Luis Moreira
O nosso Adão Cruz num seu texto põe o dedo na ferida, assim como São José Almeida no Publico . Qualquer cidadão tem direito a uma vida digna, devemos todos através do Estado Social prover os nossos semelhantes menos afortunados do suficiente para viverem dignamente.
No meu texto "Uma ideia que o Estado nunca teria" chamo a atenção para o facto de que a curto prazo e perante o desabar do Estado Social, e a crescente procura de alimentação por parte das famílias menos abonadas, é a sociedade civil que marca pontos, ao imaginar soluções imediatas, pois a fome não se pode empurrar para amanhã.
Mas não pode haver tentações de se voltar ao século XIX com a caridadezinha dos "chás dançantes", o assistencialismo como forma de fazer face ao empobrecimento da sociedade. Esse empobrecimento está hoje ao nível dos anos 20 e resulta do fosso cada vez mais largo entre ricos e pobres, com o empobrecimento da maioria.
Mas o mesmo FMI que nos vem confirmar o que já adivinhávamos, insiste nas mesmas soluções neo-liberais de desconstrução do Estado e de desregularização e flexibilização da sociedade e do trabalho e da perda de direitos dos trabalhadores. Mesmo entre os trabalhadores há diferenças gritantes que contribuem para a fraqueza dos movimentos sindicais e de outras organizações de trabalhadores.
Não podemos deixar transformar direitos fundamentais do ser humano em esmola ou o direito ao trabalho no conceito de pedinte,que é o que está a acontecer com uma nova classe de trabalhadores que trabalham mas não ganham o suficiente ou naqueles jovens que não encontram emprego.
É cada vez mais claro que esta sociedade que nos últimos 70 anos tem vingado na Europa, é uma preciosidade que temos de defender a todo o custo, pese todas as suas diferenças e injustiças. Mesmo os que a invectivam estão hoje conscientes que nos ofereceu direitos e garantias como nenhuma outra e são os primeiros a juntarem-se na linha da frente para defenderem a Saúde Pública, a Escola Pública, a Segurança Social.
O Estado não pode nem deve ter o monopólio das actividades, deve antes incrementar a concorrência e apoiar os melhores, sejam eles estatais,privados ou cooperativos, mas deve conservar para si um núcleo duro de garantia. Mas que isso, não o faça passar ao lado do que só o Estado pode fazer. Regular mercados, acautelar a ganância dos que vivem à sua sombra, implementar uma Justiça célere e igual para todos.
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sábado, 11 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A Irlanda e Nós
António Sales
O nosso amigo Carlos Mesquita escreveu sobre o caso da economia irlandesa, no artigo “Nós e a Irlanda”, sintetizando as linhas gerais de uma situação que a imprensa portuguesa tem esquecido bastante. Afinal, a corrupção do “Tigre Celta” e a má administração irmanam-se com a nossa permitindo meter ao bolso fortunas que os bancos facilitaram no compadrio com construtores, dinheiro fácil para os consumidores, “sub-prime” para os especuladores e outros, que não o sendo, pensavam fazer bons investimentos de modo fácil, simples e seguro.
Andaram num corrupio a prometer este mundo e o outro de modo a convencer o pagode irlandês que em pouco tempo ficava tudo rico pois até os governos, de pernas abertas, facilitavam os investidores estrangeiros de modo absolutamente liberal.
Um país agrícola apresentava-se, pelo menos em Dublin, com ares de bem vestir, bem comer e bem viver como pude verificar há 10 anos quando lá estive.
Nós aqui, ignorantes, julgávamos que os irlandeses, com rigor e inteligência, tinha conseguido o milagre de um modelo económico de sucesso. Logo, o nosso exemplo era a Irlanda onde, afinal havia outra… verdade escondida e as contas da nação, dos bancos e do crédito andavam todas maradas.
Curiosamente os senhores da EU, que têm por obrigação fiscalizar estas coisas económicas, nunca desconfiaram de nada como não desconfiaram dos gregos, rapaziada que sempre esteve na primeira linha da planificação económica e da disciplina fiscal. Subitamente, aquele pessoal responsável por estas coisas em Bruxelas, séquito de funcionários pagos em ouro de lei, descobriram tudo agora com Portugal e a Espanha no mesmo saco, com razão, diga-se de passagem.
Resolvidos que estejam os desregramentos financeiros destes quatro marginais a EU e o mercado do euro retornarão à paz porque todos os outros (Bélgica, França, Itália, p. ex.) estão bem muito obrigado. Todavia, para acertar algumas agulhas para uma economia real, haverá que fazer mais uns cortes que nos serão impostos de modo a alcançarmos o paraíso.
O nosso amigo Carlos Mesquita escreveu sobre o caso da economia irlandesa, no artigo “Nós e a Irlanda”, sintetizando as linhas gerais de uma situação que a imprensa portuguesa tem esquecido bastante. Afinal, a corrupção do “Tigre Celta” e a má administração irmanam-se com a nossa permitindo meter ao bolso fortunas que os bancos facilitaram no compadrio com construtores, dinheiro fácil para os consumidores, “sub-prime” para os especuladores e outros, que não o sendo, pensavam fazer bons investimentos de modo fácil, simples e seguro.
Andaram num corrupio a prometer este mundo e o outro de modo a convencer o pagode irlandês que em pouco tempo ficava tudo rico pois até os governos, de pernas abertas, facilitavam os investidores estrangeiros de modo absolutamente liberal.
Um país agrícola apresentava-se, pelo menos em Dublin, com ares de bem vestir, bem comer e bem viver como pude verificar há 10 anos quando lá estive.
Nós aqui, ignorantes, julgávamos que os irlandeses, com rigor e inteligência, tinha conseguido o milagre de um modelo económico de sucesso. Logo, o nosso exemplo era a Irlanda onde, afinal havia outra… verdade escondida e as contas da nação, dos bancos e do crédito andavam todas maradas.
Curiosamente os senhores da EU, que têm por obrigação fiscalizar estas coisas económicas, nunca desconfiaram de nada como não desconfiaram dos gregos, rapaziada que sempre esteve na primeira linha da planificação económica e da disciplina fiscal. Subitamente, aquele pessoal responsável por estas coisas em Bruxelas, séquito de funcionários pagos em ouro de lei, descobriram tudo agora com Portugal e a Espanha no mesmo saco, com razão, diga-se de passagem.
