a dissertação Das origens da poesia lírica em Portugal na Idade Média. Em 15 de Fevereiro de 1933, proferiu no Salão da Ilustração Portuguesa, uma conferência que daria brado e iria marcar para sempre a sua vida – A política do idioma e as Universidades. O texto da palestra foi publicado na Seara Nova. Para entender a celeuma provocada, é preciso que nos situemos historicamente.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Galiza e Portugal – duas nações, uma só língua

Carlos Loures

Como anunciámos no Dia das Letras Galegas, neste ano do Centenário do nascimento do professor Ricardo Carvalho Calero, publicaremos uma série de textos, quer sobre a vida e obra do professor, quer sobre a unidade linguística constituída pelo galego-português, unidade que séculos de aculturação não conseguiram destruir.

Esta viagem de circum-navegação em torno do idioma, levar-nos-á a falar de outros mestres, como Carolina de Michaëlis, José Leite de Vasconcelos, Manuel Rodrigues Lapa, Lindley Cintra… Iniciamos essa viagem, que durará uma boa meia-dúzia de textos com uma breve resenha histórica para situarmos esta questão nas suas principais etapas cronológicas.

Integrada no estado espanhol, a nação galega não pertence de jure ao espaço da lusofonia que abrange Portugal e algumas das suas ex-colónias onde o idioma português permaneceu como língua oficial. Entre os séculos IX e XV, a língua falada nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, posteriormente dividida em condados e depois em duas nações, era uma variante neolatina – o galego-português (ou galaico-português). A poesia lírica produzida nesta região era escrita neste idioma que não só era utilizado pelos naturais, como, ultrapassando as suas fronteiras, chegava a Leão e Castela – as “Cantigas de Santa Maria”, obra do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português. No século XII ocorreu a separação de Portugal da coroa leonesa.