Resolvidos que estejam os desregramentos financeiros destes quatro marginais a EU e o mercado do euro retornarão à paz porque todos os outros (Bélgica, França, Itália, p. ex.) estão bem muito obrigado. Todavia, para acertar algumas agulhas para uma economia real, haverá que fazer mais uns cortes que nos serão impostos de modo a alcançarmos o paraíso.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Os bancos irlandeses serão eles os responsáveis pela crise?
Está a terminar a nossa Semana da Economia,. Apresentámos, no passado dia 3, a versão original deste artigo de Marc Roch que trazemos hoje na tradução do Professor Júlio Marques Mota. São do Professor estas palavras que consigo transportam o repto de um debate. Debate que, na sequência de algumas das ideias aqui lançadas, seria útil e, por certo, esclarecedor.
Face ao descrito no texto que se segue e face às medidas impostas pela União Europeia e pelo FMI deixamos como interrogação: como é possível explicar aos nossos alunos e aos nossos netos, no quadro de sociedades estruturalmente desenvolvidas, as razões, os mecanismos e as respostas sobre a crise que estamos a passar, que estamos a viver, que estamos a sofrer ? Como é possível que os nossos alunos e os nossos filhos expliquem às gerações futuras o roubo que às gerações presentes é feito do seu próprio futuro e, de novo, roubo que é suposto ser feito, ele também, no quadro de sociedades consideradas altamente desenvolvidas ? Como questão final e face ao descrito no texto como se compreende, ainda no quadro de sociedades altamente desenvolvidas, que a União Europeia e o FMI sancionem os roubados da Irlanda, o seu povo, e não aqueles que o roubaram. Quem souber que responda.
E por esta via talvez abram o debate e que seja duro
Face ao descrito no texto que se segue e face às medidas impostas pela União Europeia e pelo FMI deixamos como interrogação: como é possível explicar aos nossos alunos e aos nossos netos, no quadro de sociedades estruturalmente desenvolvidas, as razões, os mecanismos e as respostas sobre a crise que estamos a passar, que estamos a viver, que estamos a sofrer ? Como é possível que os nossos alunos e os nossos filhos expliquem às gerações futuras o roubo que às gerações presentes é feito do seu próprio futuro e, de novo, roubo que é suposto ser feito, ele também, no quadro de sociedades consideradas altamente desenvolvidas ? Como questão final e face ao descrito no texto como se compreende, ainda no quadro de sociedades altamente desenvolvidas, que a União Europeia e o FMI sancionem os roubados da Irlanda, o seu povo, e não aqueles que o roubaram. Quem souber que responda.
E por esta via talvez abram o debate e que seja duro
Terão eles sido bem controlados?
Não terá A UE feito vista grossa durante muito tempo?
Todas as descrições que desde há vários anos ouvimos e lemos sobre o Tigre Celta, como foi a Irlanda baptizada devido às suas taxas de crescimento equivalentes às taxas dos Tigres Asiáticos (daí o nome) começavam invariavelmente por um sedutor paradoxo. E o paradoxo era a metamorfose das terras pantanosas, sem nada semeado, em altas torres todas elas de vidro e aço em movimento perpétuo.
A elite bancário estiveram no centro da transformação de um país rural e profundamente religioso num laboratório prodigioso do sector terciário. Mas, como o ilustra bem o actual colapso económico da Ilha Esmeralda, “os escândalos” acabaram por juntar um mundo financeiro em profundo conluio com os promotores do sector imobiliário e com e os políticos. Um triângulo tóxico...Todas as descrições que desde há vários anos ouvimos e lemos sobre o Tigre Celta, como foi a Irlanda baptizada devido às suas taxas de crescimento equivalentes às taxas dos Tigres Asiáticos (daí o nome) começavam invariavelmente por um sedutor paradoxo. E o paradoxo era a metamorfose das terras pantanosas, sem nada semeado, em altas torres todas elas de vidro e aço em movimento perpétuo.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Fazer a nossa parte. Ordenado mínimo. IRC.
Carlos Mesquita
No programa que eu tenho publicitado como imperdível, o último “Prós e Contras” da RTP 1 – João Ferreira do Amaral disse que não se pode baixar mais os salários às famílias, por elas serem as mais endividadas da Europa. Entre os vários argumentos que se ouvem para não se reduzirem vencimentos, este é o mais eficiente. Não se trata de manter o poder de compra, da necessidade de consumo interno, ou de não baixar o padrão de vida, é tão-somente a constatação que temos famílias endividadas à banca, que não podendo cumprir, criam um problema suplementar ao sistema financeiro. Uma bolhazinha de crédito malparado, que irá crescer conforme for aumentando o desemprego ou se for reduzindo o capital disponível do orçamento familiar. Sabemos que os problemas das pessoas raramente preocupam os decisores, mas também conhecemos a sensibilidade com que as dificuldades da banca são tratadas. É por isso um argumento de peso.
Na mesma linha também se sabe que nos períodos de estagnação ou recessivos, não é altura para reduzir os apoios aos mais necessitados ou diminuir o Estado Social, é o momento em que mais se necessita de ajuda.
As pessoas de menores rendimentos não gastam em desperdícios, nem contribuem para o desequilíbrio da balança com o exterior, consomem produtos de primeira necessidade e de proximidade. Por isso, numa época de austeridade, dos recursos existentes no Estado e nas empresas, a parte que for disponibilizada para aqueles com mais baixos rendimentos não terão efeito nos défices que têm de ser reduzidos. Daí a importância, para além de ser um factor de justiça social que se aumente o ordenado mínimo conforme estava previsto na Concertação Social antes do eclodir da crise.
Mesmo no sector público; vi a notícia de uma Câmara (julgo de S. João da Madeira) em que o dinheiro que passou a sobrar no orçamento pela reforma de alguns funcionários, foi redistribuído pelo pessoal de ordenados mais baixos, no caso que passou na TV eram trabalhadores que abriam caboucos. Julgo correcto pois os cortes devem e podem ser feitos nos gastos supérfluos.
Se vier a Comissão Europeia e o FMI, irão impor medidas universais de redução de salários, pensões e subsídios, à imagem do que se passa nos países onde já estão.
Não podemos contar com a solidariedade da Europa como até aqui. O Euro forte é fundamental para a Alemanha e outros grandes exportadores, enquanto para os países em dificuldades uma moeda menos valorizada ajudava o sector exportador, aquele de quem depende o crescimento económico e o equilíbrio ou redução do défice nas relações com o exterior.
A Irlanda cedeu em toda a linha nas exigências da Comissão Europeia/FMI, excepto na taxa de IRC que é de 12,5%, continua a manter a atractividade ao investimento estrangeiro e o aparelho produtivo conserva-se competitivo.
João Ferreira do Amaral também propôs, e eu concordo, que se descrimine o valor do IRC baixando-o para as empresas agrícolas, industriais ou outras que sejam produtoras de bens transaccionáveis. É esta matéria que sei polémica para certos sectores, que deixo à vossa apreciação. Baixar o IRC das empresas exportadoras.
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sábado, 27 de novembro de 2010
Amanhã abrimos uma Semana da Economia
Amanhã, Domingo,28 de Novembro e até Sábado, 4 de de Dezembro, promovemos entre os colaboradores e os visitantes do Estrolabio um amplo debate sobre os principais temas da Economia nacional. Começaremos por analisar a Dívida Externa. Serão publicados diversos artigos, abrangendo tanto quanto possível todo o vasto leque de problemas que afectam a vida económica do País e dos cidadãos.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
PIB – Pressões Internas Burras
Carlos Mesquita
As pressões para que o FMI venha a Portugal, com as suas medidas de austeridade mais gravosas que as do orçamento aprovado para 2011, são mais internas que de fora. Todos os organismos internacionais, incluindo o próprio FMI, consideram que os portugueses são capazes de resolver o problema grave da crise, sem recorrer ao fundo de emergência da União Europeia que trará o FMI. No entanto, a imprensa portuguesa mais relevante, televisões e jornais de referência, continuam a campanha da inevitabilidade de apelarmos ao FMI. Parece estúpido é estúpido; ainda por cima havendo já empresas jornalísticas a dispensar pessoal.
São vários os títulos alarmistas retirados de entrevistas que lidas os contradizem. Estudos como o “Fiscal Monitor” do FMI que considera “as perspectivas orçamentais terem melhorado a um ritmo muito mais rápido que o esperado” e que o Fundo lamenta que os mercados possam estar a sobrestimar o risco de incumprimento dos países problemáticos, deu lugar a títulos como – FMI lamenta a falência “quase certa” de Portugal – o quase certa está entre aspas porque é retirado do estudo, que diz, “a ocorrência de eventos de crédito em algumas economias avançadas é quase certa aos olhos dos mercados” (eventos de crédito são falhas no pagamento), FMI lamenta a falência de Portugal, não está entre aspas porque o FMI não diz nada parecido com isso no estudo, no entanto é título, é manipulação, não se entendem as intenções. Suponho que os jornais no oportunismo de acompanharem presumíveis ventos de mudança na governação, nem se aperceberam que Passos Coelho já mudou de discurso. Ele agora diz “acreditar na capacidade do país para sair da crise” e até considerou importante o crescimento do PIB.
A burrice dos meios de comunicação ficaria com eles se não tivesse influência no comportamento dos portugueses, mas tem como se nota pelos indicadores de confiança quer na procura interna quer no investimento.
Na última sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística divulgou que o Produto Interno Bruto (riqueza criada) cresceu no 3º trimestre 0.4% face ao 2º trimestre, e 1,5% face ao mesmo período do ano passado; mas a procura interna, que foi positiva no 2º trimestre, foi negativa no 3º. As campanhas de descrédito feitas em território português por portugueses têm estes efeitos, provavelmente sem a histeria mediática e o medo instigados, poderíamos ter um orçamento para 2011 menos recessivo, com recuperação de emprego e desenvolvimento económico. O aumento das exportações estão a suportar a economia, os outros sectores poderiam pelo menos não estragar o que de bom está aí a ser feito; a começar pelos partidos cuja necessidade de estar em permanente campanha eleitoral só tem trazido dificuldades ao país produtivo.
As pressões para que o FMI venha a Portugal, com as suas medidas de austeridade mais gravosas que as do orçamento aprovado para 2011, são mais internas que de fora. Todos os organismos internacionais, incluindo o próprio FMI, consideram que os portugueses são capazes de resolver o problema grave da crise, sem recorrer ao fundo de emergência da União Europeia que trará o FMI. No entanto, a imprensa portuguesa mais relevante, televisões e jornais de referência, continuam a campanha da inevitabilidade de apelarmos ao FMI. Parece estúpido é estúpido; ainda por cima havendo já empresas jornalísticas a dispensar pessoal.
São vários os títulos alarmistas retirados de entrevistas que lidas os contradizem. Estudos como o “Fiscal Monitor” do FMI que considera “as perspectivas orçamentais terem melhorado a um ritmo muito mais rápido que o esperado” e que o Fundo lamenta que os mercados possam estar a sobrestimar o risco de incumprimento dos países problemáticos, deu lugar a títulos como – FMI lamenta a falência “quase certa” de Portugal – o quase certa está entre aspas porque é retirado do estudo, que diz, “a ocorrência de eventos de crédito em algumas economias avançadas é quase certa aos olhos dos mercados” (eventos de crédito são falhas no pagamento), FMI lamenta a falência de Portugal, não está entre aspas porque o FMI não diz nada parecido com isso no estudo, no entanto é título, é manipulação, não se entendem as intenções. Suponho que os jornais no oportunismo de acompanharem presumíveis ventos de mudança na governação, nem se aperceberam que Passos Coelho já mudou de discurso. Ele agora diz “acreditar na capacidade do país para sair da crise” e até considerou importante o crescimento do PIB.
A burrice dos meios de comunicação ficaria com eles se não tivesse influência no comportamento dos portugueses, mas tem como se nota pelos indicadores de confiança quer na procura interna quer no investimento.
Na última sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística divulgou que o Produto Interno Bruto (riqueza criada) cresceu no 3º trimestre 0.4% face ao 2º trimestre, e 1,5% face ao mesmo período do ano passado; mas a procura interna, que foi positiva no 2º trimestre, foi negativa no 3º. As campanhas de descrédito feitas em território português por portugueses têm estes efeitos, provavelmente sem a histeria mediática e o medo instigados, poderíamos ter um orçamento para 2011 menos recessivo, com recuperação de emprego e desenvolvimento económico. O aumento das exportações estão a suportar a economia, os outros sectores poderiam pelo menos não estragar o que de bom está aí a ser feito; a começar pelos partidos cuja necessidade de estar em permanente campanha eleitoral só tem trazido dificuldades ao país produtivo.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Carta aberta aos líderes parlamentares do nosso país, a propósito de um menino pobre que eu fui (III)
(Conclusão)
Júlio Marques Mota*E agora, que estou velho, esse menino pobre que eu fui e já não sou lembra-me que concretizou a insubmissão possível e num regime em que esta era praticamente impossível. E agora? Porquê esta submissão quase total aos mercados financeiros? Pergunta-me ele. Também aqui, responda-lhe quem souber. Mas é uma questão importante, tanto mais quanto hoje é a lógica destes mercados que é predominante. Viu-se e vê-se agora com as políticas de austeridade, em que os mercados financeiros ditam as leis, as normas, os regulamentos, as políticas orçamentais nacionais, que Bruxelas depois aproveita para tornar a impor e para reforçar os mecanismos de controlo. Rapidamente, os grandes operadores financeiros criaram um clima de instabilidade e de submissão dos Estados nacionais aos seus ditames, muito mais que antes da crise, clima a partir do qual estão a recuperar financeiramente do desastre que eles próprios criaram e nos impuseram, com a complacência de Bruxelas e dos governos nacionais. Fazem descarrilar as taxas de refinanciamento dos Estados nacionais, fazem descarrilar os encargos da dívida pública, fazem descarrilar os orçamentos nacionais, anulam ou condicionam os projectos de futuro de cada nação aos imperativos do presente que estes mercados impõem. Por detrás dessa imposição, desse pretendido controlo, está uma estranha certeza, uma estranha teoria, a de que os mercados são sempre eficientes e traduzem sempre o melhor, mesmo que este “melhor” possa ser o que temos estado a assistir. Estranha noção de eficiência em que se quer fazer assentar a democracia nos países da zona euro. Se dúvidas houvesse veja-se que o próprio Fundo Europeu de Estabilização Financeira precisou ele próprio do rating das agências privadas.
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sábado, 9 de outubro de 2010
Que rumo(s)? - 4, porJosé de Almeida Serra
9 Coesão social
Fala-se imenso em coesão social, mas temos que reconhecer que não se pode continuar a invocar o discurso da coesão numa sociedade que se perfila, em cada dia que passa, mais "descosida" e socialmente mais esfarrapada, com imensas bolsas de pobreza. Este país que somos hoje é um dos que apresenta maior disparidade entre ricos e pobres na União Europeia (e se compararmos com o que vem acontecendo nesta matéria em países da Europa Central, saídos de experiências sociais e políticas catastróficas, então o incómodo aumenta imenso). Lê-se e não pode acreditar-se que "40% dos desempregados não voltam a trabalhar (Expresso, 15 de Maio de 2010); sabe-se do elevadíssimo desemprego dos jovens (porventura muitos nunca virão a encontrar um emprego) e da qualidade dos empregos que lhes são disponibilizados - jovens às vezes com cursos superiores (bons ou maus, foi o que lhes demos) só encontram empregos equivalentes aos que a minha geração encontrou com a antiga quarta classe, e a troco de níveis de remuneração baixíssimos (é já uso corrente a expressão de "geração dos 500 euros"). Que esperar desta juventude?
Fala-se imenso em coesão social, mas temos que reconhecer que não se pode continuar a invocar o discurso da coesão numa sociedade que se perfila, em cada dia que passa, mais "descosida" e socialmente mais esfarrapada, com imensas bolsas de pobreza. Este país que somos hoje é um dos que apresenta maior disparidade entre ricos e pobres na União Europeia (e se compararmos com o que vem acontecendo nesta matéria em países da Europa Central, saídos de experiências sociais e políticas catastróficas, então o incómodo aumenta imenso). Lê-se e não pode acreditar-se que "40% dos desempregados não voltam a trabalhar (Expresso, 15 de Maio de 2010); sabe-se do elevadíssimo desemprego dos jovens (porventura muitos nunca virão a encontrar um emprego) e da qualidade dos empregos que lhes são disponibilizados - jovens às vezes com cursos superiores (bons ou maus, foi o que lhes demos) só encontram empregos equivalentes aos que a minha geração encontrou com a antiga quarta classe, e a troco de níveis de remuneração baixíssimos (é já uso corrente a expressão de "geração dos 500 euros"). Que esperar desta juventude?
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Opinião. Medidas e contra medidas.
Carlos Mesquita
Mesmo os mais desatentos ouviram falar que após as medidas de austeridade anunciadas pelo governo na quarta-feira, se verificou um alívio nos juros dos empréstimos que o nosso país contraiu nas sessões seguintes. Notícias de hoje dizem que voltaram a agravar-se. O que se passou entretanto? Em declarações ao DE o conselheiro financeiro e director do departamento Monetário e de Mercados do FMI, afirmou que “as medidas enunciadas são muito importantes e o que agora é preciso é que o governo cumpra com as medidas”. O FMI também hoje se congratulou com as medidas tomadas pelo governo Zapatero em Espanha.
Todos tínhamos percebido que o pacote de austeridade que é proposto pelo nosso governo corresponde, grosso modo, ao que o FMI faria se fosse levado a intervir em Portugal.
Quando o FMI diz que o governo português precisa de aplicar o que propõe, sabe que ao contrário de Espanha e outros países onde já estão aprovadas, aqui precisam do acordo duma oposição renitente.
A oposição que conta nesta situação é a direita, que espreita a melhor oportunidade para tentar chegar ao governo, e que tudo fará para não se comprometer com a impopularidade da austeridade. No entanto está entalada entre viabilizar o orçamento (votar a favor ou abster-se é a mesma coisa) ou votar contra. Qualquer das opções tem custos políticos para os partidos da direita. Tentar chegar mais depressa ao poder, com as sondagens indicando um possível governo minoritário e tangencial da direita, com maioria de esquerda no parlamento e agitação social nas ruas, seria um desastre para Passos Coelho. A não ser que seja estratégia do PSD derrubar o governo de Sócrates, e em seguida perante a mesma, ou pior situação de ingovernabilidade que a que existe hoje, venha a formar um governo “coligado” com o FMI. Chamar o FMI “por causa do estado em que o PS deixou o país” é uma ideia que pode passar pelas cabeças da direita, que governarem em minoria e democraticamente, no estado em que está o país, será muito difícil.
Se o que Passos Coelho tem feito de dramatização é apenas teatro e vai abster-se para viabilizar o orçamento, será responsabilizado politicamente pelos prejuízos causados. Para ser coerente só lhe resta votar contra o Orçamento de Estado. Os avanços e recuos do PSD, as ameaças de crise política, as certezas dadas a órgãos de informação estrangeiros de que não tem condições para dar o seu acordo às propostas do governo classificadas como “medidas certas” pelo FMI, levantam uma questão. Será que estamos todos a pagar mais pelo crédito que o país precisa, por causa de fanfarronices e bluffs inúteis de Passos Coelho?
Deixando as medidas concretas de austeridade para outra altura, convém lembrar que o PSD recusa agora o aumento de impostos, é sempre popular ser contra os impostos; no entanto aprovaram o PEC II que os tinha, impuseram as portagens nas SCUT do Interior, criticaram as verbas gastas com os professores e a cedência perante as reivindicações dos polícias; e não se sabe quais as reformas estruturais do lado da despesa que vão propor, que organismos querem encerrar, quais as empresas municipais (a maioria criada pelos autarcas laranjas) que não querem, e o mais que se verá. Ainda vão fazer muitas escolhas impopulares para a sua base de apoio eleitoral, antes de tomarem mais se vierem um dia a governar.
Mesmo os mais desatentos ouviram falar que após as medidas de austeridade anunciadas pelo governo na quarta-feira, se verificou um alívio nos juros dos empréstimos que o nosso país contraiu nas sessões seguintes. Notícias de hoje dizem que voltaram a agravar-se. O que se passou entretanto? Em declarações ao DE o conselheiro financeiro e director do departamento Monetário e de Mercados do FMI, afirmou que “as medidas enunciadas são muito importantes e o que agora é preciso é que o governo cumpra com as medidas”. O FMI também hoje se congratulou com as medidas tomadas pelo governo Zapatero em Espanha.
Todos tínhamos percebido que o pacote de austeridade que é proposto pelo nosso governo corresponde, grosso modo, ao que o FMI faria se fosse levado a intervir em Portugal.
Quando o FMI diz que o governo português precisa de aplicar o que propõe, sabe que ao contrário de Espanha e outros países onde já estão aprovadas, aqui precisam do acordo duma oposição renitente.
A oposição que conta nesta situação é a direita, que espreita a melhor oportunidade para tentar chegar ao governo, e que tudo fará para não se comprometer com a impopularidade da austeridade. No entanto está entalada entre viabilizar o orçamento (votar a favor ou abster-se é a mesma coisa) ou votar contra. Qualquer das opções tem custos políticos para os partidos da direita. Tentar chegar mais depressa ao poder, com as sondagens indicando um possível governo minoritário e tangencial da direita, com maioria de esquerda no parlamento e agitação social nas ruas, seria um desastre para Passos Coelho. A não ser que seja estratégia do PSD derrubar o governo de Sócrates, e em seguida perante a mesma, ou pior situação de ingovernabilidade que a que existe hoje, venha a formar um governo “coligado” com o FMI. Chamar o FMI “por causa do estado em que o PS deixou o país” é uma ideia que pode passar pelas cabeças da direita, que governarem em minoria e democraticamente, no estado em que está o país, será muito difícil.
Se o que Passos Coelho tem feito de dramatização é apenas teatro e vai abster-se para viabilizar o orçamento, será responsabilizado politicamente pelos prejuízos causados. Para ser coerente só lhe resta votar contra o Orçamento de Estado. Os avanços e recuos do PSD, as ameaças de crise política, as certezas dadas a órgãos de informação estrangeiros de que não tem condições para dar o seu acordo às propostas do governo classificadas como “medidas certas” pelo FMI, levantam uma questão. Será que estamos todos a pagar mais pelo crédito que o país precisa, por causa de fanfarronices e bluffs inúteis de Passos Coelho?
Deixando as medidas concretas de austeridade para outra altura, convém lembrar que o PSD recusa agora o aumento de impostos, é sempre popular ser contra os impostos; no entanto aprovaram o PEC II que os tinha, impuseram as portagens nas SCUT do Interior, criticaram as verbas gastas com os professores e a cedência perante as reivindicações dos polícias; e não se sabe quais as reformas estruturais do lado da despesa que vão propor, que organismos querem encerrar, quais as empresas municipais (a maioria criada pelos autarcas laranjas) que não querem, e o mais que se verá. Ainda vão fazer muitas escolhas impopulares para a sua base de apoio eleitoral, antes de tomarem mais se vierem um dia a governar.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Cidadãos Europeus, Uni-vos!

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Mis Camélias-5
Raúl Iturra
APÉNDICE
Aunque algunas personas con poder pretendan, desde hace mucho, hacernos creer que la libertad económica es buena, lo que es una falacia. Como también es un engaño el término liberal en Europa. Véase la matización, dado que en el viejo continente y en el nuevo no significa lo mismo.
Mientras en Europa es la tendencia económica que promueve la liberación de los mercados, en América se refiere a las personas de mentalidad abierta, por lo que siendo poco estrictos, podríamos decir que son definiciones antagónicas. En Europa, ese liberalismo sería algo similar al libertarismo, pero sin sus matices anarquistas. Esa es la razón de utilizar el término neoliberalismo acuñado, creo, por Georges Soros. La libertad de mercados implica la libertad para establecer monopolios y la libertad para que el que tiene más dinero imponga sus normas, por eso los mercados deben estar regulados. De hecho existen muchos grados de liberalismo, pues bien, la escuela de Chicago estaría con aquellos más alejados de las ideas de Keynes y de Galbraith. Esta escuela ha dominado la economía mundial desde finales de los sesenta, pero a raíz de la crisis de los tigres asiáticos y el fracaso de su aplicación en Argentina, se ha iniciado un proceso de crisis. En trabajos recientes se ha demostrado que muchos de los trabajos de esta escuela y en especial de Friedman estaban realizados en un proceso inverso, es decir, primero se ideaba lo que se quería hacer y luego se creaba un estudio en el que se demostraba la validez de esas acciones, si algo fallaba después, siempre se podía culpar a factores externos. Eso pudo servir para Rusia y Argentina como explicación, pero cuando China se negó a seguir los consejos del FMI y contrato a sus propios economistas (la mayoría keynesianos) y salió fortalecida de la gran crisis asiática, el castillo de naipes neoliberal se vino abajo. En nuestro país hay grandes seguidores de Friedman, a pesar de las evidencias, pero además tienen un poder político y sobre los medios de comunicación tan grande como para censurar las teorías que no les son afines. De hecho en España existen grandes economistas de raíces socialdemócratas pero que tienen verdaderos problemas para publicar sus trabajos, mientras entidades como FAES publican los trabajos, incluso inacabados o probadamente erróneos, de "economistas" neoliberales. Respecto a los parias… quienes ha visto un paria gobernando una empresa de alto nivel, la oligarquía dominante tiene asegurado esos puestos, si quieres dejar de ser paria solo puede ser servil adlátere de segunda".
Publicado por Khamykhaze en 12:38 [57]
Decía yo, grande vuelta he dado, por causa de nuestras hijas estar enfermas muchas veces durante el año. Sabíamos como cuidarlas, pero no curarlas... ¡antes supiéramos! Porque si las supiéramos curar, estaríamos ciertos y seguros de tenerlas siempre con nosotros.
Para seguir una cierta cronología, es necesario decir que la época del neoliberalismo había comenzado[58]. Nuestras hijas nacieron en la época previa a la denominada globalización de la economía[59], es decir, cuando la teoría que orienta nuestras inversiones y nuestro mercado de trabajo, pasa a ser, mas una vez, de autoría de los propios propietarios de los medios de producción, que se apoderan cada vez más de la circulación de los bienes. No es extraño encontrar propietarios de empresas de teléfonos celulares que no sean también dueños de mercados. La riqueza, en la globalización, como había sido debatido por Marx en su libro histórico El Capital, ya citado y referido antes, se concentra cada vez más en las manos de una minoría. No es extraño que haya acontecido la ya referida guerra contra los Sunitas de Irán, cuando Saddam Hussein[60] quería controlar el petróleo, para su familia y amigos, de Irán, Irak y otros sitios del Golfo Pérsico y así dominar el mundo al ser propietario de una empresa única de la fuerza motora de las empresas, de la alimentación y del resguardo del frío y otras necesidades básicas. Al camino salió de inmediato otro controlador del petróleo del mundo, los Estados Unidos de América, y la familia que, para dominar el petróleo, conquista la Presidencia de la República Norteamericana, La familia Bus y sus aliados se han apoderado de todo el petróleo al conquistar Irán por guerra y mantener allí sus tropas, deshiladas permanentemente por los Sunitas y los Shiitas, con apoyo de los propietarios de petróleo Árabes del Golfo Pérsicos. Encontró aliados poderosos en Europa, como el Gobierno de Gran Bretaña[61] y de Alemania, "colgados" a los Norteamericanos para tener un costo de vida más barata, lo que resultó en la caída del Primer Ministro Blair y del Partido Demócrata Alemán. Pero la Alianza comienza a caer, como está referido en el texto on line, referido al pié de página[62] La impopularidad de Bush hijo es muy grande en el mundo entero.
Éste es el mundo dentro del cual nuestras camelias deben vivir y criar a sus hijos. Es, también, la razón por la cual nos preocupábamos tanto de su salud, sabiduría e inteligencia, bien como de cultivar su espíritu aventurero y de saber de ciencia. Ellas iban a vivir en un mundo permanentemente en cambio, como yo lo había pensado y escrito en mi tesis en la Universidad de Edimburgo [63].
La primera enfermedad de nuestras hijas, parece ser del cuerpo, pero, al llegar a esta parte de la historia de ellas, pienso que era más social de que biológica. Las biológicas existían y grandes sustos tuvimos con la adquirida por Eugenia en Vilatuxe, Galicia, esa de una meningitis viral, adquirida dentro de los establos de vacas, donde jugaba con sus amigas y que nos la iba matando. O la de Camila, una neumonitis, que la llevó al Hospital, cuando Gloria y yo paseábamos, para enamorar un poco, en París. Mal supimos la noticia, volamos al primer avión y corrimos a Cambrige. Lo que será narrado en el Capítulo siguiente.
APÉNDICE
Aunque algunas personas con poder pretendan, desde hace mucho, hacernos creer que la libertad económica es buena, lo que es una falacia. Como también es un engaño el término liberal en Europa. Véase la matización, dado que en el viejo continente y en el nuevo no significa lo mismo.
Mientras en Europa es la tendencia económica que promueve la liberación de los mercados, en América se refiere a las personas de mentalidad abierta, por lo que siendo poco estrictos, podríamos decir que son definiciones antagónicas. En Europa, ese liberalismo sería algo similar al libertarismo, pero sin sus matices anarquistas. Esa es la razón de utilizar el término neoliberalismo acuñado, creo, por Georges Soros. La libertad de mercados implica la libertad para establecer monopolios y la libertad para que el que tiene más dinero imponga sus normas, por eso los mercados deben estar regulados. De hecho existen muchos grados de liberalismo, pues bien, la escuela de Chicago estaría con aquellos más alejados de las ideas de Keynes y de Galbraith. Esta escuela ha dominado la economía mundial desde finales de los sesenta, pero a raíz de la crisis de los tigres asiáticos y el fracaso de su aplicación en Argentina, se ha iniciado un proceso de crisis. En trabajos recientes se ha demostrado que muchos de los trabajos de esta escuela y en especial de Friedman estaban realizados en un proceso inverso, es decir, primero se ideaba lo que se quería hacer y luego se creaba un estudio en el que se demostraba la validez de esas acciones, si algo fallaba después, siempre se podía culpar a factores externos. Eso pudo servir para Rusia y Argentina como explicación, pero cuando China se negó a seguir los consejos del FMI y contrato a sus propios economistas (la mayoría keynesianos) y salió fortalecida de la gran crisis asiática, el castillo de naipes neoliberal se vino abajo. En nuestro país hay grandes seguidores de Friedman, a pesar de las evidencias, pero además tienen un poder político y sobre los medios de comunicación tan grande como para censurar las teorías que no les son afines. De hecho en España existen grandes economistas de raíces socialdemócratas pero que tienen verdaderos problemas para publicar sus trabajos, mientras entidades como FAES publican los trabajos, incluso inacabados o probadamente erróneos, de "economistas" neoliberales. Respecto a los parias… quienes ha visto un paria gobernando una empresa de alto nivel, la oligarquía dominante tiene asegurado esos puestos, si quieres dejar de ser paria solo puede ser servil adlátere de segunda".
Publicado por Khamykhaze en 12:38 [57]
Decía yo, grande vuelta he dado, por causa de nuestras hijas estar enfermas muchas veces durante el año. Sabíamos como cuidarlas, pero no curarlas... ¡antes supiéramos! Porque si las supiéramos curar, estaríamos ciertos y seguros de tenerlas siempre con nosotros.
Para seguir una cierta cronología, es necesario decir que la época del neoliberalismo había comenzado[58]. Nuestras hijas nacieron en la época previa a la denominada globalización de la economía[59], es decir, cuando la teoría que orienta nuestras inversiones y nuestro mercado de trabajo, pasa a ser, mas una vez, de autoría de los propios propietarios de los medios de producción, que se apoderan cada vez más de la circulación de los bienes. No es extraño encontrar propietarios de empresas de teléfonos celulares que no sean también dueños de mercados. La riqueza, en la globalización, como había sido debatido por Marx en su libro histórico El Capital, ya citado y referido antes, se concentra cada vez más en las manos de una minoría. No es extraño que haya acontecido la ya referida guerra contra los Sunitas de Irán, cuando Saddam Hussein[60] quería controlar el petróleo, para su familia y amigos, de Irán, Irak y otros sitios del Golfo Pérsico y así dominar el mundo al ser propietario de una empresa única de la fuerza motora de las empresas, de la alimentación y del resguardo del frío y otras necesidades básicas. Al camino salió de inmediato otro controlador del petróleo del mundo, los Estados Unidos de América, y la familia que, para dominar el petróleo, conquista la Presidencia de la República Norteamericana, La familia Bus y sus aliados se han apoderado de todo el petróleo al conquistar Irán por guerra y mantener allí sus tropas, deshiladas permanentemente por los Sunitas y los Shiitas, con apoyo de los propietarios de petróleo Árabes del Golfo Pérsicos. Encontró aliados poderosos en Europa, como el Gobierno de Gran Bretaña[61] y de Alemania, "colgados" a los Norteamericanos para tener un costo de vida más barata, lo que resultó en la caída del Primer Ministro Blair y del Partido Demócrata Alemán. Pero la Alianza comienza a caer, como está referido en el texto on line, referido al pié de página[62] La impopularidad de Bush hijo es muy grande en el mundo entero.
Éste es el mundo dentro del cual nuestras camelias deben vivir y criar a sus hijos. Es, también, la razón por la cual nos preocupábamos tanto de su salud, sabiduría e inteligencia, bien como de cultivar su espíritu aventurero y de saber de ciencia. Ellas iban a vivir en un mundo permanentemente en cambio, como yo lo había pensado y escrito en mi tesis en la Universidad de Edimburgo [63].
La primera enfermedad de nuestras hijas, parece ser del cuerpo, pero, al llegar a esta parte de la historia de ellas, pienso que era más social de que biológica. Las biológicas existían y grandes sustos tuvimos con la adquirida por Eugenia en Vilatuxe, Galicia, esa de una meningitis viral, adquirida dentro de los establos de vacas, donde jugaba con sus amigas y que nos la iba matando. O la de Camila, una neumonitis, que la llevó al Hospital, cuando Gloria y yo paseábamos, para enamorar un poco, en París. Mal supimos la noticia, volamos al primer avión y corrimos a Cambrige. Lo que será narrado en el Capítulo siguiente.
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domingo, 23 de maio de 2010
Mis Camélias.4
Raúl Iturra
3. - La primera enfermedad
Es siempre la más temida, esa primera enfermedad. Talvez, yo diría que toda enfermedad en un niño, es el tormento de los papás. Si ya apenas sabemos lo que es ser papás, mucho menos podemos saber como diagnosticar y mejorar a nuestros hijos enfermos. El tiempo ayuda a entender las enfermedades de nuestros descendientes. El problema es en medio entre la primera vez que el primer hijo se enferma, y la segunda vez que la enfermedad acontece. Con un segundo hijo, ya es diferente, todas las enfermedades del primero, se reproducen en el segundo, apenas que ya estamos advertidos y el miedo es menor. Pero el miedo es miedo igual: los papás nos sentimos impotentes de defender a nuestros descendientes que tanto amamos y los queremos ver siempre sonrosados y alegres. Es por eso que recurrimos o a la familia o a otros padres, para darnos noticias. El hecho de tener hijos enfermos, ha llevado, en los tiempos de hoy, a formar asociaciones de padres con hijos enfermos, o crónicos o apenas una gripe.
Esas asociaciones no existían en el tiempo en que nuestras hijas eran pequeñas y se enfermaban. Había, como conté en capítulos anteriores, las mamás nuestras, las abuelas de nuestros hijos, para preguntar. ¡Era como un sahumerio! Lo que nuestras madres decían, era un santo remedio.
Nunca olvido el día en que Eugenia, con seis meses de edad, tuvo su primer resfrío. Hicimos, o más bien, yo hice, porque mi mujer era paciente y sabía lo que se podía hacer: esperar, sin embargo decidí realizar dos cosas. La primera, fue llamar por teléfono al pediatra que trataba de nuestra hija, que la había vacunado contra todo tipo de enfermedades, casi como si la hubiera inmunizado contra todo tipo de hechizos, o eso nos parecía a nosotros, o a mí. Me parecía que todo lo que se hiciera, era poco para nuestra primera hija. Nuestro pediatra me parecía un santo, ese médico, por nombre, Ángel Machiavelo, de Viña del Mar, el más afamado y más visitados por los papás que tenían medios para pagar, porque su fama hacía parte del precio de la consulta. No había familia "bien", si no iba a la consulta de este Pediatra. Como padres nuevos y orgullosos, seguíamos la corriente. Cada vez que encontrábamos a alguno de familia o amigos, preguntábamos cuál era su médico pedíatra, y la respuesta era inmediata, el Dr. Machiavelo, por supuesto, m"hijo[44], con un aire de languidez Tenía el poder de curar, ese poder que, desde el día en que fui papá, yo hubiera querido tener. Eran los días en que, padre novato, me maldecía por haberme hecho Abogado y no Licenciado en Medicina, una de mis alternativas al escoger profesión a los 17 años. Las Leyes y el Derecho no curaban a nuestra hija enferma, pero, por lo menos, daba dinero para pagar los médicos. Una tía nuestra, Adriana Carretero del Mudo, era Médica Pedíatra y Directora clínica del Hospital de San Juan de Dios, en Santiago de Chile. A ella recurríamos mucho cuando nuestras hijas se enfermaban. Pero, el dictado de médico, cúrese a sí mismo, no funcionaba, era necesario ir a nuestro pedíatra. Adriana Carretero se había casado con Michael Eckhart, de Viena de Austria, y tenían la única hija, que ellos adoraban. Como nosotros a las nuestras. Entre la dirección de Hospital, el cuidado de la hija y su inmenso amor por su marido y nuestros viajes, no había más tiempo para encontrarse. La última vez que la vi fue, fue en nuestro regreso a Chile en los años 70, nos saludamos con todo amor, me felicitó por mis estudios, respondí que en breve iríamos otra vez a Gran Bretaña para mi doctorado, y ella, en su buen humor, comentó a las carcajadas. " ¡Este Raúl!, Acaba de llegar, y ya se quiere ir de nuevo... Fue la última vez que la vi o he sabido de ella. Agregó:"hombre, quédense, acá, hacen falta". La única socialista de nuestra extensa familia. Era casi una premonición mía, yo no sabía que iba a tener que volver, en breve, por la fuerza de la historia de Chile, como relato en otro libro.
3. - La primera enfermedad
Es siempre la más temida, esa primera enfermedad. Talvez, yo diría que toda enfermedad en un niño, es el tormento de los papás. Si ya apenas sabemos lo que es ser papás, mucho menos podemos saber como diagnosticar y mejorar a nuestros hijos enfermos. El tiempo ayuda a entender las enfermedades de nuestros descendientes. El problema es en medio entre la primera vez que el primer hijo se enferma, y la segunda vez que la enfermedad acontece. Con un segundo hijo, ya es diferente, todas las enfermedades del primero, se reproducen en el segundo, apenas que ya estamos advertidos y el miedo es menor. Pero el miedo es miedo igual: los papás nos sentimos impotentes de defender a nuestros descendientes que tanto amamos y los queremos ver siempre sonrosados y alegres. Es por eso que recurrimos o a la familia o a otros padres, para darnos noticias. El hecho de tener hijos enfermos, ha llevado, en los tiempos de hoy, a formar asociaciones de padres con hijos enfermos, o crónicos o apenas una gripe.
Esas asociaciones no existían en el tiempo en que nuestras hijas eran pequeñas y se enfermaban. Había, como conté en capítulos anteriores, las mamás nuestras, las abuelas de nuestros hijos, para preguntar. ¡Era como un sahumerio! Lo que nuestras madres decían, era un santo remedio.
Nunca olvido el día en que Eugenia, con seis meses de edad, tuvo su primer resfrío. Hicimos, o más bien, yo hice, porque mi mujer era paciente y sabía lo que se podía hacer: esperar, sin embargo decidí realizar dos cosas. La primera, fue llamar por teléfono al pediatra que trataba de nuestra hija, que la había vacunado contra todo tipo de enfermedades, casi como si la hubiera inmunizado contra todo tipo de hechizos, o eso nos parecía a nosotros, o a mí. Me parecía que todo lo que se hiciera, era poco para nuestra primera hija. Nuestro pediatra me parecía un santo, ese médico, por nombre, Ángel Machiavelo, de Viña del Mar, el más afamado y más visitados por los papás que tenían medios para pagar, porque su fama hacía parte del precio de la consulta. No había familia "bien", si no iba a la consulta de este Pediatra. Como padres nuevos y orgullosos, seguíamos la corriente. Cada vez que encontrábamos a alguno de familia o amigos, preguntábamos cuál era su médico pedíatra, y la respuesta era inmediata, el Dr. Machiavelo, por supuesto, m"hijo[44], con un aire de languidez Tenía el poder de curar, ese poder que, desde el día en que fui papá, yo hubiera querido tener. Eran los días en que, padre novato, me maldecía por haberme hecho Abogado y no Licenciado en Medicina, una de mis alternativas al escoger profesión a los 17 años. Las Leyes y el Derecho no curaban a nuestra hija enferma, pero, por lo menos, daba dinero para pagar los médicos. Una tía nuestra, Adriana Carretero del Mudo, era Médica Pedíatra y Directora clínica del Hospital de San Juan de Dios, en Santiago de Chile. A ella recurríamos mucho cuando nuestras hijas se enfermaban. Pero, el dictado de médico, cúrese a sí mismo, no funcionaba, era necesario ir a nuestro pedíatra. Adriana Carretero se había casado con Michael Eckhart, de Viena de Austria, y tenían la única hija, que ellos adoraban. Como nosotros a las nuestras. Entre la dirección de Hospital, el cuidado de la hija y su inmenso amor por su marido y nuestros viajes, no había más tiempo para encontrarse. La última vez que la vi fue, fue en nuestro regreso a Chile en los años 70, nos saludamos con todo amor, me felicitó por mis estudios, respondí que en breve iríamos otra vez a Gran Bretaña para mi doctorado, y ella, en su buen humor, comentó a las carcajadas. " ¡Este Raúl!, Acaba de llegar, y ya se quiere ir de nuevo... Fue la última vez que la vi o he sabido de ella. Agregó:"hombre, quédense, acá, hacen falta". La única socialista de nuestra extensa familia. Era casi una premonición mía, yo no sabía que iba a tener que volver, en breve, por la fuerza de la historia de Chile, como relato en otro libro.
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